domingo, 11 de agosto de 2013

Steckborn

Nota-se bem a diferença entre uma igreja católica e uma igreja reformista...

mas os órgãos por estas bandas... seja católica ou reformista... são sempre enormes!

Promenade...

E não, não tenho aqui uma foto do lago Lemán. É muito mais a Norte... :)


A água estava tão boa! E eu sem biquíni!!!!! :(

Em Winterthur também há uma casa da Paciência. :)


 
 
Detalhe de uma sacada.

Durch den Rhein

Achei piada à ponte com as aves todas. mas o barco virou de repente só deu para fazer esta foto "mixuruca".

Olha! Vacas no meu blog. Finalmente!!!!

Paragem na Alemanha só para deixar entrar e sair gente.

À chegada a Steckborn percebe-se a dimensão da tempestade que passou na zona umas horas antes.

Detalhes da cidade... as portadas do edifício da drogaria.

Eu não me importava nada de morar no Castelo do Anjo...

Mais uma portada com um toque particular.

Eu não sei se já disse, portanto, se me repetir, peço desculpas. Mas por aqui as casas em gaiola distinguem-se de zona para zona: na posição, na cor e no número de traves. EU nunca tinha visto uma com tantas traves na parte das águas furtadas.

Parece tirado de um livro de histórias de encantar, não?

No Reno

Hoje está bom tempo mas duvido que saia de casa. É que estou um bocadito cansadita da Street Parade (maravilhosa, como sempre!). Assim, aproveito para carregar as fotos da passeata pelo Reno que fiz na semana passada.
O fia começou chocho, fresco e cinzento. A nossa primeira paragem foi em Stein am Rhein, para almoçar. Por uma questão de segundo livrámo-nos de uma molha daquelas. Os restaurantes viram-se obrigados a empurrar os clientes para dentro dos restaurantes. Era só gente a fugir das esplanadas com pratos na mão. Almoçámos e o céu abriu. Ao ponto de suarmos durante a tarde!!! Mas vamos às fotos que é o que interessa...

Apanhámos o comboio para Schaffhausen onde apanhámos o barco. Isso permitiu fazer uma foto de outra perpsectiva da Queda do Reno.
 
Já pelo Reno acima, foi engraçado ver tantos parques de estacionamento para barcos. Muitos têm motor, mas ainda há muito boa gente que se passeia a remo pelo Reno.

Para se passar debaixo desta ponte o telhado do deque superior baixa. Todos os passageiros têm que se sentar, pois, em pé, não cabem debaixo daquela altura.

Ainda não eram 10 horas da manhã e já andava o pessoal enfiado na água.

Nestas pontes há uma divisão entre cantões, à nossa frente vemos terreno de Schaffahausen, atrás de mim estava Thurgau.

Stein am Rhein à vista!

Arenenberg pertence à freguesia de Salenstein, cantão Thurgau, onde existe um castelo  (com o mesmo nome que o do barco) que é um museu do  Napoleão.
 
À saída de Stein am Rhein em direcção a outras paragens. 

Uma perspectiva de Stein am Rhein.

Outra perspectiva da cidade.

sábado, 10 de agosto de 2013

Cinecartaz

Andava eu a ver se podia ir ao cinema este fim-de-semana (não vou, o filme já não está em exibição) quando aprendi mais uma coisa da Suíça. Nesta terra de doidos saudáveis, nem o cinema funciona da mesma maneira em todo o lado. Há filmes a serem lançados na parte francesa numa data, na italiana noutra e na alemã noutra...

Quem morar perto de fronteiras de língua até pode ganhar com a coisa e ver um filme mais cedo. Agora eu... terei que me contentar em esperar que Before Midnight saia em dvd...

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Ninguém sabe o que dói

Em 2003 ou 2004 eu inscrevi-me no Centro de Histocompatibilidade. Queria ser dadora de medula.
Ai a polémica que se gerou. IGNORANTES da minha faculdade criticaram-me porque queriam guardar a medula para um familiar que viesse a precisar. Eu sempre fiz este boneco:
Um chinês precisa de medula e eu salvo-o.  E o filho do chinês pensa que pode ajudar alguém, então inscreve-se no centro de histocompatibilidade da China. Daqui a 30 anos um filho meu precisa de medula e acaba por ser salvo pelo filho do chinês. É que ninguém em garante que no dia antes de um familiar meu precisar eu não morro atropelada pelo camião do lixo...

