quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Ser despassarada ou não ser...

Se me perguntarem que defeitos tenho, o mais provável é eu começar com ser despassarada. Mas isto não é para ser visto de forma linear. Na realidade, esse ser despassarada para os de fora é, na minha maneira de ver, uma forma de o meu cérebro filtrar a informação que me interessa.

Sou despassarada quando uma pessoa cortou as pontas do cabelo, fez madeixas ou engordou dois quilos. Eu não perco tempo com coisas mínimas. Passo logo para o humor, para o olhar e para o sorriso. Isso diz-me se a pessoa está feliz ou predisa de um carinho.
Se conhecer uma pessoa nova não reparo se traz roupa Sacoor ou Sakoor, quanto muito reparo se é camisa ou camisola. Não reparo se tem carro caro, nem se tem jóias ou um diploma.  Eu não perco tempo com coisas mínimas. Passo logo para o humor, para o olhar e para o sorriso. Normalmente são estes os elementos que me permitem ver como a pessoa é e que cativam (ou afastam).

Ou seja, a bem da verdade, eu não sei (nem quero saber) detalhes que a mim não me dizem nada (basta ver o meu carro, o meu guarda-roupa, os meus acessórios...), mas depois, o que realmente interessa, estou antenada, como dizem os brasileiros. Isto é... sou tudo menoss despassarada...

Acho simpático responder a um email, mandar um postal, prometer dar notícias e cumprir. Acho que é de valorizar o cuidado de se oferecer uma prenda personalizada, que agrade a pessoa que recebe (e somente a pessoa que recebe, aprendi que essa história de oferecer-uma-coisa-que-me-agrade-também é das coisas mais estúpidas neste planeta). Destesto, odeio, abomino a nova moda de espetar um "Parabéns. Bjs :)" no livro das caras e só porque o mesmo nos lembrou disso. Uma mensagem (mesmo que no FB) pessoal, privada, com mais que uma linha... detalhes agradáveis, em tudo opostos ao "despassarada" lá de cima.

E como eu, analisando bem a coisa, não me considero nada despassarada, começo a ficar farta das pessoas que não me dão os parabéns porque a data não está no FB (estou a falar de gente que conheço de muito antes da rede social nascer, não as pessoas que me conhecem só virtualmente). Começo a perder a paciência que não atendam o telefone em horários decentes e depois retribuam quase de madrugada só porque, despassarados, não ouviram o telefone. Começo a ficar farta que só mandem notícias quando eu mando e comecem com ando há que tempos para te escrever e rematem a mini-mensagem com eu mando-te um mail com detalhes esta semana. E e depois não apareça nada até eu voltar a dar notícias e voltamos ao ando há que tempos para te escrever e rematem a mini-mensagem com eu mando-te um mail com detalhes esta semana... uma equação de infinito elevado o cubo...

Dependendo do meu humor, uns dias dá a sensação de desleixo dos outros, outos dá a sensação que estão fartos de mim, mas que não o querem dizer e acabaram de inventar uma desculpa esfarrapada... seja de que forma for, parece-me que já vai sendo tempo de as pessoas (as que eu conheço, mas também as que nunca se cruzaram comigo, mas fazem destas aos seus amigos) serem menos despassaradas e preservarem as amizades. Qualquer dia neste mundo só vai haver pessoas a clicarem em "gosto", lamentando a inexistência da tecla "não gosto", usando aplicações com bandeiras em marca de água por vítimas de guerras que não conhecem, não vivem (e ainda bem!), mas que existem. Que existem por causa de certos animais, mas também porque as amizades são cada vez mais débeis à custa da falta de tempo, da crise e dessa característica-desculpa pessoal que é ser despassarado.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

WAB2 e a esperança no fim do pesadelo

3000 euros, fazendo a conta por baixo, foi quanto eu gastei na porcaria da carta de condução nesta terra. Curso disto, curso daquilo, até duas pós-graduações (WAB =Weiterbildung = vão ver ao dicionánrio se ando longe).

Se não mudarem as regras, não tenho que fazer mais nada a não ser esperar que passe o tempo de prova (ainda mais dois anos!) para, FINALMENTE, obter a minha carta de condução definitiva.
Isto não uma cesariana, foi mesmo um parto a ferros!!!! Mas o último esforço foi feito na Segunda. Embora que não  foi por ter sido o último que a coisa se tornou mais fácil ou mais simples ou mais interessante ou mais coerente. Uma vez mais, deitei dinheiro fora e perdi um dia (deitada no sofá a ver o reality show do momento, teria tido mais proveito!!!)

