Os pneus de Inverno não são obrigatórios por lei, mas se tivermos uma acidente com gelo, por exemplo, e não tivermos os pneus... o seguro salta fora. Assim, todos os anos em Outubro ou Novembro vou trocar os pneus (não uso pneus de Inverno todo o ano porque são desconfortáveis para conduzir).
Quando faço a troca peço sempre para fazerem uma pequena revisão: óleo, líquido dos vidros e anti-congelante.
Desta vez marquei pela internet. Lá me apresentei a horas e a senhora da recepção confirmou o tipo de serviço e acrescentou:
- O procedimento demora entre 45 e 60 minutos. Está de acordo?
Claro que estou... fazer o quê?!?! Se quero um bom serviço...
Aproveitei e fui ao supermercado e voltei uma hora depois.
Quando cheguei para levantar a chave, ela perguntou se que queria pagar na hora ou se mandavam para casa, acrescentando o valor total. Eu disse que pagava na hora. Que adianta esperar? Aqui não se engonha, pois ao fim de dois ou três meses temos o tribunal à perna.
Então ela recapitulou:
- Mudança das rodas e as de Verão estão no carro (sim, eu tenho jantes a dobrar, herança do carro acidentado ese não tivermos espaço em casa, podemos pagar para eles nos guardarem os pneus/rodas até à próxima mudança, por isso ela frisou o facto de elas estarem no carro para eu trazer para casa). Os pneus têm X de perfil, o que significa que na próxima Primavera ainda os pode usar.
E prosseguiu:
- Controlo dos líquidos e recarga dos mesmos. Zero vírgula 5 de óleo. Zero vírgula três de anti-gelo. Um litro de líquido dos vidros. (sim, eu escrevi por extenso para se perceber até que ponto ela foi explícita a dar-me os valores)
No fim, paguei 122,80 francos (cerca de 116 euros). De outras vezes houve outros tópicos a tratar por isso nunca tinha visto preço deste serviço. Mas... fiquei deliciada com a mulher e as suas vírgulas... :D :D
quinta-feira, 18 de novembro de 2021
Pneus de Inverno
quinta-feira, 19 de agosto de 2021
Topo da Europa
Jungrfraujoch significa ravina do Jungfrau (Jungfrau pode ser traduzido como virgem, mas no caso é só mesmo o nome de uma montanha). O Jungfraujoch fica ali "entalado" entre montanhas Jungfrau e a Mönch. Montanhas que, em conjunto com a Eiger, são um ex-libris dos Alpes Berneses (mesmo encostadinhos ao Wallis).
Além disso, mesmo ali ao lado fica o Glaciar Aletsch.
Nestas duas fotos vemos as formiguinhas a caminharem em direcção à Mönch Hütte, A "cabana Mönch" é bem grande, nada de bela, mas tem dormidas e restaurante para quem quiser passar a noite lá nas alturas. :)
Mas, tal como nas televendas, esperem... há mais...
O Jungfraujoch é importante por outros elementos, que vão além de vistas magníficas a 3571 metros de altitude ou compras de relógios caros.
Lá no alto há o Observatório Sphinx (que já fica no Wallis). Sim, observatório porque podemos olhar para o glaciar Aletsch e para as montanhas e para que fica no sentido oposto ao glaciar.
Mas observatório também tem a ver com a ciência. A Universidade de Lausanne, uma universidade da Bélgica e mais não sei quantos institutos usam aquela plataforma lá no alto como estação meteorológica e como observatório astronómico.
Como se isso tudo não bastasse...
Eu já tinha mencionado que Jungfrauchjoch era o Topo da Europa, só ainda não tinha explicado porquê.
Não, não é o topo da Europa porque é alta. Basta olhar para as montanhas à volta: Eiger (3970m), Mönch (4107m), Jungfrau (4158m). Ali é o topo da Europa porque é onde se encontra a estação de comboio mais alta da Europa. (Suíça = país do superlativos)
E agora... por que raio tenho uma garrafa amassada como fecho desta publicação?
Eu abri a garrafa pela primeira vez lá no alto. Quando voltei ao vale, deu-me sede e foi isto que me saiu da mochila... já tinha visto este fenómeno nos aviões, mas não sabia que podia acontecer numa montanha...
terça-feira, 11 de maio de 2021
Schweizer Museen
Esta ilhota no meio da Europa gosta de preservar a cultura. Com o nosso amigo corona, os museus estiveram fechados durante bastante tempo. Mas logo que puderam abrir a porta... o incentivo à cultura vê-se em todo o lado.
