domingo, 9 de junho de 2013

2XL?!?!

Esta semana foi a das admirações.
Comecei na Segunda com a bela notícia que estava ficar ainda mais pitosga e precisava de aumentar quase uma dioptria aos óculos. Tive que mudar as lentes e a armação, que eu não sou rica para pagar as lentes finas o necessário para entrar na armação antiga...
Depois desse choque e ainda a habituar-me à nova graduação (bolas!! foi difícil, quase que caí de umas escadas e tudo porque já não media bem os passos), achei que me devia mimar ligeiramente e fui às compras. Quer dizer, entrei numa única loja de roupa, com duas letras e um & no meio, banal até em Portugal. Mas qual não é o meu espanto com a nova "calibragem" das roupas! Encontrei uma blusa sem mangas que, não sei porquê, me lembra muito o estilo Lana del Rey (não foi a essas duas letras, foi à outra que fui) que me agradou bastante. Peguei nela para ver os números e eram letras: L (vi logo que era pequeno), XL (fiquei na dúvida com outro tamanho e comecei por experimentar este) e... 2XL (o que acabei por comprar). Mas que raio é essa coisa?!?! O XXL já era parvo, não em função das letras, mas dos tamanhos reais. No entanto 2 vezes XL... ainda mais parvo é... Não, não tenho medo de me sentir gorda. Tenho dois ou três quilos acima do meu peso recomendado, não morro. Poderia ser número 100. Mas sei lá... os tamanhos da roupa já não são o que são e as pessoas ou se baralham como eu, ou ficam realmente frustradas com o seu tamnho que, na realidade, nem mudou assim tanto.

Mas as admirações supremas foram lá no trabalho.
Foi uma cliente que ficou de olhos esbugalhados quando lhe falei em português (os clientes lêem os nossos crachás, não posso fugir!). Ficou tão espantada que até gaguejou!! Veja-se a cotação que os portugueses têm entre si...
Depois foi uma colega de trabalho que, no fim do inquérito da praxe sobre a minha vida privada, se admirou imenso (e num tom demasiado crítico para o meu gosto) por eu não ter marido/namorado. Mas quando será que é que as pessoas entendem que precisamos de comer, beber, dormir e respirar para viver e que tudo o resto não é obrigatório!?!? (começo a ficar realmente farta) No entanto, a melhor admiração não foi esta.

Foi sobre o meu conhecimento de castelhano. Estou a chegar ao trabalho e vem um sub-chefe muito de repente: sabes falas espanhol, não é? depois da minha resposta afirmativa, acrescenta tens que explicar ao D. (o espanhol) uma coisa que eu tentei explicar ontem e ele não percebeu (na realidade, quando fui para explicar, o espanhol disse que tinha entendido [e tinha mesmo] o problema é que o outro não tinha percebdido que ele tinha entendido).
Na hora da pausa, calhou a estarmos (eu e o sub-chefe) juntos um bocado. Estava eu para me sentar e sai-se ele: de onde é que tu vens mesmo, para saberes falar espanhol? De Portugal. Ah! É um dialecto?! Nãããããão. É mais ou menos uma relação como o alemão com o holandês. Aaaah! E tu sabes falar?? Sei. Vivi com freiras espanholas e aprendi com elas. AAAAH!

Hello!!! Qual é a admiração de uma pessoa falar a terceira ou quarta língua mais falada do Mundo?!?! E para mais, quando essa língua é Europeia... Se fosse urdu, eu compreendia a admiração e se me aparecer alguém a dizer que sabe falar zulu eu vou olhá-lo como se fosse um E.T., mas castelhano?!?! Era preciso o homem admirar-se taaanto?!? A sério... como se fosse a coisa mais complicado do mundo... Não me bastava o outro ficar admirado por eu perceber um pouco de fusos horários, agora é este com o castelhano...

Sinceramente, acho que anda tudo maluco, eu incluída!!!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mas falando em piadas e inteligência...

A minha entidade empregadora é o supra sumo da inteligência e do bom humor.

Há umas 3 semanas, no fecho da caixa faltaram-me 30 e poucos francos. Ia tendo um colapso. O chefe desse dia era um emprestado de outra filial que eu não conhecia. Perguntei-lhe o que poderia fazer e ele disse: nada. eu escrevo um relatório!

Compreendo que se faça um relatório. Não é uma fortuna, mas... 30 francos são sempre 30 francos. Na Quinta passada, chega-se o meu chefe e diz, tem que escrever uma carta a explicar isto e apontou para a folha do fecho de caixa desse dia. Eu pensei que ele estava a brincar. E comecei a gozar. Até que percebi que era a sério e perguntei o que é que eu tinha que escrever. Tem que escrever porque é que falta esse dinheiro na caixa. Eu ri-me de novo, porque voltei a pensar que era brincadeira.

Afinal não era brincadeira nenhuma. Eu tinha que explicar por escrito por que raio faltavam 30 e poucos francos na caixa. Eu virei-me para ele e disse: não o roubei. seria estúpido demais roubar a minha própria caixa. Peqguei numa folha e fui fazer a carta. Passado um bocado fui-lhe pedir outra folha. Para quê?!? Para passar a carta a limpo. Quando tenho que escrever em alemão preciso sempre de passar a limpo [e mesmo assim vai muita bacorada no meio!!].

Na carta eu escrevi que achava que o dinheiro se tinha perdido por causa de uma mistura de factores: eu não estar habituada à caixa (era o meu segundo ou terceiro dia na caixa), o facto de ter tido muitas devoluções de artigos [que implica tirar dinheiro da caixa] e, talvez, um pouco de desatenção [não é que eu não estivesse a ligar ao trabalho, porque estava. talvez não tenha tido atenção a contar o dinheiro nos trocos]. Disse que me tina afectado perder o dinheiro [afectou mesmo]. Pedi desculpas e assinei por baixo. Que havia eu de fazer?!?!?

Dizer por que raio se perdeu dinheiro de uma caixa... se eu soubesse onde, quando e como perdi o dinheiro... não teria perdido. Não vos parece?!?!

Decididamente... só rindo, porque de outro modo só se pode é chorar! :/

santa iNgnorância!

Eu acho que o meu chefe não é 100% suíço alemão. Além do primeiro nome ser francês, ele tem um humor que se aproxima dos portugueses e é muito irónico a falar. Eu simplesmente adoro. Uma, porque gosto desse humor. Duas, porque nguém percebe o humor dele e eu acbo por me rir sempre a dobrar (piada e figuras tristes dos outros). Lindo!!! :D

Há dias, estava mortinha para vir para casa, mas ainda tinha que esperar para fazer o fecho da caixa. Estava tudo em fila a fazer contas com o chefe. Sai-se ele, você vai trabalhar até às 5h, não é?!? Eu ri-me e disse. Oh Já são 5h na Rússia. Portanto... Não em Moscovo, mas lá para o lado da China já é. E para confirmar as minhas contas comecei a pensar alto. Na Grécia são 3h, em Moscovo 4h... sim, lá para o lado da China já são 5h... pois... já posso ir embora.

De repente, vira-se ele e pergunta-me como é que você sabe essas coisas?

Eu já nem sei o que respondi. Sei lá como é que sei essas informações. Leio, informo-me. Tem lógica perceber um pouco como funciona o Mundo, inclusivamente nos fusos horários... ou serei só eu que acho isso?!?

Para mim, humor é sinal de inteligência e conhecimento. Como ele tinha umas piadas inteligentes, pensei que estava a falar com um ser um pouco superior. Mas se ele não compreende que uma pessoa possa perceber um pouco de fusos horários... já não me parece assim tão inteligente. Se calhar ele estuda as piadas em casa e depois vai soltando aqui e ali ao longo do dia...