Depois fui gozada pelos meus colegas de medicina. Eu pensava que tinha que estar relativamente perto do paciente. Lá sabia eu que as células podem ser transportadas de avião num certo espaço de tempo até para a América... Xiii! Eles foram mesmo mauzinhos: tu queres é ir para o passeio!! Depois tentaram meter-me medo com as agulhas, mas eu já sabia que o processo é muito mais simples, menos doloroso e perigoso do que era há uns anos.

Vai e volta e sei que sou a única (da minha lista de colegas) inscrita no centro. Nem de medicina, nem de enfermagem, nem de letras, nem de direito... não tive um único colega que se resolvesse inscrever...

A única frustração era quando se ouvia falar de alguém a precisar de medula. Se eu não era contactada queria dizer que não podia ajudar. Para compensar lá andava eu enfiada no Júlio de Matos, mais propriamente no Instituto Português do Sangue. E para esse consegui levar muita gente. Até levei uma colega ao engano. Na hora de me dizer que tinha chegado para a sessão de plaquetas (este processo precisa de marcação) disse que ela estava para dar sangue. Ela teve vergonha de me desmentir. E a partir daí o IPS teve mais uma colaboradora. :)

MAS... (a bela da adversativa sempre presente)...
depois das revelações de finais de Outubro do ano passado descobri também que já não posso ser dadora de sangue nem dadora de medula. Que fixe!! Ou então não!!

Andei de dia para dia, para dia, para dia... até que hoje finalmente mandei um email a dizer que deixem de contar comigo. Não quero que se crie uma expectativa falsa (ainda que no primeiro momento sejam só os médicos a saber que há uma hipótese de compatibilidade).

Assim, estou há que tempos em frente ao computador a fazer coisas que me distraiam enquanto vou ouvindo as novelas todas da televisão portuguesa para ver se aguento não chorar.

É que saber que não se pode fazer uma coisa tão boa como dar sangue dói mais do que tirar a medula do osso da bacia.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

As últimas fotografias de 28 de Julho

No regresso a Zurique andei num barco diferente. O Stadt Rapperswil é um barco a vapor criado em 1914 (sim, quase 100 anos!). Adorei.
É que sempre que vejo um barco com as rodas de pás penso no Mississipi, no Huck, no Tom...
 

Aqui vê-se o comandante do navido a dar as ordens para o porão. Vorwärts (em frente)... Rückwärts (marcha atrás)... mas a forma como ele comunica (aquilo é um tubo, não um microfone) acompanhada com aqueles óculos... a minha primeira ideia foi que estaria perante um dos elementos dos Rammstein.

O passeio incluiu uma passagem em frente à casa da Tina Turner (a máquina encravou, a melhor foto que tenho é esta que mostra a casa do barco e mais não sei o quê, tudo engalanado com sardinheiras vermelhas.

Apesar do cheiro que se sentia no deque, gostei de poder ver as máquinas a funcionar e, no fim, os homens  a calibrar a máquina para o dia seguinte.
 
E, por fim, um detalhe do interior do barco. :)

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

XXVIII.VII.MMXIII

Jardim de rosas preparado para deficientes. Acessos facilitados e as etiquetas com os nomes estão também em braile.

Burgo visto de baixo.

 Nunca tinha visto um relógio de Sol com os signos. Mas o que eu gostei mesmo foi o facto de serem 12 horas no relógio "normal" e 11 neste. Nas modernices de se mudar os fusos horários dá nisto...
 
Uma imagem que representa o caminho de Santiago que passa por esta cidade.

O Caminho de Santiago atravessa o lago através desta ponte espetacular. Vem do cantão Schwyz e segue rumo à Galiza. :)

No mesmo dia estive em três cantões: Zurique (azul e branco), St. Gallen (verde); Schwyz (vermelho).

