sexta-feira, 27 de maio de 2016

um roubo que é uma comédia

Como seria de esperar, na minha vida só acontecem cenas maradas...

O estúpido do futuro chefe estava de saída (já ia tarde) e veio comentar que apanhou um a tentar roubar. Contei umas aventuras com roubos e tentativas de roubos. E nem meia hora depois já temos mais um a roubar.

Veja-se a estupidez dele: enfiou a revista na parte de trás dos calções e andava meio aninhado a ver outras revistas. Claro que a t-shirt se levantava e a revista ficava à mostra. Quando ele saiu da loja, eu fui atrás. Mas o gajo corria bem... como ando com uma dor insuportável nas costas confesso que também não tentei fazer um sprint. No entanto, o que realmente me fez parar foi um ataque de riso que me deu.
O gajo tinha um cão (coitado do bicho!!!!) que não o conseguia acompanhar, por isso o pobre do animal ia praticamente a ser arrastado pelo animal de duas patas. Depois os calções iam a cair-lhe pelas pernas abaixo (não percebo como, pois ele até tinha cinto). Então, agora tem piada, agarra nos fundilhos com as duas mãos e continua a correr de uma forma altamente desengonçada.
Visto de trás... parecia uma cena tirada de um episódio do Mr. Bean. Ri-me tanto e tão alto que não me dei ao trabalho de continuar a correr. A empresa não vai falir. Além disso... amanhã é o meu último dia. Por isso... who cares?!?!

interrogatórios e mudanças

Na entrevista de trabalho:
- Onde se imagina daqui a dez anos?
É a pergunta mais parva que pode ser colocada a alguém. Sei lá!!! Neste dia há 8 anos eu não imaginava que daí a um mês iria decidir vir para a Suíça.
Em Fevereiro deste ano não imaginava que amanhã seria o meu último dia de trabalho na loja.
Eu imagino-me assim em dez anos: podre de rica, a viajar. Acredito nisso?!? Claro que não. Mas imaginar ainda não paga imposto e ainda não é indicinante do futuro laboral.
-E o que é que sabe da empresa?
- Sendo muito honesta, não tive tempo para estudar tudo. Mas sei que fazem check-in, fazem acompanhamento do pessoal até aos aviões, fazem limpeza dos aviões.
-Ah devia saber mais. Afinal como é que se candidata a um sítio sem saber  nada sobre a firma?!? Se não sabe a que se candidata?!?! E nós não fazemos acompanhamento dos passageiros.
Hã?!?!? Eu candidatei-ma funcionária de check-in e não a directora da empresa. E, sim, eles fazem acompanhamento dos passageiros. Só que eu falava da empresa em geral, pois tinha visto esse serviço no Dubai. E eles só falaram daqui...

Depois e hora e meia de interrogatório, um dia de prova e um teste de imagem (sim, maquilhagm e, sim!!!, passei com distinção) lá fui aprovada para o aeroporto.
Chegou o contrato hoje, só tenho que assinar e já está... dia 1 começa outra etapa da minha vida!!!

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Eindeutig ou a história de uma pseudo-intelectual...

Hoje uma cliente na loja:
- Tem a revista Lire?
Eu dirigi-me à secção francesa com ela atrás:
- É que eu procurei e não vi.

Como diria a minha mãe, abre os olhos mula, que a carroça vai cega!  Se ela tem uma revista sobre literatura na mão como é que não viu a outra que está ao lado?!?!
Mas pronto, não disse nada, deixei-a lá com a revista e fui atender outras pessoas.

Estava um senhor a comprar uma revista especial. Eles chamam de "Romane", mas é estilo Bianca para homem. Há de cowboys, ficção científica, policial e sobre Guerra Mundial (nunca percebi qual).
Ele pagou, despediu-se e foi embora. Lá veio a outra com a revista sobre literatura.

- Ah. O que é que ele comprou? Aquilo nem revista é!!
- Chama-se Romane, digo eu, mas sou loho interrompida por ela.
- Aquilo não é Romane [o nosso romance].
Aí nterrompi-a eu:
- É assim que chamam por aqui.
- Ah não interessa. Aquilo não presta. É eindeutig [evidente]

O que é evidente é que ela não teve aulas de cultura portuguesa com o professor V. V.. Se ela tivesse estado umas horas com ele iria perceber que nem todos podem ser seres intelectualmente superiores. Que alguns simplesmente não o querem ser. E mesmo o que querem ser, por vezes, precisam começar a ler A Bola, para criarem hábitos de leitura.

