terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Baden

Não confundir com a cidade alemã, porque esta é só uma Baden.
Fica relativamente perto daqui, mas é já no cantão de Aargau (ou Argóvia em português). Como todas as cidades nesta terra, é pequena. Mas como todas as cidades nesta terra, tem o seu encanto e dá para passar umas horas agradáveis numa tarde de Verão.

Numa colina ainda há ruínas (bem preservadas) da muralha da cidade. Achei piada ao campanário, bem vedado, não vá alguém roubar o sino! :D :D

Na cidade há muitas casas com o nome nas fachadas. Não sei se é a cidade com mais nomes de casas, mas foi a cidade onde eu vi mais. A casa desta rua tem um nome interessante: 
[casa] do homem preto. Agora não sei se terá a ver com a profissão do primeiro dono e aí a tradução seria limpa-chaminés; se terá a ver com alguma alcunha feia que deram ao dono da casa, o "homem preto" é o equivalente ao nosso "homem do saco" ou "papão". Ou quem sabe até podia ser um homem de pele mais escura (nem precisa ser mesmo negro, podia ser de origens no Magrebe).




 As portadas escondem uma cena da via sacra. E como a estatuária indica, é uma igreja católica.

 Baden é para foliões também. Têm as suas associações de Carnaval que tão bem representadas estão com este boneco. O engraçado é que este boneco está escondido numa viela que passa por baixo de uma casa. E temos que olhar para cima, pois não está ao nível dos olhos!

o grande desfiladeiro

Tirando a minha passagem por Nova Iorque, os Estados Unidos da América são um país desconhecido para mim. Tudo o que tenho na cabeça é de filmes, livros, internet… mas muitas vezes tenho a sensação que a Suíça é uma mini América. Pela mistura de culturas, pelas paisagens, pela religião. Pode ser uma ideia romantizada da coisa, mas por vezes, acabo por encontrar coisas que me levam acreditar cada vez mais nessa teoria.
Este Verão foi a vez de descobrir um desfiladeiro muito bonito que é conhecido de forma não oficial como Grand Canyon suíço.

O Ruinalta (nome em romanche), ou em alemão Rheinschlucht, é uma garganta do Reno que fica ali meio entalada entre o Reno Anterior e o Reno Posterior (o Reno é um rio nascido da confluência de rios) no cantão dos Grisões (Graubünden). 

Primeiro fui de carro até Reichenau e apanhei o comboio até Versam-Safien. Dali fomos a pé até à beira da água e vimos a garganta de baixo para cima. Água gelada (sim, eu fui lá meter as patinhas) apesar de ser Agosto. Uma areia fina estranha. Ao toque parecia farinha, macia, mas a cor... cinzenta como o cimento. 





Depois regressámos a Reichenau e seguimos de carro até Flims, que é pouco mais do que um lugarejo no alto das montanhas, mas muito conhecido pelas sua estância de ski em conjunto com Laax que fica relativamente perto. Outro ponto de atracção em Flims, principalmente no Verão, é o  Caumasee (lago Cauma). E depois de estacionarmos o carro começou a aventura…

Fomos a pé até perto do lago a pé. Depois aproveitámos a boleia do ascensor gratuito que lá existe e passámos ao lado do lago. Este Verão foi absurdamente quente, todos os lagos estavam apinhados, por isso… foi mesmo só de longe, nem sei se a água estava agradável ou não. E a partir daí foi… caminhar, caminhar, caminhar… Uma hora a pé até chegarmos a Il Spir (romanche para andorinhão-preto). Mas valeu a pena todo o pó, o calor, os tremeliques e até as dores musculares no dia seguinte…
  
Detalhes de Flims.


Quem toma banho nu não precisa de "figura de bikini".



 Detalhes da caminhada.
Eu gosto da forma como a vegetação se aguenta em cima das rochas. Parece que foi colocada lá de propósito.


 As duas fotos de cima foram feitas a caminho do Il Spir. A de baixo foi em cima do Il Spir. Il Spir é uma plataforma de madeira e metal que nos coloca sobre o vazio. Se tentarmos ver a ferradura com os pés no chão, não se consegue. Mas nessa plataforma… uau!!! Não é para todos os nervos, mas… uau! Uau! Uau!!

Esta estátua estava num parque onde os miúdos podiam brincar, mas onde era proibido fazer fogueiras. Pois, pelo calor excessivo havia proibição absoluta de acender o que quer que fosse no meio da floresta do cantão todo (sim, cigarros incluídos). E essa proibição, por estas bandas era levada a sério. As multas para os espertinhos não se fizeram esperar e eram bem pesadas!!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Chiasso

Já tinha visto a exposição dos burros, há muitos anos, no Castelo de S. Jorge. Lembro-me de estar um frio de rachar e de no dia seguinte ter nevado em Lisboa. Sei que não dei grande importância aos burros. Nessa altura preferi as gaitas de foles e os pauliteiros de Miranda… opções na vida.

Em Janeiro, já optei por dar atenção ao trabalho do senhor genial Oliviero Toscani. Eu aqui a falar de burros, mas quase de certeza que a grande maioria das pessoas o conhece pelo seu trabalho arrojado ao serviço da Benetton.

Estou habituada às exposições nas cidades grandes. Já fui para Basel ver van Gogh ou para Lausanne ver, entre outros, van Gogh, além das exposições de van Gogh aqui na cidade ou em Zurique… não, em Zurique já vi algumas coisitas, mas nunca van Gogh… :D :D

E estando habituada às cidades grandes e relativamente perto (Lausanne fica a 2horas de carro), Chiasso nunca me tinha passado pela cabeça como cidade a visitar.
Ora vejamos porquê:
chamam-lhe cidade, mas não tem 8000 habitantes, nem chega a 6km quadrados de área, ou seja… uma aldeola;
como é assim pequena, não tem grande actividade que atraia muitos turistas;
fica lá no Sul, mas tão no Sul, que é cidade fronteiriça (quem viajar de comboio de e para a Itália é aqui que a polícia controla os documentos!, mas o pica já controlou o bilhete há muito)
e como é cidade fronteiriça demora-se uma eternidade a lá chegar…

Então, com tantos atributos juntos, a desculpa de ir ver a exposição sobre o Olivero Toscani até nem era precisa… por isso meti-me no comboio.
As quatro horas para baixo e outras tantas para cima… foram compensadas pelo trabalho fantástico dele. Aprendi imenso sobre ele e com ele, nos filmes, nas fotografias, nos recortes… DELICIOSO!!!

Em relação à cidade… pronto… nem tudo é assim tãããão maaau… :)

                                 Igreja de San Vitale.
O Sul nesta terra é muito exótico. E não, não falo das couves como ornamento de jardim. É mesmo das árvores. Ora vejam lá se não são palmeiras na terra da neve… :)


Il Poeta e Il Tempo, duas obras do autor iraquiano Selim Abdullah.

 Itália lá ao fundo. Detalhes da estação de comboio de Chiasso.
E no regresso a casa, já não sei junto a que lago, o pôr-do-Sol. 




Tinta 2018

Com os horários malucos não dá para fazer nada de jeito. Nem para apreciar as mudanças que acontecem na cidade de ano para ano.
Os graffitis são uma dessas mudanças que eu sei que acontecem mesmo, mas quase que me escapam..
Só que desta vez o carro avariou e como o mecânico fica ao lado… fiz questão de fotografar. Pela luminosidade das imagens dá para perceber que também já foi assim… há buééés… :D