quarta-feira, 27 de maio de 2015

Apeteceu-me falar de medidas

Estava a conversar sobre nem sei o quê e uma professora nojentinha meteu-se para me criticar.
 A Ana Luísa (siiiim, em Portugal quase ninguém me chama só Luísa) mede as outras pessoas por si?!? 
 Claro que meço. Vou medir por quem?!? Não sou perfeita, mas também não sou um monstro. Se vejo com os meus olhos e penso com a minha cabeça, se analiso o que me rodeia, vou medir as coisas pela medida do vizinho? Ou os padrões do povo Maori? Ou vou usar a bíblia? Ou a revista Maria?!?!

Ah porque nós devemos colocar-nos no lugar do outro. Não discuto. Mas vamos lá decompor a frase que nos coloca no lugar do outro:
se eu estivesse no lugar dele, faria...
Se é hipotético. Nós de fora achamos que faríamos de um modo, quando na realidade é só a razão a falar, esquecendo-nos que se estivéssemos no lugar do outro iríamos ter a emoção a juntar-se à equação. Ou seja... se estivéssemos, mas não estamos!!! 
Eu  é preciso mais do que esta palavra para provar que todos nós medimos o mundo à nossa volta por nós mesmos?!?!

Mas pronto... já passaram anos sobre essa conversa na faculdade. Se na altura achei a croma da professora uma enjoada e que não tinha razão em criticar-me, passados uns meses comprovei que além de enjoada é preconceituosa. Senhora professora doutorada deu um passo atrás, LITERALMENTE, quando lhe disse que trabalhava a fazer limpezas.

Assim, medindo-a por mim, ela, além de ter um 15 cm a menos na altura, tem zero em Humanidade, apesar de ser professora de Linguística. Assim, ela medida aos meus olhos, vale zero. Assim, posso estar errada, mas quem é que me pode criticar?!? Por muito que se ponham nos meus sapatos (adoro traduzir isto do inglês!), vão sempre pensar com as suas cabeças. Alguns pensarão com os seus pés, mas serão sempre os seus e não os meus!

terça-feira, 26 de maio de 2015

B.J.

Como eu sou uma pessoa sem sorte, tenho sempre uma cabra a atazanar-me o juízo. A B.J. é a cabra lá do trabalho.
A primeira vez que trabalhou comigo desfez-se em elogios. Para ela, eu era um espectáculo! Até enjoei com tanto louvor.
Entretanto ela bateu com a cabeça não sei onde e mostrou as garras. Só que... ela bateu na porta errada. Sempre que ela me tenta provocar? bate num muro de betão. Para mais, a minha chefe sabe que ela não bate bem e já me disse que fosse ter com ela caso a estúpida me chateasse. Como eu só falo com ela em extrema necessidade e por questões laborais, a croma não tem grandes possibilidades de me aborrecer. Ela fica bem mais aborrecida porque eu sou capaz de estar 8 horas de trabalho sem falar com ela, mas também sabe que eu falo com todas a minhas outras colegas e com os clientes.
Ela pensava que podia armar-se ao pingarelho comigo... teve azar!!!

Mas este ser tem os seus momentos hilariantes... ela não sabe falar nenhuma língua. E quando digo nenhuma é mesmo nenhuma, pois dialecto não é uma língua. Então como é uma ignorante acaba por dizer asneiras atrás de asneiras e quando já não pode mais, tem que dar o braço a torcer e chamar-me para ser tradutora de inglês, italiano, espanhol... é que, convenhamos, os pobres dos turistas baralham-se sempre quando ela pergunta se eles querem "costas" (bag vs. back).

No entanto o que me choca naquela mulher é a maneira como se comporta com os clientes. Se é um senhor de uma certa idade, com boa aparência, só falta ela fazer uma dança em cima do balcão. A minha mãe é da idade dela e também está divorciada, mas se se comportasse assim... iria ter problemas comigo!
Com os outros clientes... mal-educada, racista, xenófoba. Ela até com crianças deficientes discute!!!!! (Disto eu queixei-me à chefe. Se já temos que ter paciência com crianças, com deficientes temos que ter mais, não?!?!). Eu já disse à minha chefe que no dia em que eu saiba que ela trata mal alguém que eu conheço eu vou falar com altas chefias. Que isto de aturar canalha com mais de 50 anos.... acabou com o meu pai!!!!!

