quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Nós somos muito pequeninos

Anteontem mandaram-me ir buscar dois young pax. Young pax é um menor de idade que viaja sem acompanhamento de nenhum tipo, tem que ter X anos (depende da companhia aérea), tem que ser capaz de ir para o avião sozinho, não tem tratamento diferente no avião e tem que saber ir buscar as malas e sair do aeroporto de chegada sozinho.
Por saber isto tudo, revirei os olhos. Pensei que era uma paneleirada (mais uma) da companhia aérea.
Fiquei à espera que alguém do pessoal trouxesse os miúdos, sempre a pensar que estava com fome e que podia estar a comer em vez de estar ali. É que young pax tem esse estatuto precisamente para não se ter que andar com ele ao colo.

Entretanto chega um dos importantes da companhia, acompanhado por dois rapazinhos. Traz um saco de plástico na mão, tira de lá uns papéis e diz-me que é a documentação deles, acena aos miúdos e não me dá mais indicações.
Pergunto aos miúdos, English? Deutsch? Pela cara deles percebo que nem uma nem outra. Então começo com a linguagem universal: um sorriso rasgado e sinais para me seguirem. Chegamos a uma parte em que há uma passadeira eléctrica e eu nem pensei, fui por ali por ser mais rápido. O miúdo mais novo, de onze anos, agarrou-se a mim. Senti-me tão mal!! E nem sequer podia pedir desculpas porque ele não me entendia. Estamos habituados a miúdos de dois anos a conseguir...
Quando chegámos às escadas rolantes, optei pelo elevador. Eu não podia arriscar que um deles se esbardalhasse por ali abaixo.

No caminho até ao controlo de passaportes, fui olhando para a papelada deles. Fiquei a saber que uma folha dobrada em três, de um papel bem fraco, serve como passaporte de emergência para naturais da Etiópia. Fiquei a saber que um visto pode vir numa folha solta, separada de um passaporte. E fiquei a saber que eles viajavam com o apoio de uma organização humanitária.

Depois dos passaportes e da bagagem, fomos para a rua procurar quem vinha buscar os miúdos. Ninguém se destacava. Ninguém nos abordou. Lá fui pedir que chamassem a pessoa que ia buscar os miúdos. Mas não chegou a ser preciso. O mais novo (que também era o único a comunicar comigo) puxou-me pelo braço e apontou para um homem que caminhava a passo largo, todo sorridente, na nossa direcção.

Apertou os miúdos contra ele, com uma força, um carinho, uma emoção... tive dificuldades em controlar as lágrimas.

Como a história dos young pax era diferente do que estou acostumada, pedi uma identificação ao homem e, enquanto escrevia o nome dele na folha, vi que o senhor tinha o estatuto de refugiado.

E pronto... tudo fez sentido. Menos a minha mesquinhez por estar com fome e não querer ir buscar os young pax.

Realmente... nós somos mínimos.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

I like happy stories

Apareceram-me dois passageiros um pouco atrapalhados com uma situação  para fazer o check-in.
Tinham-se esquecido de uma coisa importante e não sabiam como fazer. Eu recomendei que fizessem o check-in das bagagens, pois o que faltava era bagagem de mão. Assim, ficavam com as bagagens de porão despachadas e quando chegasse o que faltava só precisavam de correr para a porta. E se por acaso a coisa não chegasse a tempo era possível remarcar para outro vôo.
Fui falar com o chefe, expliquei a situação. Ele é um querido e foi ele que me deu a ideia de eu acompanhar os passageiros à porta. Assim podíamos passar pela porta rápida do staff.
Dois minutos depois telefonou-me e disse-me que eu tinha que fazer pausa e que iria ser complicado por causa dos passageiros.
Eu disse que não havia problema, eu iria com os passageiros até à porta mesmo que perdesse uma parte da minha pausa.
E assim foi. Uns minutos depois apareceu o que faltava, fomos para a porta de embarque e quando chegámos o embarque estava quase no fim.
Mas eles conseguiram!!!
Fartaram-se de me agradecer, mas... que podia eu fazer? Eles vão para as Seychelles casar... Não podia ficar parada sem ajudar. O que é a minha pausa comparada com um dia de casamento?!?
Eu espero que eles tenham uma óptima viagem e que se divirtam muito na festa.
Isso é o mais importante de tudo. 😍

 E quase que me esquecia... também tive direito a guloseimas do casamento. :)



sábado, 18 de novembro de 2017

Graffiti 2017

Algures nalguma pasta perdida no computador há graffitis de outros anos. Mas até eu ter vergonha na cara... ficam os deste ano...

Se eu aprendi bem numa visita de estudo em Nova Iorque, estas quatro fotos têm vários throw-up ou throwie.

Aqui estas duas... sei lá como se chamarão, mas são nos edifícios do costume, perto da grande parede...