Confesso que me faz confusão saber que há gente que nunca leu um livro em toda a sua vida. Mas quem sou e para julgar?!? Quem é ela para criticar o homem?! Provavelmente tem um trabalho esgotante a nível físico e lê aqueles Romane para espantar o sono no comboio para casa. Sabe-se lá até que ano estudou ele?!? Sabe-se lá se tem dinheiro para comprar livros... Tanta coisa que pode levar uma pessoa a optar por umas leituras e não por outras.
Não gostei da arrogância da mulher. Lembrou-me a minha pessoa com 15 anos, que se achava rainha da cocada por ler mais livros que os colegas... e essa pessoa era muito feia!!!!

É Eindeutig que ela precisa de ler mais, muito mais, sobre as pessoas e o mundo que a rodeia...



segunda-feira, 9 de maio de 2016

Conspiracies

Quando os clientes pagam com cartão eu ponho-me a olhar para o Sete-Estrelo. Não quero que pensem que lhes quero roubar o dinheiro. :p Mas apesar de não estar a olhar, estou atenta aos sinais sonoros da máquina e sei quando o cliente acabou de marcar o código.

Há tempos ouvi uma cliente a acabar de carregar nas teclas e levantei a cabeça para lhe perguntar se ela queria o talão. Qual não é o meu espanto quando a vejo a carregar nas teclas de forma aleatória. No primeiro segundo fiquei a pensar que se tinha enganado e que o som que eu pensava ser de terminar era de corrigir. Como os códigos na Suíça costumam ser de seis dígitos... seria normal ver a mulher carregar em tantas teclas. Só que... ela carregou e carregou e carregou... e aí eu percebi... ela não estava a corrigir nada... ela estava a apagar o rasto dela na máquina e ainda olhou por cima do ombro...

Como eles andEm aí... o melhor é começarmos a carregar em todas a teclas. Isso ou eu vou dar em doida com gente queimadinha de todo...

sexta-feira, 6 de maio de 2016

mente contra corpo

Por aqui ninguém parece estar interessado no facto de ser o aniversário do Freud, assinaladao em diversos domínios, incluindo o português.
É bem mais inportante o Campeonato do Mundo de Hockey no Gelo que começa hoje na Rússia.

domingo, 1 de maio de 2016

Vai masé trabalhar!

Ontem era uma cambada na estação. Mochilas às costas, muito barulho, muito álcool. Não percebia porquê. Só à noite ao sair do trabalho, e dar de caras com um grupo de polícias anormalmente grande, é que me lembrei que hoje é dia 1 de Maio. Nesta terra significa o caos em certas zonas, vidros estilhaçados, cabeças partidas, gente detida. Principalmente por causa de meia dúzia de arruaceiros que se misturam com os manifestantes do Dia do Trabalhador.
Eu tenho que ir trabalhar hoje... de tarde (como eu odeio!!!). A ver como vai correr a aventura!
Até lá, fica o doodle suíço, alemão e austríaco (pelo menos).

sábado, 30 de abril de 2016

opiniões

Como sempre acordei cedo demais. Resolvi dar uma volta pelo mundo cibernético e descobri umas coisas interessantes como umas ilustrações de Anton Gudin que recomendo vivamemte. Mas também encontrei isto:


Eu era uma terrorista em miúda. Não era uma miúda de índole má, mas só fazia asneiras e não tinha filtro a falar. Graças a isso, levei umas boas palmadas. Umas foram merecidas. Outras ainda me doem pela injustiça da situação.
Mas pronto... já passou e eu não estou traumatizada. No entanto, analisando beeeeem o meu passado e todas as tareias, nenhuma delas me ensinou a respeitar ninguém. Aprendi a não fazer asneiras, mas não.. não aprendi a respeitar ninguém com uma palmada. O respeito ganha-se dando-se. Nada mais.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Afinal diz que não...

Ela aparece de manhã bem cedo. Compra as revistas para os pacientes. Controla o loto. O deles e o dela. E joga outra vez. Está sempre cansada. Está sempre zangada. Está sempre irritada. Tudo serve para abrir caminho para resmungar.
No início eu tinha paciência. Tinha pena. Ouvia-a e ainda lhe dava trela. Com o tempo deixei de ter paciência.

Quer dizer... achava eu. Hoje apareceu outra vez. Eu andava a arrumar revistas e ela foi atendida pela minha colega. Disse-lhe adeus de longe. Passado um bocado, aparece na loja a andar de lado para lado à minha procura. Trazia uma rosa na mão. É para ti. Por seres tão simpática comigo e por me ouvires os desabafos. E pronto... fiquei com um monte de revistas na mão especada a olhar para ela e sem saber o que fazer. 
Eu havia de jurar que já não a podia aturar. Mas parece que continuo a ser um amor para ela. Se me perguntarem, eu digo que não sou mal-educada nem agressiva com ela. Mas daí a achar que mereço uma recompensa, que ela me deve alguma coisa... vai uma looooonga distância.