Agora deixa-me ir. Hoje é dia de a aturara!!!!

terça-feira, 19 de maio de 2015

Barbapapa

Uns bonecos muito comuns por estas bandas que fazem anos hoje...

segunda-feira, 18 de maio de 2015

WAB1, ou perda de tempo 1

Como mandam as regras suíças, lá tive eu que me inscrever na porra de mais um curso para poder ter a carta de condução definitiva.
Antes das 8 da matina tive que me apresentar num centro de simulação com o meu carro, com gasolina suficiente, fosse lá o que isso fosse. Eu levei o carro com o depósito meio e logo se via.

Fomos para uma salinha, escrevemos os nosso nomes, os nossos hobbies, desde quando temos carta e quantos quilómetros já fizemos. Claro que escrevi os dados suíços, porque isso de quilometragem.... acho que superava o outros todos somados...  depois o vizinho do lado é que leu a nossa apresentação.
Como se essa paneleirada não bastasse tivemos que escrever os nosso desejos, os nossos sonhos. Eu como sou uma mulher de poucos sonhos, escrevi o único que não se pode fazer na Suíça (pelo que o instrutor disse): estar permanentemente a estudar. Eu duvido do instrutor, mas lá decidi escrever que gostava de ter uma casa na praia. É mentira, mas assim calei o homem. Para quê esta introdução?!? Para vermos que um acidente nos pode tirar os sonhos para sempre. Como se isso não se soubesse!!!
E estávamos prontos para visualizar filmes de acidentes, fotografias de gente em coma e mais não sei o quê. Depois vamos para a pista circundar pinos, depois vamos para a sala ver mais filmes, depois vamos para a pista acelerar e fazer travagens a fundo. Depois... rebentei com as costas. Quem é que gosta de activar o ABS de um carro só porque sim?!?! Pois é... as travagens eram feitas depois de um pequeno percurso a 20, 40 e 60km/hora. Para se activar o ABS veja-se a pressão que era preciso fazer... estou aqui que nem sei. Só falta fazer o pino para ver se consigo encontrar uma posição menos dolorosa.

Paga uma pessoa a bela quantia de 350 francos (neste momento igual ao euro) para ir ver vídeos de prevenção rodoviária que nós vemos na televisão e dar cabo das costas. Tudo dirigido por um instrutor que não conhece as regras de trânsito todas (a regra em questão não me interessa porque eu não pretendo conduzir camiões, no entanto... se ele é instrutor... não deveria saber se os camiões podem ou não fazer ultrapassagens na autoestrada?!?!?!)

Lá teve que ir a minha mãe trabalhar de autocarro para isto!!!!  E ainda falta o WAB2!!!!!! Até se me dá uma coisa!!!

sábado, 16 de maio de 2015

O frasco

Como se sabe, quem anda no mundo das limpezas apanha de tudo pela frente. Há gente limpa, gente porca e gente que vive no mundo da imundice... nem todos os estômagos aguentariam o que o meu (e o de tantos empregados de limpeza) tem aguentado. No entanto, há uma coisa que me mete nojo ao ponto de me darem tremores. Para muita gente, se calhar, é das coisas mais fáceis de tolerar... pois bem, detesto encontrar unhas cortadas.
Siiim... é o meu grande problema!!!!! Também já tive uma colega que se arrepiava com cabelos caídos, nem que fosse só um, numa almofada usada por uma noite que, não fosse o cabelo, parecia nova. Sim... manias de empregadas de limpeza... mas... acho que também temos esse direito.

Mas porquê esta conversa sobre manias e coisas nojentas?!? É para se poder entender os minutos de pânico que vivi no Domingo passado.
Logo depois de abrirmos, um cliente vem ter comigo a dizer-me que tinha deixado uma coisa na loja no dia anterior e que talvez tivesse sido deitado para o lixo porque parecia que era lixo e tudo e tudo. Será que ainda têm o lixo de ontem por aí?! Tínhamos. O lixo, como nunca cheira mal, é arrumado num canto próprio e levado uma vez por dia, ao início da tarde, para o centro de recolha. Ah é um frasco de plástico transparente com material para análise. Eu pus-me a imaginar mosquitos que teriam morrido durante a noite no calor da loja.
Afinal...