Agora que ninguém me diga que é estranho saber que em Moscovo são mais 3 horas que em Lisboa, porque... não é!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A minha empresa favorita

Eu lembro-me de estudar a mala-posta nas aulas de história. De me ser ensinado para que servia e como funcionava. Na literatura toda a gente já leu, no cinema toda a gente já viu. Uma casa sombria, numa noite de chuva, acolhe os forasteiros que se abrigam da intempérie. Os cavalos descansam na cavalariça. Chega sempre um homem com pressa para chegar ao seu destino, entra de rompante, desperta a curiosidade dos presentes que levantam os olhos do fundo das suas canecas, quer trocar os cavalos, bebe uma aguardente para aquecer, enquanto o moço da estrebaria ajusta os arreios no animal. Um mundo que sempre me fascinou, mas já não existe.

Por aqui A correio, die Post, é algo graaande. Não sei se é privada ou do estado, mas sei que adoro esta empresa amarelinha.

Tem uma rede de autocarros que abrange toda a Suíça. Tem hotéis. E em tempos todos os postos de recolha de correio e/ou pessoas eram num restaurante zur Post (junto ao correio ou no correio). Hoje muitos desses restaurantes  não servem mais do que refeições, mas mantêm o nome. E é adorável ir pelas aldeias pequenas no meio das montanhas e ver uma casa aqui outra ali e, de repente, a casa da mala-posta, adaptada aos nossos dias, isto é, com uma pequena bomba de gasolina à frente. :)
Adoro. Adoro. Adoro.

Mas também gosto da parte "normal" dos correios.
Existem caixas de correio por toda a parte. Acho que o posto de correios daqui fica  a menos de 500 metros do meu prédio, mas na estação de comboios (mesmo em frente ao prédio) há um marco de correio.
Os postos de correios são abundantes e têm um horário simpático: os normais é das 7h30 até às 18h com hora de almoço, de Segunda a Sexta; das 7h30 à 12h30/13H, aos Sábados. Mas a estação principal da minha cidade (com pelo menos 14 balcões de atendimento geral e um para serviços específicos), também está aberto ao sábado de tarde até às 16h. Sem falar em postos como o do aeroporto com um horário alargado até tarde e de Segunda a Domingo.

Depois dentro dos postos não podemos telefonar como se pode (podia) fazer em Portugal, no entanto podemos adquirir livros, material escolar variado, brinquedos, pequenos lanches, postais variadíssimos, envelopes de pequenos a gigantes, telemóveis e os sacos do lixo da cidade. Podemos ainda registar o euromilhões ou comprar raspadinhas.

Nos serviços a coisa é a loucura: pagar todo o tipo de contas, desde a luz, aos impostos, passando pela conta do mecânico ou do dentista. Podemos transferir dinheiro ou abrir contas poupança (os correios também servem de banco, eu tenho lá a minha conta corrente e dou-me bem com o sistema).

Os selos são variadíssimos, os preços acessíveis. Uma carta para a Suíça, enviada em correio urgente até às 19h de um dia chega no dia seguinte; em correio normal também pode acontecer chegar no dia seguinte, mas se não for, demora só mais um dia.

Os carteiros entregam a correspondência toda de manhã, em certos sítios o carteiro não toca duas vezes, mas passa duas vezes ao dia. Eles entregam encomendas pequenas e as grandes são feitas por homens da empresa que fazem o transporte em carrinhas. Nesse grupo estão incluídas as minhas injecções que, por causa da necessidade de serem conservadas a uma certa temperatura, são entregues numa caixa especial que volta para trás com o carteiro. Raramemte uma carta é devolvida mesmo que tenha endereço insuficiente, ilegível ou errado (eu tenho um postal enviado de Roma que chegou dois meses depois, mas... eu meti o código postal errado e não escrevi o nome do destinatário, coisa que aqui é fundamental devido ao facto de não haver números de andares... tenho que o procurar e depois coloco-o aqui, para provar o que digo).
Adoro, adoro, adoro.

E como a coisa funciona tão bem... acabo por me passar com os correios da tugolândia...
Uma croma de uma carteira ameaçou queimar os postais se eles volatssem a ir sem número de porta. Numa rua em que moram as mesmas 13 pessoas há mais de 10 anos... é uma dificuldade encontrar a senhora E.!!!!! Eu acho que era inveja de não ter ido ao Dubai ou de, pelo menos, não receber um postal de lá!
Desde Dezembro já mandei três encomendas que me deram (uma ainda está a dar) dores de cabeça. Uma veio devolvida porque o endereço era insuficiente. Estava completíssimo!!!! Com este anda para trás, anda para a frente paguei 4 vezes a prenda!!!
Mais tarde enviei uma moldura digital e eles cobraram 30 euros à destinatária. Era um imposto sobre um dicionário electrónico (sim, estão correctos os nomes dos objectos) num valor muito acima do que eu paguei. Mais, o aparelho já ia aberto, não poderiam cobrar impostos assim!!
Por fim enviei uma pequena  encomenda há mais de um mês e ainda não chegou. Uma encomenda do mesmo tamanho de uns livros que encomendei depois disso e que já chegaram há que tempos (um deles já está lido e outro já está em andamento!!!). Encomenda que, aqui, seria entregue pelo carteiro "normal", ao fim de 2 dias se fosse envio interno e de 3 ou 4 se viesse de fora da Suíça.

Eu já andava passada com a coisa em terras lusas. Mas depois do que vi hoje na televisão... estou besta!!!
Fecham postos de correio por um motivo que não entendo em sítios onde não há mais nada. Depois anexam-se os postos de correio a floristas, a mini-mercados...

Quer dizer, o processo no jardim à beira-mar plantado em vez de progredir, regride. Mais um bocadinho e qualquer dia estamos completamete no antigamente, com bosta de cavalo à porta da estações da mala-posta e tudo.

Doc.



Há algumas coisas que não batem certo neste vídeo. A Cervelat é que é a coisa mais típica e não a Bratwurst que para bem ser significa salsicha de grelhar, ou seja, tudo o que possa ser grelhado é Bratwurst. Já a Cervelat é daqui e eu dispenso bem, prefiro a Kalbsbratwurst, que é à base de carne de vitelo (Kalb)
O moço deve ter gravado a entrevista a 11 de Novembro, porque eram banda de música mascaradas para iniciar o Carnaval.

Não é Zuri West em inglês (uest), é Zuri West em alemão (vest).
Na Suíça exibir riqueza é quase crime. Tão simples como isso. Falar de dinheiro nesta terra é tabu e é muito feio perguntar uqnato se ganha, se trabalharmos numa profissão não tablada.
Os suíços não têm o culto do corpo, mas sim da saúde, por isso correm como loucos. Por isso usam abicicltea que é uma forma gratuita de fazer desporto (os suíços se puderem poupar...), mas também de não poluir o ambiente que é outra forma de se manter saudável. Porque de resto... eles andam despenteados, vestidos como pedintes, descalços, não fazem depilação... e isso não bate com culto do corpo!!
 As bicicletas muitas vezes têm travões nos pedais (não sei explicar, mas também é comum vê-las na Holanda, travam andando com os pedais para trás ou não sei).

Os jovens não têm só malas da Freitag, há muitos que usam Louis Vuitton (mil vezes a marca suíça, que é muito mais bonita!!) e não são só os jovens. Os cotas também usam a malas que reciclam telas publicitárias, toldos de camiões... eu bem que gostaria comprar uma, mas... caro demais para o meu orçamento!!!!! E eu acho que as malas não ganham pelo design (a maior parte dos modelos existe noutras marcas), ganham pela ideia de reciclagem de produtos e porque são produto suíço. Nacionalismo, olé olé!!