No jornal do supermercado que eu recebo (não é um folheto publicitário, é mesmo um jornal, semanário, pode ser que um dia me dê vontade de falar dele) vem um artigo de algumas páginas sobre museus na Suíça. Fiquei deliciada com os números e resolvi partilhar...
Em terras helvéticas existem 1129 museus (e parece que a cidade com mais museus é a minha. :D)
Esse museus todos dividem-se nos seguintes temas:
2.4% arqueologia
5,1% natureza e ciência natural
11,3% história
13,2% técnica e ciência
15,1% arte
19,3% outros
32,3% museus regionais e locais (muitos deles abrem uma vez por mês duas ou três horas, alguns abrem por encomenda telefónica... há de tudo!)
O ano passado foi uma miséria, como toda a gente sabe, então a estatística continua com números de 2019, ano em que houve:
1637 exposições temporárias
12,2 milhões de visitantes
75,2 milhões de peças expostas
143 dias de exposição (média, feita com os tais museus que abrem 2 horas por semana ou algo do género)
E ainda há mais números interessantes sobre museus específicos:
Museu de História Natural de Basileia (há outros museus de história natural): abriu em 1849, financiado maioritariamente com fundos públicos.
Museu Rath, Genebra: construído em 1826 é o edifício de museu mais antigo de toda a Suíça.
Centro Paul Klee, Berna: é uma das colecções mais importantes do mundo referentes a um só artista (percebe-se pelo nome quem é; ainda não o visitei, mas já vi o edifício por fora e só por isso já a vale a pena visitar)
Casa dos Transportes (tradução directa de Verkehrhaus), Lucerna: foi o museu com mais visitantes em 2019 (496147 visitantes). Eu até compreendo. Já lá fui duas vezes e sei que, mais dia, menos dia, vou voltar. Bicicletas, Ford-T, foguetões, um submarino, a cabeça de uma tuneladora que abriu um dos túneis mais longos do mundo, jantes de carros, barcos, avionetas, um avião que transportou o Papa João Paulo II, ascensores, comboios, funiculares, autocarros, eléctricos... é para entrar no primeiro minuto de abertura e sair no último... :D
Museu Ballenberg, Brienz: um museu a céu aberto com casas (muitas delas verdadeiras, retiradas da sua terra de origem) de quase todas as regiões da Suíça, e muitas actividades, económicas e não só, típicas (produção de queijo, de fumeiro, jardins de ervas medicinais, criação de vacas, cabras, produção de pão, uma loja de esculturas de madeira, produção de cordas, de carvão... até uma representação de um funeral há!). E as que faltarem... devem estar para chegar, já lá fui duas vezes e no espaço de dois anos, surgiram coisas novas bastante interessantes. Se qualquer dia voltar lá, de certeza que há mais qualquer coisa...
Museu dos fósseis no Monte San Giorgio, Meride: um museu com fósseis do Património Mundial da Unesco.
* O título quer dizer o que parece: museus suíços.
sexta-feira, 23 de abril de 2021
A minha empresa favorita
Eu não sei se algum dia falei da minha empresa favorita na Suíça. Mas um e-mail de uma colega fez com que tivesse vontade de escrever sobre a minha empresa favorita e dar-lhe um destaque maior em tempos de pandemia.
Qual é minha empresa favorita? Die Post, que é como quem diz A Posta, que é como quem diz Os Correios.