E pronto... mais um momento oooooom que prova que aqueles %#º3#$%&/* não sabem a empregada que vão perder...

 

sábado, 9 de abril de 2016

Vorbild

Eu não dou graxa ao chefe. Detesto que o façam e detesto ainda mais que os chefes esperem um tratamento com deferência digna de divindade. Mas... chefe é chefe. Não o/a trato como se tivesse andado na escola com ele/a. Normalmente aceito as ordens sem problemas (por vezes, dou a minha opinião ou pergunto porquê, mas é mesmo só por vezes e mesmo não concordando eu faço o que me mandam).
No entano, mesmo sendo o chefe chefe... eu espero umas quantas coisas dele. Que me trate com tanto respeito como eu o/a trato. Que nem sequer tente fazer-me passar por estúpida. E que não me trate por "tu" sem antes me perguntar se pode. Eu não trato chefes por tu. Não têm que me tratar também.

Mas pronto... se eu estava triste por deixar a loja, a tristeza foi-se. O novo-futuro-chefe é um péssimo chefe. Em cinco dias de trabalho já chegou atrasado 4 vezes. Depois põe-se a falar ao telemóvel no meio do trabalho. Eu sei que ele é chefe, mas... os clientes também reparam nestas coisas e não costumam gostar de ficar à espera para ser atendido...

E depois de chegar ao pé de mim a tratar-me por tu... eu tremi toda por dentro...

Sei lá... acho que o chefe é chefe. Mas também acho que o chefe tem que ser o primeiro a dar o exemplo - toda a gente sabe que a luz vem de cima. E toda a gente sabe... se a chefia não se porta à altura... um dia o barraco vai abaixo...

* exemplo

sábado, 2 de abril de 2016

Da morbidez dos vivos

No feed  de notícias do livro das caras apareceu-me uma foto de um homem que estava a receber uma condecoração. Fiquei curiosa e tentei perceber o porquê da foto na página do Município de Constância. Ao que parece, é o coveiro da terra a receber um reconhecimento pelo seu trabalho.

Mas ao ficar a perceber a razão da foto percebi que o mundo está mais atrasado do que eu pensava. Houve logo um otário a ironizar o facto. Ignorante, muito ignorante.
Admiramos polícias e bombeiros porque arriscam a nossa vida. Admiramos médicos e enfermeiros porque quase que operam milagres de salvação.

Deveríamos também admirar os coveiros. Se eu já acho o trabalho de cangalheiro tramado... o de coveiro deve deixar uma pessoa bem  perturbada.
Descer um caixão à terra deve mexer muito. Uma caixa onde se sabe estar o que foi uma vida, muitas vezes nossa conhecida.
Sentir o peso da morte nos braços,o calor das cordas a rasppar nas luvas. Depois pegar numa pá ou, ainda mais frio, numa mini-retroescavadora e acabar de vez com a hipótese de aquele corpo voltar a ser visto.
Ou preparar uma campa onde já esteve alguém enterrado. Uma tíbia, o úmero ou o crânio da senhora dona X que até era a mãe do colega de carteira na escola primária e nos dava uma côdea de pão sempre que íamos lá a casa.

Se fôssemos um país onde se preservam os corpos e se fazem fotos a jogar poker com eles... eu compreendia que não se desse grande valor ao trabalho deles. Nós, vivos, trataríamos dos nossos mortos.
Mas se não somo assim, por que raio havemos de gozar com uma profissão que está a desaparecer?!?! Desrespeitar quem tanta força tem para respeitar o nosso avô, a mãe do nosso vizinh, o nosso filho menino que morreu antes de ser baptizado...

Uns são enterrados mortos, outros morrem e enterram-se sozinhos e em vida... :/

terça-feira, 29 de março de 2016

nem sei se ria ou se chore...

Só agora estou a caminho de casa. Saí às duas e depois foi a festa de despedida da nossa chefe. A pseudo-futura chefe resolveu tomar as rédeas das prendas. Andou a engonhar e depois no último momento andámos nós a assinar o postal às escondidas da mulher. Eu resolvi escrever uma frase em francês. Eu sei que ela entende e o risco de escrever asneira em francês é bem menor (e mais compreensível) do que escrever em alemão.
No fim de assinar, estive a apreciar o que a pseudo-futura escreveu e... logo na primeira linha... um erro de alemão. Eu estive ali um bocado a analisar as declinações e... sim, havia um erro.
Eh pá.. é simplesmente triste!!! Tanta confusão, tanto fogo de artifício e depois.. logo na primeira linha tem um erro?!? Um erro na língua dela...
Se até eu sei distinguir o uso da preposição seit (desde) de seid a segunda pessoa do plural do verbo sein...
Sorte a da minha velhota que já não tem que aturar isto!!!