Ora vejamos, começou-se o dia com um filme com dois cromos a baterem na cabeça um do outro com uma colher de pau. Para que serve o vídeo?!? No F-idea!
A partir daí foi a descambar... passei o dia a ouvir falar do futuro que vai ser dos carros automáticos. Quea fórmula 1 é um bo  tubo de ensaio para esse futuro. Sónaquela... os carros de corrida têm mudanças de que tipo?!? (Pergunta retórica) Pois... para quem não sabe conduzir e para quem não gosta nada de conduzir... talvez. Para mim, é bem mais interessante a interacção com a caixa das mudanças do que ir ali só a carregar ou a soltar o acelerador... mas isto sou eu...
Ah! E que ninguém ouse dizer que conduzir um carro convencional é diferente de conduzir um automático, ou quem diz isso, diz um caro pequeno contra um grande. Segundo aqueles instrutores da treta, é tudo a mesma coisa. Nem comento, porque me dá urticária...

Depois, andámos a gastar gasóleo para supostamente aprendermos a conduzir de forma ecológica. Irónico, não?!? Aprendemos com um carro automático, embora nenhum dos alunos tenha um carro automático ou esteja para aí virado (euzinha... foi a primeira vez que conduzi uma coisa daquelas [e espero nunca mais conduzir um...])
Nessa coisa de aprender a conduzir de forma ecológica (e teoricamente mais económica), foram dadas muitas instruções: subir as mudanças, ter cuidado com as rotações, equilibrar a carga e outras coisas banais que qualquer anormal sabe que faz bem ao seu machibombo.
Mas... eu aprendi mais umas quantas... acelera-se e depois solta-se o acelerador e deixamos o caro rolar, sem travar. Esta é linda!!! Dependendo do sítio e da situação, soltar o pedal do acelerador sem fazer mais nada vai fazê-lo andar aos solavancos. Se não travarmos, nem controlarmos com a caixa de mudanças também me parece que pode ser altamente perigoso... mas sou eu que acho...
Descobri também que se formos num pára e arranca ou se subirmos e baixarmos as mudanças temos a sensação que andamos mais rapidamente. Eu devo ser um atraso de vida... pois eu achei que o meu colega que ia a fazer outro tipo de condução (de propósito) conduziu mais rapidamente do que eu e na realidade... ele demorou 1 minuto e alguns segundos a menos do que eu a fazer os mesmos quilómetros... ou seja, a minha impressão era uma realidade, mas eu devia ter tido a impressão ao contrário. Hã?!? Se eu tive a impressão correcta, não quer dizer que tenho mais sensibildade para aquilo?!?!
No entanto, o ensinamento que mais gostei de ouvir (ou então não) foi um que eu conheço há anos: fazer descidas em ponto morto poupa energia e como consequência minimiza as emissões poluentes. Isso eu sempre soube, mas... nunca pensei que um instrutor escrevesse isso um quadro em sala de aula. É como um pneumologista estar a dar uma consulta de cigarro na mão. Ou o professor de português usar calão na sala de aula. Nós sabemos que existe, mas não estamos à espera que as autoridades na matéria nos digam para fazer o que eles sabem que não é bom fazer...

Depois ouvi coisa giras de como se pode saltar de quinta para terceira ou de quarta para segunda ou de sexta para quarta plena autoestrada. Até pode ser, mas não vou ser eu a arriscar essas cenas na minha caixa de mudanças...

Anda ouvi que quem conduz na autoestrada não se deve preocupar com nada porque na autoestrada não acontece nada de relevante que prejudique a nossa condução. Esta foi proferida por uma aluna, mas eu já estava tão fartinha daquilo que me saltou a tampa e dei-lhe um berro e só me faltou chamar-lhe atrasada mental depois de lhe dar várrios exemplos de perigos na autoestrada (pneus que rebentam, animais, obras, acidentes, até pequenos aviões que podem aterrar!).