Desde sempre que gosto dos correios aqui. Os motivos são muitos e variados. Vou elencar alguns:
- podemos fazer os pagamentos de todas as contas e ainda carregar o telemóvel e comprar a vinheta da autoestrada e comprar material escolar e jogar no euromilhões e comprar a lotaria...;
- também podem ser banco, assim, posso ir pagar as contas e ver o saldo da conta ao mesmo tempo (literalmente, não é preciso fazer duas transacções);
- têm uma rede grande de balcões e horários alargados que também variam de local para local, mas o geral é trabalharem de Segunda a Sexta entre as 7h30 e as 18h30 e ao Sábado entre as 08h e as 12h (claro que depois há os correios em pontos estratégicos que trabalham ao Sábado de tarde e um balcão no aeroporto e outro no centro de Zurique onde trabalham também ao Domingo e têm horários que vão até mais tarde);
- ainda têm o serviço de transportes da Mala Posta... ok! ok! não são cavalos e carruagens, mas é o Postauto. Os correios têm uma rede nacional de transporte em autocarro, que se distingue das redes de autocarros das diversas cidades, por causa da cor (todos amarelos, a cor dos correios cá) e serve as zonas de periferia/aldeia. têm autocarros articulados para zonas mais povoadas, da mesma forma que têm pequenos shuttles para zonas menos povoadas ou de difícil acesso. Não chamar bus ao Postauto, porque o bus é referente às redes de transportes das cidades, não é para confundir!!!! :)
- entregam o correio de manhã, talvez em meios maiores entreguem de tarde, mas na minha cidade, com 110 mil habitantes, as cartas são entregues até às 13h mais ou menos (isto em tempo de pandemia, que têm tido mais trabalho e menos trabalhadores). Uma curiosidade: antigamente (não muito antigamente) o carteiro passava duas vezes e também levava as cartas das pessoas (a dita volta do correio). Os clientes só tinham que deixar uma tabuleta na caixa do correio e eles levantavam aquilo (hei-de ter uma tabuleta dessas algures);
- têm marcos do correio em quase todos os cantos; não sei se há uma regra de metros entre caixas de correio, mas aqui... é super fácil encontrar uma. Apesar de eu morar a menos de 250 metros dos correios mais próximos, na estação de comboio aqui em frente (20metros, mais ou menos) há um marco do correio.
Mas o que me levou a querer escrever sobre esta empresa magnífica foi a questão da pandemia e como as coisas estão a funcionar.
Eu enviei um postal à minha amiga e ela agradeceu, mas comentou que não sabia como eu tinha coragem para ir para a porta dos correios. tenho que confessar, há uns anos que me habituei a comprar selos on-line. Eu comprava os de colecção e já que estava "pegada", comprava os normais. Entretanto deixei a filatelia, mas acabo por continuar a comprar os selos do mesmo modo. Deste modo, posso mandar postais a toda a gente sem ter que ir aos correios.
No entanto, ir aos correios não me causa aflição...
Aqui junto a minha casa, os correios são pequenos, pois são só para a freguesia (acho que cada freguesia da cidade tem um balcão "pequeno" e depois há a estação correios principal que é... bem grande!), mas têm pelo menos dois balcões em funcionamento (em tempo de pandemia, tempo normal pode ir até quatro).
Como é "pequeno", não têm o serviço de senhas a funcionar. Colocaram uma placa com o número de pessoas que podem estar dentro das instalações e... o pessoal respeita!
Mas vamos ser francos... o que faz com que não assuste ir aos correios é que eles funcionam como antes. Como não há redução de horários, as pessoas continuam a fazer como antes: a dona de cassa vai aos correios de manhã, o homem das obras passa lá na hora de almoço, o professor ao fim da tarde, a empregada de limpeza no sábado de manhã... Ou seja, as pessoas não se concentram por causa da redução de horários porque isso simplesmente não existe.
Como de cinco em cinco anos tenho que apresentar um registo criminal no trabalho, hoje fui aos correios encomendar um e saí de lá num instante sem ter tido ninguém muito próximo de mim, sem ter esperado tempos infinitos. Funcionamento normal, ao estilo pré-pandemia. Portugal devia aprender qualquer coisa.
Sim... eu encomendei um registo criminal nos correios. Dei os dados, ela imprimiu a requisição, eu vi se estava tudo bem e assinei. Paguei 20 francos e no final da próxima semana deve chegar cá a casa. Como é que é em Portugal? (pergunta retórica!)
Sim... eu repito... adoro os correios e Portugal podia aprender umas coisas...
segunda-feira, 12 de abril de 2021
Somos todos iguais. Que ninguém duvide!
O K. morreu há coisa de duas semanas. Um ataque cardíaco retirou a vida a um homem de cerca de 40 anos. Era um tranquilo. Olhar para ele trazia-me paz. Foi com ele que eu sobrevivi a uma secção de check-in. Um choque para toda a gente.