domingo, 27 de março de 2016

Das culpas e das dores

Há quem defenda que o doze é um bom número porque doze eram os apóstolos. Há quem acredite que não se devem sentar treze pessoas a uma mesa, pois o primeiro a levantar-se é o primeiro a morrer.
Esta época pascal mostrou que o doze não é assim tão bom número e que o mal do número treze não é ser o primeiro a levantar-se, mas sjm ser, quase de certeza,  o único a usar cinto de segurança.

Só que antes de se culpar a numerologia, devemos culpar os humanos.
Antes de mais, os que estavam naquela maldita carrinha. Tirando as crianças, que fazem o que lhes mandam, todos os outros adultos podiam ter decidido não entrar na carrinha ao verem que era um carrinha adaptada, que era um único condutor, que era um condutor não credenciado (a experiência pode ser discutível).
Se for verdade que os bilhetes custam 350 francos, fizeram um mau negócio. Conheço uma empresa de autocaros de um português, credenciada, com muuuuuuitos anos de experiêcia (comecei a andar com eles muito antes de poder conduzir), que nunca implica com a quantidade de bagagem (têm condições para isso) e pedem 300 francos por uma viagem de ida e volta. E, marcando com tempo, os bilhetes de avião a partir de Basileia podem ser uma pechincha que compensa o bilhete de comboio até lá e o táxi do Porto até ao destino final.

Depois há que culpar os donos dessas carrinhas. Carregam e carregam e carregam e oferecem garantias e mais garantias e mais facilidades e mais comodidades. Mas... comcemos pelo mais básico: não há nada de confortável em fazer 2000km enfiado numa furgoneta sem janela, entalado entre montes de pessoas, sem possibilidade de esticar as pernas, nem de poder encostar a cabeça como deve ser.

Por fim, as autoridades. Quem deixa homologar uma alteração destas a uma carrinha?!?  Onde anda a polícia a fazer patrulha para não verem estas coisas?!?

E desta história ainda se pode tirar um ensinamento. Nunca viajar para fazer surpresa. A minha mãe fez-me isso jma vez e eu ia morrendo de emoção. Mas se fosse contactada pela polívia para me darem um notícia destas, quem precisaria de psiquiatria, seria eu.

Nunca devemos esquecer: coitados dos que ficam, porque os que foram já não sofrem...


sexta-feira, 25 de março de 2016

Penitência de Quaresma?!?!

Já aqui tinha falado da chefe da chefe, bem de como fui forçada a desistir do trabalho que amo de paixão. Mas a novela parece ainda não ter acabado e eu espero não ter uma crise nervosa que me faça ter uma crise de esclerose...

Eu achava que o meu despedimento forçado não podia ser tão linear. Andei, andei e fui parar a um escritório de aconselhamento jurídico onde me disseram: em nenhuma circunstância se despeça. Se eles não querem aceitar o que você contrapropõe, eles que a despeçam
Mandei um e-mail a informar a chefe da chefe. Retribuiu-me a pedir que lhe ligasse. A sério?!?!? Eu, que odeio telefones, ia ligar-lhe? Eu, que não tenho o número dela, ia ligar-lhe? Eu, que já tinha feito o que me competia, ia ligar-lhe?!?! Claro... o que eu mais sonho é andar a gastar dinheiro em telefones para resolver as borradas dos outros...

Passado um bocado ligou ela. Que bonito... quanto esta gente vê o dito cujo apertado... descobrem o nosso contacto em segundos...

Ah porque você vai ter problemas no centro de emprego. ah porque você não quis ouvir. ah porque você não assinou o protocolo. ah porque eu não sou sua filha para você me falar assim.

A sério que eu ouvi estar merdas todas. Já depois de ter ouvido a boca em que me devia casar para compensar a falta de horas no novo horário (TRUE STORY!!!!!).

