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quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Pneus de Inverno

 Os pneus de Inverno não são obrigatórios por lei, mas se tivermos uma acidente com gelo, por exemplo, e não tivermos os pneus... o seguro salta fora. Assim, todos os anos em Outubro ou Novembro vou trocar os pneus (não uso pneus de Inverno todo o ano porque são desconfortáveis para conduzir). 
Quando faço a troca peço sempre para fazerem uma pequena revisão: óleo, líquido dos vidros e anti-congelante.

Desta vez marquei pela internet. Lá me apresentei a horas e a senhora da recepção confirmou o tipo de serviço e acrescentou:
- O procedimento demora entre 45 e 60 minutos. Está de acordo?

Claro que estou... fazer o quê?!?! Se quero um bom serviço...

Aproveitei e fui ao supermercado e voltei uma hora depois. 

Quando cheguei para levantar a chave, ela perguntou se que queria pagar na hora ou se mandavam para casa, acrescentando o valor total. Eu disse que pagava na hora. Que adianta esperar? Aqui não se engonha, pois ao fim de dois ou três meses temos o tribunal à perna.
Então ela recapitulou:

- Mudança das rodas e as de Verão estão no carro (sim, eu tenho jantes a dobrar, herança do carro acidentado ese não tivermos espaço em casa, podemos pagar para eles nos guardarem os pneus/rodas até à próxima mudança, por isso ela frisou o facto de elas estarem no carro para eu trazer para casa). Os pneus têm X de perfil, o que significa que na próxima Primavera ainda os pode usar.

E prosseguiu:

- Controlo dos líquidos e recarga dos mesmos. Zero vírgula 5 de óleo. Zero vírgula três de anti-gelo. Um litro de líquido dos vidros. (sim, eu escrevi por extenso para se perceber até que ponto ela foi explícita a dar-me os valores)


No fim, paguei 122,80 francos (cerca de 116 euros). De outras vezes houve outros tópicos a tratar por isso nunca tinha visto preço deste serviço. Mas...  fiquei deliciada com a mulher e as suas vírgulas... :D :D

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Topo da Europa

Isto dos coronas acabou por ter um lado positivo. Com as fronteiras praticamente fechadas, turismo em massa da China e da Índia é coisa que não se vê por aqui. Então, certos locais que estavam permanentemente sobrelotados com turistas estrangeiros, agora estão só lotados com turistas nacionais. Eu tenho evitado ao máximo os passeios cliché ou pelo menos em alturas cliché. No entanto, este passeio cliché, em altura cliché (Maio, não há muito frio, nem grandes nevões, mas as montanhas ainda estão fofas de neve), não pode ser evitado. Arranjámos uns bilhetes muito mais baratos e quando veio um dia de Sol... lá fomos nós ao Topo da Europa

Foi um dia de... uau... que lindo!


Fomos de carro até a Lauterbrunnen (visitado o ano passado, com muitos turistas nacionais também!) e apanhámos um comboio até Kleine Scheidegg (azul escuro). Depois trocámos para outro que é um dos orgulhos deste país e fomos até ao Jungfraujoch (azul claro). No regresso descemos de comboio até Eigergletscher e fomos de teleférico até Grindelwald (linha recta cinzenta). E daí partimos de comboio de volta a Lauterbrunnen


Aqui já estava dentro do comboio, em modo subida e podia ver o vale, Lauterbrunnen e a sua cascata mais famosa.


Claro que... quanto mais subíamos, o verde desaparecia para dar lugar ao branco.

Mönch

Jungrfraujoch significa ravina do Jungfrau (Jungfrau pode ser traduzido como virgem, mas no caso é só mesmo o nome de uma montanha). O Jungfraujoch fica ali "entalado" entre montanhas Jungfrau e a Mönch. Montanhas que, em conjunto com a Eiger, são um ex-libris dos Alpes Berneses (mesmo encostadinhos ao Wallis). 
Além disso, mesmo ali ao lado fica o Glaciar Aletsch.

Jungfraujoch é também sinónimo de caminhadas, de compras e  museus alternativos...

