quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Topo da Europa

Isto dos coronas acabou por ter um lado positivo. Com as fronteiras praticamente fechadas, turismo em massa da China e da Índia é coisa que não se vê por aqui. Então, certos locais que estavam permanentemente sobrelotados com turistas estrangeiros, agora estão só lotados com turistas nacionais. Eu tenho evitado ao máximo os passeios cliché ou pelo menos em alturas cliché. No entanto, este passeio cliché, em altura cliché (Maio, não há muito frio, nem grandes nevões, mas as montanhas ainda estão fofas de neve), não pode ser evitado. Arranjámos uns bilhetes muito mais baratos e quando veio um dia de Sol... lá fomos nós ao Topo da Europa

Foi um dia de... uau... que lindo!


Fomos de carro até a Lauterbrunnen (visitado o ano passado, com muitos turistas nacionais também!) e apanhámos um comboio até Kleine Scheidegg (azul escuro). Depois trocámos para outro que é um dos orgulhos deste país e fomos até ao Jungfraujoch (azul claro). No regresso descemos de comboio até Eigergletscher e fomos de teleférico até Grindelwald (linha recta cinzenta). E daí partimos de comboio de volta a Lauterbrunnen


Aqui já estava dentro do comboio, em modo subida e podia ver o vale, Lauterbrunnen e a sua cascata mais famosa.


Claro que... quanto mais subíamos, o verde desaparecia para dar lugar ao branco.

Mönch

Jungrfraujoch significa ravina do Jungfrau (Jungfrau pode ser traduzido como virgem, mas no caso é só mesmo o nome de uma montanha). O Jungfraujoch fica ali "entalado" entre montanhas Jungfrau e a Mönch. Montanhas que, em conjunto com a Eiger, são um ex-libris dos Alpes Berneses (mesmo encostadinhos ao Wallis). 
Além disso, mesmo ali ao lado fica o Glaciar Aletsch.

Jungfraujoch é também sinónimo de caminhadas, de compras e  museus alternativos...

Nestas duas fotos vemos as formiguinhas a caminharem em direcção à Mönch Hütte, A "cabana Mönch" é bem grande, nada de bela, mas tem dormidas e restaurante para quem quiser passar a noite lá nas alturas. :) 




Aqui vemos uma das várias esculturas de madeira expostas no complexo por cima da estação de comboio. Esta "bola de neve" é fantástica. Cheia de detalhes sobre a Suíça, música e bonecos animados a acompanhar. :)

A outra escultura é a reprodução em gelo de uma cena de um filme de Charles Chaplin (também figura importante para a Suíça). Neste palácio de gelo havia um bar (não me apeteceu entrar) e várias esculturas. E... quem haveria de dizer... olhem bem quem lá estava também... :D 


Mas, tal como nas televendas, esperem... há mais...

O Jungfraujoch é importante por outros elementos, que vão além de vistas magníficas a 3571 metros de altitude ou compras de relógios caros.

Lá no alto há o Observatório Sphinx (que já fica no Wallis). Sim, observatório porque podemos olhar para o glaciar Aletsch e para as montanhas e para que fica no sentido oposto ao glaciar.
Mas observatório também tem a ver com a ciência. A Universidade de Lausanne, uma universidade da Bélgica e mais não sei quantos institutos usam aquela plataforma lá no alto como estação meteorológica e como observatório astronómico.

Como se isso tudo não bastasse...
Eu já tinha mencionado que Jungfrauchjoch era o Topo da Europa, só ainda não tinha explicado porquê.
Não, não é o topo da Europa porque é alta. Basta olhar para as montanhas à volta: Eiger (3970m), Mönch (4107m), Jungfrau (4158m). Ali é o topo da Europa porque é onde se encontra a estação de comboio mais alta da Europa. (Suíça = país do superlativos)


Assim, nesta foto temos o Observatório Sphinx no topo. E os edifícios, parcialmente subterrâneos onde estão os restaurantes, lojas e "museus" e que dá acesso á estação de comboio (aberta em 1912).


Como eu disse, apanhámos o teleférico no Eigergletscher (glaciar do Eiger) e fomos descendo... e a neve foi desparecendo para dar lugar de novo ao verde.