Quando eu encontro o frasco... mal olho para ele, afasto logo os olhos dele. Não pode ser. Não deve ser. Devo ter visto mal. Mas pelo sim, pelo não, melhor não olhar mais. Pensei eu. No entanto, o senhor, na sua alegria de ter encontrado o que perdeu, explicou-me, pondo-me o frasco à frente do nariz, por que raio tinha uma colecção de unhas dentro daquele frasco.
Sim, eu não me tinha enganado a ver as coisas. Siiiiim, ele andou a deixar crescer as unhas, para as cortar para poder fazer uma análise qualquer. E pior que tudo isso, ele explicou tudo minuciosamente...
Eu estava a tentar não desmaiar e a torcer para que aparecesse um outro cliente ou até que me caísse um meteorito na cabeça. Mas não... sou tão afortunada que tive que o ouvir até ao fim. Mal ele virou costas, fui desinfectar as mãos, coisa que nunca faço (só trabalhamos com papel, não há lixo orgânico, lavo as mãos com sabão várias vezes ao dia e já me chega. Acho que desinfectante naquele local de trabalho é demasiado.
Agora naquele dia... que nojo!!!!

Mas quem é que faz destas avarias?!? Não haverá mais gente normal à face da terra?!? Ou os cromos foram todos seleccionados para me aparecerem à frente?!?! É que por este andar... que mais vai parecer por lá?!?!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Dá para chorar a rir!!

Eu tento fazer uma estatística para perceber quando há mais cromos à solta, se durante a semana se ao fim-de-semana. Mas... eles são tantos que ainda não cheguei a nenhuma conclusão...

Ora veja-se... hoje fui ameaçada por uns loucos que iam fazer queixa sei lá onde por causa dos preços em euros e em francos. Por mim podem ameaçar, podem mesmo fazer a queixa que a mim... dá-me igual. Eu não sou dona da loja...

Na Quinta ou na Sexta aconteceu uma coisa sinistra. Aparece-me um gajo com uma pá gigante na mão. Para onde vai o coveiro?!?!, pensei eu. Entretanto ele vira-se e eu vejo uma picareta enoooorme pendurada na mochila. Confesso que me vieram duas ou três ideias de filme de terror à cabeça!!!

Mas isto não é o pior. Pior é quando os clientes têm um défice qualquer. Um défice de inteligência, um défice emocional... estas pessoas têm que ser tratadas com cuidado. Não que eu seja obrigada pela empresa, mas a moral ainda vive dentro de mim!!!!

Pois bem, como eu penso assim, tento tratar as pessoas com carinho, educação e paciência que a situação exige. Escuto-lhes os lamentos (embora por vezes não entenda uma palavra do que dizem), tento dar uma palavra de alento e sorrio sempre. Que faz isso?!?! Atraio-os todos para mim (há um cliente que se recusa a ser atendido por outra pessoa, se me vir na loja). E pronto... lá dou eu por mim a explicar a diferença de pastilhas elásticas que não têm nada de especial, a ir buscar revistas que vão ficar na loja, apanhar moedas e documentos que eles perdem com facilidade.
E na vez seguinte... eles voltam. E eu volto a fazer tuuuuudinho igual, a ouvir as mesmas piadas sem graça e por aí fora (eu gostava de saber de onde vem tanta pachorra!!!). Sempre sem perder a pose.

Só que há duas semanas... perdi a compostura toda. E é uma situação que ainda me faz rir a bandeiras despregadas, mas ao mesmo tempo que me faz doer a consciência....

Uma senhora, já acima dos 60 anos, magrinha, muito branca, com uns óculos fundo de garrafa, que veste cores claras para se animar (palavras dela, num outro dia), batom esborratado, com uma voz fina, com um falar infantil e uma carência afectiva que a precede.
E eu com a minha paciência infinita.

- Sabe a diferença entre estas pastilhas? - Eu acho que é só uma questão de serem com mentol mais forte. (e acho mesmo!!!)
- Mas não acha que estas são melhores para os dentes?!?! É que nestas não diz teeth. - Pois, não sei! 
- Mas... e daí vieram mais quinhentas perguntas a que eu não sabia responder, até que se decidiu pelas dos teeth. 
Só que a mulher continuava insatisfeita... ela sentia necessidade de me explicar o porquê da compra. -É que... sabe... eu não lavei os dentes.

Pronto... explodi! Mesmo com um esforço astronómico, usando todas as técnicas que sempre resultaram comigo no controlo do riso... NADA funcionou.
Eu evitei olhar para a minha chefe. Porque aí eram duas a rir.
Eu tentei, tentei, mas a mulher, apesar de estranha, não é completamente parva. Percebeu que eu me estava a rir dela e daí houve mais um mote para ela lamentar não sei o quê. É que não sei mesmo. Além de não a entender a 100% eu estava a tentar concentrar-me em tudo menos na mulher...