 Bolas...quase que tive um esgotamento... os homens são maus condutores porque têm mais acidentes (estou a citar), num acidente numa faixa da esquerda dentro de um túnel não devemos tentar desviar-nos para a direita, pois pode vir um carro. Esta pérola foi depois de vermos um filme de um carro ter conseguiu fugir a um choque em cadeia. O instrutor disse que nunca iria fugir para a direita. Iria manter-se na esquerda (e ficar ensanduichado)... siiiim!!!! como se eu acreditasse que o politicamente correcto de uma aula de condução não seria dominado pelo instinto de sobrevivência...


Eu juro... só a mim para me acontecer tanta treta desta... É que 3000 euros... davam umas ótimas férias num sítio interessante, com motorista permanente!!!!

Eles estão de olho...

No dia em que resolverem fazer um controlo à minha pessoa, vou estar bem tramada... ainda me mandam pagar multa por acumular lixo na mochila... :D
Mas além da vergonha de ter que tirar milhentos pedaços de papel e jornais velhos, sei que nada mais me vai envergonhar ou, melhor ainda, arranjar problemas.

Fiquei a pensar no raio da mochila cheia de entulho por causa do que vi hoje ao sair do trabalho. Numa loja, dois seguranças pediram para um homem se  identificar e estavam a passar vistoria. Com luvas calçadas pediram papéis, que a mulher segurança segurou. A seguir o homem segurança começou a fazer inspecção corporal. Não fiquei para ver, mas sei que procuravam armas e artigos suspeitos e/ou ilegais e depois iriam pedir ao homem que abrisse a mochila e retirasse  o conteúdo.

É... a Suíça tem as fronteiras abertas, mas o controlo é permanente. Em todo o lugar, a qualquer hora, a qualquer pessoa, com mais incidência em pessoas com aspecto e/ou comportamento suspeito. E agora com a pressão dos últimos acontecimentos... o cerco está bem apertadinho, que é para não termos frio....

Se calhar uns são inocentes e não deviam ser perturbados, mas... mais vale perder 10minutos de tempo  do que ficar com a impressão que ninguém se preocupa connosco.

sábado, 21 de novembro de 2015

I've got to be a macho

Andei que tempos à procura da vassoura para varrer a loja. Depois perguntei ao N. (sub-chefe) por ela. Tinha-a emprestado a uma funcionária da loja ao lado. Passado um pouco vem a moça fazer a entrega e eu até lhe peço para não a colocar no sítio, pois não vale a pena. No entanto, com tanto cliente, acabei por deixar a vassoura para mais tarde.
Estava eu assoberbada com tanta clientela, qual não é o meu espanto!, aparece o sub-chefe com a vassoura e deixa-a junto à caixa, sabendo ele que eu  nunca começo a varrer ali... numa de olha já podes varrer, não te esqueças!! que eu até fiz o favor de trazer a vassoura.
Mais tarde, agarrada à vassoura, deixei o meu pensamento voar e apercebi-me que sempre vivi com machistas. Tirando o meu irmão e um amigo meu, nunca vi nenhum homem em Portugal a dizer-me deixa que eu varro. Depois continuei com o exercício mental e quase que não encontrava nenhum ser que salvasse a honra. Lá me lembrei do M. que muito facilmente pegava na vassoura ou na pá quando percebia que o trabalho estava no fim. Claro que muitos outros homens varriam, limpavam nos sítios onde trabalhei. Mas nenhum era o primeiro, de forma espontânea, numa de who cares?!? Eu quero é ir para casa! Havia sempre aquela sombra de vou-fazer-porque-parece-mal-estar-aqui-parado.
É um tanto ou quanto frustrante...

domingo, 15 de novembro de 2015

Coisas que detesto...

... no aeroporto de Lisboa.
Um casal de brasileiros estava perdido, tentei ajudar, mas não sabia. Interpelei um segurança. Respondeu-me por cima do ombro. Literalmente, pois ele não chegou a abrandar a marcha para ajudar.

Detesto que os funcionários falem primeiro em inglês. Estamos em Portugal, fala-se português. Se depois percebemos que não entedem, aí fala-se tudo até se acertar...