Já no vale enquanto esperava pelo comboio, vi um deslizamento de neve. Parece mais uma cascata, mas... nop... não é... 

 E agora... por que raio tenho uma garrafa amassada como fecho desta publicação? 
Eu abri a garrafa pela primeira vez lá no alto. Quando voltei ao vale, deu-me sede e foi isto que me saiu da mochila... já tinha visto este fenómeno nos aviões, mas não sabia que podia acontecer numa montanha... 

terça-feira, 11 de maio de 2021

Schweizer Museen

Esta ilhota no meio da Europa gosta de preservar a cultura. Com o nosso amigo corona, os museus estiveram fechados durante bastante tempo. Mas logo que puderam abrir a porta... o incentivo à cultura vê-se em todo o lado.

No jornal do supermercado que eu recebo (não é um folheto publicitário, é mesmo um jornal, semanário, pode ser que um dia me dê vontade de falar dele)  vem um artigo de algumas páginas sobre museus na Suíça. Fiquei deliciada com os números e resolvi partilhar...

Em terras helvéticas existem 1129 museus (e parece que a cidade com mais museus é a minha. :D)

Esse museus todos dividem-se nos seguintes temas:

2.4% arqueologia
5,1% natureza e ciência natural
11,3% história
13,2% técnica e ciência
15,1% arte
19,3% outros
32,3% museus regionais e locais (muitos deles abrem uma vez por mês duas ou três horas, alguns abrem por encomenda telefónica... há de tudo!)

O ano passado foi uma miséria, como toda a gente sabe, então a estatística continua com números de 2019, ano em que houve:

1637 exposições temporárias
12,2 milhões de visitantes
75,2 milhões de peças expostas
143 dias de exposição (média, feita com os tais museus que abrem 2 horas por semana ou algo do género)

E ainda há mais números interessantes sobre museus específicos:

Museu de História Natural de Basileia (há outros museus de história natural): abriu em 1849, financiado maioritariamente com fundos públicos.

Museu Rath, Genebra: construído em 1826 é o edifício de museu mais antigo de toda a Suíça.

Centro Paul Klee, Berna: é uma das colecções mais importantes do mundo referentes a um só artista (percebe-se pelo nome quem é; ainda não o visitei, mas já vi o edifício por fora e só por isso já a vale a pena visitar)

Casa dos Transportes (tradução directa de Verkehrhaus), Lucerna: foi o museu com mais visitantes em 2019 (496147 visitantes). Eu até compreendo. Já lá fui duas vezes e sei que, mais dia, menos dia, vou voltar. Bicicletas, Ford-T, foguetões, um submarino, a cabeça de uma tuneladora que abriu um dos túneis mais longos do mundo, jantes de carros, barcos, avionetas, um avião que transportou o Papa João Paulo II, ascensores, comboios, funiculares, autocarros, eléctricos... é para entrar no primeiro minuto de abertura e sair no último... :D

Museu Ballenberg, Brienz: um museu a céu aberto com casas (muitas delas verdadeiras, retiradas da sua terra de origem) de quase todas as regiões da Suíça, e muitas actividades, económicas e não só, típicas (produção de queijo, de fumeiro, jardins de ervas medicinais, criação de vacas, cabras, produção de pão, uma loja de esculturas de madeira, produção de cordas, de carvão... até uma representação de um funeral há!). E as que faltarem... devem estar para chegar, já lá fui duas vezes e no espaço de dois anos, surgiram coisas novas bastante interessantes. Se qualquer dia voltar lá, de certeza que há mais qualquer coisa...
 
Museu dos fósseis no Monte San Giorgio, Meride: um museu com fósseis do Património Mundial da Unesco.

Achei piada à frase no balão... pois eu estou a falar de museus e apresento uma imagem que está exposta na Messe de Basileia... (a messe é uma espécie de centro de congressos que se transforma em museu de exposições temporárias).

* O título quer dizer o que parece: museus suíços.

sexta-feira, 23 de abril de 2021

A minha empresa favorita

 Eu não sei se algum dia falei da minha empresa favorita na Suíça. Mas um e-mail de uma colega fez com que tivesse vontade de escrever sobre a minha empresa favorita e dar-lhe um destaque maior em tempos de pandemia.
Qual é minha empresa favorita? Die Post, que é como quem diz A Posta, que é como quem diz Os Correios.