Prime Tower é só a maior da cidade e parece um ET no meio da cidade. A torre da loja da Freitag permite ver a área industrial, mas com muita coisa readaptada, que se tornou em zona escritórios (mas ainda há muitos armazéns) e a estação de comboios de Hardbrücke que fica logo ao lado da Hauptbahnhof (a estação principal). Acho que vêem mais comboios do que camiões...

 A chocolateria que é falada tem origem aqui bem perto da minha cidade, bem longe de Zurique. Não percebo porque foram falar daquela e não da Sprüngli, que criou os Luxemburgli, uma espécie de macarronis. Um doce venerado por tudo o que é suíço, caros para burro, que são uma honra para oferecer e até direito a postal tem (disponível em qualquer quiosque da cidade)

A estação de Zurique, a mais movimentada da Europa, uma das mais movimentadas do Mundo!!!, está quase morta a partir das 10horas da noite. Circula quem tem que circular mesmo, mas é quase fantasma!!! Eles organizam as coisas para se poderem deitar cedo. Mas depois das 5h30/6h da manhã... é a todo o vapor. :) Só ao fim-de-semana é que há uma rede nocturna. Que isto de farras não é para todos os dias da semana!!!

Lindenhof que dizer o pátio das tílias. E não é talvez que se chama assim, é mesmo por causa das tílias que lá existem (já soube quantas eram, mas não me lembro). O pátio é uma das zonas mais antigas da cidade. Anterior ao juramento que ela menciona, portanto, não foi só o juramento que lhe deu fama... Eu gosto daquele canto da cidade, é tudo apertadinho, mas vista priviligiada... tem-se da varanda junto à Universidade onde está o músico. Isso, sim, é vista (anda aí uma foto ou mais pela vacaria).

Bebedouros para cães e outros animais é a coisa mais normal... o tanque da fonte é para os cavalos, a água que corre permanentemente é para os humanos. Pode ser de admirar para quem não mora cá, mas não é particularidade nenhuma daquela fonte.

O imposto não é calculado em função da religião que se tem, mas sim de se ter ou não religião. Se não se quiser pagar o imposto é simples: dá-se sem religião. Não há discussão nenhuma, mesmo que se tenha sido baptizado logo em bebé. As consequências virão depois caso queiram coisas como casar pela igreja, baptizar filhos e por aí fora. Eu pago e não morro por isso.

Produz-se vinho um pouco por toda a parte, mas é mais lá para baixo qu e aprodução vinicola tem mais impacto, por exemplo, nos terraços víniculas de Lavaux que são património da humanidade.

A Langstrasse é uma espécie de Bairro Alto sobre o comprido e continua a ser associada à prostituição. Já por lá andei e não morri por isso, não é coisa contagiosa. Chama-se assim porque é uma rua (Strasse) comprida (lang).

Eu gostava de saber como é que uma escola primária se transforma todos os dias em bar. Alguém que traduza a coisa como deve ser: o pré-fabricado que foi em tempos uma escola primária, agora é um bar e tem um cinema associado.

Eu já comprei bilhetes mais baratos para Lisboa com partida de Zurique (só o trabalho de ir a Basel apanhar o avião... pagoa diferença no comboio!!!).

Tirando estes reparos parece-me mais ou menos tudo em ordem.

Descobri o documentário quando procurava outra coisa que não tem nada a ver. Resolvi ver, só para ver que profissões estavam a ser entrevistadas. Porque este programa é de elite. Só de elite. Eu nunca vi uma empregada de limpeza, um servente de bar, um trolha nestas entrevistas... eles parecem ter umas vidas formidáveis, lindas, maravilhosas. Mas atenção: eles (os deste programa e dos outros) NÃO são representativos da realidade dos emigrantes portugueses!!! Portanto, se pensam em vir para qui (ou outro país) depois de verem este documentário... pensem duas vezes. A neve, em muitos momentos,  é o menor dos frios.

domingo, 2 de junho de 2013

Dias são sempre dias

Eu que sou meia alérgica aos dias disto e daquilo (o dia que mais detesto é o da mulher) agora tenho um dia para mim. Mas é mesmo especial, porque não é como o dia da mulher ou da criança que têm datas fixas. O meu dia muda conforme o ano, isto é: o dia da esclerose múltipla assinala-se sempre na última quarta-feira do mês de Maio. Este ano foi a 29, para o ano é a 28.

Eu dispenso-o bem... se calhar ainda é a negação a falar, mas não consigo ir a grupos de pessoas doentes com esclerose. Não consigo ler as publicações da associação de doentes com esclerose. Não me identifico com nada do que leio (penso que é pelo estágio da doença) e ler aquilo dá-me pânico porque estamos a falar, muitas vezes, de gente com muletas, em cadeira de rodas e por aí fora. E eu tenho medo puro de vir a ficar assim. Lendo certos testemunho assusto-me ainda mais. Tão simples como isto. Basta-me a minha mãe que TODOS os Domingos me pergunta já tiraste a injecção do frigorífico? (ela já perguntou hoje!!!), tens bebido água? (ainda não perguntou, mas deve estar quase)...
Mas o que eu mais gosto, ou então não, é como ela muda o tom do discurso para falar da minha doença com alguém. Parece uma conspiradora. Ou pensa que eu não consigo ouvir, mesmo estando a menos de dois metros de distância dela. Ou então pensa que sussurrando a doença se vai embora. Ou sei lá o quê. Sei que detesto. Sei que gosto de chamar os bois pelos nomes e só não digo sempre esclerose múltipa, porque a palavra doença é mais prática por ser curtinha. Odeio a minha situação. Detesto as injecções semanais. Tenho pânico de ficar sem força para trabalhar e ficar dependente de uma renda social. Tenho pânico de ficar esclerosada no sentido de esquecer ou baralhar as coisas. Uma pessoa sem memória é o quê?!?

Com estes medos, receios e desamores, acabei por não saber se o dia da esclerose múltipla foi assinalado em Portugal com algum destaque na comunicação social. Deveria ter estado mais atenta, mas... ainda é mais forte do que eu. Assim, não sei se foi dito ou o que foi dito na rádio ou na televisão. Mas uma coisa que eu acho fundamental dizer e sobre a qual se deve falar é a sintomatologia.

Eu andei uns meses com uma perna a dormir. Como tinha engordado pensava que as calças de ganga faziam pressão num nervo e que por isso a perna estava estranha. Deixei andar até ao dia em que o meu olho esquerdo realmente me incomodou. O médico de família não vê nada e manda-me para o oftalmologista. Ele não vê nada, mas pergunta se me dorme alguma parte do corpo. Eu fiquei espantada com a relação, mas não me assustei nem um pouco, estava só a mentalizar-me para ficar cega do olho (juro que estava!! eu não sou muito normal, mesmo!!). Nova oftalmologista, no hospital da cidade. E em menos de três horas tinha passdo por três médicos, sem perceber a relação de nada e tinha já uma consulta com o neurologista, marcada com urgência. Nem tive direito a discutir se queria ir ou não, se poderia ir ou não.

Aprendi (ainda estou a aprender) da pior forma como se manifesta a esclerose múltipla: não tem forma específica. Era uma doença que eu não conhecia (só o nome e a associação a cadeiras de rodas!!) e de repente já tinha folhetos com medicamentos e testemunhos de doentes com EM.