E já que estou numa de arte, coloco a qui a vedação da incineradora da cidade. Eles sempre foram dados para as artes. Tiveram durante anos um graffiti com o nome de cidade e dentro das letras podia ver-se a linha de horizonte da mesma. Depois das obras, a pintura foi à vida, mas veio a cerca da polémica. Ainda são uns bons metro de rede "malhasol" assim para o torto. Custou uma pipa de massa e gerou discussão durante teeeeeempos infinitos. Apesar de tudo, acho-lhe um piadão e pergunto-me se foi a empresa do edifício onde fazem os graffitis todos os anos que forneceu o ferro... (a parede pertence a uma empresa de armar ferro para vários tipos de estruturas: placas, escadas, etc. o ferro é montado conforme a necessidade, sai dali e quando chega ao local é só enfiar betão por cima.)


terça-feira, 14 de novembro de 2017

Prendas venenosas

Aqui na Suíça há uma cadeia de supermercados MUITO bem sucedida que não vende álcool. A cadeia foi criada há muitos anos e já nessa altura tinha uma perspectiva muito social: empregava alcoólicos em recuperação. Para que não caíssem em tentação, o álcool nunca entrou nas lojas e/ou carrinhas de distribuição.

Uma farmácia, quatro livrarias (uma delas online), um supermercado, o meu fisioterapeuta, uma óptica portuguesa e outra suíça, a companhia de telemóvel portuguesa e mais umas quantas empresas e serviços mandaram mensagem de aniversário. A maioria oferecia qualquer coisa.

No entanto, na minha perspectiva, só as instituições suíças ofereciam realmente qualquer coisa. Um desconto numa compra até não sei quando. Sem contrapartidas. Já nas empresas portuguesas, havia uma contrapartida: se eu comprasse X euros de produtos, teria um desconto de 5 euros. Quem não precisa comprar nada naquele momento... das duas uma, não usa o "presente", ou vai comprar desnecessariamente para poder gozar o "presente".
Oh pá... "eu dou-te uma fatia, se me ofereceres um bolo"?!?!? Nop... isso não é um presente para mim. Mas pronto... consigo tolerar estas "prendas". Quanto à do supermercado... a coisa já muda de figura...
Aquele que dizia que não tinham cartões nem complicações, propôs que eu comemorasse o meu aniversário desta forma: comprava lá o bolo e eles ofereciam o espumante. Eu parei nesta palavra- Não sei se o bolo tinha que ter tamanho mínimo nem de que marca era o espumante. Mal eu vi a palavra, ceguei.

Será que uma cadeia de supermercados não tinha outra forma de dar o ar de sua graça no aniversário dos seus clientes?!?! Um talão de desconto, por exemplo. Nem que fosse daqueles de compre 200 euros e receba cinco de desconto.
É que o espumante... ultrajante. A cadeia de supermercado, ao oferecer isto, acabou a excluir muita gente: todos os que não bebem álcool por princípio, por questões de saúde e até pela sua religião. Mas mesmo sendo bastante discriminatório, não é esse o grupo que mais me preocupa... e os alcoólicos (em recuperação ou não)?!? Disponibilizar assim de borla, de forma tão fácil uma garrafa de champanhe... não será um risco?!?!

Sim, eu tenho a mania de exagerar e ver tudo muito negro. Mas... o alcoolismo é uma doença. Nem toda a gente tem força para lutar contra um problema tão sério. E arranjar uma garrafa de espumante de forma tão simples... no dia de aniversário em que... pronto... é só um golinho... um dia não são dias... só se faz anos uma vez por ano... só se faz 35 anos uma vez...
não sei, não sei... acho que o pessoal do marketing em Portugal precisa de abrir os olhos e analisar mais à sua volta em vez de fazer ofertas parvas destas...

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Da mobilidade e da independência

Mais para trás, mais para a frente. Mais no meio do cais, mais resguardado. Eu já tinha visto este objecto amarelo em muitas estações. Não percebia a sua função. Mas sabia que era bem mantido. Vi, em diferentes estações, funcionários a olearem ou simplesmente a limpar aquela coisa. Mas para que serviria?!
Demorei uns anos a perceber.

Mas, antes de responder a esta pergunta, tive que responder a duas que me surgiram numa viagem de comboio. Mas como é que este homem vai sair do comboio? Quer dizer... como é que ele entrou no comboio?
Aquele hoje estava numa cadeira de rodas. Viajava sozinho. E o comboio era dos velhos (velhice relativa, comparada com outros países), o que significava ter dois ou três degraus para se subir ao entrar.
Como é que um homem, sozinho, tinha subido as escadas, se estava numa cadeira de rodas?!?