Desde sempre que gosto dos correios aqui. Os motivos são muitos e variados. Vou elencar alguns:

- podemos fazer os pagamentos de todas as contas e ainda carregar o telemóvel e comprar a vinheta da autoestrada e comprar material escolar e jogar no euromilhões e comprar a lotaria...; 

- também podem ser banco, assim, posso ir pagar as contas e ver o saldo da conta ao mesmo tempo (literalmente, não é preciso fazer duas transacções);

- têm uma rede grande de balcões e horários alargados que também variam de local para local, mas o geral é trabalharem de Segunda a Sexta entre as 7h30 e as 18h30 e ao Sábado entre as 08h e as 12h (claro que depois há os correios em pontos estratégicos que trabalham ao Sábado de tarde e um balcão no aeroporto e outro no centro de Zurique onde trabalham também ao Domingo e têm horários que vão até mais tarde); 

- ainda têm o serviço de transportes da Mala Posta... ok! ok! não são cavalos e carruagens, mas é o Postauto.  Os correios têm uma rede nacional de transporte em autocarro, que se distingue das redes de autocarros das diversas cidades, por causa da cor (todos amarelos, a cor dos correios cá) e serve as zonas de periferia/aldeia. têm autocarros articulados para zonas mais povoadas, da mesma forma que têm pequenos shuttles para zonas menos povoadas ou de difícil acesso. Não chamar bus ao Postauto, porque o bus é referente às redes de transportes das cidades, não é para confundir!!!! :)

- entregam o correio de manhã, talvez em meios maiores entreguem de tarde, mas na minha cidade, com 110 mil habitantes, as cartas são entregues até às 13h mais ou menos (isto em tempo de pandemia, que têm tido mais trabalho e menos trabalhadores). Uma curiosidade: antigamente (não muito antigamente) o carteiro passava duas vezes e também levava as cartas das pessoas (a dita volta do correio). Os clientes só tinham que deixar uma tabuleta na caixa do correio e eles levantavam aquilo (hei-de ter uma tabuleta dessas algures);

- têm marcos do correio em quase todos os cantos; não sei se há uma regra de metros entre caixas de correio, mas aqui... é super fácil encontrar uma. Apesar de eu morar a menos de 250 metros dos correios mais próximos, na estação de comboio aqui em frente (20metros, mais ou menos) há um marco do correio.


Mas o que me levou a querer escrever sobre esta empresa magnífica foi a questão da pandemia e como as coisas estão a funcionar.
Eu enviei um postal à minha amiga e ela agradeceu, mas comentou que não sabia como eu tinha coragem para ir para a porta dos correios. tenho que confessar, há uns anos que me habituei a comprar selos on-line. Eu comprava os de colecção e já que estava "pegada", comprava os normais. Entretanto deixei a filatelia, mas acabo por continuar a comprar os selos do mesmo modo. Deste modo, posso mandar postais a toda a gente sem ter que ir aos correios.

No entanto, ir aos correios não me causa aflição...

Aqui junto a minha casa, os correios são pequenos, pois são só para a freguesia (acho que cada freguesia da cidade tem um balcão "pequeno" e depois há a estação correios principal que é... bem grande!), mas têm pelo menos dois balcões em funcionamento (em tempo de pandemia, tempo normal pode ir até quatro).
Como é "pequeno", não têm o serviço de senhas a funcionar. Colocaram uma placa com o número de pessoas que podem estar dentro das instalações e... o pessoal respeita!  

Mas vamos ser francos... o que faz com que não assuste ir aos correios é que eles funcionam como antes. Como não há redução de horários, as pessoas continuam a fazer como antes: a dona de cassa vai aos correios de manhã, o homem das obras passa lá na hora de almoço, o professor ao fim da tarde, a empregada de limpeza no sábado de manhã... Ou seja, as pessoas não se concentram por causa da redução de horários porque isso simplesmente não existe. 