Ora bem... como a esclerose não é muito certa (eu não poderia ter doença mais adequada a mim!, já que também não sou muito certa!) é bom ter um certo cuidado com coisas que nos parecem banais.
Por exemplo, se sentirem uma parte do corpo dormente por mais de 48 horas, vão ao médico. Pode ser um nervo preso, pode ser um mau jeito na coluna, mas também pode ser esta doença maravilhosa.
Se vos parecer que as cores estão a ficar diferentes, não quer dizer que sejam cataratas. Pode ser o nervo óptico que está a ter dificuldades em comunicar com o cérebro (o vermelho, durante um tempo, era quase cinzento para o meu olho esquerdo!!).
Eu falo destes dois sintomas porque foram os mais flagrantes no meu caso. E a dormência veio noutras crises em outras partes do corpo (a língua parecia que estava fria e dormente... para comer era lindo!!). Mas li que as dores e a falta de força também podem ser sintomas.
Num dos folhetos que o meu médico me deu, li que uma rapariga detectou a esclerose porque as mamas não lhe cabiam no sutiã. Eu também tive esse problema em 2011, mas pensei que era por causa do trabalho pesado na estufa que exigia muito dos  meus braços, que estão onde?!... ao lado da mamas, que são o quê?!?! músculos e gordura. Como eu quase não tinha massa gorda na altura, deduzia que os músculos se tinham desenvolvido até às glândulas mamárias... só depois a ler o testemunho da outra moça é que percebi por que raio tinha que comprar novos sutiãs e um vestido novo para o casório... Quem é que vai ligar uma coisa à outra?!?!

Assim, se não assinalaram o dia da esclerose múltipla na televisão, são muito parvos. Deveriam assinalar, não para assustar ou para pedir dinheiro, mas sim para prevenir. Porque se o meu olho não se tivesse manifestado, eu nunca teria dado atenção à perna, nem às dormências que vieram a seguir, pois sempre pensei que era uma "simples" compressão de um nervo... E... sabe-se lá quantos mais andam por aí a fazerem como eu, a adiar o tratamento e a permitir que a doença progrida mais facilmente...

Pronto... num Domingo como outro qualquer, em que já tirei a injecção do frigorífico, para mais logo a espetar numa das pernas, resolvi fazer a minha boa acção e falar um pouco desta coisa que me persegue. Não é para terem pena de mim. Não é para entrarem em pânico caso adormeçam todos tortos no sofá e acordem com a mão dormente. Mas... esclerose múltipla não é o tema mais abordado nas aulas de neurologia. Ou seja, nem muitos médicos não especializados em neurologia sabem falar abertamente do assunto... Assim, se puder ajudar alguém com a minha pouca experiência de vida... eu faço-o mesmo que não seja o dia da esclerose múltipla. ;)

Uma questão verbal

Ao contrário do que afirma uma máquina que anda a aprender para ser chefe, há falta de pessoal. Trabalhamos mais horas; quando falta alguém, são sempre os mesmos a serem chamados para fazer substituições; chegamos a começar uma hora mais cedo o trabalho e por aí fora.

Esta semana, ficou mais uma doente (eu já disse, todas as semanas há alguém em sofrimento!!) e na quarta era preciso gente suficiente para o muito trabalho previsto. Eu estava de folga e a minha professora veio perguntar-me se eu poderia trabalhar na quarta e teria a quinta livre. Eu fiquei de dar a resposta mais tarde pois tinha um compromisso marcado e tinha que ver se o poderia alterar. Entretanto chega o choninhas do chefe que me pergunta se poderia trabalhar no dia seguinte, ponto. Disse-lhe que sim, mas perguntei-lhe se precisava de mim na quinta. Só para confirmar, pois eu fiquei com a sensação que ele não me iria dar folga. Meu dito, meu feito: ah se pudesse vir os dois dias, eu ficaria agradecido. É que amanhã é o dia das promoções. Mas na quinta vem uma empregada nova e eu gostaria que lhe explicasse como se coze o pão [tem uma lista, tem uma ordem, um sistema que deve ser seguido mais ou menos à risca].
Como eu vim para a Suíça para trabalhar e ganhar dinheiro e só estou a 60%, não me fiz de rogada e aceitei trabalhar mais um dia.

Trabalhei quarta, fui na quinta e voilá: lista na mão e aluna ao meu lado. Expliquei tudo como me ensinaram e, saindo quase uma hora depois da hora marcada no meu plano, ainda lhe fiz um resumo/recapitulação de tudo o que lhe ensinei ao longo da manhã.

No fim, o chefe perguntou-me se ela era capaz de cozer pão sozinha. Eu disse-lhe que sim, que eu tinha explicado tim-tim por tim-tim, tal e qual como tinha aprendido. E caso eu tivesse ensinado mal, significava que me tinham ensinado mal. Ele compreendeu, concordou e agradeceu imenso. Disse-lhe que não era nada, mas tive vontade de lhe dizer que deveriam mudar o meu crachá.
Por cima do meu nome, em letras brancas sobre fundo rosa, não deveria estar ich lerne, mas sim ich lehre. (eu aprendo; eu ensino)

Porque, na realidade, mesmo estando em tempo de prova, em que tenho que aprender e mostrar que sou capaz de aprender e fazer o meu trabalho sozinha, eu tenho dado comigo a ensinar os meus colegas novatos e o espanhol, que entrou no mesmo dia que eu, mas que não pesca nada da língua dos germânicos.

É muito bom! Significa que estão contentes comigo, com o meu trabalho e as minhas capacidades. Mas também é muito bom poder ensinar alguma coisa. Nem que seja como se programa o  forno e quantas ciabatas se devem cozer de uma vez... :)

Os sapatos das mãos

O meu alemão não é perfeito. Eu não consigo distinguir o /u/ do /ü/ ou o /o/ do /ö/. Könnte é conjuntivo, konnte é indicativo. Eu sei a teoria, mas só distingo no contexto. Muita gente se ri com o meu funf, pois deveria ser fünf  (ü é semelhante ao u em francês, assim meio assobiado). Demorei tempos infinitos para saber que era A Mundo, A Sol e O Lua (como é que se escreve poesia em alemão?!?!). Quando é para usar os casos acabo por dizer que é O carro é o homem., quando na realidade quero dizer que O carro é do homem. E por aí fora.
No entanto, e apesar de tanta bacorada, tenho o nível C1 atestado pelo Goethe Institut e há algumas coisas que sei com certeza absoluta.

Uma delas é como se diz sapato e luva: Schuh e Handschuh.   O plural é só acrescentar um /e/ final e prontinho. Posso não saber pronunciar na perfeição, mas quase, quase.

Lá no supermercado todos temos luvas e eu, cabeça no ar, acabo por me esquecer onde as meti e ando sempre à procura delas. Esta semana andava eu uma vez mais feita barata tonta quando uma colega me pergunta o que procuro. Meine Handschuhe., respondi eu. Diz-me ela muitorapidamente, é Handsche [transcrição pseudo-fonética], pois Schuhe é para os pés. Eu disse-lhe, pois isto é mesmo os sapatos das mãos e diz-se como eu disse [pode não ser exactamente, mas se ela identificou a palavra Schuhe, ando lá perto].

Elas aprenderam o básico de alemão numa escola baratuxa e fizeram """pós-graduação""" na rua, com colegas mal formados, misturando com o dialecto sabe-se lá de que cantão e depois vêm-me corrigir o que está certo, como se fossem doutoradas em Germanísticas?!?!

Haja pachorra!

domingo, 26 de maio de 2013

Não tenho emenda. MESMO!