E pronto... ao fim de tantos anos a trabalhar com público eu desmanchei-me. E... pá!!!!  É muito mau, coitada da senhora, mas... é tão bom recordar a seriedade dela a informar-me que não tinha lavado os dentes...

sábado, 25 de abril de 2015

del cano... huuum... tão boa!

Por dois ou três motivos diferentes, eu costumo ter uma garrafa de água de uma marca que não vendemos no quiosque. Hoje esqueci-me dela e tive que usar uma garrafa de reserva. Quando ficou vazia fui enchê-la na torneira do lavatório.

Num momento livre que tive tentei saciar a minha sede. Mas... a garrafa tinha desaparecido. Perguntei por ela à minha colega e... ah. Era tua? Eu disse à senhora H. que não era de ninguém. Gerou-se o pânico. Será que a mulher a tinha posto no frigorífico dos clientes?!?! Fui ver, não estava lá.

Depois lembrei-me que tinha vendido uma garrafa que não me parecia muito fria. Será?!? pensei sei eu.

Fui falar com a chefe... sim... ela tinna posto a garrafa para venda. Ou seja.. eu vendi água do cano numa garrafa que já tinha sido lambuzada por mim pela módica quantia de 3.5 francos...
Sei que saiu cara...oooops.... sorry!

terça-feira, 21 de abril de 2015

come muito queijo...

Estou a caminho do trabalho e vou cá a pensar se não me sai mais um como no Domingo passado.
De manhã cedo, um avô resolveu roubar um  jornal. Uma funcionária de uma loja ao lado viu e avisou-me. Fui atrás do velho e perguntei-lhe se queria pagar. Ao que ele respondeu:  ah sim. É que eu esqueci-me de pagar.

Haja pouca vergonha na cara. Um avô?!?!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Sempre sou muito despachadinha

Cada vez que penso numa viagem que fiz a Itália...
Em menos de uma semana vi os meus planos serem alterados por forças que me eram superiores. Sem dizer a ninguém, procurei uma cidade relativamente grande (logo com hotéis) entre os meus dois destinos. Depois, inventando a mentira que queria muito parar em Tarento para passear, comprei o bilhete só até aí. Disse que seguiria ao fim do dia, mas a ideia era não preocupar ninguém e seguir viagem só no dia seguinte... mas ao procurar a cidade, claro que procurei hotéis. Em Tarento valeu-me uma corrida de táxi muito cara, em que tive que discutir com o taxista que não me queria levar pois era já ali (e era!), mas ainda sonho voltar lá só por causa do hotel...
Como se isso não bastasse, no regresso eu teria que dormir em Brindisi para apanhar o avião de manhã cedo. Andei de volta de hotéis. A minha colega disse-me para eu não gastar tanto e procurou-me um hostel. Quando cheguei à cidade, o taxista disse-me logo que não conhecia a rua. Conhecia uma parecida e mesmo assim, não conhecia nenhum hostel. No entanto levou-me lá. Como a rua era interditada a carros tive que ir a pé até à porta do suposto hostel. Quando cheguei lá e confirmei o que o taxista tinha dito... tooo late.... estava sozinha. É que o sul de Itália nas tardes de Verão... é um belo deserto!
Nem por isso houve problemas... pus-me a andar... a pé... com a mala atrás (eu sou uma betinha a viajar... viajo sempre de mala). Depois de passar pelo fim da via Ápia e respectiva escadaria que desce até ao Adriático, dei comigo na Corso Garibaldi... foi como encontrar um oásis. Eu sabia que ali havia um dos hotéis que eu tinha visto na net. Estava salva!!!

Esta aventura faz-me sempre sorrir e há dias veio-me à cabeça por causa de um turista de meia tigela que  e apareceu na loja a 2 minutos do fecho. Queria ajuda para encontrar hotéis na cidade. Pois o comboio atrasou-se e ele apanhou a porta do posto de turismo fechada.
Uma cliente ouviu e deu o nome de um hotel e respectiva rua e eu ajudei-o a ver no mapa. Depois tive que o mandar embora para fechar a loja, mas fiquei com o coração apertado. Iria ele conseguir seguir as minhas directrizes?!?!