Como de cinco em cinco anos tenho que apresentar um registo criminal no trabalho, hoje fui aos correios encomendar um e saí de lá num instante sem ter tido ninguém muito próximo de mim, sem ter esperado tempos infinitos. Funcionamento normal, ao estilo pré-pandemia. Portugal devia aprender qualquer coisa.
Sim... eu encomendei um registo criminal nos correios. Dei os dados, ela imprimiu a requisição, eu vi se estava tudo bem e assinei. Paguei 20 francos e no final da próxima semana deve chegar cá a casa. Como é que é em Portugal? (pergunta retórica!)

Sim... eu repito... adoro os correios e Portugal podia aprender umas coisas... 

Eu acho que também já publiquei esta foto. É no Ticino, mais precisamente em Carona (fotografada em tempo de corona :D) e é prova que o Postauto passa por muitos 'apertos'...

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Somos todos iguais. Que ninguém duvide!

 O K. morreu há coisa de duas semanas. Um ataque cardíaco retirou a vida a um homem de cerca de 40 anos. Era um tranquilo. Olhar para ele trazia-me paz. Foi com ele que eu sobrevivi  a uma secção de check-in. Um choque para toda a gente.

Hoje tivemos uma cerimónia de despedida (ele é alemão, o funeral dele será em Maio na terra dele). 
Numa igreja de Kloten (onde realmente fica o aeroporto de Zurique). Os conselheiros da alma (tradução livre) do aeroporto souberam trazer as palavras certas para todos nós.

Entre músicas do Michael Jackson cantadas de forma divina por uma colega nossa, eu fui olhando para a assistência. Dentro da casa de Deus dos católicos, estavam sentados católicos, reformistas, muçulmanos, hindus e alguns alérgicos à cera, que é a forma que a minha mãe usa para me designar como não crente. Havia suíços "originais", suíços de passaporte adquirido. Havia um tunisino louro e uma marroquina com lenço na cabeça (detalhe, ela não usa lenço no seu dia a dia, era a forma dela mostrar o respeito dela). Havia asiáticos e brasileiros. Uma cubana, duas portuguesas e não sei quantos da zona dos Balcãs. Negros, brancos, mestiços. 

Naquele momento que nos entristeceu, a minha alma sorriu, pois ainda é possível que nos respeitemos apesar das nossas diferenças. 

Descansa em paz, K.. Eu espero que nós por cá também a tenhamos. 

sábado, 3 de abril de 2021

Ideias peregrinas...

De Zurique saem vários aviões para as mesmas cidades, europeias e não só. 
Por exemplo, para Lisboa são três companhias. Para Londres outras três, mas depois a mesma companhia já pode viajar para dois aeroportos diferentes. Várias vezes ao dia. (ok, as coisas estão um bocadinho diferentes agora, mas ainda há cidades a receber diferentes companhias, mesmo que não seja diariamente).

É muito comum termos passageiros na nossa porta de embarque à espera para embarcar e afinal não é aquele avião. Às vezes, quando nos faltam passageiros, ligamos para a porta da outra companhia, para ver se os nossos estão perdidos por lá e vice-versa.

No entanto, o que se passou esta semana foi para lá de surreal.

Uma moça aproxima-se a perguntar se posso fazer o check-in só da bagagem. 
OBVIAMENTE QUE NÃO! Não gritei, mas a minha voz alterou-se um bocado, ficou ali entre o indignado e o espantado...

Uma mala nunca viaja sem passageiro. E muito pior se o passageiro não tiver um bilhete para aquele vôo.

- Ah, sabe... é que o check-in está fechado. E eu não posso fazer o check-in da mala.

Eu fico baralhada, falta uma hora para fecharmos... Mas ela lá explica:

- Eu tenho o check-in feito, na companhia X. Mas já fechou. E como vocês estão a fazer check-in para a cidade Y... Podia ser que pudessem fazer o embarque da mala.

Sim, embarcar uma mala sem passageiro. Ainda por cima da concorrência. Deves, deves...

E prontossss... a parte boa da máscara é que nós podemos rir-nos e o pessoal nem se apercebe... Porque esta foi a coisa mais parva dos últimos tempos.