Como já disse antes, no trabalho eu tento passar despercebida e evito os portugueses. Mas na caixa a coisa é um bocadinho diferente.
Na concorrência há uma mulher portuguesa, com dois sobrenomes que não dão para ser espanhóis, mas ela fala-nos sempre em alemão com sotaque português. Às vezes tenho que morder as bochechas para não me rir à gargalhada, pois o comportamento dela denuncia-a completamente. Então, quando me apercebo que há portugueses na fila, eu falo-lhes na língua de Camões. É um disparate pegado falar em alemão quando eles podem ler o meu crachá!!

Na Quinta estava eu muito bem na caixa quando ouvi uma mãe a apressar o filho. Como o cartão multibanco não funcionava, ela ficou atrapalhada e eu lá lhe disse que não se enervasse com coisa pouca.

Ah fala português. Mas é portuguesa? Não, o meu português 'perfeito' foi aprendido numa semana de férias em Macau. Ah Mas já cá está há muito tempo. Há quase dois meses. Não, refiro-me à Suíça. Perto de cinco anos [fónix!!!! o tempo voa]. E está a trabalhar aqui?!?!? Porquê? Só quem fala alemão suíço de rua e não dá uma para a caixa em alemão de gente é que pode vir para um supermercado? Ou conheces-me há dois segundos e já me achas desqualificada para o serviço?
O problema é que eu cheguei a etsa terra e arregacei as mangas. Fui trabalhando sem deixar a escola de parte. Muitos chegaram e acomodaram-se e agora temem perder as condições de vida que têm. É que a Suíça fechou as fronteiras no dia 1 de Maio para os da União Europeia... Isto não está para brincadeiras! Mas eu ainda não tenho um carro e ela provavelmente tem dois, um na garagem, potente, com mil cavalos, lustroso e que é o que vai à santa terrinha em Agosto e outro pequeno para as voltas do dia a dia. Eu ando a pé e paguei o curso de alemão. Prioridades, simplesmente!

Ah! E é preciso saber falar muito bem alemão para trabalhar aqui? Eles não precisam de gente, nem que seja para limpar? Eu lá lhe expliquei que o nível de alemão ali não é o mais elevado (anda lá um espanhol, que é parente de uma tipa que está na sede, que fala tão bem alemão como eu falo japonês), que estavam a meter sempre gente e que as limpezas são feitas pelos empregados, ou seja, quem entra é para fazer tudo.
E com quem é que eu tenho que falar? Eu disse-lhe que me candidatei pela internet. Recomendei-lhe que fosse ao site e que decidisse se queria usar o formulário electrónico ou se queria madar as coisas por correio.

Ah! Vou fazer isso, vou. Olhe, como é que você se chama? E sem que eu pudesse responder, faz a melhor pergunta de todas: Posso dizer que a conheço?

Mas eu não aprendo MESMO!!!! Por aqui a cunha também existe, chamam-lhe Vitamin B, do verbo beeinflussen (influenciar), passou-se com o tal espanhol, que até me parece boa pessoa, mas... coitadinho nem bom fim-de-semana sabia dizer.
No entanto, em questões de trabalho, o que realmente importa é a recomendação. Há vários tipos: a do antigo patrão, que tem, por lei, que escrever as referências. Um amigo que trabalha na empresa para onde queremos trabalhar. Oh pá ele trabalha bem, vais ver que não te arrependes se o trouxeres para trabalhar connosco... Ou, tal e qual como nos filmes americanos, os nossos amigos escrevem cartas sobre nós para o nosso hipotético futuro patrão.

Seja de que forma for, quem dá a cara por nós, se formos bons, fica  a ganhar. Se formos maus, coitado de quem alindou a carta de recomendação. Por este motivo eu não recomendo ninguém. Nem a minha mãe. Vá! Choquem-se todos!!! Mas a minha mãe sabe que eu não a recomendo. E sabe porquê: ela é uma boa trabalhadora, mas já passou os 55. Pode acontecer que perca as forças (esperemos que não!) e se eu a recomendar... ainda me vem alguém ah pois recomendaste a tua mãe velha e sem força só por ser tua mãe... Assim... não recomendo ninguém. Ajudo a preencher papéis, telefono, traduzo, vou às agências. Mas ninguém me ouvirá a recomendar ninguém a não ser a eu mesma!

Se a minha filosofia de vida é esta até com a minha mãe, como é que eu iria recomendar uma pessoa que estava a ver pela primeira vez?!?!? Disse-lhe com as letras todas que não admitia que ela invocasse o meu nome e que não iria  fazer recomendação nenhuma.

Depois do fecho da loja, fui ter com o meu chefe e disse-lhe que caso aparecesse alguém a pedir trabalho e usando o meu nome eu não me responsabilizava. Que não conheço ninguém, que não recomendo ninguém...

Olha o descaramento desta gente... se fosse uma pessoa que conheço há muito tempo a pedir-me. Eu iria dizer na mesma que não, mas não ficava incomodada. Agora assim?!?!  Não têm noção nenhuma das coisas. E eu continuo a cair na mesma asneira de dar uma oportunidade aos portugueses...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Como ser eliminado da lista de amigos em 2 segundos

Ele é gente que é apologista da guerra e vai para os murais dos outros destilar ódios patetas. Ele é gente que não faz nada de mal, mas fica com os comentários bloqueados ad eternum. Ele é divulgação de tratamenots de beleza, de saúde física e espiritual e de banha da cobra também. Ele é campanhas de angariação de fundos para salvar a centopeia de 99 patas. Ele é amizades criadas, casamentos destruídos e crianças baptizadas graças ao livro das caras (no Brasil há um Facebookson das Silva, ou perto desse sobrenome, porque o nome bate certo!!).

No mundo cibernético há de tudo. Nós temos é que saber o que quermos para nós. Adicionar desconhecidos é da nossa conta e risco. Gostar de páginas e participar em debates nessas mesmas páginas também. Mas... vem o reverso da moeda. Há muito boa gente que gosta de tudo, adicona tudo, carrega em like para tudo. E nós, os que estamos na lista de amigos, levamos com isso no nosso "mundo" quer queiramos quer não.

A mim irritam-me as filosofias baratas, mas com isso posso viver bem . O que me custa é quando há moralismo ilustrado... Puta que pariu para as mensagens moralistas com cães a desfazerem-se ou bebés a morrer. "Se fosse um homem ou uma mulher pelada teria já mais de 2.000 likes", isto por cima de um bebé cheio de tubos por todo o lado e com uma feriaa do tamanhho de um punho adulto no peito, com o que parecia ser o coração exposto ao ar (pergunto-me se a imagem é verdadeira).

Não sou pessoa de se sentir mal com estas coisas. Comovo-me, mas a nível físico o mais que pode acontecer é eu começar a chorar, mas vem do psicológico. Hoje não foi assim!!
Se eu não estivesse sentada, teria caído para o lado com a imagem que acabei de ver. O sangue subiu-me todo à cabeça, fiquei com os pés gelados e e cabeça a latejar. Não é justo uma criança estar em sofrimento. Não é justo que as pessoas não se preocupem. Mas há gente sensível (e eu nem me considero assim sensível) no outro lado dos nosssos faces.
Porra... tanto querem fazer que estragam tudo. Não é porque eu vejo uma cena destas todos os dias que eu faço mais. Mas garantido é que fico com dores de cabeça. Mesmo antes da hora de dormir!! Faz cá um bem à sociedade!!! Faz cá uma diferença na vida daquela criança pôr os outros mal (e às vezes é só fotoshop!!)...

O certo é que a minha lista de amigos encolheu uma vez mais. A minha vida é um filme de terror. Quero ver publicações com flores, com bonecos, com piadas, com músicas. Aceito likes em notícias de jornal, mesmo que sejam péssimas, pois leio o título e só continuo a ler se quiser. Agora terror psicológico por gente que engole sem mastigar... Thanks, but no thanks!  