Nestas duas fotos vemos as formiguinhas a caminharem em direcção à Mönch Hütte, A "cabana Mönch" é bem grande, nada de bela, mas tem dormidas e restaurante para quem quiser passar a noite lá nas alturas. :) 




Aqui vemos uma das várias esculturas de madeira expostas no complexo por cima da estação de comboio. Esta "bola de neve" é fantástica. Cheia de detalhes sobre a Suíça, música e bonecos animados a acompanhar. :)

A outra escultura é a reprodução em gelo de uma cena de um filme de Charles Chaplin (também figura importante para a Suíça). Neste palácio de gelo havia um bar (não me apeteceu entrar) e várias esculturas. E... quem haveria de dizer... olhem bem quem lá estava também... :D 


Mas, tal como nas televendas, esperem... há mais...

O Jungfraujoch é importante por outros elementos, que vão além de vistas magníficas a 3571 metros de altitude ou compras de relógios caros.

Lá no alto há o Observatório Sphinx (que já fica no Wallis). Sim, observatório porque podemos olhar para o glaciar Aletsch e para as montanhas e para que fica no sentido oposto ao glaciar.
Mas observatório também tem a ver com a ciência. A Universidade de Lausanne, uma universidade da Bélgica e mais não sei quantos institutos usam aquela plataforma lá no alto como estação meteorológica e como observatório astronómico.

Como se isso tudo não bastasse...
Eu já tinha mencionado que Jungfrauchjoch era o Topo da Europa, só ainda não tinha explicado porquê.
Não, não é o topo da Europa porque é alta. Basta olhar para as montanhas à volta: Eiger (3970m), Mönch (4107m), Jungfrau (4158m). Ali é o topo da Europa porque é onde se encontra a estação de comboio mais alta da Europa. (Suíça = país do superlativos)


Assim, nesta foto temos o Observatório Sphinx no topo. E os edifícios, parcialmente subterrâneos onde estão os restaurantes, lojas e "museus" e que dá acesso á estação de comboio (aberta em 1912).


Como eu disse, apanhámos o teleférico no Eigergletscher (glaciar do Eiger) e fomos descendo... e a neve foi desparecendo para dar lugar de novo ao verde.




Já no vale enquanto esperava pelo comboio, vi um deslizamento de neve. Parece mais uma cascata, mas... nop... não é... 

 E agora... por que raio tenho uma garrafa amassada como fecho desta publicação? 
Eu abri a garrafa pela primeira vez lá no alto. Quando voltei ao vale, deu-me sede e foi isto que me saiu da mochila... já tinha visto este fenómeno nos aviões, mas não sabia que podia acontecer numa montanha... 

terça-feira, 11 de maio de 2021

Schweizer Museen

Esta ilhota no meio da Europa gosta de preservar a cultura. Com o nosso amigo corona, os museus estiveram fechados durante bastante tempo. Mas logo que puderam abrir a porta... o incentivo à cultura vê-se em todo o lado.

No jornal do supermercado que eu recebo (não é um folheto publicitário, é mesmo um jornal, semanário, pode ser que um dia me dê vontade de falar dele)  vem um artigo de algumas páginas sobre museus na Suíça. Fiquei deliciada com os números e resolvi partilhar...

Em terras helvéticas existem 1129 museus (e parece que a cidade com mais museus é a minha. :D)

Esse museus todos dividem-se nos seguintes temas:

2.4% arqueologia
5,1% natureza e ciência natural
11,3% história
13,2% técnica e ciência
15,1% arte
19,3% outros
32,3% museus regionais e locais (muitos deles abrem uma vez por mês duas ou três horas, alguns abrem por encomenda telefónica... há de tudo!)

O ano passado foi uma miséria, como toda a gente sabe, então a estatística continua com números de 2019, ano em que houve:

1637 exposições temporárias
12,2 milhões de visitantes
75,2 milhões de peças expostas
143 dias de exposição (média, feita com os tais museus que abrem 2 horas por semana ou algo do género)

E ainda há mais números interessantes sobre museus específicos:

Museu de História Natural de Basileia (há outros museus de história natural): abriu em 1849, financiado maioritariamente com fundos públicos.

Museu Rath, Genebra: construído em 1826 é o edifício de museu mais antigo de toda a Suíça.