As senhoras da limpeza andam sem luvas. Limpam chão, escadas, portas, lavatórios e latrinas... onde andam as asaes?!? Elas apanham doenças na casa-de-banho das mulheres e vão espalhá-las nas casas-de-banho dos homens, nos escritórios, nos balcões que limpam e em que nós tocamos. Depois, ao fim do dia vão levá-las consigo para o autocarro, para o metro, para casa... é uma questão de saúde das funcionárias, mas também é uma questão de saúde pública. Sem falar no nojo!!!
Quando eu limpava no aeroporto, só tirava as luvas para varrer, pois elas incomodam muito com o calor. Mas se o chefe me via sem elas, vinha logo perguntar porquê, eu explicava e ele ia-se embora reforçando que eu só podia deixar as luvas para agarrar na esfregona ou na vassoura. Se fôssemos apanhadas a mexer no lixo ou limpar sem luvas... eramos advertidos!!! E, claro!!!!!!!, as luvas eram cedidas, diariamente, pela entidade patronal!!!!!

Adenda: depois de três horas e umas quanta idas à casa-de-banho, vejo finalmente uma (UMA!) funcionária a trabalhar de luvas. Uma! Ui!!... que fartura...

Cromices

Estou no aeroporto a fazer tempo e decidi corrigir coisas por aqui (e muitas ainda ficam para trás). E apercebi-me que tinha um post antigo sem ser publicado. Sei que já falei desta figura, mas ele é uma figura tão figura que merece um texto centrado só nele...

O Herr R. é dos clientes mais estranhos que temos. Pede diversos jornais que não mostram relação nenhuma (quem trabalha na banca, por exemplo, compra jornais de economia). Depois só quer exemplares bonitos. Oh pá às vezes até molhados vêm... que hei-de fazer?!? É capaz de telefonar às 6h da matina para dizer que só quer os jornais que tiverem o príncipe George na capa (whaaat?!?). Consegue encomendar jornais que não existem. Tirando as milhentas recomendações sobre o modo como devemos guardar, empacotar e o raio os jornais dele. Depois aparece para aí uma vez por semana a buscar as coisas. Alto, muito alto, com alguma barriga, um pêlo de rato desgrenhado na cabeça, um laço folclórico que normalmente não combina com acamisa também folclórica e entalada de forma estranha no cós das calças.
Chega e apresenta-se como se ninguém conhecesse a peça e faz questão de se dobrar para ler os crachás. Depois de uns dez tipos diferentes de salamaleques paga as tralhas e vai-se embora. Tirando as vezes que temos tudo pronto e el vai embora ah tenho comboio, venho amanhã e levo tudo. Quêêêêê?!? Temos tudo pronto e o cromo só tem que pagar e faz-me isso?!?!
Deixa sempre gorjeta. Não costuma ser má. Mas... ele que enfie a gorjeta num certo sítio que eu cá sei. Preferia não receber gorjeta se isso fosse sinal de um cliente com juízo...

No entanto, parece que sou eu a única que não me deixo comprar por uns trocos... toda a gente reclama dele, mas quando ele lhes acena com dois francos... parecem cachorrinhos em frente a um biscoito.

Para mim vale mais a pena outras coisas. Um sorriso, uma palavra agradável. Uma despedida simpática. Acontece-me quase todos os dias. No Domingo um cliente perguntou se tinha estado de férias. Lá lhe expliquei que tinha trabalhado durante várias semanas no turno da tarde. Ah! é que eu senti a sua falta.
Hoje foi ainda mais agradável. Eu já me tinha despedido da senhora. Ela já estava a caminhar para a saída, pára, vira-se de repente e atira-me com um você é muito simpática. Foi tão inesperado que eu até gaguejei para agradecer. Mas... valeu mais do que qualquer nota de 1000 francos...

Por vezes sinto-me frustrada por viver na Suíça e nas condições que são. Não é por viver aqui e assim, é pelo que me trouxe até aqui. Mas já há muito tempo que aprendi a viver sem criar expectativas loucas. O senhor R. é compensadonpelos sorrisos dos outros e pelas saudades que provoco nos outros. E ao fim do dia posso dizer que vou feliz para casa por ter feito o que fiz. Não sou uma DJ conceituada como o van buren, mas acho que sou tão feliz ao vender revistas como ele é a passar música...

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

É assim tão diferente?!?

Está na moda ser contra o Halloween.
Ah... porque a tradição é diferente da nossa! Eu pergunto: têm a certeza?