Oh pá... se ela me propôs ganhar menos que uma miséria, por que raio devia eu continuar a falar das condições de um contrato que eu nunca iria assinar?!?!? Se ninguém me informa que há um protocolo, como é que eu sei que tenho que assinar um protocolo?!?! E se ela não me conhece, se ela não sabe como eu fale, não me venha com merdas sobre não ser minha filha. Porque... por muito que lhe doa, ela é que tem idade para ser minha mãe (mas muuuuuuuuuuuito menos beleza para tal).
E não, eu nunca iria ter problemas no centro de emprego porque a nova proposta dela foi inferior à miséria de contrato que eu tenho.
Ah porque eu não sabia que você tinha um contrato assim. Eu nunca faço contratos de 25 horas. Ah pois é, bebé!!... mas também não foi ela que fez contrato comigo. Se ela não faz o trabalho dela de forma competente, isso já é problema dela e não lhe dá direito a barafustar comigo e a ameaçar que me desliga o telefone. Eu cheguei àquela loja antes dela. Se ela é incompetente e não sabe o que tem que subordinar... eu estou-me pouco a importar. Eu sei a quê e a quem presto subordinação e não pretendo quebrar nenhuma alínea do contrato até sair dali...

Ninguém merece!!

quinta-feira, 17 de março de 2016

E mais uma reviravolta

A senhora C. é uma alemã muito fofinha que aparece de vez em quando na loja para enviar dinheiro para a Jamaica. Manda coisa pouca de cada vez, quase sempre para o mesmo homem, por vezes para mais um nome ou dois. Na Terça apareceu na loja e eu dirigi-me ao balcão a pensar que não tinha feito o refresh  e, logo, não sabia se eu podia fazer o envio de dinheiro. Ela aproximou-se do balcão com o seu sorriso sereno, abriu a mochila e tirou de lá um pequeno pacote.
- Trouxe isto para si. É sempre tão simpática comigo. 
Agradeci imenso, mas na hora nem vi o que era. Mais tarde abri o saco e vi que ela tinha trazido aquilo para mim, sim, mas das Caraíbas. Fónix!!!! Quem é pessoa que vai de férias e se lembra da vendedora que vê de vez em quando?!? Só uma pessoa muito especial se lembraria disso. Eu senti-me muito feliz, muito orgulhosa de mim, mas ao mesmo tempo bem pequenina.

Ontem também foi dia de me sentir pequenina.  Mas um pequenino bem diferente.
Andavam há já uns tempos a falar em mudança de gestão da loja. Andava tudo em pânico!!! Eu, farta de os ouvir, dizia que o pior que poderia acontecer era sermos todos despedidos e irmos parar ao fundo de desemprego. Ontem foi dia de falar com o futuro chefe. O mesmo ordenado [de miséria]. Vinte horas semanais. Até aqui tudo bem. Quando perguntei se poderia ter dois dias fixos de folga para arranjar um segundo trabalho [coisa que tinha tido quando comecei a trabalhar lá]. Ah não. Tem que estar disponível o tempo todo.
Ou seja: reduziam-me o horário, mas eu tinha que estar em casa à espera que alguém ficasse doente para eu poder ganhar mais umas horas extra.
Então paramos a conversa já aqui. Disse eu, minutos depois de eu ter dito que adoro, amo de paixão aquele trabalho. Esta gente pensa o quê? 1600 francos seria o que eu iria ganhar. Pago 1100 de renda de casa... depois ia para a porta da igreja pedir para comer... Esta gente bebe ou fuma coisas estranhas ou quê?!?!
Se eles me tivessem deixado trabalhar dois dias noutro sítio eu poderia aguentar com menos. Mas 20 horas... é menos de 50% de uma semana laboral (aqui normalmente as semanas de trabalho são de 42 horas, ou mais!). E depois... que fazia eu no resto dos dias? Segundo trabalho estava fora de questão. Arranjar hobbies é bonito, mas para isso é preciso dinheiro e voltamos ao início da questão. Fartei-me de chorar. Mas no fim de lavar a alma comecei a preparar-me... já dei uma espreitadela a alguns trabalhos e agora é começar a procurar de forma mesmo activa e mandar aquela gente à fava...
Tenho a certeza que eles vão perder (pelos menos três já se despediram pelos mesmos motivos). É que ali é preciso saber línguas, ter estaleca e, por vezes, algum descarmento. Mas ao mesmo tempo saber lidar com gente complicada, ter paciência e um belo sorriso para quem está a precisar. E... com tantos cortes e exigências... duvido que quem vier de novo consiga acompanhar o ritmo louco da loja e apaparicar os desejos dos clientes regulares que deixam lá montes de dinheiro...

Eu acho que o novo chefe não sabe onde se está a enfiar e quando vir... vai ser tarde demais para voltar atrás. Quando isso acontecer, vou-me rir... e eles vão ver que afinal eu até sou grande!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Kurz gelacht

Na sua página revista Stern apresentava um texto para descontrair. Cliquei na ligação e acabei por encontrar mais umas notícias que tinham tanto de curtas como de surreais...
A primeira, a que me levou às outras, dizia que um austríaco foi multado (70 euros) por ter arrotado depois de comer um Döner. Mas esta, de todas, era a menos parva...

