A nova moda é comentar, e, ao não gostar da resposta, apagar o comentário que se fez. Quem responde fica a parecer tontinha/o porque o comentário fica ali colado num mural, mas parece caído do céu sem ligação a nada.
Só de Domingo para cá já me aconteceu duas vezes.
Uma senhora criticava um jornalista sobre a sua forma de falar. Ele, em directo, falava sobre a possível doença mental de uma pessoa. Disse algo como ela sofrerá de uma doença mental. Visto assim, parece estranho, mas no contexto, o futuro não era descabido. Talvez sofra, poderá sofrer, há várias formas que se podem aceitar. O futuro como hipótese é mais raro, mas eu usei o presente histórico para demonstrar que é relativamente normal usar os tempos verbais de forma aparentemente descabida, mas que, na realidade, até estão bem. Ah, porque não concordo e está errado. Disse à senhora que compreendia que ela não gostasse e por isso não concordasse. Agora... quando lhe pedi que mostrasse prova escrita de que a frase, naquele contexto, estava errada... apagou os comentários.
No outro episódio a coisa foi mais hilariante ainda... comentava-se se se deve ou não colocar fotos de crianças online. (Aviso: sou 500000% contra!) Ah, porque eu não tenho filhos e não sei, porque os perfis podem ser privados. Eu estava a caminho do trabalho, de madrugada, ensonada, por isso não me esforcei, mas em menos de um minuto descobri que a mulher faz anos de casada hoje e viveu à beira mar em criança. E disse-lho. Provei que se uma pessoa quer mesmo descobrir coisas... não precisa de muito esforço, menos ainda se as pessoas escarrapacham a vida toda, com ilustrações do quotidiano, no livro das caras, os sites de instantâneos... a resposta dela? Comentário apagado. O meu ficou ali no ar, sem contexto e para não parecer que eu estava com os copos, resolvi apagar tudo.
Ah... gostam de mandar bitaites, mas não gostam de ser contrariados?!? Pensam que por terem uma foto desfocada e um nome parvo na net as pessoas não chegam lá?!?!
Eu, sem querer, tenho descoberto as coisas mais estranhas sobre pessoas que conheço e até sobre quem não conheço. Através da internet tenho apanhado gente a mentir-me com os dentes todos. (Depois admiram-se que eu não dê notícias!) E isto sem me esforçar. Se me esforçasse... não era o site apologista das traições que eu ia piratear...
Quanto a amuarem e apagarem os comentários... cresçam, não fiquem à espera que não haja ninguém a discordar da vossa opinião!
quarta-feira, 22 de julho de 2015
sábado, 11 de julho de 2015
Primeiro tens que aprender a ler!
Clientes a pedirem que recomende livros é o que mais há. A parte mais parva é que eu não conheço a maior parte dos livros que vendemos, embora eu conheça muitos dos autores. Hoje uma moça novita, a dar uma de intelectual, aproximou-se de mim a perguntar se tínhamos livros sobre psicologia ou filosofia.
- Nessas áreas não temos, só revistas. Mas tente na nossa outra loja lá em baixo.
- Já lá estive. Não me pode recomendar um livro onde se aprenda alguma coisa?!?
(...?!?!?!...)
- Pode-se sempre aprender qualquer coisa com qualquer livro. (Nem que seja asneira!!!)
- Pois também é verdade. Mas alguma coisa...
Depois de pensar um pouco, lá lhe recomendei:
- Olhe temos a secção de história e biografias. Ou de ajuda ou de esotérico.
Olhou para mim como se eu fosse um ET e foi-se embora. Ela queria o quê?!? Aprende-se buéééééé nos livros de biografias ou história. Os de ajuda não são obrigatoriamente de auto-ajuda, alguns são só de dicas para o dia-a-dia. Os de esotéricos não são todos sobre signos, muitos deles têm o seu quê de biográfico. Se ela queria algo para aprender...
Mas eu acho que para ela até os Pixi davam (uns livros minúsculos para crianças)... queria armar-se, bateu na porta errada. :p
- Nessas áreas não temos, só revistas. Mas tente na nossa outra loja lá em baixo.
- Já lá estive. Não me pode recomendar um livro onde se aprenda alguma coisa?!?
(...?!?!?!...)
- Pode-se sempre aprender qualquer coisa com qualquer livro. (Nem que seja asneira!!!)
- Pois também é verdade. Mas alguma coisa...
Depois de pensar um pouco, lá lhe recomendei:
- Olhe temos a secção de história e biografias. Ou de ajuda ou de esotérico.
Olhou para mim como se eu fosse um ET e foi-se embora. Ela queria o quê?!? Aprende-se buéééééé nos livros de biografias ou história. Os de ajuda não são obrigatoriamente de auto-ajuda, alguns são só de dicas para o dia-a-dia. Os de esotéricos não são todos sobre signos, muitos deles têm o seu quê de biográfico. Se ela queria algo para aprender...
Mas eu acho que para ela até os Pixi davam (uns livros minúsculos para crianças)... queria armar-se, bateu na porta errada. :p
quinta-feira, 9 de julho de 2015
o mau e o óptimo
Grande parte dos jornais em inglês chegam um dia depois da edição. Apesar disso, conseguimos vendê-los todos, chegando a faltar até para as encomendas. O jornal que mais dor de cabeça dá é o Sunday Times. Chega sempre à Segunda, mas nunca chega para toda a gente. A política interna é dar aos clientes 200% fiéis. Se sobrarem vão para o resto da lista.
Que acontece esta semana?!?! Uma tal de senhora R. (nome que sempre atribuí ao Médio Oriente e que depois me foi confirmado pela mesma) resolveu chatear-me o juízo... só faltou dar-lhe na cara!!!
Porque eu já reclamei com o seu superior e ele garantiu-me que eu receberia o jornal. Porque está aqui, pode ler, eu não sei muito de alemão, por isso pode ler aqui. Porque você está a discriminar-me porque você não sabe escrever R...
Oh pá!!! Para quem mora há 12 anos na Suíça e não fala alemão a minha primeira resposta deveria ter sido go to school and learn some german. Depois, com o andar da conversa e ela, à falta de argumentos, ter puxado do argumento discriminação... a minha vobtade era mesmo de dizer go f**k yourself.
A sério, eu não posso garantir as encomendas, mas o chefe da minha chefe também não. Só que ele, para a calar e não perder a cliente garantiu-lhe o impossível. Aquela grande cabra só compra aquele jornal, deixando 10 francos por semana na loja. Como posso eu favorecê-la em função de clientes que vão ali quase diariamente e numa compra banal deixam uns 40 francos?!?!
Se estamos a falar em compra e venda, em lucro e afins... o cenário tem que ser posto em função de quem mais dá. Matemática de primeira classe!!! Mas aquela grandessíssima cabra tinha que me chatear o juízo e usar o argumento mais inválido do planeta. É que se ela não fosse ignorante, ela teria percebido pelo meu sotaque a falar alemão (primeiro eu falo em alemão, depois é que mudo para outras línguas) que mesma sou uma estrangeira. So... Argument ist ungultig. (argumento é inválido)
Mas pronto... nem tudo está perdido. Mais tarde apareceu o senhor C. Ele tem por hábito comprar jornais impressos na hora. Vai variando, conforme o tema que procura, mas são sempre da América Latina. Queria um jornal específico, do Chile, por causa do resultado da copa da América Latina. Como o pedido dele era um pouco complicado, fiquei a fazer sala. Em conversa ficou a saber que sou portuguesa. Logo passou a falar português adocicado, com sotaque espanhol, é que ele esteve dois meses em Coimbra a aprender a língua de Camões. Daí para a literatura portuguesa ou de Portugal foi um saltinho. Pessoa, Torga, Queirós, Ferreira e até Sostiene Pereira (por isso digo literatura de Portugal). De repente, lá se lembrou que tinha um comboio para a apanhar e saiu a correr com o jornal na mão. Ah!!!Aqueles cinco minutos com aquele Senhor lá conseguiram compensar o 20 minutos que eu tive que aturar a outra ignorante.
É que embora eu não acredite que não tenho sotaque como o senhor C. sostiene, acredito que sou muito mais instruída que a bitch da senhora R.!
Que acontece esta semana?!?! Uma tal de senhora R. (nome que sempre atribuí ao Médio Oriente e que depois me foi confirmado pela mesma) resolveu chatear-me o juízo... só faltou dar-lhe na cara!!!
Porque eu já reclamei com o seu superior e ele garantiu-me que eu receberia o jornal. Porque está aqui, pode ler, eu não sei muito de alemão, por isso pode ler aqui. Porque você está a discriminar-me porque você não sabe escrever R...
Oh pá!!! Para quem mora há 12 anos na Suíça e não fala alemão a minha primeira resposta deveria ter sido go to school and learn some german. Depois, com o andar da conversa e ela, à falta de argumentos, ter puxado do argumento discriminação... a minha vobtade era mesmo de dizer go f**k yourself.
A sério, eu não posso garantir as encomendas, mas o chefe da minha chefe também não. Só que ele, para a calar e não perder a cliente garantiu-lhe o impossível. Aquela grande cabra só compra aquele jornal, deixando 10 francos por semana na loja. Como posso eu favorecê-la em função de clientes que vão ali quase diariamente e numa compra banal deixam uns 40 francos?!?!