Já no comboio percebi o quanto eu ando sensível a coisas que não me dizem respeito ou que não são dignas de preocupação.
Se eu me desenrasquei sozinha em Itália, como é que um tipo com um telemóvel todo XPTO não se consegue governar no cidade bastante acessível como Zurique?!???

Decididamente, preciso de férias...

O nada no tudo

"If you wait until you can do everything to everybody, instead of doing something for someone, you will end up doing nothing for nobody."

Alguém  disse isso e eu gostei...

Os truques da caixa mágica

Eu já aqui mencionei o meu gosto por publicidade. Em toda a minha vida só me deixei levar duas vezes pelas campanhas de dois produtos e fiquei satisfeita por me ter deixado levar. Agora vejo publicidade em todo o lado, mas desenvolvi um filtro forte e não há quem me apanhe nas malhas do marketing. Talvez por causa desse filtro ache fascinante ver o que um publicista vai buscar para vender os seus produtos.

Assim, um dos meus hobbies televisivos é decompor os anúncios e ver quais as mensagens veladas que existem por lá.

Ainda que não me lembre de ver publicidade do género em Portugal, pelos registos encontrados em blogs como Os dias que voam, fumar era porreiro. Tornava as pessoas elegantes e interessantes. Entretanto o cigarro foi banido de (quase) todo o lado e as pessoas tornaram-se inteligentes, charmosas e interessantes pelo consumo de milhentos outros artigos e produtos.

Mas, na minha perspectiva de """"analista"""" publicitária, acho que há por aí muita gente a fazer publicidade que, das duas uma, devia dedicar-se a arrumar carros ou precisa de terapia profunda com urgência.

Se é mau fazer passar a mensagem declarada que um cigarro torna a pessoa interessante, a minha pergunta é: não é pior fazer passar pelas entrelinhas que um telemóvel serve para resolver os conflitos de irmãs mimadas?!?! Não será um crime numa mesma publicidade a criança pequena ter um robot que tanto resolve o cubo de Rubik como faz os trabalhos de casa de  matemática?! Ou ainda, não é grave que a criança apareça com um amigo de lata?!? Sim o Spielberg fez um ET. Mas se bem se lembram, o ET queria ligar para casa, pois além de estar ameaçado na Terra, também sentia saudades da mãe ET.

Também achei interessante (ou então não) quando começaram a mostrar o gordinho do grupo a encomendar pizza com muitos ingredientes extra e quando parou os amigos riem de forma condescendente e ainda lhe passam a mão pela cabeça. Não podia ser uma mulher magricela a pedir uma pizza gigante?!? Ou só os gordos é que comem como alarves?!? Ou só os que comem como alarves é que são gordos?!?!

Não sei... lentamente até a publicidade me parece desumanizada. Se antes era desumanizada porque tinha o propósito de vender gelo a esquimós e o fazia a todo o custo, hoje em dia nem isso faz convenientemente. E o que mais me choca é que as publicidades a produtos que supostamente unem (computadores, telemóveis, etc.) parecem ser os que têm as publicidades que mais afastam as pessoas.

Sinceramente, tenho que me dedicar mais aos cálcios que fazem milagres ou ficar-me pelas máquinas de lavar com raios laser...

sexta-feira, 20 de março de 2015

Dois em um

O Google .pt estava semelhante ao .ch. A diferença é que, no lugar do narciso com uma abelha, o amarelo interactivo do Google helvético mostrava o eclipse solar que pôs toda  gente de nariz no ar...



quarta-feira, 18 de março de 2015

Mais manias

As manias do clientes continuam. Além de ainda perguntarem por coisas estranhas como a revista (!!!) Hebdo Charlie, continuam a chatear-me o juízo sobre os valores dos jornais e das revistas.

Além disso é a velhota que vem comprar um chocolate e, bom costume suíço, me explica sem eu perguntar por que raio é que ela compra o chocolate.  Agora pasmem-se: estou convidada para jantar. Então vou só almoçar o chocolate. É que, sabe, o meu genro cozinha muito bem. Parece aquela come muito no casamento. Porque se não é piada... o homem tem que ser um cozinheiro de mão cheia...

Outra que me tem cismado muito. Um cliente comprou dois maços de tabaco. Enquanto eu lhe fazia a conta e o troco ele batia com o maço. Pensava eu que estava a bater o tabaco, mas demorou tanto tempo que me pus a olhar. O homem estava a amassar todos os cantos dos maços. E batia e batia e batia... há certas marcas que arredondaram os pacotes, mas daí a amassar os cantos. Será que tem alguma utilidade?! É porque se aquilo é um ritual... eu nem quero imaginar o que ele fará noutras situações!!!!!!!!!

quinta-feira, 5 de março de 2015

pareillement?!? également?! olha... para ti também...