A gestão da doença e a doença da gestão

Contam-se pelos dedos de uma mão (e sobra!) o número de vezes que eu fiquei doente, ou fui para casa mais cedo por estar doente, ao longo de 16 anos de trabalho. Apesar de tudo, tenho tido sorte com a saúde.
O aeroporto, foi o sítio onde trabalhei com mais gente ao mesmo tempo. Parecia que todas a semanas havia uma cara nova. Não sei, mas para a minha empresa deveria haver pelo menos 100 empregados de limpeza (sem falar nas limpezas espciais, que normalmente eram feitas durante a semana, logo, eu não conhecia as pessoas e, claro, sem falar nas outras empresas de limpeza). Nesse mar de gente, chegávamos a ter semanas seguidas sem uma única baixa por doença.

Agora no sítio onde trabalho... somos entre as 50 e a 60 pessoas (disse a chefe em funções no dia em que fui experimentar o trabalho, eu não acredito que seja tanta gente, mas vamos fingir que é mesmo). TODAS as semanas está pelo menos uma pessoa doente. Há duas semanas telefonaram-me para eu ir trabalhar em dois dias que estava livre. Num eu nem respondi, já tinha compromisso e quando ouvi o recado era tarde para responder.
A semana passada, na escala de serviço estavam vários K, que é o sinal para krank ou Krankheit (doente ou doença). Ontem, estava eu tão bem a dormir, telefona-me o choninhas do meu chefe a pedir para eu ir trabalhar. Eu disse que não. Tinha um compromisso de ir ajudar uma senhora que anda a recuperar de um acidente. Se eles se organizassem, tinham-me mais vezes na escala e eu combinava as coisas de outra forma com a senhora. Não é à última da hora que eu vou mudar os meus planos. A senhora não se teria importado, mas eles têm que aprender. Se fazemos tudo o que eles querem, qualquer dia não somos donos da nossa vida!!

Mas o mais incrível mesmo é uma empresa como aquela ter sempre alguém doente. Será que é alguma bactéria por por lá anda? Será exaustão (que aquilo aproxima-se do trabalho de escravo)? Ou será simplesmente o vírus da preguicite aguda?!?

Não sei! Não acho normal uma filial ter sempre tanta gente doente, de forma continuada. E não acho normal que eles não façam nada contra isso, por um lado, através de um controlo rigoroso da situação (é que se eles não arranjam substituto,a equipa tem que trabalhar com menos um elemento, doa a quem doer), por outro, o aumento do número de empregados para haver sempre mais disponibilidade de substitutos e para todos se sentirem mais folgados, menos doentes e até menos infectados pela preguiça...

Ou serei eu que acho que gestão de recursos humanos não é a coisa mais complicada do mundo?!?!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Simples

Tinha coisas para fazer em casa. Muitas. Mas também tinha coisas para fazer nrua. E precisava de apanhar ar.
Saí, pois então.
Fiz o que tinha a fazer e fui-me sentar no meu banco a apanhar uns raios de Sol envergonhados, mas quentes.
Peguei no livro de contos para o começar a ler. Tinha chegado ontem ou anteontem e eu ainda não o tinha cheirado. COmo música de fundo umas obras. Mas não me pertubaram a leitura.
Dois contos depois, com a devida pausa de tira gosto, agora tão comum nos casamentos, chegou um velhote. Cumprimentou-me como se fossemos vizinhos desde sempre. Sentou-se no outro banco.
Peguei no livro para o terceiro conto.
Perto do fim, como se soubesse que também estava quase de saída, ele levantou-se e desejou-me um bom fim de tarde.
E foi.
Com um cumprimento simples como aquele, como não poderia ser?



The Killers, Goodnight, travel well
(lembrei-me desta, mas poderiam ser tantas outras que não têm nada a ver, mas que se ligam a mim de algum modo)

domingo, 12 de maio de 2013

Dia da Mãe

Por aqui é só hoje e tem um doodle diferente do da semana passada. E bem mais bonito. Interactivo. Vamos clicando conforme queremos até chegarmos a um desnho que podemos imprimir. Há quatro momentos para escolher, de cada vez há três opções. Não sei se para cada combinação diferente (ainda são umas quantas) há um desenho diferente. Experimentei dois e já chega...



 
Feliz dia da mães! (que isto do dia da Mãe é como o Natal, não precisa de nacionalidade mesmo...)

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Caixa 3

Lá no trabalho a coisa funciona assim:
A pessoa da caixa 1 está seeeeempra na caixa. Quando há muitos clientes chama a da caixa 2, quando há mais gente chama a da caixa 3 e por aí fora. Normalmente a caixa  6 é usada só aos Sábados.
Quando não são precisas, as pessoas das caixas 2, 3, 4, 5 e 6 andam pela loja a fazer outros trabalhos, começando a abandonar a caixa a pessoa da 6, depois da 5.
Como hoje é feriado, ontem houve uma maior afluência e os "caixeiros" trabalharam mais do que o normal.
Eu era caixa 3. Foi-me atribuída às 2h e só saí de lá às 8h.

Houve um momento que precisei de ir à casa-de-banho. O caos era tanto que fui aguentando. Mas há aquelas alturas que o nosso corpo começa a dar sinal de alarme. E eu estava no desespero. Estavam as caixas 2, 3 e 4 a funcionar. Pensei que dava para fugir 2 minutos e fechei a minha caixa. Que fui eu fazer!!!!

A da caixa 4 teria que sair daí  apouco tempo e começou a mandar o pessoal para a caixa 3. Mas estava lá o aviso a dizer que eu iria fechar depois daquele cliente, então os outros não sabiam o que fazer.
A caixa 4 olha para mim com cara de poucos amigos. Eu lá lhe disse que estava meeeesmo aflita. Então ela tem uma tirada de génio. Reabre a tua caixa, eu fecho a minha e vou trabalhar para a tua. Percebi que dali não levava nada e reabri a minha caixa. Ela fechou a dela e veio ter comigo. E eu disse-lhe que não queria.

Cada caixa começa com 1000 francos que são pesados numa máquina. Por questões de segurança, temos uma password que não permite que ninguém aceda ao "nosso" dinheiro durante todo o dia. E eu ia dar o acesso ao "meu" dinheiro de mão beijada?!?!
Não queres que eu venha? - Não! Eu não quero ninguém a mexer no meu dinheiro. Se ao fim do dia faltarem 1000 francos na caixa eu tenho que me resolver sozinha. Mas se faltar 1 franco e tivermos sido duas na mesma caixa, como é que se resolve?!?!? É que a semana passada aconteceu isso com dois que tarabalharam na mesma caixa e foram 400 francos a faltar (é mais de metade do ordenado nacional português!!!!!!). Eu já gosto pouco de trabalhar na caixa. O dinheiro aflige-me!! Se me acontece uma dessas... tenho um treco!

Assim, encolhi-me toda até haver menos gente e quando a caixa 5 reabriu (não sei por que raio não reabriu a quatro) eu escapei-me os tais dois minutos.

A sorte é ter um corpo que se controla muito bem, porque o meu cérebro ficou muito confuso. Como é que ela não podia continuar na caixa 4, mas podia continuar na minha?!?!? Está gozar comigo ou quê?!?

O que salvou o dia foi o facto de ter trabalhado com o choninhas do meu chefe (choninhas no início era a minha dúvida a falar mais alto, depois percebi que ele é uma pessoa que sabe o que faz e, agora, é uma coisa carinhosa...) e o homem pôs-nos a picar a carta antes das 9h (hora oficial de fecho de turno). Isso nunca me tinha acontecido... 9h30, 9h40, 9h48...