Há quem diga que se faça nas Beiras. Beirã que sou, só descobri o "Pão por Deus" aos 11 anos, quase 12, no primeiro ano em que vivi em Fátima. Lá dizia-se "ir ao bolinho" e havia uma lengalenga qualquer que tinha as palavras 'bolinho' e 'santinho' à mistura. Ou seja, andar de porta em porta a invocar Deus para sacar comida, é algo muito semelhante ao trick or treat. Não?!?

Depois é a história do culto dos mortos, alimentar as almas, o fim das culturas, a entrada no Inverno. Halloween, Dia de los Muertos, Dia de Finados. Datas muito próximas e intenção igual.

 Ah e as máscaras?!?! A sério?!? Hão-de explicar-me o que são os caretos. Ah porque isso é no Carnaval. Carnaval ou Entrudo? E como é que se relacionam as coisas?! Com a Quaresma. De certeza?!?
Ah porque é pagão. Pegando no Carnaval, nas máscaras, na Quaresma... Segundo o pouco que sei, a Páscoa depende da Quaresma e vice-versa (aquela acontece ao fim de 40 dias desta e esta termina ao fim de 40 dias com a festa daquela... matemática simples!). Mas... não dependem também da Lua?! Misturar a Páscoa com o ciclo Lunar não é seguir o paganismo?!?! Então?!?! Where is the problem?!?!

Mas o que eu mais gosto nesta história é serem contra o Halloween e depois são os primeiros a adoptar milhentas tradições estrangeiras, em diferentes épocas do anos, como por exemplo, as tradições no Natal. Ora veja-se:

A árvore não é portuguesa, mas do centro-norte da Europa. A árvore nem sequer é um símbolo cristão, mas adoptado pelo Cristianismo numa forma de "abafar" o paganismo.
O Pai Natal vem da Europa do Norte ou da Turquia. Ah porque é um papa. É justo! Mas se é assim, festeje-se o dia dele!!! Alguém sabe qual é? Uma dica, mais de um mês depois do Halloween, mas antes do Natal!
Sempre acho os espanhóis mais coerentes... o Menino Jesus recebeu a visita dos reis e as respectivas prendas e não de um homem gorducho, fofo, barbudo e vestido de vermelho... a propósito, o S. Nicolau era um papa. O vermelho é uma cor papal, não de um refrigerante. Se não acreditam, procurem imagens de representação de São Nicolau.

Isto porque uma colega que partilhou um texto já antigo de um blogue onde afirmam: DETESTAMOS o Halloween (garrafais no original). Falam da festa como se fosse um crime adoptar as tradições de outros países. Mas esquecendo-se que a começar pelo título deviam ser os primeiro as estarem calados. Porque índios tanto há na América do Norte como na América do Sul, mas só num certo país da América do Norte é que os tratadores de vacas se chamam cowboys.
Não estou aqui a dizer que devemos adoptar as tradições dos outros e esquecer de vez as nossas. Mas, arranjem outras cruzadas mais interessantes. Sei lá lutar contra tradições há muito enraizadas na nossa cultura, mas que deviam desaparecer rapidamente, tais como: ordenados baixos, fuga aos impostos, injustiça social, violência doméstica... and so on and so on... Mas se acham que não são capazes de abraçar tais lutas, ao menos lutem para que as campanhas de Natal comecem depois de o Halloween acontecer...

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Dos lamentos dos cães

Ontem li uma história que me fascinou. Daquelas coisas minúsculas, comuns nas redes sociais para dar um ensinamento de moral qualquer e que normalmente só servem para entupir as nossas páginas pessoais. Quando li a primeia linha fiquei na dúvida. Mas no fim, posso dizer que foi das melhores que li nos últimos anos e adequa-se tão bem a tanta gente...

Um homem vai a uma gasolineira para encher o depósito. Enquanto o faz, ouve um cão ganir. O bicho não pára de ganir de forma aflitiva. O homem chega à caixa para pagar e pergunta:
- Que se passa com o cão que não pára de ganir?!?
- Nada de especial. Ele está sentado em cima de um prego que o magoa. Por isso não pára de ganir.
- Mas se o magoa, por que é que ele não sai dali?!?
- Porque dói o suficiente para ganir, mas não o suficiente para mudar.