Nos EUA (where else?!?):
Um ladrão resolveu assaltar uma fotomaton. Mas o 75 dólares que conseguiu saíram-lhe caros. É que, enquanto ele roubava, a máquina fez-lhe uma foto...

América (again!):
Uma mulher de 29 anos não ficou satisfeita com o corte de cabelo. Então tentou aliviar o stress ao tiro... contra a cabeleireira.

Índia:
uma cabra (sim, o animal!) foi apanhada a comer de forma ilegal (?!?) a relva do jardim de um juiz. E, por causa disso, foi passar a noite à esquadra, sendo libertada no dia seguinte sob caução (valor não definido).

Índia (querem tornar-se potência mundial, ou potência mundial da parvoeira?!?):
Um homem foi obrigado a comer 40 bananas depois de ser apanhado a roubar. Engoliu um colar fruto (olha o trocadilho) do seu roubo e como era demasiado caro fazer outro procedimento de extracção, o juiz decidiu por este meio, digamos.. mais natural. As bananas são ricas em fósforo e potássio, assim não perdeu tudo... :D

* A tradução literal do títull não tem qualquer lógica em português, por isso, traduzo: "para rir".

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Alguém com fome?!?

E cá estamos nós outra vez na Palha-Season. :)
Este ano juntaram maçãs às estátuas. Os corvos... agradeceram. Então fui o mais rapidamente possível, para não encontrar muita coisa bicada...
Eu não andei propriamente à procura do tema, mas deve ser qualquer coisa como Invenções.
O laboratório, o serviço postal: os miúdos subiam a escada para colocar o postal que depois iam buscar dentro da caixa, que depois deitavam no cimo da caixa que depois iam buscar... e repeat!
O tractor e o detalhe dos piscas. A roda de fiar (lamentavelmente, partiu-se)  que fiou o novelo gigante... A lâmpada que se acendia quando pedalávamos... Só não gostei da bússola não estar mesmo a mostrar o Norte, mas... o bolo de chocolate na cafetaria compensou... :D




 



domingo, 7 de fevereiro de 2016

O senegalês

Tenho a certeza que neste preciso momento um senegalês está perdido na estação de Zurique.
Ele veio à loja para levantar dinheiro (estava a viajar sem dinheiro nenhum), mas não era ali. E entendê-lo?!? E fazermo-nos entender?!?! O meu francês é mau, por isso fui ao apoio ao cliente da estação para ver se me podiam ajudar. Mas ele continuava a não perceber e a não se fazer entender. No desespero levei-o à polícia. Expliquei o que se passava e deixei-o lá. Quando estava a regressar à loja tive um aperto no coração: e se o prendiam? Mas... que podia eu fazer?!? Ele não saía da loja e eu não sabia o que mais dizer. Afinl ele está legal , porque 10 minutos depois já estava outra vez à porta a loja. O que acaba por ser pior para ele...
Pelo bilhete que ele tinha na mão, ele vinha de Lugano. Pelo que eu percebi do crioulo (ele não fala francês!!), ele tinha que ir para Paris, que alguém espera por ele na Gare de Lyon. Pelo que depreendi, vai trabalhar lá.
Ele não estava assustado. Ele não se sentia perdido. Simplesmente, porque ele não percebe que está noutro país que não a França.
É angustiante de se ver. É angustiante se saber. É angustiante porque não se pode fazer nada.
Que mundo é este?!? Que nos obriga ameter-nos num comoio que não sabemos se vi chegar ao nosso destino... como é que vai aguentar a noite?! E comer?!? Aquele corpo tão magrinho não se desfaz?! Onde anda Deus? Onde anda a Humanidade?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Será que também lhe devo mudar a fralda?!?

O dia em que a minha chefe me "promoveu" a responsável pelos livros foi dos mais felizes na minha longa vida laboral. Sabia que não ia ganhar mais dinheiro ou benefícios por isso. Sabia que ia ter muito mais trabalho. Mas sabia que aquele departamento ia funcionar muito melhor. E, por fim, sabia que ia ter um enoooorme prazer a tratar de tudo.  Só não sabia que ia regredir até à creche...

Quando assumi as minhas responsabilidades, comecei a organizar ainda mais e melhor as gavetas dos livros de reserva. Comecei a limpar prateleiras com anos de pó, a fazer devoluções graduais de livros muito antigos. Cheguei a criar umas etiquetas para arrumar os livros nas gavetas. Dei-me ao trabalho de fazer etiquetas coloridas e divertidas para não aborrecer ninguém. Plastifiquei-as para não se perderem, sujarem ou rasgarem. 