Centro Paul Klee, Berna: é uma das colecções mais importantes do mundo referentes a um só artista (percebe-se pelo nome quem é; ainda não o visitei, mas já vi o edifício por fora e só por isso já a vale a pena visitar)

Casa dos Transportes (tradução directa de Verkehrhaus), Lucerna: foi o museu com mais visitantes em 2019 (496147 visitantes). Eu até compreendo. Já lá fui duas vezes e sei que, mais dia, menos dia, vou voltar. Bicicletas, Ford-T, foguetões, um submarino, a cabeça de uma tuneladora que abriu um dos túneis mais longos do mundo, jantes de carros, barcos, avionetas, um avião que transportou o Papa João Paulo II, ascensores, comboios, funiculares, autocarros, eléctricos... é para entrar no primeiro minuto de abertura e sair no último... :D

Museu Ballenberg, Brienz: um museu a céu aberto com casas (muitas delas verdadeiras, retiradas da sua terra de origem) de quase todas as regiões da Suíça, e muitas actividades, económicas e não só, típicas (produção de queijo, de fumeiro, jardins de ervas medicinais, criação de vacas, cabras, produção de pão, uma loja de esculturas de madeira, produção de cordas, de carvão... até uma representação de um funeral há!). E as que faltarem... devem estar para chegar, já lá fui duas vezes e no espaço de dois anos, surgiram coisas novas bastante interessantes. Se qualquer dia voltar lá, de certeza que há mais qualquer coisa...
 
Museu dos fósseis no Monte San Giorgio, Meride: um museu com fósseis do Património Mundial da Unesco.

Achei piada à frase no balão... pois eu estou a falar de museus e apresento uma imagem que está exposta na Messe de Basileia... (a messe é uma espécie de centro de congressos que se transforma em museu de exposições temporárias).

* O título quer dizer o que parece: museus suíços.

sexta-feira, 23 de abril de 2021

A minha empresa favorita

 Eu não sei se algum dia falei da minha empresa favorita na Suíça. Mas um e-mail de uma colega fez com que tivesse vontade de escrever sobre a minha empresa favorita e dar-lhe um destaque maior em tempos de pandemia.
Qual é minha empresa favorita? Die Post, que é como quem diz A Posta, que é como quem diz Os Correios.

Desde sempre que gosto dos correios aqui. Os motivos são muitos e variados. Vou elencar alguns:

- podemos fazer os pagamentos de todas as contas e ainda carregar o telemóvel e comprar a vinheta da autoestrada e comprar material escolar e jogar no euromilhões e comprar a lotaria...; 

- também podem ser banco, assim, posso ir pagar as contas e ver o saldo da conta ao mesmo tempo (literalmente, não é preciso fazer duas transacções);

- têm uma rede grande de balcões e horários alargados que também variam de local para local, mas o geral é trabalharem de Segunda a Sexta entre as 7h30 e as 18h30 e ao Sábado entre as 08h e as 12h (claro que depois há os correios em pontos estratégicos que trabalham ao Sábado de tarde e um balcão no aeroporto e outro no centro de Zurique onde trabalham também ao Domingo e têm horários que vão até mais tarde); 

- ainda têm o serviço de transportes da Mala Posta... ok! ok! não são cavalos e carruagens, mas é o Postauto.  Os correios têm uma rede nacional de transporte em autocarro, que se distingue das redes de autocarros das diversas cidades, por causa da cor (todos amarelos, a cor dos correios cá) e serve as zonas de periferia/aldeia. têm autocarros articulados para zonas mais povoadas, da mesma forma que têm pequenos shuttles para zonas menos povoadas ou de difícil acesso. Não chamar bus ao Postauto, porque o bus é referente às redes de transportes das cidades, não é para confundir!!!! :)

- entregam o correio de manhã, talvez em meios maiores entreguem de tarde, mas na minha cidade, com 110 mil habitantes, as cartas são entregues até às 13h mais ou menos (isto em tempo de pandemia, que têm tido mais trabalho e menos trabalhadores). Uma curiosidade: antigamente (não muito antigamente) o carteiro passava duas vezes e também levava as cartas das pessoas (a dita volta do correio). Os clientes só tinham que deixar uma tabuleta na caixa do correio e eles levantavam aquilo (hei-de ter uma tabuleta dessas algures);

- têm marcos do correio em quase todos os cantos; não sei se há uma regra de metros entre caixas de correio, mas aqui... é super fácil encontrar uma. Apesar de eu morar a menos de 250 metros dos correios mais próximos, na estação de comboio aqui em frente (20metros, mais ou menos) há um marco do correio.