Ok, ok... Eu não sou má por completo. Apesar de me ter rido dela, tentei encontrar uma ajuda para a situação dela. Enviei-a para um escritório que despacha encomendas para outros países (equipamento muito grande, muito pesado ou de cuidados especiais, como uma bicicleta eléctrica). Se conseguiu ou não, se pagou uma pipa de massa ou não... nem quero saber... ela é da CONCORRÊNCIA... que se amanhe com eles e não ande a fazer propostas indecentes!

sexta-feira, 19 de março de 2021

Também consigo ser cabra...

 O check-in fechava às 10h55. Onze e pouco ainda tínhamos uns quantos passageiros e o check-in continuava aberto. A supervisora, que já estava na porta de embarque, telefonou a perguntar quantos passageiros ainda estavam para fazer check-in. Disse 10. Eram menos, mas, dizendo um número mais alto, eu ficava com mais margem de manobra. 

Atendi todos os mais rapidamente possível. Chega o último passageiro que, atenção!, não estava na contagem dos tais 10. Eu fingi que não vi que ele veio demasiado tarde e aceitei-o. 

Mas... lá está a adversativa para chatear...

O sistema dizia que as malas não estavam incluídas. Eu informei-o e... começou a festa.

Que pagou. Que pagou. Que pagou. Peço que prove. Dá-me a reserva, procuro o 1PC (que quer dizer 1 peça/mala) e não encontro. Mas encontro:

Incluído: bagagem de mão

Não incluído: bagagem de porão

Sujeito a pagamento: bagagem de porão

Destaco com uma  caneta. Continua a discutir. Berra. Como se eu tivesse medo de berrar. Ou eu fosse incapaz de berrar. 🤣🤣

O check-in devia estar fechado há 25 minutos. Digo-lhe que pague ou que prove. Não quer pagar. Eu dou-lhe um minuto. Não consegue provar. Diz que paga uma mala. Digo-lhe que são duas. Beeeeerra. E que não paga. Eu ameaço tirá-lo do vôo. Ele berra. E não se mexe, nem para pagar nem para provar que pagou. Eu mantenho-me firme e tiro-o do vôo.

Quando me viu a deitar o bilhete dele ao lixo e a tirar as etiquetas das malas... já pagava tudo. Mas... o tempo tinha passado. Eram 11h25 e o avião tinha que sair em 15 minutos. Ou seja, àquela hora as portas do avião tinham que fechar. Era impossível ele pagar e chegar a tempo.

 A mãe estava doente. Ele vinha de Basel. A mãe estava quase morta. Ele pagava. Ele tinha gasto mais de 1000 francos no bilhete para ir (ele esqueceu-se que eu vi o recibo que ele me deu... 600 francos ida e volta!!!)Ele... ele... ele...

Eu dei-lhe o número de telefone da companhia e disse-lhe que telefonasse o mais rapidamente possível para resolver a situação dele. Insistia, berrava... eu repeti tudo o que ele tinha fazer. Levantei-me e fui atender outro passageiro que queria tirar umas dúvidas para o vôo do dia seguinte.

Eu sou uma fofa. Eu estico as regras. Eu corro para a porta com o passageiro para passar à frente na segurança e não perder o vôo. Eu ignoro quilos, eu ignoro malas de mão. Mas não consigo ignorar duas malas de 23kg. O sistema não deixa. Simplesmente há coisas que não consigo esconder... 

Se ele tinha pago sem perder tempo, eu tinha ido com ele até à porta de embarque e ele ia para o seu destino. Portou-se como um cretino... lixou-se. 

Achei piada foi a um colega meu ter ido para junto de mim para me proteger. Esta gente é muito medricas... Se ele se portasse mal... eu chamava a polícia e ele que se amanhasse com os senhores agentes... 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Sensações

Quase que sinto a Irmã A. M., a irmã que tomava conta da nossa da hora de estudo, a levantar-se discretamente e a caminhar para o fundo da sala e dizer-me que eu deveria estar a fazer os trabalhos de casa e não a perder tempo a ler, que eu era uma ingrata que estava a gastar o dinheiro dos meus pais de forma errada. Era todos os dias a mesma guerra: eu de livro na mão e ela a fazer jogos psicológicos. Só faltou ameaçar-me com o fogo do Inferno.🤣