Na Segunda à noite, uma colega perguntava no livro das caras se não podíamos ter uma hora extra como no Domingo. Respondi-lhe a brincar com uma frase que faz parte da minha infâcia: querias, batatinhas com enguias. Foi dar licença à reclamação. Ah, porque já fiz isto, aquilo, aquilo e aqueloutro. Ainda não vi a cama. Olhei para o relógio e era quase meia-noite na Tugolândia. Para quem anuncia que está a ver a série X à uma ou duas da manhã (ela é que costuma fazer, não eu)... aquilo até era cedo...
Como começo a estar fartinha de tanta lamúria. Disse-lhe que deixasse o trabalho como professora e se dedicasse a outro ofício. E fui dormir, pois, embora estivesse de folga no dia seguinte não me apetecia ir irritada para a cama.
No dia seguinte, vi a resposta desdenhosa dela: Oooh! Agricultura!

Eu não entendo... sem falar na justiça ou injustiça da coisa, que ninguém diga que não sabia que o trabalho de professor é burocrático, aborrecido, complicado, subvalorizado apesar de ser sobrecarregado. Toda a gente sabe, e mesmo que não saiba, todos os que estagiaram puderam ter uma amostra das dores de cabeça.
Assim, por que raio andam sempre a lamentar-se?!? Já sabiam...
Mas se acharem que é demasiado, que vai muito além do previsto... dediquem-se a outra coisa qualquer e deixem o trabalho para quem quer e não tem medo...
Depois... por favor, não desdenhem de outras profissões como se fossem gente superior. Paaaaaleeeease... quando se conhecem as histórias de vida de certas pessoas e depois vemos como elas desdenham... é simplesmente ridículo.

Párem de ser cães e pode ser que a vida se torne mais fácil...

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Un peu moins ennuyeux

Depois de almoço lá seguimos para Le Locle, sempre na esperança que fosse mais interessante. Bem.. a terra... aborreciiiiida. Tem o edifício que era da junta de freguesia e agora é um tribunal. Um jardim com uma estátua em frente à casa e prontosssss... 



Valeu a visita a um museu. A entrada não era cara e nós acabámos por não ver metade, pois andámos embasbacados ah! Que giro. Ah! Que bonito!  Ah que interessante. Ah! AH! Aaaaaah!


Logo no jardim havia coisas interessantes. Uma árvore plantada no 700.o aniversário da Confederação.
E numa espécie de tenda estavam os pesos de um relógio de torre.

Um relógio solar e ainda um pêndolo. Não mostra as horas, claro, mas os pêndolos fazem parte dos relógios. Este pêndolo é do autor e foi criado no ano para exposição.

Achei piada aos sinos (não tocam). Mas fiquei fascinada com esta clepsidra. Não está em funcionamento, mas... é linda!
Ao lado, uma clepsidra de outra natureza. Uma casca de côco com um furo. Coloca-se sobre a água e espera-se que afunde e já passaram uns 3 ou quatro minutos...


No museu havia uma exposição temporária com o nome Porquoi je t'aime? ou les 5 temps de la industrie horlogère.
Pegaram em diferentes tipos de tempos e apresentaram-nos de forma deveras interessante.


Em 1741, ali juntinho ao centro do corte da árvore, morreu Daniel Jeanrichard, pioneiro na indústria relojeira no século XVII na zona de Neuchâtel. E assim se marcou o Tempo Natural. Ao lado estava o Tempo Matemático, mas se me dissessem que era o tempo chinês também servia... eu nem alguns dos símbolos consegui identificar... :p

Achei piada ao Tempo Profundo, mas... aquilo também não podia ser tempo natural?!?!?
Ao lado, temos uma imagem de uma das sete etapas de Les Temps Vécu. O nascimento, a infância, a idade adulta e por aí fora. Gostei especialmente desta: os 100 anos, a idade da imbecilidade ou da infância.

Da secção Les Temps des Saisons resolvi colocar uma foto do mês de Novembro, por ser o meu mês. Ao fundo um desenho onde se podem ver os signos do mês. As folhas de azevinho. O culto dos mortos.
E deu-me vontade trazer metade daqueles calendários... cada um mais mimoso que o outro.


Depois temos o tempo por aproximação (é o que entendo por Les Temps Aproximatif). Estes novos relógios que funcionam com luzes e dão "mais minuto, menos minuto" não são propriamente a minha onda...
Mas ali aqueles astrolábios... siiiim, valem bem a pena!