Se estamos a falar em compra e venda, em lucro e afins... o cenário tem que ser posto em função de quem mais dá. Matemática de primeira classe!!! Mas aquela grandessíssima cabra tinha que me chatear o juízo e usar o argumento mais inválido do planeta. É que se ela não fosse ignorante, ela teria percebido pelo meu sotaque a falar alemão (primeiro eu falo em alemão, depois é que mudo para outras línguas) que mesma sou uma estrangeira. So... Argument ist ungultig. (argumento é inválido)
Mas pronto... nem tudo está perdido. Mais tarde apareceu o senhor C. Ele tem por hábito comprar jornais impressos na hora. Vai variando, conforme o tema que procura, mas são sempre da América Latina. Queria um jornal específico, do Chile, por causa do resultado da copa da América Latina. Como o pedido dele era um pouco complicado, fiquei a fazer sala. Em conversa ficou a saber que sou portuguesa. Logo passou a falar português adocicado, com sotaque espanhol, é que ele esteve dois meses em Coimbra a aprender a língua de Camões. Daí para a literatura portuguesa ou de Portugal foi um saltinho. Pessoa, Torga, Queirós, Ferreira e até Sostiene Pereira (por isso digo literatura de Portugal). De repente, lá se lembrou que tinha um comboio para a apanhar e saiu a correr com o jornal na mão. Ah!!!Aqueles cinco minutos com aquele Senhor lá conseguiram compensar o 20 minutos que eu tive que aturar a outra ignorante.
É que embora eu não acredite que não tenho sotaque como o senhor C. sostiene, acredito que sou muito mais instruída que a bitch da senhora R.!
sábado, 4 de julho de 2015
E a história não pára de se repetir
Noite de Santo António, Lisboa, quase de certeza no ano de 2003. Conseguimos o milagre de arranjar um táxi para ir para casa (por isso é que o Santo não me faz mais milagres e eu estou solteira! :p)
Taxista (sem responder à saudação) - Para onde?
Uma de nós - Cruzamento da Estados Unidos com Roma, por favor. (Como há muito taxista que não sabe, ou diz que não sabe onde é a nossa rua, sempre usámos esta referência.)
Taxista - Para onde?
Uma de nós - Estados Unidos com Roma.
Taxista - Para onde?
A M. completamente passada - Já lhe dissemos que era Estados Unidos com Roma!
Taxista, deixando perceber a voz pastosa de uma bebedeira - Mas é que as ruas estão fechadas e eu não sei se vocês têm um percurso em mente.
E fez-se luz!!! Ele estava engasgado na preposição. Ele queria perguntar /por/, mas não saía de /para/. Graças à "brincadeira", andei meses a avisar toda a gente para não entrar naquele táxi (entretanto já esqueci o número).
Mas como com a sorte que eu tenho, a história da minha vida repete-se... hoje, antes das 7h da matina...
Cliente - Tem selos?
Eu - Sim, temos.
Cliente - Para a Europa.
Eu - Quantos?
Cliente - Europa.
Eu- Sim, mas quantos?
C. - Europa.
Eu - Sim, mas o senhor pode querer mandar para vários países ou parentes e eu não sei quantos.
C. - Eu já disse Europa.
Eu - Mas dizer para onde não significa dizer quantos...
C. - Quero um.
E lança um suspiro profundo, de enfado, a achar-se cheio de razão. Não tinha razão nenhuma. Já álcool... nem uma gota faltava.
Eu não mereço!
Taxista (sem responder à saudação) - Para onde?
Uma de nós - Cruzamento da Estados Unidos com Roma, por favor. (Como há muito taxista que não sabe, ou diz que não sabe onde é a nossa rua, sempre usámos esta referência.)
Taxista - Para onde?
Uma de nós - Estados Unidos com Roma.
Taxista - Para onde?
A M. completamente passada - Já lhe dissemos que era Estados Unidos com Roma!
Taxista, deixando perceber a voz pastosa de uma bebedeira - Mas é que as ruas estão fechadas e eu não sei se vocês têm um percurso em mente.
E fez-se luz!!! Ele estava engasgado na preposição. Ele queria perguntar /por/, mas não saía de /para/. Graças à "brincadeira", andei meses a avisar toda a gente para não entrar naquele táxi (entretanto já esqueci o número).
Mas como com a sorte que eu tenho, a história da minha vida repete-se... hoje, antes das 7h da matina...
Cliente - Tem selos?
Eu - Sim, temos.
Cliente - Para a Europa.
Eu - Quantos?
Cliente - Europa.
Eu- Sim, mas quantos?
C. - Europa.
Eu - Sim, mas o senhor pode querer mandar para vários países ou parentes e eu não sei quantos.
C. - Eu já disse Europa.
Eu - Mas dizer para onde não significa dizer quantos...
C. - Quero um.
E lança um suspiro profundo, de enfado, a achar-se cheio de razão. Não tinha razão nenhuma. Já álcool... nem uma gota faltava.
Eu não mereço!
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Schlecksäckli in der Aktion?!?
Por vezes, tenho a sensação que a empresa onde trabalho é gerida por anémonas. Eles têm cada ideia...típicas de quem não tem cérebro!!
Um delas é o artigo da semana.
Todas as semanas, de Segunda a Domingo, temos que recomendar um produto. Supostamente temos que perguntar a tooooooodos os clientes se querem comprar aquilo e devemos vender cinco artigos por dia, assinalando a venda numa lista que depois é controlada pela chefe. Eu acho a coisa mais parva do mundo.
Primeiro, como cliente, se eu quero comprar, eu compro, não preciso que me impinjam nada. Segundo, como vendedora, haja garganta para gastar, são tantas as coisas que se têm que dizer a cada pessoa.
Assim, pergunto aqui e ali, sem fazer calos nas cordas vocais. Se os clientes compram, muito bem. Se os clientes não compram, muito bem também.
Acontece que de vez em quando levamos com respostas tortas. Hoje foi um desses dias. Se eu quisesse comprar, eu mesmo teria levado. Hoje custou-me. É que a cliente trespassou-me com o olhar. Mas eu, com uma força enorme, respondi calmamente, do mesmo modo que respondo a quem se ri quando pergunto se quer comprar. Peço desculpa, mas nós somos obrigados a perguntar. Primeiro ela pensou que eu a estava a gozar. Mas quando viu que não... hilariante... quê?!? Isso é inadmissível!! Quem é o responsável?!? Tem a morada?!?! Se isso é o website, deve lá ter um contacto... ah! A chatearem as pessoas.. e com crianças?!? Como fazem?!?! Ah eu vou falar com eles. Tenha um bom dia.
E pronto... saltou do 8 para o 80 em segundos, deu-me vontade de rir. Mas, aqui que nenhum suíço lê, tenho esperança que as reclamações resultem em alguma coisa. É que não há pachorra... parecemos um "qué frô?" de colete... pastilha por um franco? Creme solar em promoção? Este do creme foi uma anedota... foi artigo da semana numa semana de chuvas torrenciais!!!!!!!!
O título é o modo (mais ou menos) que eu uso para perguntar pelo artigo desta semana. Schlecksäckli é o que eles (aqui na Suíça!) chamam a uns sacos de gomas. Lê-se qualquer coisa como [cheléquessécli] e enrola-nos a língua como a porra. Eu quase nunca pergunto, mas tenho tido sorte e tenho vendido alguns (mesmo sem atingir o 5, sou a melhor a vender!!! muahaha!!!!)
Um delas é o artigo da semana.
Todas as semanas, de Segunda a Domingo, temos que recomendar um produto. Supostamente temos que perguntar a tooooooodos os clientes se querem comprar aquilo e devemos vender cinco artigos por dia, assinalando a venda numa lista que depois é controlada pela chefe. Eu acho a coisa mais parva do mundo.
Primeiro, como cliente, se eu quero comprar, eu compro, não preciso que me impinjam nada. Segundo, como vendedora, haja garganta para gastar, são tantas as coisas que se têm que dizer a cada pessoa.
Assim, pergunto aqui e ali, sem fazer calos nas cordas vocais. Se os clientes compram, muito bem. Se os clientes não compram, muito bem também.
Acontece que de vez em quando levamos com respostas tortas. Hoje foi um desses dias. Se eu quisesse comprar, eu mesmo teria levado. Hoje custou-me. É que a cliente trespassou-me com o olhar. Mas eu, com uma força enorme, respondi calmamente, do mesmo modo que respondo a quem se ri quando pergunto se quer comprar. Peço desculpa, mas nós somos obrigados a perguntar. Primeiro ela pensou que eu a estava a gozar. Mas quando viu que não... hilariante... quê?!? Isso é inadmissível!! Quem é o responsável?!? Tem a morada?!?! Se isso é o website, deve lá ter um contacto... ah! A chatearem as pessoas.. e com crianças?!? Como fazem?!?! Ah eu vou falar com eles. Tenha um bom dia.
E pronto... saltou do 8 para o 80 em segundos, deu-me vontade de rir. Mas, aqui que nenhum suíço lê, tenho esperança que as reclamações resultem em alguma coisa. É que não há pachorra... parecemos um "qué frô?" de colete... pastilha por um franco? Creme solar em promoção? Este do creme foi uma anedota... foi artigo da semana numa semana de chuvas torrenciais!!!!!!!!
O título é o modo (mais ou menos) que eu uso para perguntar pelo artigo desta semana. Schlecksäckli é o que eles (aqui na Suíça!) chamam a uns sacos de gomas. Lê-se qualquer coisa como [cheléquessécli] e enrola-nos a língua como a porra. Eu quase nunca pergunto, mas tenho tido sorte e tenho vendido alguns (mesmo sem atingir o 5, sou a melhor a vender!!! muahaha!!!!)
Etiketten
artigo do dia,
Deutschkurs,
LOL,
Oh brave new world...,
What the F***??
terça-feira, 23 de junho de 2015
me no like!
Agora a moda é usar psicologia invertida.
É a imagem de um menino a rezar em frente ao seu prato de comida com a legenda "se fosse futebol ou putaria todo mundo fazia like". Ou um bebé fofo, mulato, com uns olhos brilhantes e um sorriso de encher o coração "no me van hacer like por ser negrito".
What the f***?!? Agora temos que fazer like em todos os posts existentes no livro das caras?!? É isso ou vamos passar por insensíveis, racistas, xenófobos, discriminadores, ateus?!? É essa a ideia?
Se eu não fizer like numa imagem, que até me parece manipulada, de uma bebé a rir-se a apesar de não ter extremidades (pés e mãos) que parecem ter sido amputadas por causa de queimaduras graves que ainda se vêem no corpo despido dela, eu sou uma insensível é isso?!?!