E por que razão me fui lembrar da irmã que perdia sempre a jogar ao Uno porque nós víamos as cartas refletidas nos óculos?
Por ler esta frase de Torga. Tive que ler a frase duas vezes. Há tantos anos que não tinha contacto com estas palavras que as estranhei quase todas.
Mas na segunda leitura consegui perceber o significado das palavras e da frase no todo. E fiquei deliciada. Não por possível filosofia do texto do autor. Não por me trazer recordações de infância.
Simplesmente pela próprias palavras.
Eu leio. Nos últimos tempos tenho lido mais literatura mais recente de que também gosto. Mas estas frases assim... não sei... enchem-me de qualquer coisa que não consigo explicar. Preenche-me de uma forma que só em adolescente experimentei.
Não sei se é pelo facto de ter lido muita coisa a que fui obrigada (sim, eu li toooooodas as obras obrigatórias na escola e na faculdade). Se pelo facto de ter aprendido a "tentar perceber a mensagem que o autor nos quer transmitir" e isso fazer perder algum encanto. Se pelo facto de eu conhecer cada vez menos pessoas que lêem com regularidade e que comentam o que lêem. Se por outro motivo qualquer.
Só sei que ler este livro do Torga me está a trazer de volta o prazer da leitura numa forma pura.



sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Ano novo, passageiros novos?!

Estou de volta do computador a tratar de umas coisas, mas, de vez em quando, tenho um pensamento que me faz rir.

Nota prévia: Nós usamos um sistema de cores para facilitar o embarque. Quem tem cor não precisa mostrar papéis porque já os mostrou no check-in. Quem não tem, não esteve no check-in, temos que controlar os documentos na porta de embarque.

Hora de embarque... o caos de sempre  por causa do covid. 
Separar os passageiros que têm cor dos passageiros que não têm. Parar o embarque para analisar os documentos. Recomeçar os embarque. Voltar a parar. Voltar a abrir... claro que saiu atrasado, mas não dá para mais quando temos mais de 20 passageiros à nossa frente para controlar documentos...

Mas eu sou uma pessoa positiva. E tento ver o lado positivo das coisas. Ou pelo menos o lado cómico das “tragédias”. E neste vôo também encontrei...

O passageiro está à minha frente, peço-lhe o teste PCR. Não tem. Eu digo-lhe que assim não pode viajar. Tem a certeza?, pergunta-me ele. Eu respirei fundo. Já devia estar imune a esta pergunta, mas com o stress daquele embarque... a pergunta incomodou-me. Eu simplesmente disse: Ja

Mas ele continuou com a sua contra-argumentação: Mas sabe, eu ontem perguntei uma vez mais e recebi a confirmação de que não é preciso um teste. 
Eu fiquei super admirada e pedi-lhe que me mostrasse tal afirmação por parte da companhia aérea. Ele todo contente mostra-me a mensagem. Eu li uma vez e pareceu-me que dizia o que eu afirmava. Como o meu alemão não é perfeito, se calhar eu estava a ler mal... então li outra vez... Mas depois confirmei... passageiros vindos de países (Schengen ou non-Schengen) que sejam considerados de risco devem apresentar um teste de PCR negativo.

Eu fiquei sem saber se me ria dele ou se lhe batia por me fazer perder tempo de embarque... mas lá lhe disse para mudar o bilhete...

Ou seja... o ano é novo, mas os passageiros continuam a perder o cérebro quando passam pela segurança... só tenho pena que estas histórias disparatadas/engraçadas dos passageiros nos fazerem perder tempo precioso na porta...

domingo, 3 de janeiro de 2021

Il Sud in Ottobre III

Na noite do segundo jantámos em Mendrisio. num restaurante que fica num rua de Canntine. Cantina em italiano tem a ver com caves e arrumações. Naquela zona havia muitas caves e arrumações para vinho. Cada produtor tinha a(s) sua(s) cantina(e), um bocado como as caves do vinho do Porto ali em Vila Nova de Gaia. 


Ficámos em Vacallo, um sítio muito pacato, óptimo para descansar. Pode-se ir a pé até Chiasso (localidade onde se atravessa a fronteira/alfândega para a Itália).