Fomos a pé de Rapperswill para Hurden (no cantão Schwyz), mas estava tanto calor que tivemos que apanhar o comboio para regressar.

28.Juli


Vista sobre o lago.

O burgo.
 
Interior da igreja de S. João Baptista.
 

Outra perspectiva sobre o burgo.

Museu da cidade.

Esta esquina é muito mais abrangente no que diz respeito às horas. :)

28 de Julho

Com o calor que se tem feito sentir, só dentro de água é que se está bem. Mas se não for dentro de água, ao menos que seja perto da água. Além disso, é um crime ficar-se fechado em casa sem aproveitar o Sol.
Deste modo, sempre que posso lá ando eu no passeio, de preferência por sítios onde nunca passei.
Há uma semana atravessei o lago de Zurique de barco. No Domingo passado subi uma parte do Reno (a montante das quedas do Reno, existentes entre Schaffhausen e Zurique).

Vou colocar aqui algumas fotos dos dois passeios (provavelmente em vários posts. Pois coisas bonitas são para se ver. :)



Rapperswil (cantão St. Gallen) ao fundo.


Rapperswill é a cidade das rosas, inclusivamente as bandeira da cidade tem duas rosas vermelhas, sobre fundo branco.




Vista aérea do convento de frades franciscanos.

embora eu não saiba porquê

i'm a little bit down...



Dream a little dream of me, She &Him

terça-feira, 6 de agosto de 2013

E se fosse convosco?!?

Esta manhã a minha mãe foi demitida. E não foi demitida por ser incompetente. Foi demitida porque a patroa dela vai morrer no início da próxima semana e o funeral vai ser na Sexta-feira a seguir.
Não, não troquei os tempos verbais, nem fiquei maluquinha. Eu estou a escrever a verdade e com correcção.
+
A senhora sofre de uma doença sem cura. Quem olha para ela não vê nada, mas o sofrimento está lá. Bombas de morfina, como as bombas dos diabéticos, que o organismo não aceitou e fez com que ela estivesse muito mal com infecções. Centenas de comprimidos por semana. Internamentos repentinos. Fechada em casa porque não aguenta sair à rua. As veias a secarem de tanto medicamento injectado. Um sofrimento só de pensar. Quanto mais de viver... Por isso ela desistiu de lutar e marcou a sua morte.

Eu compreendo a senhora, pois sempre defendi que ninguém deve ousar criticar uma pessoa que chega a este nível de desespero. Há muito tempo que ela falava nisso e a minha mãe chegava a casa desgastada. Eu disse sempre à minha mãe que compreendia a patroa dela. Pois viver como ela vive não é propriamente viver, que era melhor a minha mãe se ir preparando e aceitando a situação.
No entanto, criada no seio duma sociedade católica, era difícil para a minha mãe aceitar a história toda.

Até que hoje a minha mãe apareceu com a novidade. Por aqui há o suicídio assistido. Oficialmente não se chama eutanásia, mas na prática é o que isso é. Não é aceite em todos os cantões, mas aqui no meu são pelo menos duas as empresas que ajudam as pessoas. Pelo que percebi, o pentobarbital pode ser ingerido em comprimidos ou injectado. Pode-se desistir quando se quiser (embora que, depois de tomar a medicação, acho que é impossível reverter a situação).

Eu sempre concordei com a eutanásia ou suicído assistido ou como queiram chamar. Quem somos nós para obrigar uma pessoa a ficar aqui em sofrimento? Como se pode chamar de cobarde a uma pessoa que se mata? A pessoa está mal deste lado, mas sabe  que cá tem. Do outro... quem sabe?!?!

É uma situação delicada. Eu compreendo e respeito quem não aceita. E apesar deste surrealismo todo (ela encomendou a sua cremação, a pedra que se pode fazer com as cinzas, quem fica com o resto das cinzas...) eu continuo a compreender e aceitar a posição dela.