Quando chegámos à estação de saída dele, eu percebi. E percebi, finalmente, que para que servia aquele objecto amarelo, presente em muitas estações de comboio: era um elevador para subir e descer pessoas em cadeiras de rodas.

Eu não sei exactamente como se procede para obter este serviço, mas ele está presente em todas a estações de comboio onde passam comboios mais antigos, cujo acesso não é directo para a plataforma.

Na altura vi o serviço a ser prestado, mas só hoje tive oportunidade de fotografar parte do processo.
Dois homens, um elvador e alguém que não ficou fechado em casa porque não tem como se deslocar.
 Uma coisa tão simples, que faz uma diferença do tamanho do mundo na vida das pessoas.
Tanta coisa que é copiada daqui e dali, e por que não copiar esta para outros sítios?

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Da consideração

Quase sempre que a minha Maria vai de férias acontece qualquer coisa e ela tem que ficar mais uns dias. Os patrões dela são flexíveis e basta uma mensagem para os avisar.
Desta vez foram os fogos que prenderam a minha mãe. Ela ficou tão abalada que fui eu que avisei os patrões, por mensagem mesmo.
Todos começaran por lamentar. Depois disseram que a minha mãe podia ficar o tempo que precisasse porque eles podiam também limpar a casa. Todos perguntaram se tínhamos perdido muita coisa e em que poderiam ajudar. Uma mostrou-se logo disponível para fazer uma transferência bancária, se fosse preciso.
Palavras de alento, que enchem o coração.

Mas a patroa mais interessante foi a A.. Ela estava de férias quando eu mandei mensagem, mas logo que regressou mandou nova mensagem para saber como estávamos e se me podia telefonar, para falarmos melhor. Lá falámos. Expliquei que, dentro do azar, nós tínhamos tido sorte, porque ""só"" nos ardeu um pinhal. Expliquei-lhe como estava a aldeia e a cidade. Ela perguntou como se escrevia. Para ver na internet. Não porque duvide da minha mãe, mas para ver a realidade.
Depois de explicar tudo e de a acalmar (ela é uma querida, emociona-se muito com os problemas dos outros), lá lhe disse que agora era esperar perla natureza.
E antes de desligar, aconteceu o mais agradável "obrigada por me contares o que se passou". Sim, ela agradeceu por eu ter desabafado com ela.

Perdemos alguma coisa, a minha mãe apanhou o susto da vida dela, mas... estas coisas simples... enchem e apaziguam a alma.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Wald

Só esta semana é que se começou a sentir mesmo o Outono. As cores garridas da época já apareceram há muio, mas tem estado calor.
No entanto, com ou sem calor, as exposições das abóboras foram feitas nos sítios do costume. E, como de costume, lá fui eu vê-las. Este ano o tema é a floresta (Wald). E, como sempre, a criatividade estava lá.






   






domingo, 22 de outubro de 2017

A normalidade da anormalidade

Quando voltei a trabalhar no aeroporto levei um gozo daqueles. Eu não tinha whatsapp. Como é que podia ser?!?!?
Depois de gozarem bem o prato, dissesram-me que era importante eu ter essa aplicação, pois era uma forma recorrente de comunicação na empresa.
Então, lá vai a totó a uma loja, quero um telemóvel que possa levar a tal aplicação, mas quero um modelo simples, porque eu não percebo uma porra de tecnologia. A senhora riu-se comigo e lá me recomendou um telemóvel.
Depois de pagar uma fortuna (300 francos por um telemóvel é uma fortuna, bem... por um telemóvel, qualquer coisa acima dos 100 já é uma fortuna...), fui para casa instalar a coisa. Só faço merda com aquilo... mando mensagens para as pessoas erradas, não percebo nada dos bonecos e sei lá mais o qué. Mas se era preciso...

Só que... afinal... no check-in... o pessoal usa as  velhas mensagens. E o meu aplicativo está mais activo nos perdidos e achados. Mas... (olha adversativa)... o chat, que devia ser de trabalho, serve para quase tudo, menos para falar de trabalho. Mensagens parvas... todos os dias. Mas a coisa escalou de tal maneira que comecei a ter vergonha de abrir o meu whatsapp na rua. Aquela canalha usa a aplicação para enviar pornografia. Siiiiim... o chat com o nome da firma tem a maior utilidade para vídeos e mensagens pornográficos.

Não sou uma púdica, mas... não exageremos. Será que eles achariam piada se fossem as mulheres e as filhas deles a receber mensagens do género?! Eles acham mesmo que eu tenho que aceitar isso só porque de vez em quando (muito de vez em quando) aparece uma mensagem  de trabalho lá no meio?
Eu acho que não. Portanto... adeusinho... saí do grupo. Quem quiser falar comigo sobre trabalho que me mande uma mensagem, um email ou telefone...
Cambada de anormais!!!