Eu estudei francês entre Setembro de 1994 e Junho de 1997. No ano lectivo 96/97 tive uma professora tão fraca que andei anos a odiar francês, França, Canadá e tudo o que me lembrasse a língua de Voltaire. Nem em português eu lia os franceses. Até ao dia em que uma colega de faculdade me convenceu a ir ver O Fabuloso Destino de Amélie Poulain ao saudoso Quarteto. Adorei o filme e comecei a encontrar coisas interessantes na França.

Mas isso não foi o suficiente para recuperar o tempo perdido. Assim, eu entendo francês, falado e escrito, mas pour parler... estou tramè (particípio francês com origem no verbo português tramar!!!!)

No que diz respeito à variação do francês da Romandia... a coisa ainda complica mais. Há dias, lá no quiosque, eu agradecia e retribuia os votos de bom dia e escuto: na Suíça nós dizemos pareillemente e não également. 
Pois... era o que me faltava... chatearem-me por causa disso. No entanto, já deu para perceber que os suíços romandos, mesmo não sendo tão picuinhas como os de língua alemã, são bastante picuinhas no modo como falamos com eles. Eu ignoro... pois como o meu francês é booooooom... qualquer asneira que eu diga está sempre bem e como eu trabalho num cantão alemão não se espera que eu domine francês.

Mas... se não me é exigido falar francês romando, nem perceber a diferença entre francofonia e romandia, espera-se que os funcionários das operadoras móveis entendam as variações dialectais e mais ainda, que saibam distinguir um francês de um suíço.
Como disse, os romandos não são tão exigentes como cá em cima, mas... podem ser complicados de aturar (sei por experiência mas também por ter ouvido falar de experiência de call center entre Portugal e a Suíça).

Então, depois de uma colega me dizer (sem eu perguntar nada) que ia trabalhar num call center em relação com a Suíça, eu quis chamar-lhe a atenção para as diferenças que há, a começar na língua. Interrompeu-me e quis-me mostrar que a francofonia é tão variada como a lusofonia. Mas aí é que reside o problema. As pessoas cingem-se à francofonia, às germanísticas, às românicas. Mas com os suíços, se for gente de fora a telefonar, por exemplo, a questão vai mais além disso. Vai entrar na questão helvética. Eles são muitos dentro de um, mas no que diz respeito aos de fora... o lema dos mosqueteiros... é deles também (a sério!!!!).

Eu sabendo isso e sabendo que isso pode custar uma reclamação e sabendo que uma reclamação naquela operadora pode custar o emprego...quis ajudar. Mas não... fui tratada com quatro pedras na mão por uma pessoa com mais de 30 anos, com curso superior, mas que não sabe que na Suíça existem muitos cantões (26) e que são vários os de língua francesa (sendo que alguns são também de língua alemã).

Eu sei o quanto a Suíça pode ser complicada... e eu a tentar ajudar para tornar a vida mais fácil... para que ela não arrisque perder o trabalho por pouco... e sou tratada assim...

Mas por que raio me preocupo eu com as pessoas?!?! Não queria agradecimento, mas também não queria ser mal tratada, ainda por cima por uma ignorante...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Carpe diem

Os desportistas devem comer muitos hidratos de carbono. Ontem li numa revista que uma dieta rica em gordura pode ajudar no desempenho de certo tipo de atletas.
Não se deve comer carne!!! Não há substituto para a proteína animal, dizem os entendidos.
O açúcar faz mal. Devemos comer açúcar para não desmaiarmos. O leite faz mal, o glúen, faz mal. Evitar comer produtos com lactose ou glúten, se não formos alérgicos, pode provocar-nos problemas maiores, li também. 
Devemos fazer caminhadas ao ar livre. As caminhadas afectam o habitat natural das espécies, destroem os ecossistemas!
Devemos usar protector solar para não apanhar cancro. O protector solar mata o plancton ou sei lá que bicho do mar.
Não devemos comer carne por causa dos animais. As máquinas de apanha de cereais matam os pássaros. 
Não devemos comer animais porque eles sofrem. As plantas sentem que estão a ser comidas. A cenoura está viva se a comermos crua.
O vinho faz mal. Um copo de vinho não faz mal. 
O café, a cerveja, o chocolate, as sardinhas em lata. Dependendo do vento, podem fazer mal ou fazer muito bem.
O bacalhau seco tem produtos. O petróleo contamina não sei o quê, o fumo não sei que mais, o papel, o plástico. As vacas que expelem mais gases que uma fábrica.