Se a imagem for manipulada, por que raio tenho que fazer like?!? Para louvar os efeitos especiais?!?
Se a imagem for real, faço like perante o sofrimento de uma criança pequena?!?
Se houvesse botão dislike, havia lógica, agora.... assim, não, por favor! Não me convencem a partilhar ou a gostar de coisas trágicas dizendo que sou fria se não gostar disso....
É a imagem de um menino a rezar em frente ao seu prato de comida com a legenda "se fosse futebol ou putaria todo mundo fazia like". Ou um bebé fofo, mulato, com uns olhos brilhantes e um sorriso de encher o coração "no me van hacer like por ser negrito".
What the f***?!? Agora temos que fazer like em todos os posts existentes no livro das caras?!? É isso ou vamos passar por insensíveis, racistas, xenófobos, discriminadores, ateus?!? É essa a ideia?
Se eu não fizer like numa imagem, que até me parece manipulada, de uma bebé a rir-se a apesar de não ter extremidades (pés e mãos) que parecem ter sido amputadas por causa de queimaduras graves que ainda se vêem no corpo despido dela, eu sou uma insensível é isso?!?!
Se a imagem for manipulada, por que raio tenho que fazer like?!? Para louvar os efeitos especiais?!?
Se a imagem for real, faço like perante o sofrimento de uma criança pequena?!?
Se houvesse botão dislike, havia lógica, agora.... assim, não, por favor! Não me convencem a partilhar ou a gostar de coisas trágicas dizendo que sou fria se não gostar disso....
quinta-feira, 18 de junho de 2015
BB is watching you, and you like it!!!!
Quem tiver um pouco de paciência consegue em coisa de 15 minutos descobrir exactamente onde moro. Em menos de um diário da Casa dos Segredos consegue saber em que campainha tocar. E eu tenho consciência disso!!!
Como tenho consciência disso também tenho consciência que o meu instagram (estou a aorender a usar) me denuncia a localização, como tenho consciência e não faço fotos comprometedoras, não uso caras de amigos em situações comprometedoras, não faço declarações que me tramem a vida. No meu livro das caras, uma vez disseram-me que eu poderia ter problemas no trabalho por dizer que tenho esclerose múltipla.
Para começar aqui é proibido despedir alguém que esteja de baixa, muito pior seria arranjarem-me problemas se eu estou completamente funcional. Depois... acham que sou otária e misturo email de trabalho com email de parvoíce?!? As pessoas acham mesmo que eu me apresento no trabalho com o mesmo nome que me apresento na internet? As pessoas acham mesmo que eu já não testei o meu nome no google e afins e que... vem lá no fim da lista, sem elementos que me constranjam?!?!
Eu não entendo muita gente... percebem mais de tecnologia que eu (maior naba do que eu... acho que só a minha mãe! Eu faço perguntas do tempo do MSDos!!!), mas depois não são capazes de controlar quem vê a página do FB?!?
Pior!!!! Reclamam das cameras de vigilância dos serviços públicos, mas depois instalam aplicativos que permitem controlar cada movimento dos diferentes elementos da família, mesmo sendo eles adultos?!?
Então em que ficamos?!?! Somos contra a vigilância do Big Brother ou somos nós os primeiros a dar-lhe a informação que precisa para nos controlar?!?!
Lembrei-me disto porque eu acho que a minha mãe teve uma conversa telefónica gravada ontem. A sério que acredito mesmo na coisa. Mesmo numa dessas de Snowden e afins. Mas... como cá em casa moram duas malucas, mas duas malucas saudáveis que pagam os impostos, não deitam lixo no chão e muito menos querem conspirar contra qualquer que seja a forma de poder no mundo... nós queremos lá saber se a conversa foi gravada ou não!!! Era uma coisa tão simples como telefonar ao agente de seguros para confirmar o valor do seguro da casa... uuuuuuuh!!! Eu dei informação da minha vida... tendo em conta que me podem vir pedir café... não me parece problemático que saibam que tenho um seguro para uma casa... que por acaso não é esta onde podem vir pedir bolachas...
Eu sei que o BB está a ver. Mas, para quem acredita, o JC (Jesus Cristo) também... e as pessoas continuam a fazer merda (olha o louco que matou aquela gente na igreja jos EUA!!!), acham mesmo que é com o Big Brother que se devem preocupar?!? Ou consigo mesmos?!?
Como tenho consciência disso também tenho consciência que o meu instagram (estou a aorender a usar) me denuncia a localização, como tenho consciência e não faço fotos comprometedoras, não uso caras de amigos em situações comprometedoras, não faço declarações que me tramem a vida. No meu livro das caras, uma vez disseram-me que eu poderia ter problemas no trabalho por dizer que tenho esclerose múltipla.
Para começar aqui é proibido despedir alguém que esteja de baixa, muito pior seria arranjarem-me problemas se eu estou completamente funcional. Depois... acham que sou otária e misturo email de trabalho com email de parvoíce?!? As pessoas acham mesmo que eu me apresento no trabalho com o mesmo nome que me apresento na internet? As pessoas acham mesmo que eu já não testei o meu nome no google e afins e que... vem lá no fim da lista, sem elementos que me constranjam?!?!
Eu não entendo muita gente... percebem mais de tecnologia que eu (maior naba do que eu... acho que só a minha mãe! Eu faço perguntas do tempo do MSDos!!!), mas depois não são capazes de controlar quem vê a página do FB?!?
Pior!!!! Reclamam das cameras de vigilância dos serviços públicos, mas depois instalam aplicativos que permitem controlar cada movimento dos diferentes elementos da família, mesmo sendo eles adultos?!?
Então em que ficamos?!?! Somos contra a vigilância do Big Brother ou somos nós os primeiros a dar-lhe a informação que precisa para nos controlar?!?!
Lembrei-me disto porque eu acho que a minha mãe teve uma conversa telefónica gravada ontem. A sério que acredito mesmo na coisa. Mesmo numa dessas de Snowden e afins. Mas... como cá em casa moram duas malucas, mas duas malucas saudáveis que pagam os impostos, não deitam lixo no chão e muito menos querem conspirar contra qualquer que seja a forma de poder no mundo... nós queremos lá saber se a conversa foi gravada ou não!!! Era uma coisa tão simples como telefonar ao agente de seguros para confirmar o valor do seguro da casa... uuuuuuuh!!! Eu dei informação da minha vida... tendo em conta que me podem vir pedir café... não me parece problemático que saibam que tenho um seguro para uma casa... que por acaso não é esta onde podem vir pedir bolachas...
Eu sei que o BB está a ver. Mas, para quem acredita, o JC (Jesus Cristo) também... e as pessoas continuam a fazer merda (olha o louco que matou aquela gente na igreja jos EUA!!!), acham mesmo que é com o Big Brother que se devem preocupar?!? Ou consigo mesmos?!?
O dono da verdade... cof... cof
Ontem, um cliente chanfrado esqueceu-se de um tazer na loja. (Sim, arma de defesa que dá choques. Sim, parece que é legal por estas bandas).
Graças a isso já se fizeram meia dúzia de piadas. Mas hoje... a minha vontade era ter usado o aparelho pelo menos duas vezes...
Um dos momentos foi pouco antes do fecho. Dois fedelhos, que deviam estar na cama àquela hora, resolveram roubar duas recargas de isqueiros. O meu chefe apercebeu-se, confirmou no vídeo, foi à procura da canalha. Isso fez com que se perdesse tempo e lá andámos nós a correr para fazer tudo a tempo de apanhar o comboio para casa.
Mas o momento em que eu teria tido um enooorme prazer em fazer uma boa descarga foi um bocado antes. Chega-me lá um senhor com aspecto limpo que fez um reparo ao preço da revista (com razão). Mas depois acrescenta: é tudo mentira o que aqui está. E eu disse-lhe logo não me diga isso porque eu estava a pensar comprar a revista.
A Geo é uma revista alemã com publicações mensais, mas que depois tem edições especiais em diversas áreas. A minha área preferida é a que se dedica a países e cidades. No entanto, de vez em quando compro as que se dedicam à história e à Humanidade em geral. A edição em questão aborda o Islão e eu estou a pensar comprá-la para ver se aprendo mais. Não, não me vou converter, mas o saber não ocupa lugar...
Então, voltando ao gajo, depois de ouvir que era tudo mentira fiquei desiludida. Como é que era possível fazerem uma revista, que custa uma fortuna, cheia de mentiras ?!?!
Resulta que o cromo não se referia à revista, mas sim ao Islão. Segundo ele, é tudo mentira, tudo roubado do Judaísmo e só Jesus é que conta. Para se ver Jesus é preciso sofrer, porque amar é sofrer, porque os gregos têm cinco palavras para dizer amor, porque a Bíblia é que está certa, porque eu (eu, Luísa) ainda não sofri, porque ele é um perito, porque ele vê uma pessoa e consegue logo "lê-la"... e porque... eu, Luísa, sou uma grande otária e tenho a mania de dar trela aos clientes...
Só sei que cheguei ao ponto em que disse que não acreditava em nenhum deus, mas que, acreditando no que aprendi, Jesus é amor e que o homem, que se acha especialista, é simplesmente um extremista...
Bolas!!!! Mil vezes falar com o "filósofo mal-cheiroso" (gosto mesmo dele, um dia falo dele) que é um homem tolerante e muito menos delirante do que o arranjadinho e nunca de provocou o desejo profundo do uso da violência!!!
Graças a isso já se fizeram meia dúzia de piadas. Mas hoje... a minha vontade era ter usado o aparelho pelo menos duas vezes...
Um dos momentos foi pouco antes do fecho. Dois fedelhos, que deviam estar na cama àquela hora, resolveram roubar duas recargas de isqueiros. O meu chefe apercebeu-se, confirmou no vídeo, foi à procura da canalha. Isso fez com que se perdesse tempo e lá andámos nós a correr para fazer tudo a tempo de apanhar o comboio para casa.
