segunda-feira, 12 de julho de 2010

O lago que se tapa com um chapéu

Há uns anos, estava eu de férias aqui na Suíça, fui dar uma volta com os meus pais e com o meu irmão. A minha mãe dizia para irmos a um certo lago. Não sei porquê, eu e o meu irmão resolvemos brincar com ela e dizer que o lago que o lago era tão pequeno que se tapava com um chapéu de chuva. Não me lembro a que propósito veio isso, mas que colou, colou. E apesar de o lago ter um nome (Pfäffikersee, isto é, Lago de Pfäffikon), nós continuamos a dizer que é o lago que se cobre com um chapéu.

Realmente não é muito grande (tem à volta de 3 quilómetros), mas é bonito. Às vezes, nos Invernos mais rigorosos, o pessoal vai para lá patinar, porque fica congelado.

Ontem estava tudo menos frio. E eu resolvi aproveitar a minha folga para me esticar ao Sol como os lagartos. A ver se regularizo o meu bronze!!! Pois eu tenho as pernas morenas até ao joelho e brancas do joelho para cima. Como imaginei que Zurique devia estar à pinha... fui para este. Valeu bem a viagem...

domingo, 11 de julho de 2010

Bluffer do mês

Quando dava, eu gostava de ver O Jogo Duplo. Além do óbvio, que era testar os meus próprios conhecimentos e ver as parvoíces do Malato, que já foi feliz em todo o lado e mais algum, também gostava do "jogo duplo" propriamente dito. Era interessante com certa gente chegava ao fim do jogo com menos pontos, porque "assustava" os outros que iam desistindo. Acabando por ser um pouco injusto para quem tinha "mais cabeça". No final da semana, faziam uma repescagem e iam buscar o melhor bluffer da semana.

Eu não percebo nada de futebol. Eu só vi bocados de jogos do Mundial, com excepção do Brasil-Portugal que vi na íntegra, mas tenho uma sensação estranha em realação ao novo campeão do mundo. As outras selecções com goleadas de todo o tamanho foram ficando para trás e eles foram ganhando com uma bola. É certo que basta só a diferença de um golo para se ganhar, mas... sabe-me a pouco esta Espanha campeã. Parece-se com os "bluffers do Malato", parece-me que os que perderam sabiam mais (quer dizer, marcaram mais) do que nuestros hermanos.

Mas pronto... eu sou mesmo uma leiga. Preferia que a Holanda ganhasse porque o meu chefe é holandês. Seria mais fácil trabalhar com ele se o polvo tivesse errado...
Agora vou mas é dormir que amanhã há muita flor para apanhar...

Como quero eu que acabe o dia?

Uma chávena de capucino, na varanda, o Sol esconder-se atrás da montanha, a estrela do pastor (que até é Venus) a aparecer e a desaparecer, a voz inconfundível da Enya vinda de casa do meu vizinho (que ainda há pouco andava em cuecas na varanda!!). Melhor, só se a Holanda tivesse ganho (é que o meu chefe é Holandês e eu tenho que o ver amanhã bem cedo!!).

sábado, 10 de julho de 2010

Que hei-de fazer...



... se adoro música electrónica?!?

Não conhecia...



... mas gostei.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Bons sonhos

Grünenwaldstrasse*

O Joshua tem uma árvore. Eu tenho muitas. Assim de repente, lembro-me de 5 árvores que eu adoro. Esta é uma delas. Vejo-a todos os dias quando vou e venho do trabalho.















Quando passo por ali sinto-me calma. Mesmo muito tranquila. Se há pequenos paraísos espalhados por aí, este é um deles.

*Rua da Floresta Verde (nome da rua e da paragem de autocarro mais próxima).

Füsse

Os meus pés foram sempre a parte do meu corpo de que mais gostei. Já não são bonitos como antes. Estão marcados das bolhas que se formam umas sobre as outras. Estão deformados das botas com biqueira de aço. Mas ainda lhes acho muita piada. Hoje deu-me para pintar as unhas depois do jantar (até parece que nem tenho que me levantar cedo amanhã e que as botas não me vão arrancar o verniz...) e reparei bem naS tonalidadeS da pele.

Além dos vestígios das feridas do passeio em Itália (Ângela!! O Raffaele não tem culpa!! :p), os meus pés têm mais 3 ou 4 níveis de bronzeado.
Por cima do peito do pé está às riscas por causa de uns chinelos que eu não me canso de usar. Junto ao tornozelo parece que tenho umas mini-meias calçadas, porque é o que eu uso dentro das sandálias de trabalho e como ando sempre de calções ou com as calças arregaçadas como se fosse regar milho... as pernas escurecem um pouco... No resto do corpo a coisa mantém-se no género. Uma colega do aeroporto diz que eu tenho um pijama vestido. Às riscas. Giro, não?? A parte boa é que eu não sou a única. Naquela estufa anda tudo às manchas... :D :D :D














Mas olhando bem... cá me parece que alguém amanhã vai ter que repintar as unhas. 'Tá um serviço lindo, mesmo de quem pintou as unhas no lusco-fusco da varanda!!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Tou capaz de o comer cru

Pela primeira vez nos últimos 8 anos, fiquei traurig (triste) com o resultado de um jogo de futebol...
Estava com tanta esperança nos Deutsche, queria mesmo que eles ganhassem (não tem nada a ver com os espanhóis e o facto de eles terem eliminado os portugueses).