Mas o que me levou a querer escrever sobre esta empresa magnífica foi a questão da pandemia e como as coisas estão a funcionar.
Eu enviei um postal à minha amiga e ela agradeceu, mas comentou que não sabia como eu tinha coragem para ir para a porta dos correios. tenho que confessar, há uns anos que me habituei a comprar selos on-line. Eu comprava os de colecção e já que estava "pegada", comprava os normais. Entretanto deixei a filatelia, mas acabo por continuar a comprar os selos do mesmo modo. Deste modo, posso mandar postais a toda a gente sem ter que ir aos correios.

No entanto, ir aos correios não me causa aflição...

Aqui junto a minha casa, os correios são pequenos, pois são só para a freguesia (acho que cada freguesia da cidade tem um balcão "pequeno" e depois há a estação correios principal que é... bem grande!), mas têm pelo menos dois balcões em funcionamento (em tempo de pandemia, tempo normal pode ir até quatro).
Como é "pequeno", não têm o serviço de senhas a funcionar. Colocaram uma placa com o número de pessoas que podem estar dentro das instalações e... o pessoal respeita!  

Mas vamos ser francos... o que faz com que não assuste ir aos correios é que eles funcionam como antes. Como não há redução de horários, as pessoas continuam a fazer como antes: a dona de cassa vai aos correios de manhã, o homem das obras passa lá na hora de almoço, o professor ao fim da tarde, a empregada de limpeza no sábado de manhã... Ou seja, as pessoas não se concentram por causa da redução de horários porque isso simplesmente não existe. 

Como de cinco em cinco anos tenho que apresentar um registo criminal no trabalho, hoje fui aos correios encomendar um e saí de lá num instante sem ter tido ninguém muito próximo de mim, sem ter esperado tempos infinitos. Funcionamento normal, ao estilo pré-pandemia. Portugal devia aprender qualquer coisa.
Sim... eu encomendei um registo criminal nos correios. Dei os dados, ela imprimiu a requisição, eu vi se estava tudo bem e assinei. Paguei 20 francos e no final da próxima semana deve chegar cá a casa. Como é que é em Portugal? (pergunta retórica!)

Sim... eu repito... adoro os correios e Portugal podia aprender umas coisas... 

Eu acho que também já publiquei esta foto. É no Ticino, mais precisamente em Carona (fotografada em tempo de corona :D) e é prova que o Postauto passa por muitos 'apertos'...

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Somos todos iguais. Que ninguém duvide!

 O K. morreu há coisa de duas semanas. Um ataque cardíaco retirou a vida a um homem de cerca de 40 anos. Era um tranquilo. Olhar para ele trazia-me paz. Foi com ele que eu sobrevivi  a uma secção de check-in. Um choque para toda a gente.

Hoje tivemos uma cerimónia de despedida (ele é alemão, o funeral dele será em Maio na terra dele). 
Numa igreja de Kloten (onde realmente fica o aeroporto de Zurique). Os conselheiros da alma (tradução livre) do aeroporto souberam trazer as palavras certas para todos nós.

Entre músicas do Michael Jackson cantadas de forma divina por uma colega nossa, eu fui olhando para a assistência. Dentro da casa de Deus dos católicos, estavam sentados católicos, reformistas, muçulmanos, hindus e alguns alérgicos à cera, que é a forma que a minha mãe usa para me designar como não crente. Havia suíços "originais", suíços de passaporte adquirido. Havia um tunisino louro e uma marroquina com lenço na cabeça (detalhe, ela não usa lenço no seu dia a dia, era a forma dela mostrar o respeito dela). Havia asiáticos e brasileiros. Uma cubana, duas portuguesas e não sei quantos da zona dos Balcãs. Negros, brancos, mestiços. 

Naquele momento que nos entristeceu, a minha alma sorriu, pois ainda é possível que nos respeitemos apesar das nossas diferenças. 