Mas se com o tempo eu me organizava mais, com o tempo o sistema de devoluções/entregas de livros se enrolava mais. Farta de mandar faxes, peguei no telefone e liguei para saber que raio se passava, já que estávamos sem material. Com a conversa, percebi que havia muita coisa lost in translation. Lá me entendi com a mulher e toca de fazer mais umas alterações. Como eu não tive tempo de transmitir a informação a toda a gente e estamos, afinal, na creche, não fizeram circular a informação e no mesmo dia em que fiz mudanças foi tudo desmanchado.

Como não trabalho com toda a gente ao mesmo tempo, resolvi deixar uma folha dentro de uma gaveta. Na gaveta explicava que tinha falado com alguém entendido na matéria e que por causa disso tinha feito umas alterações. Tinha um esquema das possíveis disposições dos livros e pedia por favor que deixassem as coisas assim. Alemão simples, mas educado e agradecido. No dia seguinte chego para arrumar os livros e... ai! chorei de raiva!!! Como se não bastasse os livros não estarem como os tinha deixado (segundo directrizes superiores a mim), a folha que eu tinha escrito estava amassada e rasgada. 
Eu sabia quem tinha feito a ofensa. E não fiz nada. A moça veio trabalhar e eu fiz o meu sem discutir. Uma colega minha tomou as minhas mágoas e foi desancá-la. Mas falar para a S. (a perpretadora da ofensa) é o mesmo que falar para uma parede. E eu disse, em espanhol, à minha colega L. que se poupasse ao esforço. 
Eu consegui puxar a L. para fora da loja. Fomos beber café e desanuviar. Mas a S. não ousou pedir desculpas ou até explicações sobre a folha que eu tinha escrito. 

Na Sexta houve a tal reunião que mudou as nossas vidas. Estamos todos em risco de perder o nosso emprego. E estamos dependentes de boas avaliações no trabalho. E foi aí que a S. percebu que... talvez... tenha cometido suicídio naquele trabalho ao andar a arruinar trabalho bem feito, autorizado por superiores e que visa um único propósito: o lucro da loja.  
Hoje veio com o rabinho entre as pernas pedir-me desculpas. Mas bateu na porta errada. Para cabra, cabra e meia. Para criança, criança e meia. Se ela se portou como uma cachopa desmiolada, eu vou-me comportar como uma pirralha da pré-primária e vou fazer queixinhas à "probessora". 
Eu vou dizer à chefe que não discuta com ela, porque, com os problemas que a velhota tem, nem compensa enervar-se com o "mimo do caco". Mas também não quero deixar passar em falso, porque até termos a certeza se vamos para a rua ou não ainda vão demorar uns meses e eu, que não quero filhos, não estou para aturar os dos outros...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Santa intrujice!

Como toda a gente, inscrevi-me em alguns grupos do livro das caras. Graças a essa brincadeira tenho apanhado liiiiixoooooo, coisas engraçadas e pedidos de ajuda para procurar trabalho ou escolas de alemão. Nuns momentos, não me manifesto. Noutros, por diversas razões, meto a colher. E até onde posso, ajuo sempre.

Hoje tive que ir a uma reunião de trabalho (outra boa história!!) E, durante a viagem de comboio até Zurique, vejo que alguém, num desses sites, pedia ajuda.
Mulher, com uma filha pequena, a morar na Suíça e com cancro. A coitadinha, aí por volta da hora de almoço, estava a morrer. Tinha horas, que digo?!, minutos de vida!
Eu e outras pessoas dissemos-lhe onde se podia dirigir. A pobre, com cada vez menos tempo de vida, disse-nos que já tinha ido e não tinha recebido ajuda. As pessoas de bom coração também têm cérebro e começaram a pensar que aquilo era muito estranho. Conforme as perguntas e respostas, ela ia-se afundando cada vez mais. Como toda a gente sabe, sou ácida e disse que ela estava a mentir. Respondeu que não, que precisava mesmo de ajuda. Ofereci-me para, na próxima semana, num dia de folga, ir com ela pedir apoio. Disse-lhe que estava disposta a ir ter com ela a qualquer sítio da Suíça e mesmo não falando muito italiano ou francês de certeza que me desenrascava com inglês.
Disse-lhe perante os outros comentadores (e citei-os, para eles irem ver o comentário) que o faria de bom grado. Mas que se me estivesse a enganar iria à polícia.
Depois deste comentário, deixei o tablet de lado e fui para a reunião. A seguir a esta, fui tomar café com as minhas colegas e só agora, já no comboio para casa, fui ver a resposta como é que a pobre moribunda ia descalçar bota.
Como seria de esperar, acontece um milagre mais potente que o de Lázaro, a mulher acabou por não morrer. Ficou tão curada e tão sem necessidade de apoio dos outros que acabou por apagar o pedido de ajuda.