100 gramas disto, 1 caloria daquilo. Não posso, não devo, nãããããããããããão que me engorda, ainda que não tenha gordura nenhuma.

As vacinas são boas. As vacinas provocam autismo. As crianças estão a morrer na Europa do século XXI com doenças parvas como o sarampo!

Qualquer dia temos uma dieta de pedras e água, destilada, porque a outra tem radão. 

Isto lembra-me um sketch antigo, acho que de O Tal Canal: O homem chega a casa para jantar. A mulher vai dizendo o preço dos elementos da refeição, da luz, do gás, etc e tal. O homem vai desistindo de comer, de ter a luz acesa, até que apaga a vela que tinha acesa.

Há para aí uma paranóia tão grande que as pessoas, em vez de viverem, tentando encontrar um meio termo, estão a desgastar-se, a desgastar os outros, a propagar doenças praticamente extintas, a desenvolver novas doenças, principalmente do foro psicológico. E para quê?!? 

Todos vamos morrer, mais cedo, mais tarde... quer queiramos, quer não... não fica ninguém para semente! Assim sendo... deixem-se de exageros e vivam a vida!!!!!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Sotaques

- Está a contar o dinheiro em italiano?
- Você é francesa?
- Você é do cantão Graubünden?
- É da Romandia...

- Que língua se fala no seu cantão?!

Esta foi a última pergunta que eu ouvi de um alemão, à qual eu respondi: moro  o cantão Zurique, portanto fala-se alemão. E depois lá o acalmei, não sou suíça!!

Esta gente... não podem ouvir um sotaque românico que já fazem filmes!!!! Mas pronto... a única coisa que lamento é que não sei falar a língua do Graubünden (o romanche). 
De resto... entendo muito bem o francês e o italiano e, apesar de assassinar as duas língua sempre que abro a boca, a coisa chega para vender jornais e revistas... :D

Manias de clientes

- Tem o Grey of Shades?
É pior que o Charlie Hepto, que se desculpa pela fonética.

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- Custa 1,80 francos?!?! Isso é um absurdo. Na França custa 50 cêntimos.
- Tem que reclamar com a França pois os preços são feitos lá.
- Não quero saber!!!! Na França custa 50 cêntimos.
Detalhe: impresso a negrito, estava o preço francês: 70 cêntimos de euro. A diferença não é muita, mas gosto pouco que tentem fazer-me passar por parva!!

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Uma mulher com idade para ser minha bisavó:
- Sabe qual é o IVA das revistas de sexo? Se eu for buscar você vê aí? 
Ela andou que tempos às voltas, mas acabou por não encontrar a Playboy, a única revista que pode ser considerada de sexo naquela loja. E eu também não me ofereci para lha mostrar.
- Não as encontrei, mas eu volto noutro dia com mais tempo. Pode ser?!?
Claro que pode... se me quer arranjar material para o blog... venha todos os dias, que eu não me importo nada.

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Quem me conhece sabe que eu não falo baixo. Mas para os suíços.... eu berro!
- Escusa de falar tão alto comigo. Até fiquei com dores (não especificou onde).
- Peço desculpa mas não tenho um botão para regular o volume. (resposta dada depois de respirar muuuuuito fundo, literalmente)
... resmungos... mais resmungos....
- Quanto é que eu ganhei no loto?!?
- Eu já disse bem alto. Mas eu repito....

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- Mas eu não disse isso. Eu disse que vinha buscar o jornal no Domingo.
- Desculpe, isto é a minha letra. Eu escrevi o recado que me foi dado ao telefone.
- Ah. Mas eu falei com a senhora I.
- Pois, mas eu não sou a senhora I. Eu escrevi o recado que o senhor me transmitiu a mim e não à minha colega.
São estas reclamações sem justificação que nos podem tramar!!!!! Deu-me gorjeta. Se pensam que agradeci... devia ter era dado mais!!!!!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tás mal... muda-te...