Mas... por causa deste mesmo surrealismo eu precisava de comentar com leitores que falam a minha língua, que têm uma cultura igual à minha. É que por aqui, das duas uma, ou as pessoas acham tudo tão normal como comprar chocolates numa tarde de Domingo ou não falam do assunto (não sei se é por falta de interesse, se por falta de conhecimento, se por medo, ou se por outro motivo qualquer).

Porque é muito bonito debater o tema nas aulas de psicologia da educação (a minha nota dependeu precisamente deste tema) outra coisa é ter convivido com uma pessoa que tomou uma decisão destas.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

1. August

Quando eu era garotinha eu dizia, erradamente, que a Suíça tinha três cantões. Cada língua correspondia a um. Mas até essa teoria estaria mal tendo em conta que na Suíça existem quatro línguas oficiais e para aí dois milhões de dialectos. Vá, estou a exagerar, mas o alemão tem dialectos e o romanche também. Eu acho que o italiano e o francês suíços não têm tantos dialectos como as outras línguas (mas sem certeza absoluta), variando, no entanto, das suas origens em Itália e na França. Sei que em Genebra 90 é igual a nonante e não a quatre-vingt-dix. :D

No entanto, apercebi-me de que, ainda hoje, muita gente, até com estudos superiores, ainda afirma que são só três ou quatro cantões. Assim aqui fica um mini-explicação:
A Suíça fundou-se há precisamente 722 anos como Pacto Federal de 1291. Há quem diga que se deu num vale, com o Juramento de Rütli em que os senhores de Uri, Schwyz e Unterwalden se associavam para defender os seus domínios, numa espécie de cooperativa. Se esse acto preciso foi verdade ou não, não se sabe, mas que a Carta Federal existe, lá isso existe (com testes de carbono a confirmar a data, que os suíços não fazem a coisa por menos) e vive-se na Democracia mais antiga do Mundo por causa desse documento.

Ora bem, os primeiros cantões foram estes três e foram associando outros. O último a ser anexado foi o Jura (sim! tema ver com o Jurássico dos dinossauros. Tem lá uma coisa linda que mostra as ondas das rochas que ando há que tempos para ir ver...), em 1979, que na realidade é um desdobramento do cantão Berna. Há quem goze com aquele cantão dizendo que nem cantão é (rivalidades "intercantonais"...), mas não deixa de ter um nome oficial pomposo: República e Cantão Jura. Neste momento existem 26 cantões, se bem que há meios cantões (tem a ver com o poder de decisão no Parlamento, com questões territoriais e mais não sei o quê, é que nesta terra há muita coisa simples, mas o que é complicado... é mesmo complicado).

A Suíça é, então, constituída pelos seguintes cantões:
[Ordem das bandeiras na imagem lá em baixo (da esquerda para a direita, de cima para baixo), Cantão, capital (nomes em alemão) e língua; notas e traduções dos nomes entre parêntesis.]

Aargau (Argóvia), Aarau, alemão
Basel Stadt, (Basileia Cidade), Basel, alemão (meio cantão com Basel Land)
Bern (Berna), Bern, alemão/francês  (cantão onde fica a capital suíça na prática, porque na verdade a Suíça não tem um capital estipulada por lei)
Genf (Genebra), Genf, francês
Thurgau (Turgóvia), Frauenfeld (eu acho piada a este nome, é o “campo das mulheres”), alemão
Waadt (Vaud), Lausanne (Lausana), francês
Obwalden, Sarnen, alemão
Freiburg (Friburgo), Freiburg, alemão/francês
Zürich (Zurique), Zürich (a maior, com perto de 380 mil habitantes, e mais influente cidade da Suíça), alemão
Tessin (Ticino), Bellinzona (cidade liiiinda!), italiano
Appenzell Innerrhoden (Appenzell Interior), Appenzell, alemão
Wallis (Valais), Sion, francês
Glarus, Glarus (Glarona), alemão
Schaffhausen, Schaffhausen, alemão
Sankt Gallen (São Galo), Sankt Gallen, alemão
Neuenburg (Neuchâtel), Neuchâtel, francês
Schwyz, Schwyz, alemão
Zug, Zug (também quer dizer comboio, a ver se um dia perco tempo a descobrir o significado disto), alemão
Basel Land (Basielia Campo), Liestal, alemão
Solothurn (Soleura), Solothurn, alemão
Uri, Altdorf, alemão
Luzern (Lucerna), Luzern, alemão
Appenzell Ausserrhoden (Appenzell Exterior), Herisau, alemão (meio cantão com Appenzell Innerrhoden)
Graubünden (Grisões), Chur (Coira, nem comento!!!), alemão/italiano/romanche
Jura, Delémont, francês
Nidwalden (Nidwald), Stans, alemão (meio cantão com Obwalden)