Mas o momento em que eu teria tido um enooorme prazer em fazer uma boa descarga foi um bocado antes. Chega-me lá um senhor com aspecto limpo que fez um reparo ao preço da revista (com razão). Mas depois acrescenta: é tudo mentira o que aqui está. E eu disse-lhe logo não me diga isso porque eu estava a pensar comprar a revista.
A Geo é uma revista alemã com publicações mensais, mas que depois tem edições especiais em diversas áreas. A minha área preferida é a que se dedica a países e cidades. No entanto, de vez em quando compro as que se dedicam à história e à Humanidade em geral. A edição em questão aborda o Islão e eu estou a pensar comprá-la para ver se aprendo mais. Não, não me vou converter, mas o saber não ocupa lugar...
Então, voltando ao gajo, depois de ouvir que era tudo mentira fiquei desiludida. Como é que era possível fazerem uma revista, que custa uma fortuna, cheia de mentiras ?!?!
Resulta que o cromo não se referia à revista, mas sim ao Islão. Segundo ele, é tudo mentira, tudo roubado do Judaísmo e só Jesus é que conta. Para se ver Jesus é preciso sofrer, porque amar é sofrer, porque os gregos têm cinco palavras para dizer amor, porque a Bíblia é que está certa, porque eu (eu, Luísa) ainda não sofri, porque ele é um perito, porque ele vê uma pessoa e consegue logo "lê-la"... e porque... eu, Luísa, sou uma grande otária e tenho a mania de dar trela aos clientes...
Só sei que cheguei ao ponto em que disse que não acreditava em nenhum deus, mas que, acreditando no que aprendi, Jesus é amor e que o homem, que se acha especialista, é simplesmente um extremista...
Bolas!!!! Mil vezes falar com o "filósofo mal-cheiroso" (gosto mesmo dele, um dia falo dele) que é um homem tolerante e muito menos delirante do que o arranjadinho e nunca de provocou o desejo profundo do uso da violência!!!
Etiketten
artigo do dia,
Oh brave new world...,
What the F***??
quarta-feira, 17 de junho de 2015
mete-te na tua vida!!!
O meu contrato é cerca de 60% com ordenado à hora. Dê o mundo as voltas que der, para mim é a melhor forma de pagamento que existe. Todas as horas a mais desses 60% são pagas e não se precisa compensar horas extra ficando em casa. Isso dá também flexibilidade à minha chefe. Como as outras têm contrato com ordenado mensal, sempre que elas têm horas a mais, a velhota desespera-se a fazer horários porque tem que cortar e não sabe onde. Isso faz com que me vá buscar como recurso e por causa de férias, horas a mais das outras e doença, tenho trabalhado a 100 ou 120% (literalmente).
A mim... não me chateia nada. Todas as horas que trabalho a mais... ficam para mim. :) Isso, como é óbvio, reflecte-se no meu ordenado no fim do mês (quando vi a minha folha de pagamento depois das férias... fiquei muuuuuuito feliz, uma massagem semi-ilusória ao ego!!! [Ganhei bem porque trabalhei bem, por isso semi-ilusória]).
Mas como a saga do problema de horas continua, eu estou encaixotada para trabalhar 6 dias esta semana e 5 na próxima. No plano também estão o número de horas, mas na realidade, nunca olho para isso. Interessa-me saber os dias e a que horas começo, o resto... é igual! Mas para as minhas colegas não é... ou isso, ou uma paranóia de controlo qualquer...
Pois não é que uma colega me veio com um baita drama porque esta semana eu vou trabalhar imensas horas?!?! Ah porque não é legal, ah porque é demasiado... primeiro, é legal!!!! Segundo... o corpo é meu, a vida é minha. Se eu acho que estou bem... por que raio me chateiam?!?! Se não tivesse tido férias... aí era eu a primeira a dizer que não queria, é que convenhamos... eu estava a meio passo da exaustão completa. Agora?!? Depois de férias... please se não aguento... estou tramada até ao fim de Agosto que é quando tenho mais uma semana...
Fónix... esta gente precisa mesmo de meias para cozer (sim, é um /z/!!!!).
A mim... não me chateia nada. Todas as horas que trabalho a mais... ficam para mim. :) Isso, como é óbvio, reflecte-se no meu ordenado no fim do mês (quando vi a minha folha de pagamento depois das férias... fiquei muuuuuuito feliz, uma massagem semi-ilusória ao ego!!! [Ganhei bem porque trabalhei bem, por isso semi-ilusória]).
Mas como a saga do problema de horas continua, eu estou encaixotada para trabalhar 6 dias esta semana e 5 na próxima. No plano também estão o número de horas, mas na realidade, nunca olho para isso. Interessa-me saber os dias e a que horas começo, o resto... é igual! Mas para as minhas colegas não é... ou isso, ou uma paranóia de controlo qualquer...
Pois não é que uma colega me veio com um baita drama porque esta semana eu vou trabalhar imensas horas?!?! Ah porque não é legal, ah porque é demasiado... primeiro, é legal!!!! Segundo... o corpo é meu, a vida é minha. Se eu acho que estou bem... por que raio me chateiam?!?! Se não tivesse tido férias... aí era eu a primeira a dizer que não queria, é que convenhamos... eu estava a meio passo da exaustão completa. Agora?!? Depois de férias... please se não aguento... estou tramada até ao fim de Agosto que é quando tenho mais uma semana...
Fónix... esta gente precisa mesmo de meias para cozer (sim, é um /z/!!!!).
terça-feira, 16 de junho de 2015
Saber ler dava um jeitinho...
Depois de duas semanas de férias em modo como rebentar com a suspensão do seu carro em menos de 15 dias, cá estou eu de volta à terra das vacas, mas com algum katerial de escrita interessante que veio no porão do avião...
Hoje falo de livros, porque fica em contexto (estou no comboio a caminho do trabalho).
Na semana passada tive que passar no supermercado e, como tinha algum tempo, dei uma espreitadela na papelaria/livraria que estava ao lado. Andava só a olhar, mas depois lembrei-me de procurar José Rodrigues Miguéis (eu sonho com o dia em que vou encontrar uma prateleira cheia só com livros dele). Só que... deu-me vontade de tirar os livros todos das prateleira e começar a arrumar. Na literatura estrangeira havia alguma ordem agora na portuguesa... só faltava ter livros de pernas para o ar. Mesmo assim acabei a comprar dois livros. Quando me cheguei à caixa disse à senhora que era inadmissível os livros estarem daquela forma. Ah é impossível arrumá-los todos bem.
Pronto... saltou-me a tampa!!! Saquei dos galões e disse que trabalhava num sítio bem maior e bem mais movimentado (aquela loja deve ter numa semana o mesmo número de clientes que a minha loja tem à Segunda de manhã, o dia mais calmo) e nós conseguíamos ter alguma ordem. Já não digo que sejam perfeccionistas. Mas coloquem /p/ com /p/, /f/ com /f/... já seria uma enorme ajuda!!!
Oh pá!!! Se tivessem clientes que se divertem a trocar os livros nas prateleiras... eu gostaria de saber como seria... se são ignorantes e não são capazes de organizar os livros por ordem alfabética, vão para a escola aprender. Mas nunca me tentei fazer passar por parva, principalmente depois de eu saber verdadeiramente o que custa arrumar toooooodos os dias as prateleiras e as gavetas (estas desorganizadas pela colegas que não sabem distinguir o nome do livro do nome do autor... jurooooo!!!!!)
E deixa-me ir. Ontem arrumei a gaveta e as prateleiras dos crimes, da saúde, do exotérico e do comportamental. Falta-me a história, a biografia, o inglês, as viagens, o francês e a enoooorme selecção de romances (acho que vai sobrar para amanhã!)
Hoje falo de livros, porque fica em contexto (estou no comboio a caminho do trabalho).
Na semana passada tive que passar no supermercado e, como tinha algum tempo, dei uma espreitadela na papelaria/livraria que estava ao lado. Andava só a olhar, mas depois lembrei-me de procurar José Rodrigues Miguéis (eu sonho com o dia em que vou encontrar uma prateleira cheia só com livros dele). Só que... deu-me vontade de tirar os livros todos das prateleira e começar a arrumar. Na literatura estrangeira havia alguma ordem agora na portuguesa... só faltava ter livros de pernas para o ar. Mesmo assim acabei a comprar dois livros. Quando me cheguei à caixa disse à senhora que era inadmissível os livros estarem daquela forma. Ah é impossível arrumá-los todos bem.
Pronto... saltou-me a tampa!!! Saquei dos galões e disse que trabalhava num sítio bem maior e bem mais movimentado (aquela loja deve ter numa semana o mesmo número de clientes que a minha loja tem à Segunda de manhã, o dia mais calmo) e nós conseguíamos ter alguma ordem. Já não digo que sejam perfeccionistas. Mas coloquem /p/ com /p/, /f/ com /f/... já seria uma enorme ajuda!!!
Oh pá!!! Se tivessem clientes que se divertem a trocar os livros nas prateleiras... eu gostaria de saber como seria... se são ignorantes e não são capazes de organizar os livros por ordem alfabética, vão para a escola aprender. Mas nunca me tentei fazer passar por parva, principalmente depois de eu saber verdadeiramente o que custa arrumar toooooodos os dias as prateleiras e as gavetas (estas desorganizadas pela colegas que não sabem distinguir o nome do livro do nome do autor... jurooooo!!!!!)
E deixa-me ir. Ontem arrumei a gaveta e as prateleiras dos crimes, da saúde, do exotérico e do comportamental. Falta-me a história, a biografia, o inglês, as viagens, o francês e a enoooorme selecção de romances (acho que vai sobrar para amanhã!)
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Ajudas, ajudas...