Ora bem, a minha mãe farta-se de gozar comigo porque me farto de mandar e-mails com informações para procurar trabalho. Se eu lhe disser que curo o cancro online em menos de 4 horas... a minha Maria morre a rir...

domingo, 3 de janeiro de 2016

Como começar bem o ano

Ontem contaram-me uma anedota. Ou isso ou a minha vida é que se tornou uma anedota com os amigos a tornarem-se palhaços.
Eu não sou dada a muitas e grandes formalidades. Mas já aqui disse várias vezes que gosto de um miminho. Uma mensagem, um postal, uma mensagem de votos de qualquer coisa boa.  Mas veio uma amiga (?) contar-me a primeira piadola do ano. Começou com nós não precisamos destas coisas. Eu demorei um bom bocado para perceber o que ela queria dizer. Depois lá se fez luz no meio da escuridão que era aquela frase. Nós não precisamos de desejar votos de felicidades, não precisamos de escrever mensagens. Isso é o que ela me diz. Como eu tantas vezes digo, nós é muita gente e eu pergunto-me se o marido dela se vai contentar a vida toda com ela a nunca lhe dizer que o ama. Pergunto-me se as amigas e os familiares dela acham piada se ela não lhe der notícias, não lhe der os parabéns, não lhe desejar bom ano.
Não é que eu queira que me escrevam em papel de carta com acabamento em linho, mas... não exageremos...

A minha mãe teve que ir a Portugal esta semana e como os preços de avião estavam proibitivos, resolveu regressar de autocarro. Eu estava de folga, fui buscá-la de carro. Enquanto metia o carro para o parque de estacionamento, ria-me da vida e das voltas que ela dá. Hoje era eu a estacionar o carro. Hoje era eu a ir buscar a minha mãe. Hoje eu via centenas de pessoas chegar depois de umas férias . Hoje não era eu que chegava depois de umas férias .

Quantos carros eram do N.?!? E o H.? E da empresa G.?! Eu chorei ao ver aquelas pessoas todas carregadas com sacos pesados onde viriam presuntos e azeite novo. Eu chorei ao ver caras ensonadas, costas tortas e um caos de carros que esperavam aquelas pessoas. Hoje pela primeira vez em 20 anos era eu que esperava e via. E apercebi-me que eram muitos. Demasiados. Muitos mais do que antes. Famílias inteiras despejadas naquele terminal que, de tão atafulhado que estava, precisava que uns autocarros saíssem antes de entrarem mais. A empresa N. é a que a minha a família usa há anos. Ainda do tempo em que o proprietário era só um empregado de uma empresa suíça e que fretava um carro do patrão para fazer transportes nestas épocas altas. Agora, só hoje, chegaram 15 autocarros da empresa N. à Suíça. QUINZE! QUINZE! QUINZE! Só desta empresa. Fora todas a outras. Fora os outros dias. Fora os aviões. Fora os  carros particulares. Fora as carrinhas (pessoas que transportam encomendas para e de Portugal e que em certas alturas mais fortes também transportam pessoas.). QUINZE!
Ver aquela gente deu-me arrepios. Emocionou-me. Deu-me uma revolta. Um orgulho. Uma impotência. Eu gosto disto aqui. Mas... a nossa casa, a nossa terra... pode-se dar a volta o mundo, mas... em certas alturas, principalmente nestas... é a nossa terra.

Depois voltei a pensar nessa colega de faculdade. Ela, que também esteve fora do seu país, acha que viver fora de casa é fácil?! Que não custa e que para quem está desterrado não é preciso mandar notícias ou desejos de coisas boas?!?! Que mundo revirado é este em que as pessoas tomam toda a gente como certa, como garantida e acha que não precisamos destas coisas?! Ou a questão é mesmo só comigo?!?! Pfiuuu!! Aí a coisa leva-me ao suicídio...
Gostava de saber como se sentiria se fosse ela a esperar a mãe e a ver chegar aquelas centenas de pessoas. Será que iria gostar de levar com um Nós não precisamos destas coisas?
Embora fosse eu quem estivesse à espera, embora estivesse a ver quem chegava, tal e qual como fiz, tantas, demasiadas vezes, na hora da despedida, hoje chorei muito naquela estação de autocarros. Pelos que chegavam, pelos que partiram ontem, por mim.

Seja como for, desejo um ano 2016 esplendoroso a todos os que chegaram, partiram ou ficaram, cá ou lá. Menos à A. porque ela não parece precisar dessas coisas... (Sim, A., repensei bem e depois da [des]carga emocional de hoje, acho que nem os meus desejos de bom ano mereces!)