Depois na secção do Tempo Cronológico temos frisos cronológicos segundo milhentos calendários, alguns dos quais eu nunca tinha sequer sonhado, que mostram se são calendários solares, lunares, quando começaram e/ou acabaram em relação ao calendário gregoriano... E depois há exemplos físicos desses mesmos calendários. Como o calendário muçulmano (primeira foto, em cima) ou o calendário nepalês e tibetano aqui em baixo.

Também havia um calendário dos Maias, em gesso, parece-me, mas... com o fim do Mundo em 2012 toda a gente sabe como era o calendário deles, por isso dediquei-me a fotograra mais umas preciosidades relojoeiras...





Não sei como se podem ler as horas neste relógio, mas ali o V e o IIII estavam em janelas, por isso, parece-me que há um mecanismo que faz rodar as peças lá dentro. Também achei piada à folha de ponto. Eu trabalhei numa fábrica onde a carta tinha mais ou menos este aspecto, mas não era de picar, nem de escrever à mão, era mesmo carimbado automaticamente na máquina.



Na terceira foto há um crucifixo relógio que me pareceu um bocado sinistro. Mas no todo... os detalhes, ponteiros minúsculos, rendilhados, encastrados... ah! quem me dera ter metade da arte desta gente...

Devido aos muitos aaaah! ficaram outras secções por ver, e muitos relógios, principalmente os modernos, que podemos ver em publicidades ou em casa de algum amigo rico, foram vistos a correr contra o tempo (piada gira, não?!?! :p)





domingo, 25 de outubro de 2015

Ennuyant

Há dias caí na asneira de perder o meu tempo num sítio feio. Mas... quem é que ia adivinhar que um sítio que é Património da Humanidade podia ser tão feio e aborrecido?!?!
La Chaux-de-Fonds e Le Locle são duas terriolas no cantão Neuchâtel, ali a cair para  a fronteira suíça.
Como é uma zona um tanto ou quanto inóspita para a agricultura, dedicaram-se à relojoaria e construíram as duas cidades em função disso. Principalmente em  La Chaux-de-Fonds nota-se uma geometria criada nas ruas para facilitar o desenvolvimento da indústria. Quando eu vi fotos pensei que era isso que ia ser interessante... quando cheguei lá...

Mas comecemos pelo começo.  
A viagem até lá baixo é bastante interessante. Mesmo encoberto e com chuva, pode-se ver que o maciço Jurássico é brutal (sim, o que deu nome aos dinossauros!). sem qualquer ironia. É mesmo bonito!

Depois há o ponto positivo de se passar na zona do queijo Tête de Moine. Eu sou suspeita, pois adoro queijo, mas Tête de Moine é muuuuito bom. E como bónus é um queijo bonito de se ter à mesa, pela sua forma inusitada de ser apresentado/consumido.
Na foto aqui por baixo vemos isso mesmo: um queijo e respectivo suporte gigantes... 

La Chaux-de-Fonds...
.


Destacam-se meia dúzia de casas com flores e/ou varandas. De resto... ruas de um sentido, com muitas zonas de 30km/hora (acho que é a terra com mais escolas por metro quadrado), ladeadas por blocos direitos com umas cores esbatidas e pouco mais.





Era um relógio na base do prédio de onde se pode ver a cidade toda. (No topo tem um restaurante... que também não recomendo).

Honestamente, a coisa mais engraçada que vi nesta terra foram mesmo os candeeiros de rua. Não percebi a utilidade, mas achei piada àquelas coisas que lembram cabos de alta tensão.


No jardim museu da relojoaria há várias esculturas. Uma delas é um pseudo marco geodésico com cara de relógio solar que assinala a altitude da coisa... a base são os 1000 metros.
Ao lado temos um carrilhão. Se formos procurar vídeos dele vamos encontrar com o epíteto de maior carrilhão do mundo. Pois... não! Mas garantidamente deve ser dos mais aborrecidos...