A porra do polvo tinha razão...

Estou mesmo triste. Vou dormir.

Vou p'a jaulas...



Há um miúdo na estufa que é filho de italianos. Ontem dizia-me que não sabe falar, mas que até entende algumas coisas de português. Disse que sabia dizer: "como estás?". Brinquei com ele e disse-lhe que isso não valia, pois toda a gente sabe dizer issso e que se ele é falante de italiano e namorou com uma portuguesa tinha obrigação de saber mais.

Mais tarde lembrei-me que lhe podia ter perguntado de onde era a ex (simples curiosidade). Mas passado uma meia hora tive a resposta sem fazer a pergunta. Ele aproxima-se de mim e diz:
- Eu sei mais uma palavra em português: caja.
E eu fiquei a olhar para ele. - Caja?!?! (Seria gaja? É que o /g/, em alemão, tem muitas vezes o som de /c/.)
E ele diz-me em alemão:
- Haus!?
E eu:
- Aaaaah! É casa -corrigi eu- tal como em italiano.

Pronto... não sei exactamente de onde é a ex do S., mas sei que pertence a Trás-os-Montes. E ele nem sabe o quanto me deliciou com esta pequena "anedota linguística".

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Determinação, i like it!

Poupa a noite

Amanhã vai chover

Na terra das vacas a máxima nada se perde, tudo se transforma é levada muito a sério. E por ser assim eu acabo por usar o nariz para saber quando chove.
É que aqui os agricultores horas de cair uma bela chuvada, espalham pelos campos os dejectos das vacas que eles vão acumulando à frente das suas casas. Assim, quando se sente o cheiro pelas ruas, já se sabe que em pouco tempo cai água. E ninguém reclama, pois todos sabem que é para o bem dos campos e da agriculura.

Outro facto interessante é que nós passamos pelas aldeias, que não precisam de estar isoladas no alto da montanha, e encontramos a maior parte das casas com um monte de esterco em frente. Se vamos vistar um amigo agricultor, há sempre a possibilidade de passar ao lado do monte para se entrar em casa. É que aqui as pessoas sabem que é uma coisa natural, necessária. E não há cá vizinhos a reclamar ou leis esquisitas que obriguem os agricultores a terem os animais a mais de 50 metros das casas.
No entanto, as ruas não podem andar todas sujas com dejectos de animais. Se o cavalo ou a cvaca faz da rua a sua casa-de-banho, o dono vai com uma vassoura e uma pá e limpa...

Desculpem lá a conversa escatológica, mas é que estou na varanda e há um certo cheiro no ar. Poderia não falar disto, mas é uma diferença que existe entre a terra das vacas e o jardim à beira mar que, por motivos óbvios, me dá um bocado volta ao estômago mas também fascina, pela naturalidade como as coisas são encaradas.

domingo, 4 de julho de 2010

Não são negras...











... mas são dálias!

Grün

A empresa das flores, só no sítio onde eu trabalho, tem seis estufas no activo e mais três campos a céu aberto. Cada casa tem uma letra e subdivide-se em letras. Já os campos, dois só têm uma letra para os nomear e o terceiro tem um nome especial, porque também ele é especial (Schattenhale, a "área da sombra", que é onde ficam as hortênsias para não torrarem ao sol).















Nesta foto vê-se em primeiro plano o Feld A, que é o mesmo que dizer campo A (e à direita, mais no alto, as hortênsias à sombra).

As plantas que se vêem es+alhadas pelo campo são crisântemos. Se o Verão ajudar, daqui a um mês, mais ou menos, estaremos a empacotá-los para enviar para as lojas. Nessa altura será muito giro ver aquelas cores todas por ali. Amarelo, branco, laranja, bronze...

No entanto... mesmo só vendo verde, eu acabo por ter uma bela vista à hora de almoço, não??

sábado, 3 de julho de 2010

País tropicaU

Tendo em conta os últimos resultados... não sei se países como o Brasil ou a Argentina estão bem cotados no mercado.

Assim, se quiserem, sem pagar muito, o clima tropical...
com uma temperatura insuportável, com uma humidade relativa quase a tocar nos 300%, para, de repente, começarem a cair gotas de chuva gordas e espaçadas, que se transformam, em poucos minutos, num enorme rio pelas ruas da cidade... venham até à terra das vacas, aka Suíça.

Já tinha saudades destes dias. Um calor que nos cola, que nos corta o ar logo que saímos de casa ou de um comboio. E depois vem a chuva forte, que deixa no ar um cheiro bom a terra molhada, acompanhada de uma descida de temperatura bastante agradável...