Descansa em paz, K.. Eu espero que nós por cá também a tenhamos. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Sensações

Quase que sinto a Irmã A. M., a irmã que tomava conta da nossa da hora de estudo, a levantar-se discretamente e a caminhar para o fundo da sala e dizer-me que eu deveria estar a fazer os trabalhos de casa e não a perder tempo a ler, que eu era uma ingrata que estava a gastar o dinheiro dos meus pais de forma errada. Era todos os dias a mesma guerra: eu de livro na mão e ela a fazer jogos psicológicos. Só faltou ameaçar-me com o fogo do Inferno.🤣

E por que razão me fui lembrar da irmã que perdia sempre a jogar ao Uno porque nós víamos as cartas refletidas nos óculos?
Por ler esta frase de Torga. Tive que ler a frase duas vezes. Há tantos anos que não tinha contacto com estas palavras que as estranhei quase todas.
Mas na segunda leitura consegui perceber o significado das palavras e da frase no todo. E fiquei deliciada. Não por possível filosofia do texto do autor. Não por me trazer recordações de infância.
Simplesmente pela próprias palavras.
Eu leio. Nos últimos tempos tenho lido mais literatura mais recente de que também gosto. Mas estas frases assim... não sei... enchem-me de qualquer coisa que não consigo explicar. Preenche-me de uma forma que só em adolescente experimentei.
Não sei se é pelo facto de ter lido muita coisa a que fui obrigada (sim, eu li toooooodas as obras obrigatórias na escola e na faculdade). Se pelo facto de ter aprendido a "tentar perceber a mensagem que o autor nos quer transmitir" e isso fazer perder algum encanto. Se pelo facto de eu conhecer cada vez menos pessoas que lêem com regularidade e que comentam o que lêem. Se por outro motivo qualquer.
Só sei que ler este livro do Torga me está a trazer de volta o prazer da leitura numa forma pura.



sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Mais um desfiladeiro para a colecção

 Por questões estratégicas eu preferi ir estacionar junto à entrada secundária e percorrer o desfiladeiro até à entrada principal onde está o restaurante, para recuperar as forças da caminhada de umas duas horas (fazer tanta foto toma tempo... 😁)

Logo nos primeiros metros do Aarechlucht (garganta do Aare) encontramos a mascote Der Tatzelwurm (um ser mitológico dos Alpes, que, como seria de esperar por estas bandas, tem milhentos nomes... 😁). Mas não é este ser mitológico que faz com que o local seja interessante. Esta garganta ou desfiladeiro do rio Aaare fica pertinho de Meiringen, no cantão Berna e vale a viagem até lá e todos os cêntimos do bilhete...


Conforme fui andando, sempre do mesmo lado do desfiladeiro, fui fazendo fotos para a frente e para trás, por isso a posição do Sol varia nas fotos...  Fiz muuuuuuitas... é um sítio lindo! 😍


A foto aqui em cima à esquerda é uma fotografia de um "moinho glaciar". Estas férias foram um curso de geologia a céu aberto... 











Esta é a entrada principal, com restaurante, loja de souvenirs e toda embelezada, no lado Oeste da garganta. No fim de sairmos daqui apanhámos o comboio para regressar ao lado Este e consegui tirar esta foto da entrada de mais uma das gargantas...


segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Talvez o sítio mais bonito da Suíça

Este passeio foi combinado às "três pancadas". Ao fim do dia decidimos que no dia seguinte ele me vinha buscar a casa depois do trabalho (graças ao corona tenho tido turnos de entrar às 4h30 e sair às 7h). Eu pensei que era capaz de adormecer durante a viagem visto ter-me levantado tão cedo. No entanto, isso não aconteceu e o passeio revelou-se ser a coisa mais incrível que eu já vi na Suíça.


Do lado Norte havia partes que eu já conhecia, mas desta vez era eu a ser conduzida... então deu para apreciar a montanha e o dia lindo que estava... :)



Ali pouco depois de Andermatt, entrámos na estrada em direcção ao Furka Pass. E... é de cortar a respiração. E depois ver o comboio vermelho lá ao fundo... mesmo uma imagem de filme... 😍




Depois de passarmos o ponto mais alto do passo, que fica na divisão dos cantões Uri (lado Norte) e Wallis (ou Valais, no lado Sul) começámos a descer em direcção a Sul e... a paisagem... digna de postal ilustrado.