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Do ciclo da vida

Conheci-a há mais de 20 anos. Baixinha. Com uns óculos muito grossos. Era a pitosga, como algumas pestes adolescentes lhe chamavam. Era velha. Sempre a conheci velha e enrugada. Era a Irmã do Lanche, como a maioria lhe chamava, porque era ela que nos preparava o lanche, todos os dias, sem excepção. Ou melhor, com a excepção quando lhe parti uma jarra numa mão e a cortei toda. Adolescentes com a cabeça no ar é no que dá... andei semanas a esconder-me dela. E a coitada queria era dizer-me que estava tudo bem, que não tinha que me preocupar.
Durante seis anos foi ela a minha companhia na hora de lanchar. Falava comigo sobre a escola, sobre a vida e quando me tornei maior falava comigo sobre a minha grande paixão assolapada e na sua inocência dizia: se o D. te visse a trabalhar ia perceber que és um bom partido. Meiguinha, com uma paciência superior à de Job. Foi uma espécia de avó consagrada à vida religiosa.
Como disse, era velha, sempre a conheci velha. Tinha mais de noventa anos e estava muito lúcida. Mas se a cabeça aguentou, fiquei a saber que o corpo não. E apesar de acreditar que o sofrimento dela acabou... estou triste pela minha Irmã Teresa Maria.

sábado, 17 de outubro de 2015

Entrelagos

Interlaken (Entre lagos) fica literalmente entre lagos (Thunersee e Brienzersee) e por isso tem esse nome tão original... Devo dizer que não é a terra mais bonita do mundo, mas se uma pessoa procurar bem... há sempre qualquer ponto de interesse.

Uma das coisas engraçadas é a maior e mais antiga macieira que existe na Suíça. Fica entre uma igreja reformista e uma católica que, a meu ver também não são as mais bonitas do mundo. De salientar é que ficam na rota dos Caminhos de Santiago, como outras duas em Thun. Acho que a área envolvente é a que mais pode interessar em toda a cidade...

Como é uma zona turística, há muitos hotéis, lojas de souvenirs e chineses, muitos chineses de tablet em punho a fotografarem tudo e todos...

Tem ainda um parque composto por diversos pavilhões dedicados aos mistérios da humanidade: os Maias, Nazca, Stonehege, entre outros. Passei lá ao lado, mas confesso... não me atraiu rigorosamente nada!

Mas... o que valeu  pena em Interlaken, não foi propriamente em Interlaken. Não estava de todo nossos planos, mas... ainda bem que adicionámos aos nossos planos...

Enquanto procurávamos estacionamento, encontrámos também a placa para um ascensor. Eu olhei para ele e... ai que dor de barriga, mas era impossível estar ali e não arriscar... São cerca de 8 minutos a subir a uma velocidade bastante razoável, de costas para a encosta, fazendo uma curva para a esquerda (quando se está no sopé a olhar para a encosta). As vertigens podem ser tramadas, mas... eu ia: não olhes para o lado... e olhava... e não olhes... e olhava... depois ia: concentra-te nos carris, não no fundo da encosta... e olhava par ao fundo... nos carris!!!... e concentração no fundo... e o meu colega ria-se à minha custa.


Para cima fomos todos bem sentados, sem problemas. Para baixo a coisa vinha à pinha e lá vinha eu em pé. Agarrada a não sei o quê e a fazer uma força descomunal e completamente desnecessária... o ascensor não tremia nada e eu consegui fazer com que a minha mão ficasse gelada com a força!!!!!!!!!

Mas pronto... apesar deste atrofio... chegar lá a cima e... BRUTAL!!!

Em Harder Kulm, temos uma vista... sem adjectivos decentes para a situação... sobre os lagos e sobre as montanhas. A 1322 metros de altitude temos o que se pode chamar de "Plataforma dos dois lagos". Eu agarrei-me bem ao corrimão, mas... as vertigens não venceram. Não podiam... Em cima da plataforma, da esquerda para a direita vemos o Brienzersee (qualquer coisa como lago de Brienz)...

... as montanhas sempre nevadas (picos mais altos da esquerda para a direita): Eiger (3970m), Mönch (4107m) e  Jungfrau (4158m), fazem parte do Património da Unesco, numa complicada ligação com outros picos dos Alpes...
... o vale entre os lagos e os pequenos rios que se formam entre os lagos...
... e por fim, novamente o lago de Thun.

No regresso a casa, viemos por outra zona bem diferente e optámos pela nacional. Além das autoestradas aqui não serm a coisa mais cool do mundo (80km, 100km, de vez em quando 120km...), pela nacional, vêm-se coisas bem interessantes. Como este pequeno lago. Lungern de seu nome, no cantão Obwalden.


Decididamente, foi um dia... sem muitas palavras...