E pronto... aqui fica a imagem que o Google usou para assinalar mais um Feriado Nacional da Suíça (o único que eles têm e que me sabe que nem ginjas, pois está calor e daqui a pouco eu vou até ao meu lago favorito... :D)
 

terça-feira, 30 de julho de 2013

Das crianças Reais e as crianças reais

Toooda a gente sabe que o prícipe Luís (é bem mais bonito que Alexandre ou Jorge, ou sou eu que sou suspeita) nasceu há uma semana. Ainda bem. Já não se podia ouvir falar no facto de sua realeza ainda não ter saído cá para fora. Depois foi o bruá por causa do nome e de tudo o resto que não interessa muito. É saudável, parabéns à família e acabou-se. Pensei eu...

Na Sexta fui ao quiosque fazer o euromelões, que eu chamo-me LuísA e a minha mãe Maria, não Kate e enquanto esperava fui deitando o olho às revistas.

Na Stern tinha um artigo que me despertou a curiosidade e levou a comprar a revista: KATES SOHN Die Babys des 22. Juli - von Alaska bis Uganda. (Filho de Kate Os bebés de 22 de Julho - do Alasca até ao Uganda).

Gostei de ler e cheguei a comover-me com algumas coisas
.
Eram pequenas entrevistas (não eram todas exactamente com as mesmas perguntas) feitas aos pais praticamente logo a seguir ao nascimento.
Leo, de Hamburgo, um menino (só 12 dias depois do nascimento é que o "baptizam" segundo as tradições hindus), de Bombaim, uma menina (não tem a razão porque ainda não tem nome), de Kitgum - Uganda, Konstatinos (um nome de rei), de Atenas, Yosef, de Aleppo - Síria, Jaxx, de Ancorage, Alexis Nathaniel, de Manila. Estes são os sete pequenos princípes que nasceram a 22. de Julho e que, caso a Stern não fosse à procura deles, jamais seriam conhecidos fora do mundo deles, pelo menos tão novos.

Nas entrevistas percebemos as diferenças que existem, os mundos que há no Mundo.
Em Hamburgo, o bebé será acompanhado pela mãe que vai ter licença de maternidade. Já a bebé do Uganda terá que se contentar em ir às costas da mãe para os campos. O Jaxx será apaparicado pela avó materna e a mãe pode, assim, continuar a trabalhar como esteticista. Como a mãe é descendente de Inuit terá um apoio extra no que diz respeito à saúde.
Apesar da miséria em que vivem os pais de quatro meninas (andam atentar para o menino) no Uganda, eles pouparam para investir na saúde da recém-nascida e na alimentação dela, porque já não chega para as fraldas. A mãe do Alexis ganha 30 euros por mês e pagou 60 pelo parto, vais despender cerca de 1,5 euros por semana para fraldas. Uma mãe solteira, porque expulsou o companheiro de casa pois estava farta de sustentar malandros.
Os pais do Yosef não receberam visitas nem prendas para o bebé (aqui foi uma coisa que me tocou imenso, nunca tive filhos, mas acho que no nascimento... toda a gente deve aparecer para, pelo menos, dar os aparabéns), mas estão felizes porque há duas semanas que conseguem ter electricidade em casa por algumas horas. Num país em guerra, estão os dois desempregados e a viver em casa dos avós paternos.