Fui a um sítio hoje de manhã que me obrigou a atravessar a pé uma passagem de nível. Como a minha preguiça estava para lá de aguda, não usei a passagem superior e fiquei à espera que as cancelas abrissem. Andam em obras na linha, o que fez com que a abertura das cancelas demorasse para aí uns 20 minutos. Como estou de folga deixei a preguiça vencer. No entanto, nem todos podiam ou queriam esperar e tiveram que arranjar alternativas. Os carros deram meia volta e foram não sei por onde e as bicicletas foram pela passagem superior.
Mas um tipinho não estava contente e toca de falar mal da Suíça. Ele é africano (ele é que disse, porque o facto de ele ser negro não o faz ser de África) e fala alemão da Alemanha. E toca de dizer que na Alemanha é que era melhor (sim, os transportes públicos alemães comparados com os portugueses são bons, mas comparados com os suíços... é piada, não é?!?). E que a Suíça era antiquada. E que as pessoas estavam sempre a fazer referendos mas não criticavam aquela situação. Oh pá!!!! Saltou-me a tampa e mandei-o ir para a Alemanha. Já que é melhor... disse-lhe que não podia reclamar se tinha uma alternativa. Mas que não!!! Que a Suíça era atrasada.
Quem é que entende esta gente?!?! Vêm de países em que o conceito de segurança rodoviária simplesmente não existe. E reclamam porque as coisas aqui têm organização?!?! 
Os suíços não são santos, por vezes são passivos demais, mas... se vamos reclamar, vamos reclamar do que está mal e não do que simplesmente não nos  cai bem. 
Depois admiram-se se os suíços implicam connosco...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

E eu é que sou doida!!!

Os níveis de coisas estranhas sobem cada dia que passa naquele quiosque...

Como já disse numa outra altura, os cigarros por aqui são vendidos também em promoção. Chegam a ser 50 cêntimos de franco de diferença. Eu nunca fumei em promoção, mas tenho colegas que o fazem e garantem que não há diferença. Mas acreditam que há pessoas que recusam o desconto e ainda ficam indignados se lhes propomos que poupem um cêntimos?!?!?

Só que isso de maços de cigarros e dinheiro não fica por aqui. Há dias, uma cliente queria pagar e demorou uma eternidade a fazê-lo porque não encontrava o porta-moedas. Procurou, procurou, procurou até que finalmente o sacou do fundo da mala. Ah... espera... aquilo é um maço de cigarros!!! Sim, a senhora usa como porta-moedas um maço de tabaco. E não é como muitos fumadores fazem: cigarros dentro, dinheiro enfiado e entre a película externa e o cartão. Nãããããã... a mulher não era dessas... era mesmo o pacote vazio... se a moda peque, acabam-se os porta-moedas feitos de pacotes de leite...

Mas a bizarrice não se fica aqui. Eu tive que fazer um esforço descomunal para não me escangalhar a rir quando vi uma senhora toda bem posta a sacar da sua mala chique o seu porta-moedas de pele... não era dia de chuva, no entanto, a mulher tinha o porta-moedas enfiado num saco de plástico e, adereço dos adereços, preso com uma mola da roupa... vermelha... de plástico.

Isto é só gente fugida do sanatório.... só pode. E eu tenho que ver isto tudo sem me rir a bandeiras despregadas, para ver se não arranjo reclamações dos clientes e, consequentemente, problemas com a chefe...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

aquilo que as palavras não traduzem

Estou no comboio a caminho do trabalho e vou cá a pensar que o turno da tarde não é o que mais aprecio.
A loja fecha às 22h30 e confesso... o fim do dia não é o melhor para trabalhar ali.

Os sem-abrigo aparecem muito por ali. É um bom local para se aquecerem: podem entrar sem pagar e não são obrigados a consumir. Basta fingir que estão a ver o que vão comprar e como a loja é relativamente grande passam quase despercebidos.
No entanto, basta-me estar um pouco atenta e já começo a topá-los. Mesmo com aspecto limpo, há coisas que não nos passam despercebidas... como vagueiam pelo espaço, como olham para as coisas, só para terem para onde olhar...

A mim custa-me sempre ver os sem-abrigo, mas à noite... quando sei que vou para casa para o quentinho e eles vão ficar num canto qualquer da estação de Zurique... Mata-me!!!
Claro que as autoridades podem ajudar, mas quantos não se deixam ajudar?!?
Há ainda aqueles que poderiam voltar para os seus países, mas, por imensas razões, não o fazem. Mesmo que eles queiram ficar na rua... dói sempre, bem fundo e forte e tudo o que não se pode traduzir em palavras de qualquer língua, por mais completa que ela seja!!