Isto de ajudar tem muito que se lhe diga. Ah porque o actor X ou o jogador de futebol Y tem muito dinheiro. Eles é que deviam ajudar. Tem o seu quê de verdade. Mas quantos ajudam sem precisarem de publicidade?!? Quantas vezes se descobre que A ou B ajudaram pessoas que necessitavam porque alguém não conseguiu guardar segredo?!??
Depois é África, Ásia ou América Latina.
Durante anos sonhei ir para África ajudar. Cheguei a estudar algumas organizações, mas depois percebi que afinal não estava talhada para isso. Apesar de não ter sido educada no luxo, não me imagino a viver sem água corrente, sem luz e, pior que tudo, no meio de bicharada. As minhas freiras têm também programas de voluntariado, mas nem pelas minhas pinguinas eu consegui aventurar-me.
No entanto posso dizer que fiquei completamente estupefacta, surpreendida, estarrecida, seja lá que palavra queiram aplicar quando vi algumas notícias sobre o Nepal. Um português que tinha ido para lá como voluntário queria regressar a Portugal e estava aborrecido com a embaixada espanhola porque não o levou no avião. Então... se os espanhóis não sabiam de nada... iam fazer o quê?!?
Mas o que e choca não é isso... no momento em que ouvi a notícia formou-se uma pergunta na minha cabeça: no momento em que mais se precisava de voluntários, o voluntário resolveu fugir?!?! Ah é bonito para o currículo, mas de facto... a coisa dói.
Podem argumentar que ele era voluntário na área de ensino, as eu contra-argumento já... em momento de crise qualquer um consegue limpar feridas, acartar água, transportar tijolos. Não é preciso ser especialista para aplicar pensos rápidos ou dar palavras de apoio. Ou é?!?!
E um argumento bem mais forte veio de outra notícia. Dois portugueses que andavam a passear pelos orientes foram apanhados pelo caos. Em vez de seguirem viagem ou voltar para a segurança do lar, ficaram. Os loucos, como uma voluntária carinhosamente lhes chamou, não eram voluntários de nada, mas tornaram-se em duas fortes ajudas com cabeça, braços e dinheiro (palavras de um deles).
É!!! Ajudar, ajudar, mas é só se for fixe. Porque se fizer calos... foge-se. Vale mais não sair do conforto do lar e ajudar de verdade, sem nos tornarmos em ratos no primeiro momento. Recolha de alimentos, juntar tampinhas, fazer donativos, dar roupa aos pobres, levar as compras a vizinha... há tantas formas de ajudar... e se num dia não conseguirmos ajudar também não nos tornamos ridículos como o tal indignado...
(Estou entedeada no autocarro a caminho da santa terrinha... dá para pensar em tudo. :p )
Depois é África, Ásia ou América Latina.
Durante anos sonhei ir para África ajudar. Cheguei a estudar algumas organizações, mas depois percebi que afinal não estava talhada para isso. Apesar de não ter sido educada no luxo, não me imagino a viver sem água corrente, sem luz e, pior que tudo, no meio de bicharada. As minhas freiras têm também programas de voluntariado, mas nem pelas minhas pinguinas eu consegui aventurar-me.
No entanto posso dizer que fiquei completamente estupefacta, surpreendida, estarrecida, seja lá que palavra queiram aplicar quando vi algumas notícias sobre o Nepal. Um português que tinha ido para lá como voluntário queria regressar a Portugal e estava aborrecido com a embaixada espanhola porque não o levou no avião. Então... se os espanhóis não sabiam de nada... iam fazer o quê?!?
Mas o que e choca não é isso... no momento em que ouvi a notícia formou-se uma pergunta na minha cabeça: no momento em que mais se precisava de voluntários, o voluntário resolveu fugir?!?! Ah é bonito para o currículo, mas de facto... a coisa dói.
Podem argumentar que ele era voluntário na área de ensino, as eu contra-argumento já... em momento de crise qualquer um consegue limpar feridas, acartar água, transportar tijolos. Não é preciso ser especialista para aplicar pensos rápidos ou dar palavras de apoio. Ou é?!?!
E um argumento bem mais forte veio de outra notícia. Dois portugueses que andavam a passear pelos orientes foram apanhados pelo caos. Em vez de seguirem viagem ou voltar para a segurança do lar, ficaram. Os loucos, como uma voluntária carinhosamente lhes chamou, não eram voluntários de nada, mas tornaram-se em duas fortes ajudas com cabeça, braços e dinheiro (palavras de um deles).
É!!! Ajudar, ajudar, mas é só se for fixe. Porque se fizer calos... foge-se. Vale mais não sair do conforto do lar e ajudar de verdade, sem nos tornarmos em ratos no primeiro momento. Recolha de alimentos, juntar tampinhas, fazer donativos, dar roupa aos pobres, levar as compras a vizinha... há tantas formas de ajudar... e se num dia não conseguirmos ajudar também não nos tornamos ridículos como o tal indignado...
(Estou entedeada no autocarro a caminho da santa terrinha... dá para pensar em tudo. :p )
As americanas...
Ontem aparecem-me duas de Chicago na loja... o que é aquilo? São cigarros? Eram cigarros slim, nada de outro mundo. Ah so sweet! Are they good? Quêêêê?!? Cigarros fofinhos?!?! Sei lá se são bons. We don't have those in America!!! (Não percebi se era a marca ou os slims de modo geral!!) Ai sim?!? E o que é que isso me interessa?!?!
Bolas... um espalhafato por um pacote de cigarros... imagino como se terão comportado a ver as montanhas suíças ou a comer queijo...
Bolas... um espalhafato por um pacote de cigarros... imagino como se terão comportado a ver as montanhas suíças ou a comer queijo...
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Perspectivas
Ontem foi o dia do meu animal de estimação, aka esclerose múltipla. Como seria de esperar, os programas da tarde falaram do assunto. Apanhei a entrevista de um canal privado por acaso e quando essa acabou mudei para o outro canal privado para ver se davam alguma coisa e se tinham uma perspectiva menos parva que a primeira entrevista. Esqueci-me de ver no canal público, mas espero que tenham dito alguma coisa, pois esta doença, pelo que tenho experienciado, precisa de muuuuuuuuuuita desmistificação.
Mas porque é que uma entrevista foi parva... foi lá uma mulher que tinha dores nas bochechas depois de ter estado numa regata em alto mar durante não sei quantos dias. Oh. Grande avaria!!!! Eu também tenho dias com dores nas bochechas e é """"só"""" de sorrir aos clientes do quiosque (as minhas rugas de expressão cada vez mais pronunciadas!).
Mais... rico argumento... se eu tivesse mais de um mês de férias em casa (sim!, não era preciso ser num veleiro) também ficaria buéééééééé feliz. Queria dizer que tinha muito tempo seguido só para mim. Assim, sem ter que me levantar de noite (aqui às 4h45 já é de dia, logo... para ser de noite...) eu também acho que seria muito melhor a controlar a doença. PortantoSSSSS párem lá com essa coisa de serem um prodígio por serem tripulantes de um veleiro. Uma vida sem preocupações facilita o andamento das coisas... a qualquer pessoa... doente ou 100% saudável!!!
Depois eu não percebo outras coisas... se passam a vida a dizer que são pessoas normais, por que raio levam alguém à televisão e a colocam nos píncaros?!?!
Eu ODEIO quando as pessoas com algum entrave diz ah porque eu sou normal. Ah porque depois da doença a minha vida ficou melhor. Fónix!!! Melhor onde? Aos domingos na hora da injecção ou quando as moedas me caem todo o dia da mão pela falta de sensibilidade? Ou quando a minha mãe me resolve fazer cafuné e eu tenho que a afastar porque o toque me incomoda?!?!
Vida normal?!? Ter que sair de casa mais cedo, levar o pacote congelado, andar a fazer contas de cabeça por causa da temperatura que pode a tingir a injecção numa viagem de de duas horas num avião?!?
Ah vem mostrar o seu exemplo de superação. Mas em que ficamos?!? É normal ou é um exemplo de superação?!? Eu acredito piamente que seja um exemplo de superação, o qque me leva a acreditar que não é normal...
Depois também gostei de o facto de a senhora ter decidido viver um mês sem EM. Rica coisa... mesmo com sintomas activos, como eu tenho desde há quase um ano, eu vivo 6 dias por semana sem esclerose. Só ao Domingo é que me lembro que tenho que me injectar. De resto... quantos dias ando sem me lembrar da doença. Assim, se ela toma medicação, nem que seja num ritmo semanal, ela nunca passa um mês sem esclerose. Se não toma medicação... olha... basta que não haja surtos e/ou sintomas activos e já se vive sem esclerose...
Passemos ao médico. A minha mãe tenta compreender a doença e por isso é que não mudei de canal. A coitada dá-se a cada trabalho!!! Se nem os médicos a entendem na perfeição... mas o médico da primeira entrevista... ele até pode ser o melhor neurologista do mundo, mas para explicar... eu pergunto-me se algum especialista o entendeu!!! A coitada da minha mãe queria perceber, mas não o entendia, a cara dela quase 1ue mostrava sofrimento!!! Mas nem eu a podia ajudar... eu também não sabia do que é que ele estava a falar...
Já no outro canal a coisa foi muuuuuuuuito melhor. O médico parecia acabado de sair da faculdade de medicina, com aquele aspecto jovem. Mas falou português!!!! A minha mãe ficou a perceber certas coisas melhor e aí o sofrimento na cara era mais que expressivo. (Eu sei que ela sofre para caraças com esta coisa toda)
Quanto ao entrevistado! Oh exemplo de vida! Não é o super-homem, não anda de barco nem barqueta. Depois do baque da notícia enfrentou a coisa descontraidamente, trabalha, tem a sua vida e ainda faz piadas com a doença (palavras dele). Também gostei de um ponto que ele referiu: nós somos mais do que a doença e muita gente à volta de um doente (qualquer que seja doença) parece esquecer-se disso.