Entretanto vem a coisa que é igual para todos...
Todos os pais desejam saúde, felicidade para os filhos. Todos desejam formação escolar para eles, nem que seja só o ensino básico como os pais da menina ugandesa que desejam mais, mas também tentam ser realistas perante a situação do país e familiar (são ambos agricultores). Todos querem que os filhos sejam homens e mulheres de carácter que não envergonhem ninguém. E que a guerra  (Síria), a crise (Grécia) e a miséria (Uganda) onde estas crianças nasceram seja só uma má recordação dos pais e algo nunca visto por estes pequenos reis.

Na última página do artigo, vem um texto acompanhado de uma pequena imagem do grande palácio que os recém-papás britânicos agora vão ocupar. O texto começa por falar nas tradições que em certos locais se desenvolvem perto da altura do parto (parece que há sítios onde se lavam janelas), segue para uma súmula das entrevistas onde se assinala o que realmente une todos estes pais (o facto de só quererem o melhor para os filhos) e acaba a brincar com o facto de a Kate não ter sido vista de luvas de borracha a lavas vidros, depois de destacar a influência da família real no hospital que andou a lavar a cara e a rebaptizar alas (Lido Wing)...

O remate do texto é:
Und ihr zeitgleich Geborenen, Prinzen und Prinzessinen allesamt, in Afrika, Asien, Europa und sonst wo: Erobert eure Welt, ganz gleich, wie gross oder Klein sie sein mag. (E vós, todos príncipes e princesas, nascidos no mesmo tempo, na África, Ásia, Europa e noutros locais: conquistem o vosso mundo, não interessa o quão grande ou pequeno ele possa ser.)

É... Na realidade (a coisa vai ficar redundante!), independentemente do sítio e das condições em que nascem, todos os bebés são reais e todos os bebés são Reais.

Tal como os pais deles, desejo que bons tempos por aí venham, que haja esperança para eles e que tenham muita saúde!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Sinto falta...

Descer Fraubüchliweg, caminhar ao longo da Lindauerstrasse, acenar aos colegas que passam de carro. Subir a Alte Winterthurerstrasse e responder ao adeus do M.. Sentar-me na paragem de autocarro. Saborear o fim de um dia de trabalho compensador.

... resumidamente, da estufa!


Paradise, Coldplay

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Há já muito tempo que não ficava tão abalada

Eu tenho a carta de condução há nove anos. Estacionar é uma dor de cabeça, mas tendo em conta que sou capaz de conduzir um mês por ano, eu considero-me uma óptima condutora. Dois ou três meses depois de ter a carta o meu irmão desafiou-me a exceder o limite de velocidade da IP3. Não tinha vontade de perder a carta cometendo uma infracção gratuita, então mandei-o dar uma volta.

E mais ou menos me tenho mantido assim. Respeito os sinais (tirando um stop ao pé de minha casa e uma redução de velocidade numa certa estrada que, naquele sítio é segura e, caso eu reduza aquilo tudo, o carro morre-me na subida), respeito as velocidades, não bebo, se faço viagens longas controlo o carro de ponta a ponta e os momentos de descanso... Para muitos sou uma atadinha, mas eu não quero saber.

Por que raio hei-de eu pagar multas sem necessidade? E por que hei-de eu colocar a minha vida (e a dos outros) em risco?!? Não, recuso-me a abusar da sorte. Um carro pode ser uma arma nas nossas mãos.

Pensando assim, continuo sem perceber por que raio o meu querido pai insiste em ser multado em França, apesar de haver painéis enoooormes a avisar que existem radares por aqui e por ali. Por isso não entendo como é que se ouve que o cantor X morreu, que a fulana Y ficou paraplégica, que a família Z perdeu os filhos na passagem de ano... Não encaixo, não encaixo e não encaixo.