Eu já tinha ido a Chiasso há uns tempos, mas não tinha visto este ovo, vá... Centro Ovale di Chiasso. Parece que é um centro comercial e não percebi se funciona a 100%, mas pela busca on-line e pelo que se vê de fora... huh... não sei se me agrada com aquelas janelas tão pequenas.


No terceiro dia, no regresso, demos uma escapadela a Lugano para ver a catedral de São Lourenço.


E no regresso, o mesmo sítio onde dois dias antes o Sol brilhava, apanhámos a primeira neve do Outono... 

Sair da Suíça não saindo propriamente...

0Em tempos de corona, atravessar fronteiras não é a coisa mais fácil. No entanto, eu estiquei-me e fui até Itália. Quando preparava as coisas, a minha companhia ficou em pânico. Como é que eu ousava pensar ir à Itália... Mas eu ousei pensar e ousei ir... 😁😁

Ok... fui à Itália, mas foi batota... 😁😁
Eu fui a Campione d'Italia, que é um exclave italiano na Suíça (no coração do cantão Ticino), encostado ao lago de Lugano. Durante anos Campione era um luxo por causa do Casino. O mais antigo da Europa e o maior empregador da localidade. Até entrar em falência em 2006. A Itália resolveu complicar a vida dos seus cidadãos de Campione e impedir que Campione fosse "autónomo" e/ou trabalhasse com a Suíça. Por exemplo, antes, o correio de Campione era entrega pelos carteiros suíços. 



Campione são dois quilómetros quadrados e não é o deslumbramento italiano (aquele casino!!! 😳😳), mas tinha lá uma igreja interessante. 





Il Sud in Ottobre II

No segundo dia subimos mais uma montanha. Desta vez de comboio. Foi interessante ver o pessoal a preparar-se para fazer uma corrida qualquer. Eu cheia de frio e aquela gente vestida de lycra... Eu subi até ao cimo no comboio, mas eles saíram a meio da viagem para seguir a correr pela montanha acima. E foram lá ao piquinho. Eu... depois de sair do comboio, olhei lá para cima e cansei-me só de ver. tendo em conta que estava um nevoeiro cerrado, deixei-me estar perto da estação à espera que o Sol chegasse e bastou-me... :)

De comboio, serpenteámos pela montanha. Mesmo com nevoeiro... lindo.




No cimo da montana está a Fiore di Pietra. Sinceramente, acho o edifício muito feio. Mas é possível comer e ber algo lá para recuperar as forças da subida.


Ali ao fundo, algures, um pouco mais para a direita, um pouco mais para a esquerda é a Itália. 


No Valle di Muggio as neveras são famosoas. O que é uma nevera? São casas como esta aqui onde se juntava o gelo para a conservação do leite dos Alpes. A casa parece pequena, mas o truque está em profundidade. Parece um poço com umas escadas em caracol para se começar a acumular o gelo ou para se ir recolher o mesmo quando necessário. Nos dias de hoje as casas não são usadas pare esse fim. São património protegido,  referência turística e também, o armazém da lenha de privados (sim, eu fui lá enfiar a cabeça para ver se realmente tinha a escada em caracol... 😜)



Depois de comermos muito bem, lá vamos nós até Riva San Vitale. A ideia era ver o baptistério mais antigo na Suíça. Claro que tivemos sorte e... está fechado temporariamente para restauro. Mas não se perdeu tudo, demos uma volta pelas ruas da localidade (estátua Padre e Figlia in Bicicletta, Gabriela Spector), e lá chegámos ao Tempio Santa Croce.



Depois metemos à estrada e fomos a Carona. Sim, o nome é um bocadinho maroto no ano 2020, mas a freguesia tem pontos de visita que valem a pena...
O Santuário da Madonna d'Ongero estava, claro!, em obras. Só deu para ver o recinto por fora e espreitar por um janelo na porta da igreja. Mas vale a pena...



E depois há ruas estreitas...


Quer dizer... muuuuuuuuito estreitas. Eu sabia deste "fenómeno e ia a correr para a paragem de autocarro ver se faltava muito para chegar xarãããã... eis que lá vem o amarelinho dos Correios...  :)


Este arco faz parte da Chiesa dei Santi Giorgio e Andrea. onde também tem um menino a fazer festinhas ao Santo António. Só não percebi a pedra na mão do Santo...