Decididamente, o mesmo tema pode ser visto da forma que mais convir. E, muito honestamente, estava à espera que o canal que me agradou mais fosse mais lamechas! No entanto, este tema em questão... mesmo que eu lhe dê o mínimo de importância possível... não gozem comigo!!!
Já agora, eu não me importo se não me perguntam: como estás? Mas... pleeeeeeaaaaassseeee... também não perguntem: como vai a doença? Se eu não tenho um grande impacto, ao menos não dêem importância aos ratos que me roem os cabos...
Mas porque é que uma entrevista foi parva... foi lá uma mulher que tinha dores nas bochechas depois de ter estado numa regata em alto mar durante não sei quantos dias. Oh. Grande avaria!!!! Eu também tenho dias com dores nas bochechas e é """"só"""" de sorrir aos clientes do quiosque (as minhas rugas de expressão cada vez mais pronunciadas!).
Mais... rico argumento... se eu tivesse mais de um mês de férias em casa (sim!, não era preciso ser num veleiro) também ficaria buéééééééé feliz. Queria dizer que tinha muito tempo seguido só para mim. Assim, sem ter que me levantar de noite (aqui às 4h45 já é de dia, logo... para ser de noite...) eu também acho que seria muito melhor a controlar a doença. PortantoSSSSS párem lá com essa coisa de serem um prodígio por serem tripulantes de um veleiro. Uma vida sem preocupações facilita o andamento das coisas... a qualquer pessoa... doente ou 100% saudável!!!
Depois eu não percebo outras coisas... se passam a vida a dizer que são pessoas normais, por que raio levam alguém à televisão e a colocam nos píncaros?!?!
Eu ODEIO quando as pessoas com algum entrave diz ah porque eu sou normal. Ah porque depois da doença a minha vida ficou melhor. Fónix!!! Melhor onde? Aos domingos na hora da injecção ou quando as moedas me caem todo o dia da mão pela falta de sensibilidade? Ou quando a minha mãe me resolve fazer cafuné e eu tenho que a afastar porque o toque me incomoda?!?!
Vida normal?!? Ter que sair de casa mais cedo, levar o pacote congelado, andar a fazer contas de cabeça por causa da temperatura que pode a tingir a injecção numa viagem de de duas horas num avião?!?
Ah vem mostrar o seu exemplo de superação. Mas em que ficamos?!? É normal ou é um exemplo de superação?!? Eu acredito piamente que seja um exemplo de superação, o qque me leva a acreditar que não é normal...
Depois também gostei de o facto de a senhora ter decidido viver um mês sem EM. Rica coisa... mesmo com sintomas activos, como eu tenho desde há quase um ano, eu vivo 6 dias por semana sem esclerose. Só ao Domingo é que me lembro que tenho que me injectar. De resto... quantos dias ando sem me lembrar da doença. Assim, se ela toma medicação, nem que seja num ritmo semanal, ela nunca passa um mês sem esclerose. Se não toma medicação... olha... basta que não haja surtos e/ou sintomas activos e já se vive sem esclerose...
Passemos ao médico. A minha mãe tenta compreender a doença e por isso é que não mudei de canal. A coitada dá-se a cada trabalho!!! Se nem os médicos a entendem na perfeição... mas o médico da primeira entrevista... ele até pode ser o melhor neurologista do mundo, mas para explicar... eu pergunto-me se algum especialista o entendeu!!! A coitada da minha mãe queria perceber, mas não o entendia, a cara dela quase 1ue mostrava sofrimento!!! Mas nem eu a podia ajudar... eu também não sabia do que é que ele estava a falar...
Já no outro canal a coisa foi muuuuuuuuito melhor. O médico parecia acabado de sair da faculdade de medicina, com aquele aspecto jovem. Mas falou português!!!! A minha mãe ficou a perceber certas coisas melhor e aí o sofrimento na cara era mais que expressivo. (Eu sei que ela sofre para caraças com esta coisa toda)
Quanto ao entrevistado! Oh exemplo de vida! Não é o super-homem, não anda de barco nem barqueta. Depois do baque da notícia enfrentou a coisa descontraidamente, trabalha, tem a sua vida e ainda faz piadas com a doença (palavras dele). Também gostei de um ponto que ele referiu: nós somos mais do que a doença e muita gente à volta de um doente (qualquer que seja doença) parece esquecer-se disso.
Decididamente, o mesmo tema pode ser visto da forma que mais convir. E, muito honestamente, estava à espera que o canal que me agradou mais fosse mais lamechas! No entanto, este tema em questão... mesmo que eu lhe dê o mínimo de importância possível... não gozem comigo!!!
Já agora, eu não me importo se não me perguntam: como estás? Mas... pleeeeeeaaaaassseeee... também não perguntem: como vai a doença? Se eu não tenho um grande impacto, ao menos não dêem importância aos ratos que me roem os cabos...
e que tal umas aulas de ciências para totós?!?!
Agora, ao sair do trabalho, resolvi comprar a revista Stern (estrela). A minga colega que estava receber o dinheiro vira-se e diz: não onde é que estás a ver estrelas. É de dia. No primeiro momento concordei com ela, mas no instante seguinte acrescentei: não! O Sol também uma estrela. A resposta dela: se tu o dizes! A duvidar de mim. Ok... eu não sou assim tão inteligeeeeeeeente. Mas será que há gente assim tão ignorante?!?
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Apeteceu-me falar de medidas
Estava a conversar sobre nem sei o quê e uma professora nojentinha meteu-se para me criticar.
A Ana Luísa (siiiim, em Portugal quase ninguém me chama só Luísa) mede as outras pessoas por si?!?
Claro que meço. Vou medir por quem?!? Não sou perfeita, mas também não sou um monstro. Se vejo com os meus olhos e penso com a minha cabeça, se analiso o que me rodeia, vou medir as coisas pela medida do vizinho? Ou os padrões do povo Maori? Ou vou usar a bíblia? Ou a revista Maria?!?!
A Ana Luísa (siiiim, em Portugal quase ninguém me chama só Luísa) mede as outras pessoas por si?!?
Claro que meço. Vou medir por quem?!? Não sou perfeita, mas também não sou um monstro. Se vejo com os meus olhos e penso com a minha cabeça, se analiso o que me rodeia, vou medir as coisas pela medida do vizinho? Ou os padrões do povo Maori? Ou vou usar a bíblia? Ou a revista Maria?!?!
Ah porque nós devemos colocar-nos no lugar do outro. Não discuto. Mas vamos lá decompor a frase que nos coloca no lugar do outro:
se eu estivesse no lugar dele, faria...
se eu estivesse no lugar dele, faria...
Se é hipotético. Nós de fora achamos que faríamos de um modo, quando na realidade é só a razão a falar, esquecendo-nos que se estivéssemos no lugar do outro iríamos ter a emoção a juntar-se à equação. Ou seja... se estivéssemos, mas não estamos!!!
Eu é preciso mais do que esta palavra para provar que todos nós medimos o mundo à nossa volta por nós mesmos?!?!
Mas pronto... já passaram anos sobre essa conversa na faculdade. Se na altura achei a croma da professora uma enjoada e que não tinha razão em criticar-me, passados uns meses comprovei que além de enjoada é preconceituosa. Senhora professora doutorada deu um passo atrás, LITERALMENTE, quando lhe disse que trabalhava a fazer limpezas.
Assim, medindo-a por mim, ela, além de ter um 15 cm a menos na altura, tem zero em Humanidade, apesar de ser professora de Linguística. Assim, ela medida aos meus olhos, vale zero. Assim, posso estar errada, mas quem é que me pode criticar?!? Por muito que se ponham nos meus sapatos (adoro traduzir isto do inglês!), vão sempre pensar com as suas cabeças. Alguns pensarão com os seus pés, mas serão sempre os seus e não os meus!
Assim, medindo-a por mim, ela, além de ter um 15 cm a menos na altura, tem zero em Humanidade, apesar de ser professora de Linguística. Assim, ela medida aos meus olhos, vale zero. Assim, posso estar errada, mas quem é que me pode criticar?!? Por muito que se ponham nos meus sapatos (adoro traduzir isto do inglês!), vão sempre pensar com as suas cabeças. Alguns pensarão com os seus pés, mas serão sempre os seus e não os meus!
terça-feira, 26 de maio de 2015
B.J.
Como eu sou uma pessoa sem sorte, tenho sempre uma cabra a atazanar-me o juízo. A B.J. é a cabra lá do trabalho.
A primeira vez que trabalhou comigo desfez-se em elogios. Para ela, eu era um espectáculo! Até enjoei com tanto louvor.
Entretanto ela bateu com a cabeça não sei onde e mostrou as garras. Só que... ela bateu na porta errada. Sempre que ela me tenta provocar? bate num muro de betão. Para mais, a minha chefe sabe que ela não bate bem e já me disse que fosse ter com ela caso a estúpida me chateasse. Como eu só falo com ela em extrema necessidade e por questões laborais, a croma não tem grandes possibilidades de me aborrecer. Ela fica bem mais aborrecida porque eu sou capaz de estar 8 horas de trabalho sem falar com ela, mas também sabe que eu falo com todas a minhas outras colegas e com os clientes.
Ela pensava que podia armar-se ao pingarelho comigo... teve azar!!!
Mas este ser tem os seus momentos hilariantes... ela não sabe falar nenhuma língua. E quando digo nenhuma é mesmo nenhuma, pois dialecto não é uma língua. Então como é uma ignorante acaba por dizer asneiras atrás de asneiras e quando já não pode mais, tem que dar o braço a torcer e chamar-me para ser tradutora de inglês, italiano, espanhol... é que, convenhamos, os pobres dos turistas baralham-se sempre quando ela pergunta se eles querem "costas" (bag vs. back).
No entanto o que me choca naquela mulher é a maneira como se comporta com os clientes. Se é um senhor de uma certa idade, com boa aparência, só falta ela fazer uma dança em cima do balcão. A minha mãe é da idade dela e também está divorciada, mas se se comportasse assim... iria ter problemas comigo!