No seguimento disto, ainda encaixo menos a tragédia que ensombrou o dia de São Tiago na Galiza. 190km numa zona de 80?!?! Isso é suicídio...
A notícia deixou-me mesmo atarantada...

domingo, 21 de julho de 2013

Coisas boas que me fazem pensar um bocadito



Billie Joe Armstrong, no videoclip de When I come around, tira o telefone do gancho e deixa-o a balançar. Veja-se a loucura! A ousadia! Isso ou eram os meus olhos de garota demasiado inocente, quase raiando a ignorância, criada numa aldeia da Beira Alta e depois transferida para o fim de mundo que era Fátima. Por causa desse acto de rebeldia comecei a prestar atenção aos Green Day.
Depois cresci, percebi que o senhor até nem fez nada de especial no vídeo, porque o mundo fora do televisor é bem pior. Mas continuei a ouvir a banda. Simpatizo com eles. Que hei-de fazer?!?

Este ano fui vê-los ao Optimus Alive. Não levava as expectativas muito altas. Habituei-me a tê-las baixas para não sofrer desilusões. Principalmente depois de ouvir um colega falar de uma outra banda que actuou neste mesmo festival e ter sido um grande fiasco. Pode ser pelo facto de ser um festival e não um concerto só deles, mas não houve grande ligação ao público, dizia-me ele. Eu não aceito, se eles não se empenham tanto num concerto de um festival... não aceitem. Tão simples como isso.

Mas lá fui, descobri uma banda que não conhecia e gostei bem das suas guitarradas. Para não perder um lugar decente de frente para o palco, aturei uma banda chaaaata que me pareceu tocar a mesma música desde o início até ao fim do concerto (e achei incrível o comportamento de muitas garotas e mulheres ali presentes: gritavam como loucas, quase que se descabelavam, verdadeiras fanáticas deles e, no fim de contas, nem sabiam que era a primeira vez deles em Portugal! :s). E quando vi o Mr. Tré entrar em palco... pronto... deixei-me levar.

Superaram todas as expectativas. E não era só por eu as ter baixas. Já fui  a alguns concertos, mas nunca vi uma banda a comunicar tanto com o público. Para ser franca, acho que só alguns Djs na Street Parade conseguiram igualar esta banda. Desde a forma adocicada como o Billie dizia Lisboa, até às brincadeiras deles em palco e com o público, passando pelo facto de levarem gente ao palco para fazerem número com eles e oferecerem uma guitarra a um rapaz (O Manuel ganhou a noite!!) sem esquecer, claro!, a música em si... tudo me deliciou.

Quando veio a "minha" música (que eu desejava que fosse tocada, mas honestamente, não pensei que isso pudesse acontecer) foi a loucura, para mim... Eu até me esqueci que eles ainda não tinham tocado certos hits bem mais recentes que eu até cantarolo com mais frequência...

Saí dali deliciada! Não vinha histérica e aos gritos porque acho que já passei a idade desse comportamento, mas... o sentimento era mesmo esse. :D

Fui para casa com a minha colega e estivemos tempos infinitos a falar do concerto, da banda... e, sei lá porquê, fomos à procura da idade do vocalista. Já que estávamos a ler a idade lemos mais umas coisas e aí é que eu fiquei surpresa!!

Não sou pessoa de ligar à vida pessoal dos famosos, logo não sabia que o vocalista dos Green Day tem filhos e é casado com a mesma mulher há cerca de 20 anos. No seguimento da leitura, percebi que, pelo facto de ele ser fiel à mulher há quem o goze. Chamam-no de monógamo como se isso fosse piada só porque ele não dorme com groupies. A ser tudo verdade, o senhor ainda me surpreende mais. Como disse, não me interessa a vida dos famosos, mas é tão bom saber que ainda há pessoas com princípios e valores.

Se querem dormir com todas (porque muitos hão-de ter mais fama que proveito) são uns porreiros, mas aquele decide-se por se manter fiel e é gozado?!?! Mal comparando, passa-se o mesmo comigo quando resolvo não beber álcool. Até parece que para ter uma noite divertida tenho que encharcar as velas...

Onde andam os valores desta gente? Ou pelo menos o respeito pelos valores dos outros?!?

Se eu simpatizava com ele (aquela cara de puto aos 41 anos... é muito fofa! e eu sempre tive queda para os rebeldes) e do trabalho dele, agora gosto mais dele por se manter firme perante valores tão simples (mas, passo a redundância, cheios de valor) como o do casamento, o respeito pelo outro e por aí fora...