O único problema é que não há praia... têm que trazer a areia na mala... :D




Eu andava só à procura da música e achei interessante, e um tanto ou quanto irónico (na conjuntura futebolística em que nos encontramos neste momento), o grupo do que encontrei composto por 6 Weltmeister (campeão, não sei como se escreve/diz o plural e estou com pregiça para procurar).

terça-feira, 29 de junho de 2010

Já fostesssss...



Nada que me surpreenda. É bom para mim por causa da aposta no trabalho. Depois, se pensarmos bem... a Itália já foi, a Inglaterra também, queriam milagres contra o campeão da Europa?!?!...

E pode ser que agora os portugueses se dediquem ao que realmente é importante. Se em dia de coiceball o país pára... com o país fora das competições... pode ser que as pessoas se resolvam trabalhar.

Quer dizer... agora vêm as férias... fónix!!!

Verde-Rubra não é cor que combine com os meus olhos...

Portugal está empatado a zero com nuestros hermanos. Estou-me nas tintas para qual dos dois ganha. Simpatizo com o Gana e torço para que a Alemanha ganhe o mundial por causa de uma aposta lá no trabalho. Mas mesmo assim... se nunhum deles ganhar... azar!! Eles é que ganham mais à hora do que eu ganho num dia de trabalho e eu também puxo muito pelo corpo, sem a mais valia de um médico e um massagista sempre em cima de mim!!!

Mas isto para falar dos emigrantes portugueses espalhados pelo mundo inteiro, em geral, e na Suíça, em particular.
Não merecem o país que têm.
Qualquer canto se vê uma bandeira. Todas as casas de portugueses têm, no mínimo, uma bandeira pendurada (a minha mãe, mesmo contra a minha vontade, tem uma na janela). Todas as firmas, que têm portugueses a trabalhar para eles, têm as carrinhas engalanadas com bandeiras. Os carros particulares, as motas, as roupas... a bandeira verde e vermelha supera todas as outras, inclusivamente a da cruz branca.

Os portugueses orgulham-se em ser do "jardim à beira mar plantado", fazem de tudo para o demonstrar. Mas eu cá cho que são uns otários por o fazerem.
Eles arrepiam-se quando ouvem o hino de um país que os empurra para fora de casa.
Eles vestem a camisola de um país que quer os francos, os euros, os dólares, as libras que eles ganham, mas que não lhes dá garantias nenhumas para o caso de, por exemplo, a sua casa ser assaltada quando estão a suar as estopinhas para depois ir investir no rectângulo.
Eles ficam todos babados por qualquer coisinha de Portugal ignorando que são alvo de gozo e de inveja dos que não se atrevem a mexer-se para mudar.

É que mesmo havendo muitos bacocos, que vestem branco de alto a baixo, que se põem a falar francês quando não sabem sequer escrever bonjour, há muitos que não merecem ser metidos na mesma caixa, simplesmente porque não têm o mesmo rótulo.

E se os emigrantes portugueses conseguem construir casa, comprar carro caro, viajar, etc. e tal, não é por estarem a cantar à porta do metro de Paris. No cimo dos Alpes, sejam eles na parte suíça, francesa ou italiana, só há neve. Quando a neve derrete, só escorre água pelas montanhas. Os francos ou os euros que nos aparecem nos bolsos, só nos aparecem porque primeiro deixámos o coiro na fábrica, no estaleiro das obras, no chão esfregado, na água suja de uma pia da cozinha de um restaurante...

Vendo bem as coisas... não são os portugueses que não merecem o país que têm. É o país que não merece as pessoas que tem.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Sempre que oiço o início desta música, lembro-me de Itália. Esta semana, lembrei-me da música, que já não ouvia há muito tempo.



E uma coisa que eu nunca tinha ouvido era esta versão mix de uma música tão antiga...
Parece que está na berra por lá.



Das musicalidades, só me falta agora ter tempo para analisar a tarantella, que me pareceu bem divertida.

Pequenos grandes pormenores

Os italianos são conhecidos por dominarem a moda, por se apresentarem impecavelmente bem vestidos, por terem atenção aos mais pequenos detalhes, mas... falta-lhes muita classe.
Esta semana estive na Puglia e na Calábria. Eram duas zonas de Itália que não conhecia. E, apesar de ter sido uma visita de médico, pude ver coisas muito bonitas, mas perceber como os italianos são uns porcos.
Aquela gente que parece que passou a roupa depois de a vestir, que combina a cor do verniz das unhas dos pés com o grampo do cabelo, não sabe deitar o lixo nos caixotes?!?!? Nunca em toda a minha vida eu pensei ver coisa tão porca. Conseguem superar em anos luz os portugueses, que eu já acho que são bem porquinhos.
Reciclagem?!?! Não há... Cestos do lixo a 2 metros?!?!? Muito longe... atira para o chão. E ali fica tudo, desde a beata do cigarro à garrafa de vidro partida, desde o jornal de ontem até ao frigorífico abandonado num olival qualquer longe da vista dos condutores, mas mesmo à frente de qualquer pessoa que viaje de comboio...

Cá acho que se eles perdessem mesnos tempos a verem-se ao espelho e demorassem mais a olhar para a estrumeira em que vivem, talvez conseguissem progredir um pouco mais...