Com os outros clientes... mal-educada, racista, xenófoba. Ela até com crianças deficientes discute!!!!! (Disto eu queixei-me à chefe. Se já temos que ter paciência com crianças, com deficientes temos que ter mais, não?!?!). Eu já disse à minha chefe que no dia em que eu saiba que ela trata mal alguém que eu conheço eu vou falar com altas chefias. Que isto de aturar canalha com mais de 50 anos.... acabou com o meu pai!!!!!
Agora deixa-me ir. Hoje é dia de a aturara!!!!
A primeira vez que trabalhou comigo desfez-se em elogios. Para ela, eu era um espectáculo! Até enjoei com tanto louvor.
Entretanto ela bateu com a cabeça não sei onde e mostrou as garras. Só que... ela bateu na porta errada. Sempre que ela me tenta provocar? bate num muro de betão. Para mais, a minha chefe sabe que ela não bate bem e já me disse que fosse ter com ela caso a estúpida me chateasse. Como eu só falo com ela em extrema necessidade e por questões laborais, a croma não tem grandes possibilidades de me aborrecer. Ela fica bem mais aborrecida porque eu sou capaz de estar 8 horas de trabalho sem falar com ela, mas também sabe que eu falo com todas a minhas outras colegas e com os clientes.
Ela pensava que podia armar-se ao pingarelho comigo... teve azar!!!
Mas este ser tem os seus momentos hilariantes... ela não sabe falar nenhuma língua. E quando digo nenhuma é mesmo nenhuma, pois dialecto não é uma língua. Então como é uma ignorante acaba por dizer asneiras atrás de asneiras e quando já não pode mais, tem que dar o braço a torcer e chamar-me para ser tradutora de inglês, italiano, espanhol... é que, convenhamos, os pobres dos turistas baralham-se sempre quando ela pergunta se eles querem "costas" (bag vs. back).
No entanto o que me choca naquela mulher é a maneira como se comporta com os clientes. Se é um senhor de uma certa idade, com boa aparência, só falta ela fazer uma dança em cima do balcão. A minha mãe é da idade dela e também está divorciada, mas se se comportasse assim... iria ter problemas comigo!
Com os outros clientes... mal-educada, racista, xenófoba. Ela até com crianças deficientes discute!!!!! (Disto eu queixei-me à chefe. Se já temos que ter paciência com crianças, com deficientes temos que ter mais, não?!?!). Eu já disse à minha chefe que no dia em que eu saiba que ela trata mal alguém que eu conheço eu vou falar com altas chefias. Que isto de aturar canalha com mais de 50 anos.... acabou com o meu pai!!!!!
Agora deixa-me ir. Hoje é dia de a aturara!!!!
terça-feira, 19 de maio de 2015
segunda-feira, 18 de maio de 2015
WAB1, ou perda de tempo 1
Como mandam as regras suíças, lá tive eu que me inscrever na porra de mais um curso para poder ter a carta de condução definitiva.
Antes das 8 da matina tive que me apresentar num centro de simulação com o meu carro, com gasolina suficiente, fosse lá o que isso fosse. Eu levei o carro com o depósito meio e logo se via.
Fomos para uma salinha, escrevemos os nosso nomes, os nossos hobbies, desde quando temos carta e quantos quilómetros já fizemos. Claro que escrevi os dados suíços, porque isso de quilometragem.... acho que superava o outros todos somados... depois o vizinho do lado é que leu a nossa apresentação.
Como se essa paneleirada não bastasse tivemos que escrever os nosso desejos, os nossos sonhos. Eu como sou uma mulher de poucos sonhos, escrevi o único que não se pode fazer na Suíça (pelo que o instrutor disse): estar permanentemente a estudar. Eu duvido do instrutor, mas lá decidi escrever que gostava de ter uma casa na praia. É mentira, mas assim calei o homem. Para quê esta introdução?!? Para vermos que um acidente nos pode tirar os sonhos para sempre. Como se isso não se soubesse!!!
E estávamos prontos para visualizar filmes de acidentes, fotografias de gente em coma e mais não sei o quê. Depois vamos para a pista circundar pinos, depois vamos para a sala ver mais filmes, depois vamos para a pista acelerar e fazer travagens a fundo. Depois... rebentei com as costas. Quem é que gosta de activar o ABS de um carro só porque sim?!?! Pois é... as travagens eram feitas depois de um pequeno percurso a 20, 40 e 60km/hora. Para se activar o ABS veja-se a pressão que era preciso fazer... estou aqui que nem sei. Só falta fazer o pino para ver se consigo encontrar uma posição menos dolorosa.
Paga uma pessoa a bela quantia de 350 francos (neste momento igual ao euro) para ir ver vídeos de prevenção rodoviária que nós vemos na televisão e dar cabo das costas. Tudo dirigido por um instrutor que não conhece as regras de trânsito todas (a regra em questão não me interessa porque eu não pretendo conduzir camiões, no entanto... se ele é instrutor... não deveria saber se os camiões podem ou não fazer ultrapassagens na autoestrada?!?!?!)
Lá teve que ir a minha mãe trabalhar de autocarro para isto!!!! E ainda falta o WAB2!!!!!! Até se me dá uma coisa!!!
Antes das 8 da matina tive que me apresentar num centro de simulação com o meu carro, com gasolina suficiente, fosse lá o que isso fosse. Eu levei o carro com o depósito meio e logo se via.
Fomos para uma salinha, escrevemos os nosso nomes, os nossos hobbies, desde quando temos carta e quantos quilómetros já fizemos. Claro que escrevi os dados suíços, porque isso de quilometragem.... acho que superava o outros todos somados... depois o vizinho do lado é que leu a nossa apresentação.
Como se essa paneleirada não bastasse tivemos que escrever os nosso desejos, os nossos sonhos. Eu como sou uma mulher de poucos sonhos, escrevi o único que não se pode fazer na Suíça (pelo que o instrutor disse): estar permanentemente a estudar. Eu duvido do instrutor, mas lá decidi escrever que gostava de ter uma casa na praia. É mentira, mas assim calei o homem. Para quê esta introdução?!? Para vermos que um acidente nos pode tirar os sonhos para sempre. Como se isso não se soubesse!!!
E estávamos prontos para visualizar filmes de acidentes, fotografias de gente em coma e mais não sei o quê. Depois vamos para a pista circundar pinos, depois vamos para a sala ver mais filmes, depois vamos para a pista acelerar e fazer travagens a fundo. Depois... rebentei com as costas. Quem é que gosta de activar o ABS de um carro só porque sim?!?! Pois é... as travagens eram feitas depois de um pequeno percurso a 20, 40 e 60km/hora. Para se activar o ABS veja-se a pressão que era preciso fazer... estou aqui que nem sei. Só falta fazer o pino para ver se consigo encontrar uma posição menos dolorosa.
Paga uma pessoa a bela quantia de 350 francos (neste momento igual ao euro) para ir ver vídeos de prevenção rodoviária que nós vemos na televisão e dar cabo das costas. Tudo dirigido por um instrutor que não conhece as regras de trânsito todas (a regra em questão não me interessa porque eu não pretendo conduzir camiões, no entanto... se ele é instrutor... não deveria saber se os camiões podem ou não fazer ultrapassagens na autoestrada?!?!?!)
Lá teve que ir a minha mãe trabalhar de autocarro para isto!!!! E ainda falta o WAB2!!!!!! Até se me dá uma coisa!!!
Etiketten
Contrastes,
Oh brave new world...,
Schweiz,
What the F***??
sábado, 16 de maio de 2015
O frasco
Como se sabe, quem anda no mundo das limpezas apanha de tudo pela frente. Há gente limpa, gente porca e gente que vive no mundo da imundice... nem todos os estômagos aguentariam o que o meu (e o de tantos empregados de limpeza) tem aguentado. No entanto, há uma coisa que me mete nojo ao ponto de me darem tremores. Para muita gente, se calhar, é das coisas mais fáceis de tolerar... pois bem, detesto encontrar unhas cortadas.
Siiim... é o meu grande problema!!!!! Também já tive uma colega que se arrepiava com cabelos caídos, nem que fosse só um, numa almofada usada por uma noite que, não fosse o cabelo, parecia nova. Sim... manias de empregadas de limpeza... mas... acho que também temos esse direito.
Mas porquê esta conversa sobre manias e coisas nojentas?!? É para se poder entender os minutos de pânico que vivi no Domingo passado.
Logo depois de abrirmos, um cliente vem ter comigo a dizer-me que tinha deixado uma coisa na loja no dia anterior e que talvez tivesse sido deitado para o lixo porque parecia que era lixo e tudo e tudo. Será que ainda têm o lixo de ontem por aí?! Tínhamos. O lixo, como nunca cheira mal, é arrumado num canto próprio e levado uma vez por dia, ao início da tarde, para o centro de recolha. Ah é um frasco de plástico transparente com material para análise. Eu pus-me a imaginar mosquitos que teriam morrido durante a noite no calor da loja.
Afinal...
Quando eu encontro o frasco... mal olho para ele, afasto logo os olhos dele. Não pode ser. Não deve ser. Devo ter visto mal. Mas pelo sim, pelo não, melhor não olhar mais. Pensei eu. No entanto, o senhor, na sua alegria de ter encontrado o que perdeu, explicou-me, pondo-me o frasco à frente do nariz, por que raio tinha uma colecção de unhas dentro daquele frasco.
Sim, eu não me tinha enganado a ver as coisas. Siiiiim, ele andou a deixar crescer as unhas, para as cortar para poder fazer uma análise qualquer. E pior que tudo isso, ele explicou tudo minuciosamente...
Eu estava a tentar não desmaiar e a torcer para que aparecesse um outro cliente ou até que me caísse um meteorito na cabeça. Mas não... sou tão afortunada que tive que o ouvir até ao fim. Mal ele virou costas, fui desinfectar as mãos, coisa que nunca faço (só trabalhamos com papel, não há lixo orgânico, lavo as mãos com sabão várias vezes ao dia e já me chega. Acho que desinfectante naquele local de trabalho é demasiado.