Hoje tivemos uma cerimónia de despedida (ele é alemão, o funeral dele será em Maio na terra dele).
Numa igreja de Kloten (onde realmente fica o aeroporto de Zurique). Os conselheiros da alma (tradução livre) do aeroporto souberam trazer as palavras certas para todos nós.
Entre músicas do Michael Jackson cantadas de forma divina por uma colega nossa, eu fui olhando para a assistência. Dentro da casa de Deus dos católicos, estavam sentados católicos, reformistas, muçulmanos, hindus e alguns alérgicos à cera, que é a forma que a minha mãe usa para me designar como não crente. Havia suíços "originais", suíços de passaporte adquirido. Havia um tunisino louro e uma marroquina com lenço na cabeça (detalhe, ela não usa lenço no seu dia a dia, era a forma dela mostrar o respeito dela). Havia asiáticos e brasileiros. Uma cubana, duas portuguesas e não sei quantos da zona dos Balcãs. Negros, brancos, mestiços.
Naquele momento que nos entristeceu, a minha alma sorriu, pois ainda é possível que nos respeitemos apesar das nossas diferenças.
Descansa em paz, K.. Eu espero que nós por cá também a tenhamos.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2021
Sensações
Quase que sinto a Irmã A. M., a irmã que tomava conta da nossa da hora de estudo, a levantar-se discretamente e a caminhar para o fundo da sala e dizer-me que eu deveria estar a fazer os trabalhos de casa e não a perder tempo a ler, que eu era uma ingrata que estava a gastar o dinheiro dos meus pais de forma errada. Era todos os dias a mesma guerra: eu de livro na mão e ela a fazer jogos psicológicos. Só faltou ameaçar-me com o fogo do Inferno.![]()
sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
Mais um desfiladeiro para a colecção
Por questões estratégicas eu preferi ir estacionar junto à entrada secundária e percorrer o desfiladeiro até à entrada principal onde está o restaurante, para recuperar as forças da caminhada de umas duas horas (fazer tanta foto toma tempo... 😁)
Logo nos primeiros metros do Aarechlucht (garganta do Aare) encontramos a mascote Der Tatzelwurm (um ser mitológico dos Alpes, que, como seria de esperar por estas bandas, tem milhentos nomes... 😁). Mas não é este ser mitológico que faz com que o local seja interessante. Esta garganta ou desfiladeiro do rio Aaare fica pertinho de Meiringen, no cantão Berna e vale a viagem até lá e todos os cêntimos do bilhete...
A foto aqui em cima à esquerda é uma fotografia de um "moinho glaciar". Estas férias foram um curso de geologia a céu aberto...
Esta é a entrada principal, com restaurante, loja de souvenirs e toda embelezada, no lado Oeste da garganta. No fim de sairmos daqui apanhámos o comboio para regressar ao lado Este e consegui tirar esta foto da entrada de mais uma das gargantas...
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
Talvez o sítio mais bonito da Suíça
Depois de passarmos o ponto mais alto do passo, que fica na divisão dos cantões Uri (lado Norte) e Wallis (ou Valais, no lado Sul) começámos a descer em direcção a Sul e... a paisagem... digna de postal ilustrado.
As duas primeira fotos aqui em baixo são o que resta de um glaciar que há mais ou menos um século chegava ao fundo do vale (mais abaixo há uma foto que mostra os vestígios disso) e que é a nascente do rio Ródano.
As imagens despertam emoções variadas. Por um lado é desolador ver o gelo a desaparecer. Por outro é interessante ver que há pessoas que tentam evitar que isso aconteça e tentam arranjar alternativas para proteger os glaciares, nem que seja cobri-los com mantas (a parte mais branca na foto da direita não é neve, é uma tela para ajudar a evitar a evaporação).
Mas o passo do Furka não é só interessante pelo comboio, pelas curvas, pelo glaciar, pelo Ródano ou pelas ovelhas fofas. Mesmo em frente ao parque de estacionamento do tal snack bar está o Hotel Belvedere. Infelizmente encerrado há já uns anos. No entanto, os admiradores do James Bond, devem reconhecer esta curva. (Este foi um dos dois lugares associados ao 007 que eu visitei este ano. E espero visitar mais. Este país microscópico consegue meter de tudo cá dentro...)