As duas primeira fotos aqui em baixo são o que resta de um glaciar que há mais ou menos um século chegava ao fundo do vale (mais abaixo há uma foto que mostra os vestígios disso) e que é a nascente do rio Ródano. 
As imagens despertam emoções variadas. Por um lado é desolador ver o gelo a desaparecer. Por outro é interessante ver que há pessoas que tentam evitar que isso aconteça e tentam arranjar alternativas para proteger os glaciares, nem que seja cobri-los com mantas (a parte mais branca na foto da direita não é neve, é uma tela para ajudar a evitar a evaporação).


As pedras do sítio onde em tempos houve gelo são super engraçadas. Muito macias como se tivessem sido polidas. Acho que até se percebe com as fotografias da direita aqui em baixo.




Os suíços são conhecidos por saber fazer dinheiro. Uma das formas de fazer dinheiro é muito simples:
escava-se um túnel no glaciar; colocam-se placas informativas no percurso até ao glaciar; coloca-se uma catraca na entrada do percurso; antes da entrada há uma loja de souvenirs e um snack bar que serve salsichas aquecidas com salada de batata. E.... xarããã... money... 😆 
Mas... vale a pena pagar uma vez para se entrar no glaciar e ver a força que o rio tem logo na nascente, o que não costuma ser o normal... 


Como é de esperar... eu anco de chinelos por toda a parte. Incluindo no glaciar (ok, eu fui preparada e levei umas meias... 😜). Depois sentei-me em cima de uma panela do glaciar. Era qualquer coisa desse género que estava na placa. Pelo que eu percebi, a pedra onde estou sentada faz uma espécie de tampa num buraco criado pela erosão. Tentei encontrar mais informação sobre o fenómeno mas não consegui.



Sabem a ovelha Choné? As ovelhas do Wallis são iguais. São tããããããão fofinhas... ainda mais que as cabras do Wallis.


Mas o passo do Furka não é só interessante pelo comboio, pelas curvas, pelo glaciar, pelo Ródano ou pelas ovelhas fofas. Mesmo em frente ao parque de estacionamento do tal snack bar está o Hotel Belvedere. Infelizmente encerrado há já uns anos. No entanto, os admiradores do James Bond, devem reconhecer esta curva. (Este foi um dos dois lugares associados ao 007 que eu visitei este ano. E espero visitar mais. Este país microscópico consegue meter de tudo cá dentro...) 



Oh... normalmente o pedido é ao contrário. Mas o que me espantou mesmo foi estar em português... 


E, como eu disse, aqui está a foto, tirada de Sul, que mostra as marcas de onde estava o glaciar há um século. Agora nem o gelo no cimo se vê... 😥 


Seguimos caminho e ainda a descer a estrada do Furka já se podia ver a estrada a subir para o passo de Grimsel


No cimo do passo há uma igreja. Não percebi se pertencia ao cantão Wallis ou ao cantão Berna. Pois ali também há divisão entre cantões, mas não estava assinalada.


Mas olhando de cima para o lado de Berna há mais uns quantos lagos. Um deles é o Grimsel onde fica o Grimsel Hospiz, um hotel histórico dos Alpes. Uma particularidade de muitos destes lagos é que são artificiais que servem para produção de energia. 


Outra coisa que eu achei castiça foi aquela queda de água a sair do meio da barriga da montanha. Vimos de longe. Para a próxima quando fizermos a viagem pelo lado de Berna e subirmos o passo por aquele lado... talvez vá ver a queda de água mais de perto...


O regresso foi feito em parte a andar para trás. Mas depois de descermos a parte do passo de Grimsel que tínhamos subido, apanhámos o comboio para carros que atravessa o Furka Basistunnel (túnel de base do Furka), um túnel da minha idade, feito para se poder passar de um lado para outro da montanha mesmo durante o Inverno que é rigoroso por aquelas bandas. 

Posso estar enganada e o título desta publicação ser um exagero e talvez eu venha a ver outro sítio ainda mais bonito. Mas... subir e descer isto tudo eixou-me... de queixo caído. Para a próxima faço o passeio no vale, aos pés do passo do Furka, e comboio a vapor... 😍😍