Agora naquele dia... que nojo!!!!
Mas quem é que faz destas avarias?!? Não haverá mais gente normal à face da terra?!? Ou os cromos foram todos seleccionados para me aparecerem à frente?!?! É que por este andar... que mais vai parecer por lá?!?!
Siiim... é o meu grande problema!!!!! Também já tive uma colega que se arrepiava com cabelos caídos, nem que fosse só um, numa almofada usada por uma noite que, não fosse o cabelo, parecia nova. Sim... manias de empregadas de limpeza... mas... acho que também temos esse direito.
Mas porquê esta conversa sobre manias e coisas nojentas?!? É para se poder entender os minutos de pânico que vivi no Domingo passado.
Logo depois de abrirmos, um cliente vem ter comigo a dizer-me que tinha deixado uma coisa na loja no dia anterior e que talvez tivesse sido deitado para o lixo porque parecia que era lixo e tudo e tudo. Será que ainda têm o lixo de ontem por aí?! Tínhamos. O lixo, como nunca cheira mal, é arrumado num canto próprio e levado uma vez por dia, ao início da tarde, para o centro de recolha. Ah é um frasco de plástico transparente com material para análise. Eu pus-me a imaginar mosquitos que teriam morrido durante a noite no calor da loja.
Afinal...
Quando eu encontro o frasco... mal olho para ele, afasto logo os olhos dele. Não pode ser. Não deve ser. Devo ter visto mal. Mas pelo sim, pelo não, melhor não olhar mais. Pensei eu. No entanto, o senhor, na sua alegria de ter encontrado o que perdeu, explicou-me, pondo-me o frasco à frente do nariz, por que raio tinha uma colecção de unhas dentro daquele frasco.
Sim, eu não me tinha enganado a ver as coisas. Siiiiim, ele andou a deixar crescer as unhas, para as cortar para poder fazer uma análise qualquer. E pior que tudo isso, ele explicou tudo minuciosamente...
Eu estava a tentar não desmaiar e a torcer para que aparecesse um outro cliente ou até que me caísse um meteorito na cabeça. Mas não... sou tão afortunada que tive que o ouvir até ao fim. Mal ele virou costas, fui desinfectar as mãos, coisa que nunca faço (só trabalhamos com papel, não há lixo orgânico, lavo as mãos com sabão várias vezes ao dia e já me chega. Acho que desinfectante naquele local de trabalho é demasiado.
Agora naquele dia... que nojo!!!!
Mas quem é que faz destas avarias?!? Não haverá mais gente normal à face da terra?!? Ou os cromos foram todos seleccionados para me aparecerem à frente?!?! É que por este andar... que mais vai parecer por lá?!?!
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Dá para chorar a rir!!
Eu tento fazer uma estatística para perceber quando há mais cromos à solta, se durante a semana se ao fim-de-semana. Mas... eles são tantos que ainda não cheguei a nenhuma conclusão...
Ora veja-se... hoje fui ameaçada por uns loucos que iam fazer queixa sei lá onde por causa dos preços em euros e em francos. Por mim podem ameaçar, podem mesmo fazer a queixa que a mim... dá-me igual. Eu não sou dona da loja...
Na Quinta ou na Sexta aconteceu uma coisa sinistra. Aparece-me um gajo com uma pá gigante na mão. Para onde vai o coveiro?!?!, pensei eu. Entretanto ele vira-se e eu vejo uma picareta enoooorme pendurada na mochila. Confesso que me vieram duas ou três ideias de filme de terror à cabeça!!!
Mas isto não é o pior. Pior é quando os clientes têm um défice qualquer. Um défice de inteligência, um défice emocional... estas pessoas têm que ser tratadas com cuidado. Não que eu seja obrigada pela empresa, mas a moral ainda vive dentro de mim!!!!
Pois bem, como eu penso assim, tento tratar as pessoas com carinho, educação e paciência que a situação exige. Escuto-lhes os lamentos (embora por vezes não entenda uma palavra do que dizem), tento dar uma palavra de alento e sorrio sempre. Que faz isso?!?! Atraio-os todos para mim (há um cliente que se recusa a ser atendido por outra pessoa, se me vir na loja). E pronto... lá dou eu por mim a explicar a diferença de pastilhas elásticas que não têm nada de especial, a ir buscar revistas que vão ficar na loja, apanhar moedas e documentos que eles perdem com facilidade.
E na vez seguinte... eles voltam. E eu volto a fazer tuuuuudinho igual, a ouvir as mesmas piadas sem graça e por aí fora (eu gostava de saber de onde vem tanta pachorra!!!). Sempre sem perder a pose.
Só que há duas semanas... perdi a compostura toda. E é uma situação que ainda me faz rir a bandeiras despregadas, mas ao mesmo tempo que me faz doer a consciência....
Uma senhora, já acima dos 60 anos, magrinha, muito branca, com uns óculos fundo de garrafa, que veste cores claras para se animar (palavras dela, num outro dia), batom esborratado, com uma voz fina, com um falar infantil e uma carência afectiva que a precede.
E eu com a minha paciência infinita.
- Sabe a diferença entre estas pastilhas? - Eu acho que é só uma questão de serem com mentol mais forte. (e acho mesmo!!!)
- Mas não acha que estas são melhores para os dentes?!?! É que nestas não diz teeth. - Pois, não sei!
- Mas... e daí vieram mais quinhentas perguntas a que eu não sabia responder, até que se decidiu pelas dos teeth.
Só que a mulher continuava insatisfeita... ela sentia necessidade de me explicar o porquê da compra. -É que... sabe... eu não lavei os dentes.
Pronto... explodi! Mesmo com um esforço astronómico, usando todas as técnicas que sempre resultaram comigo no controlo do riso... NADA funcionou.
Eu evitei olhar para a minha chefe. Porque aí eram duas a rir.
Eu tentei, tentei, mas a mulher, apesar de estranha, não é completamente parva. Percebeu que eu me estava a rir dela e daí houve mais um mote para ela lamentar não sei o quê. É que não sei mesmo. Além de não a entender a 100% eu estava a tentar concentrar-me em tudo menos na mulher...
E pronto... ao fim de tantos anos a trabalhar com público eu desmanchei-me. E... pá!!!! É muito mau, coitada da senhora, mas... é tão bom recordar a seriedade dela a informar-me que não tinha lavado os dentes...
Ora veja-se... hoje fui ameaçada por uns loucos que iam fazer queixa sei lá onde por causa dos preços em euros e em francos. Por mim podem ameaçar, podem mesmo fazer a queixa que a mim... dá-me igual. Eu não sou dona da loja...
Na Quinta ou na Sexta aconteceu uma coisa sinistra. Aparece-me um gajo com uma pá gigante na mão. Para onde vai o coveiro?!?!, pensei eu. Entretanto ele vira-se e eu vejo uma picareta enoooorme pendurada na mochila. Confesso que me vieram duas ou três ideias de filme de terror à cabeça!!!
Mas isto não é o pior. Pior é quando os clientes têm um défice qualquer. Um défice de inteligência, um défice emocional... estas pessoas têm que ser tratadas com cuidado. Não que eu seja obrigada pela empresa, mas a moral ainda vive dentro de mim!!!!
Pois bem, como eu penso assim, tento tratar as pessoas com carinho, educação e paciência que a situação exige. Escuto-lhes os lamentos (embora por vezes não entenda uma palavra do que dizem), tento dar uma palavra de alento e sorrio sempre. Que faz isso?!?! Atraio-os todos para mim (há um cliente que se recusa a ser atendido por outra pessoa, se me vir na loja). E pronto... lá dou eu por mim a explicar a diferença de pastilhas elásticas que não têm nada de especial, a ir buscar revistas que vão ficar na loja, apanhar moedas e documentos que eles perdem com facilidade.
E na vez seguinte... eles voltam. E eu volto a fazer tuuuuudinho igual, a ouvir as mesmas piadas sem graça e por aí fora (eu gostava de saber de onde vem tanta pachorra!!!). Sempre sem perder a pose.
Só que há duas semanas... perdi a compostura toda. E é uma situação que ainda me faz rir a bandeiras despregadas, mas ao mesmo tempo que me faz doer a consciência....
Uma senhora, já acima dos 60 anos, magrinha, muito branca, com uns óculos fundo de garrafa, que veste cores claras para se animar (palavras dela, num outro dia), batom esborratado, com uma voz fina, com um falar infantil e uma carência afectiva que a precede.
E eu com a minha paciência infinita.
- Sabe a diferença entre estas pastilhas? - Eu acho que é só uma questão de serem com mentol mais forte. (e acho mesmo!!!)
- Mas não acha que estas são melhores para os dentes?!?! É que nestas não diz teeth. - Pois, não sei!
- Mas... e daí vieram mais quinhentas perguntas a que eu não sabia responder, até que se decidiu pelas dos teeth.
Só que a mulher continuava insatisfeita... ela sentia necessidade de me explicar o porquê da compra. -É que... sabe... eu não lavei os dentes.
Pronto... explodi! Mesmo com um esforço astronómico, usando todas as técnicas que sempre resultaram comigo no controlo do riso... NADA funcionou.
Eu evitei olhar para a minha chefe. Porque aí eram duas a rir.
Eu tentei, tentei, mas a mulher, apesar de estranha, não é completamente parva. Percebeu que eu me estava a rir dela e daí houve mais um mote para ela lamentar não sei o quê. É que não sei mesmo. Além de não a entender a 100% eu estava a tentar concentrar-me em tudo menos na mulher...
E pronto... ao fim de tantos anos a trabalhar com público eu desmanchei-me. E... pá!!!! É muito mau, coitada da senhora, mas... é tão bom recordar a seriedade dela a informar-me que não tinha lavado os dentes...
Subscrever:
Mensagens (Atom)