E o que ajudou mais foi eu ter podido fazer estas fotos.
Quando ia trabalhar, desci a rua e olhei para trás, para ver como estava linda e pensei que para a semana devo poder sentar-me lá em cima. Nunca pensando que poderia vir a tirar a foto da noite (eu passo ali perto das 10h, ou até depois, e é escuro como breu). Sentei-me lá em cima, e deixei-me apreciar o silêncio da cidade que adormecia (porque já tinha acalmado há umas horas)...


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Mantens a tua opinião, eu mantenho a minha.

Foi assim que uma colega tentou rematar uma troca de ideias sobre essa coisa das actividades de enriquecimento curricular.
Ela é professora de inglês e francês de 3.º ciclo e secundário e está numa coisa dessas. Completamente pró enriquecimento dos putos. Eu também sou a favor do enriquecimento dos putos. Mas não com o que considero uma palhaçada. Portanto, sou contra. No entanto, não queria que ela mudasse de opinião, que eu gosto pouco de carneiros que mudam de caminho só porque um mudou.
Usei como exemplo a experiência da minha família para ser contra isto. E tenho várias histórias de vários concelhos que me permitem ser contra a parte burocrática (contratações e afins, sobre as quais nem me vou pronunciar).

Sempre fui contra os putos estarem horas a fio numa sala de aula. Mesmo que de manhã seja a professora e de tarde seja outra e que seja considerado uma brincadeira... Há tempos li que há médicos que defendem que, por se estar muito fechado em espaços pequenos, os nossos olhos estão a ficar cada vez mais preguiçosos e, por isso, as pessoas vêem cada vez menos ao longe, precisando, consequentemente, de usar óculos. Isto sem se falar das coisas que toooooooooda a gente sabe que fazem bem: ar puro, Sol... Eu acho que se fizessem uma experiência e metessem metade da criançada a escabriolar todas a tardes e a outra a fazer coisinhas giras como inglês e música. Tenho para mim que ganhavam os índios!
Para justificar esta opinião usei, como disse, a minha família. Ah porque tu não és regra. Eu sei que não sou regra. Mas vou comparar o sistema português com o sistema suíço? Também o posso fazer, mas tem mais lógica que compare português com português. Além disso, comparar ocom o sustema suíço corrobora a minha opinião. Eu não represento o todo, o que quer dizer que o todo também não me representa a mim...

Na primária eu tinha aulas das 8h à 1h. Intervalo pelo meio. Um dia por semana com religião e moral (não era assim que se chamava, mas andava lá perto). Tinha música e o professor organizava umas aulas de futebol (era tão fixe jogar à bola de saia!!!!!). Ou seja, eu tinha de tudo um pouco, de forma desprendida. E à tarde: casa! Era o meu tempo. Fazia o que queria e não fazia os trabalhos de casa de matemática. Não estava lá enfiada, sentada. Quando aprendi inglês no quinto e sexto ano safei-me muuuuito bem. Eu era das melhores alunas, não fosse eu ter boicotado uma aula de inglês no quinto ano (falta a vermelho!!!!), teria tido 5, que chegou finalmente no sexto. Assim... as AEC não me fizeram falta.
Mas o exemplo máximo é o meu irmão: quem o ouve falar pensa que ele é bilingue. Não aprendeu inglês comigo durante a primária (eu sou mais velha). Não teve gramáticas. Não teve dicionários caros. Não teve explicações. Um dicionário de bolso da Porto Editora, os manuais e o currículo que toda a gente teve do 5.º ao 11.º ano. Mais nada. E fala como gente grande. Eu nunca assumo isto à frente dele, porque ele é um vaidoso de primeira apanha, mas ele é mesmo bom!
Sim, eu sei que o meu irmão não é a regra. Mas é um dos pontos que me faz ter a opinião contra.

Outro argumento também tem a ver com o meu irmão. Há cinco anos ele foi professor de inglês nessas coisas lindas de AEC!! Ele ainda nem a licenciatura em Marketing tinha acabado. Não tinha diploma passado pelo British Council (é isso que é equivalente ao Goethe e ao Camões não é?). Mas foi dar aulas em duas escolas primárias. O meu irmão fala muito bem inglês, mas não sabe ensinar (eu "traduzia" os ensinamentos de informática dele para a minha mãe). O meu irmão é inteligente, mas simplesmente não sabe transmitir conhecimentos. É o seu handicap, como se diz agora. Assim... acho que não preciso de continuar a falar sobre este ponto para se perceber por que raio eu acho que essa coisa, de modo geral, é só para encher balões.

A minha colega ainda disse que os pais agradecem. Claro, têm babysitter de borla... Mas se essa coisa de ser pago for para a frente... Quantos pais vão agradecer?!?!?

Honestamente acho que se está a sobrecarregar demasiado os putos. Têm que saber inglês e música e mais não sei o quê. Como se todos venham a ser directores executivos de uma multinacional ou a pertencer à Orquestra Sinfónica de Berlim. Se calhar era melhor ensinar menos, mas melhor. Ensinar-lhes a a excelência e não a quantidade, a grandiosidade e não a grandeza.

Mas isso sou eu que não percebo nada, que não estou em Portugal, que não estou nas AEC e mais uma data de coisas que não foram ditas pela minha colega, mas ficaram subentendidas.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Os dois lados (dolorosos) da mesma moeda

Quando tinha 4 anos estive internada com uma broncopneumonia muito complicada. Lembro-me de alguns pormenores. O quarto da clínica tinha duas camas: a do doente, tamanho normal e uma pequena, do acompanhante, onde eu fazia questão de dormir. Uma vez o jantar ou o almoço era fígado com batatas cozidas e eu não quis comer. Parti o meu copo de lavar os dentes que tinha uns bonecos. Lembro-me de ter que beber leite de pacote, por uma palhinha, para uma sonda me entrar pelo nariz. Era desconfortável e o leite de pacotinhos nunca mais foi saboroso. Mas o que poderia ser mais perturbador desapareceu. A minha mãe diz que eu tinha que levar umas injecções diariamente que eram uma tortura para mim. Segundo ela, um dia pus a mão negra a uma enfermeira de bater com os pés para me denfender. Era três por dia... mas não me lembro disso.
E não me provocou medo às injecções ou seringas. Tanto que no tempo em que era preciso um atestado médico para o imigrantes entrarem na Suíça, cheguei a acompanhar o meu pai numa ida ao laboratório. E lá eu estava disposta a dar sangue só para receber uma seringa.
Fui dadora de sangue durante muito tempo. Nada! Não tenho problemas com sangue, seringas ou agulhas.

Mas na hora em que preparo a pen da injecção. Dói-me tudo. Monto a agulha que fica escondida (ela só se vê depois da injecção feita, quando se puxa para fora da perna), desinfecto a perna (os toalhetes embebidos em álcool estão sempre gelados). Sempre muito encolhida. Respiro fundo vezes sem conta. E sinto uma solidão daquelas nesses 3 ou 4 minutos (a sério que não é mais, desde preparar a pen até a fechar com uma tamap de segurança), cheia de medo. Como se eu sempre tivesse tido problemas com agulhas, médicos, sangue...

O tratamento faz-me bem. Nunca mais tive crises desde Janeiro. E as que andavam a moer há muito tempo regrediram praticamente para zero. Mas o tratamento dá cabo de mim de um modo que não sei resolver.

domingo, 5 de maio de 2013

Então digam a verdade...