Bem... ele lá diz... don't wanna be an american idiot...

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Depende da perspectiva

Uma colega sempre que encontra informação nova sobre esclerose múltipla reenvia-me tudo. Há uns dias disse-me que uma mulher tinha feito 365 maratonas em 365 dias sem ter tido nenhuma crise. Fui procurar informações, pois fiquei com alguma curiosidade.

Na realidade, a senhora fez o equivalente a 366 maratonas em 365 dias. Na hora fiquei tocada pelo feito. Não me surpreendeu a falta de crises, mesmo sem medicação, pois há pessoas que não tomam medicação e raramente têm crises. Isso depende do "grau" da esclerose e da própria vida que se leva.
O meu médico disse-me que eu poderia esperar antes de começar com as injecções. No entanto, a ideia de ter um novo surto que me tirasse a vista assustou-me demasiado. Apesar das injecções não serem garantia a 100%, dão mais segurança do que medicação nenhuma...

Mas ontem, quando regressava exausta do supermercado pensei em tudo...
Comecei por reparar que vinha num passo certo, ligeiramente acelerado, bom para o corpo (e mente também). Daí saltei para a senhora e para o feito dela. E depois para a ideia de que quem, com ou sem esclerose, corre 366 maratonas num ano tem uma vida do caraças... Tem muito apoio por trás, ou como é que ela sustenta dois filhos pequenos? Ou, pensando numa coisa ainda mais básica, acreditam que ela só tem um par de sapatilhas para correr 15443,37km?!?!

Eu vinha cansada e pus-me a pensar nisto. Ora, se eu tivesse uma vida folgada como ela, se calhar arriscava a não me injectar. O meu fígado iria agradecer muito... Mas eu tenho contas para pagar, não posso arriscar a ficar em casa meia pitosga durante uma semana. Assim, no fim de contas, a minha colega, em vez de me ajudar, deixou-me mais frustrada, com a situação (clínica e laboral). Ela não tem culpa. Eu sei que era intenção ajudar.

Só que, às vezes, quando saem estas reportagens por aí... é muito bonito ler estes feitos, mas... quando vamos ver bem as coisas... até eu participava no Ironman...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

não percebo por que raio está calor e tal e coiso...

Eu não conheci o meu avô paterno. Mas sei que herdei algo dele: adoro árvores. Por mim, passava a vida a plantar árvores. :)

Ontem fui dar uma volta por sítios onde nunca tinha ido e por sítios onde não passava há anos. Hoje passei numa ponte onde não passava desde 1996 (ano em que abriram a alternativa mais prática para mim). Fiquei desolada. Desobri que não há árvores. Sítios onde havia enormes manchas de pinhal estão desertos. Simplesmente evaporaram. Nem sequer foi para construir casas ou para desenvolver a agricultura. Seco, tudo seco, qual deserto do Sahara!

Passei por terras onde não sei se já tinha passado. Uma rectas ladeadas por muros de pedra não muito altos. Resquícios dos tempos áureos da agricultura, marcas das quintas dos grandes senhores em terras onde nasceram nomes importtantes para a nação. Numa dessas terras há um café à beira da estrada que se chama Brisa da Mata. Em frente, do outro lado da estrada, um muro deixa antever a miséria. Meia dúzia de pinheiros raquíticos denunciam o local que deu origem ao nome ao café. No entanto, brisa... nem naquela estrada nem noutros por onde passei. Senti-me abafar dentro do carro. Estou a ver que já lá vai o tempo em que se passeava de carro com os vidros descidos para se aproveitar a frescura das árvores, para se cheirar a resina dos pinheiros ou o aroma das tílias, conforme o local onde passasse, para ouvir as cigarras, os grilos e os sapos. Agora ou se usa o ar condicionado do carro ou sujeitamo-nos a passar mal durante um passeio que se deseja agradável.

Triste, muito triste com tamanha asneira. Pensar que o D. Dinis soube perceber a importância das árvores para evitar a destruição das terras... Dá-me vonta de andar a distribuir umas chapadas a esta gete que se diz do século XXI!!!!