Às vezes, eu também digo que está tudo bem quando a realidade é bem diferente. Digo isso porque não me apetece falar, porque quem pergunta é só um abelhudo, porque estou tão mal e não consigo falar. Claro que é bom quando alguém percebe que não estamos bem e nos dá mimos, apoio e por aí fora. Mas se eu digo que está tudo bem e os outros não percebem que é mentira... não recrimino ninguém. A "culpa" é minha se não entendem...
Agora, se dizem que está tudo bem e esperam que os outros adivinhem. Vão dar uma volta. Se querem um abraço, um beijo, uma palavra de conforto... sejam directos, claros. Porque o outro também pode estar a ter um dia menos bom e não conseguir ler nas entrelinhas (também pode ser uma pessoa pouco perspicaz!!).
Só podia ser num FB de gaja que uma coisa destas iria aparecer... Não entendo... mentem e querem que os outros saibam. Odeio esta gente que tenta fazer charme...

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Ah! As verdades que não me deixam ir para cama...

Eu juro que ia para desligar o computador e ir para a cama. Mas no livro das caras saltaram-me umas quatro ou cinco verdades, umas atrás das outras, difundidas pela mesma pessoa... eu não me contive, tive que comentar...

Uma era a da imagem. Eu adoro a última frase. Aquela vírgula! Sexy! :D

Mas gostei muito mais de uma outra que, em bom português e num fundo a parecer uma nota num telemóvel topo de gama, reza assim:
E se eu morrer? Imagina como seria, você me mandar sms sabendo que jamais seriam respondidos, me ligar sabendo que ia cair na caixa postal,iria me procurar nas redes sociais, cabendo que nunca mais estaria online, iria levantar pra ir atrás de mim com lágrimas nos olhos sabendo que jamias vou estar ali, imagine o mundo sem mim, e me diga faria aguma diferença pra você?
Entre parêntesis aparece um nome de homem com o mesmo sobrenome do cantor que tem uma canção chamada Ana Luiza (cá entre nós quem escreveu aquilo foi uma gaja desocupada, que pôs assim o nome a baralhar quem lê... que pensa que foi um poeta profundo que escreveu aquilo, mas o cantor já morreu há quase vinte anos).

Se algum dia eu andar a mandar sms para alguém que eu sei que está morto... internem-me! porque isso não é sinal de muita saúde!!!!!!! Se querem saber se fazem a diferença, basta ir de fim-de-semana. Na Segunda, se fizermos a diferença, alguém nos dirá.
No fim de morta, estou morta, não quero que andem à minha procura nas redes sociais. Já tenho pensado em escrever as passwords e um recado para anularem as minhas contas nas redes sociais, no caso de eu me finar. Estranho, eu sei, mas ao mesmo tempo prático para quem fica! E quem não souber na hora escusa de pensar que eu sou uma mal-educada que não dá notícias... É que toda a gente sabe que do outro lado não há computadores... :D

Eu quero é que me procurem enquanto estou viva, que me mimem, que me digam que gostam de mim, que fiz falta quando estive doente e não fui trabalhar. Que me sorriam com sinceridade quando me vêem (é a mlhor coisa do mundo!). Quando estiver a fazer tijolo procurem outros vivos... Não sejam mórbidos!

Eu nem devia gozar muito com a questão. A pessoa que difundiu isto até que gosta muito de mim. Passava a vida a carregar em Gosto para toooooodas as minhas publicações. Se eu morrer, vou fazer-lhe mesmo muuuita falta...

Ai a barrela que aquele livro das caras precisa... 40 pessoas é uma multidão!!! :s

Shopping...

Ontem à tarde, enquanto estava à espera do autocarro para vir para casa é que reparei bem no meu saco de compras...
Está um tempinho da treta, as cores apareceram, mas continua muita coisa castanha e sem vida. Assim, pionias (há quem diga peónias) para alegrar a casa. Alho francês para a sopa. Pão, espargos e mais tralhas para o feriado. É que por aqui os supermercados estão fechados. Há um na estação de comboios da cidade, outro no aeroporto, outro na estação de comboios de Zurique, mas são para as urgências, menos artigos, menos marcas... porque feriado é feriado, sendo dia santo de guarda ou não...
Um post indicado para o dia de hoje. Dia do trabalhador, em que estou em casa de papo para o ar, eu que trabalho num supermercado. E hoje que faz um ano que numa cadeia de supermercados que jamais faz promoções como os seus concorrentes... pessoas quase se matavam... por quê? por quê? por uma promoção!!!

De médico e louco...

Deu-me para procurar informações sobre medicinas alternativas (ou complementares, eu nunca sei... andam sempre a mudar os nomes às coisas) que ajudem, possam ajudar, que se pense que possam ajudar na travagem da esclerose múltipla (não penso em cura, penso só em não-progressão).
Dei com um blog que tinha lá de tudo... copiam-se os artigos sobre coisas que fazem bem e cola-se e já está... resultado... aquilo parecia uma compilação de bruxedos e mesinhas...

Dei com uma outra página de um gajo... deu-me vontade de o espancar...
Um paciente não se pode expôr ao Sol, na praia, entre as 11h e as 16h. Eu pensei que era toda a gente... Se tomar banhos de Sol deve ser só de manhã ou só à tarde. Em completa nudez. Sem adereços. Sem protector solar. Hidratar a pele com creme neutro de bebé. Ou seja... além de se ter esclerose múltipla, ganha-se um cancro de pele como bónus!

Fazer exercício pela manhã em jejum. Ou seja, antes de começar o dia já se está a ter uma quebra de tensão.

Não se pode comer gelados. Não se pode comer gorduras. Não se pode usar sal. Não se pode beber café. Não se pode comer todo o tipo de cadáver de mamífero e peixe com pele.
Ou seja... tem-se esclerose e uma depressão por não se poder aproveitar o prazer de um café de vez em quando.
E cadáver de mamífero?!?!? Huh?!?

Só se pode comer peixe cozido sem pele. E na panela de pressão. Sempre ouvi dizer que os alimentos deveriam ser cozinhados devagar. Agora... cozer peixe numa panela de pressão. Só se for tubarão e mesmo assim... não sei se a sua carne será assim tão dura que não se desfaça ao fim de cinco minutos...

Agora a medicação:
Deitar 1cm de argila verde em pó num copo com água, todas as noites, e beber o líquido de manhã, em jejum, deitando fora a argila depositada (se ingerir um pouco, por descuido, não faz mal). Incluir sempre um pouco de cebola crua em pelo menos uma refeição ao longo do dia. Uma vez por semana, mastigar cerca de 2cm de talo de couve crua (galega ou semelhante). Manter a medicação a que se está habituado, até comprovar poder prescindir-se dela, mas reduzir ao máximo possível todos os analgésicos.



Não vejo onde é que cebola e um talo de couve são medicamentos. E gostava de saber que efeito têm as couves na estagnação da doença. Ou será que são as couves em conjunto com os electrochoques que ele recomenda... Ele que os leve. Enfie um electrodo num sítio que eu cá sei... a ver se gosta das teorias...

O melhor que o meu médico me disse foi para eu não mudar o meu estilo de vida. A sério... quando comecei a assimilar que tinha que viver com esta merda, comecei a deprimir com a hipótese de ter que cortar com certas comidas, bebidas... ele disse-me  és nova, a doença está num estádio "bom". Tens que assimilar a doença, a medicação e os efietos secundários. Mudar o teu estilo de vida seria mau. Mantém-te como estás. Se for preciso fazê-lo no futuro, logo veremos como é. 

A sério... esta gente que vem para rua com cada teoria... já desisti outra vez de procurar informação... é que este... de médico... não me parece... e eu desanimei!