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Coitadas das árvores

A minha mãe herdou meia dúzia dúzia de terrenos. Uns de cultivo e outros de pinhal. As propriedades dela são minusculas e só dão despesa. Sempre que vou de férias lá ando eu a fazer por manter os terrenos limpos. Umas coisas faço eu, oitras arranjo quem faça e pago. Quando é a vez de ela ir de férias, ela dá continuidade ao meu trabalho. Os pinhais, pequenos e com um.eucalipto ou outro  qur nasceu de uma semente trazida num bico de um pássaro, vão sendo limpos conforme a necessidade. Se encontramos um pinheiro seco tratamos de o mandar a baixo para não pôr nada nem ninguém em risco. Não são latifundios, mas temos orgulho naquilo.

Este fim-de-semana a tragédia chegou até nós. A minha mãe acordou com a luz do tablet que se acendeu porque estava carregado. Como foi para a cama a pensar nos fogos, nem pensou que o clarãp era dentro de casa e com o susto veio para a rua. A sorte dela e doz vizinhos! Caiu uma fagulha em frente à casa da melhor amiga dela. Com muitos gritos acordou a vizinhança e conseguiram evitar a tragédia. Na Segunda-feira, resolveu passar junto a um dos nossos pinhais. Todo ardido. Bem.como o carvalhal que estava ao lado, bem como um souto que estava do outto lado. Salvaram-se as casas. Mais nada. 

Não havia eucaliptos por ali. Por isso é que me revolta que culpem os eucaluptos. Não digo que os eucaliptos não ajudem na seca e em tudo o resto. Mas... não, eles não ardem sozinhos. A culpa é primeiramente de todos nós. Os que não limpam as matas, os que não fazem ordenação do território, os que fazem queimadas, os que não controlam tudo o que é necessário controlar: se a mata está limpa e ordenada, se há incendiários, se as bocas de incêndio existem e estão a funcionar...

Dentro da minha aldeia havia uns eucaliptos gigantes. Eram precisos vários homens para abraçar um. Eram um ícone da aldeia. Debaixo deles faziam-se as festas de S. Pedro, com churrasco e fogo de artifício. Nunca arderam. Só saíram de lá porque um caiu em cima do cemitério e tiveram receio que algo pior acontecesse com os outros. Se calhar até a queda poderia ter sido evitada, mas não adianta perder tempo a falar disso, eles já lá não estão. No entanto, falo deles para mostrar que a zona, mesmo com todos os factores de risco, em tempos idos não ardeu. E agora... que não há eucaliptos nem festa de S. Pedro (é em Junho, para quem não sabe), aquilo ardeu e as pessoas viram-se e desejaram-se para salvar as casas.

Não, os eucaliptos não são a razão para a tragédia de Pedrógão. Não, os eucaliptos não são a razão para a tragédia deste fim-de-semana. Não, os eucaliptos não têm culpa. Porque ainda não se provou que existem árvores de se destruirem por autocombustão.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Artista ou algo assim...

Estou com preguiça para ir saber quem é a senhora Méret Elisabeth Oppenheim, que tem a sua cara no .ch.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Quase um ano

Costuma ser no início do Verão que chegam as cartas para levar o meu animal de estimação ao veterinário. Este ano a coisa atrasou e eu tive que ligar para o hospital para saber como era. Afinal estávamos em troca de neurologistas e o serviço estava meio bagunçado...
Entretanto marcaram-me uma ressonância para Agosto e uma consulta para saber os resultados em Setembro.
Fui lá ontem e conheci a nova neurologista. Uma consulta muito básica, o que seria de esperar, para saber o que eu já suspeitava: está tudo bem (ufa!). Para o próximo ano, em Setembro, fazemos nova ressonância e consulta. Bom dia! E deu-se a consulta por terminada.

Hoje a minha mãe teve que vir a casa a meio do dia. Quando subiu, trouxe a correspondência da caixa de correio. Tens aqui uma carta do hospital. Que raio?!? Estive lá ontem, que quereriam eles?! Abro a carta a correr porque estou quase a sair para o trabalho e bato com os olhos em MRI (sigla para ressonância magnética) e em 3.9. Huh?!?! Estamos a 27 de Setembro... a ressonância foi feita o mês passado... Volto atrás e leio com mais calma. Ou seja, a não ser que aconteça uma calamidade qualquer, já sei que Segunda-feira, dia 3 de Setembro de 2018 (lá sabia eu que dia 3 era uma Segunda), às 16:15, tenho que me apresentar na Radiologia com um formulário de saúde preenchido (já apenso à carta).

De volta em vez eu penso em voltar a Portugal, mas depois... a depois aparecem estas coisas e fico com medo de ter uma doença na minha própria terra... é que... falta muito

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Não é sonho...

Quando eu ainda morava em Portugal e dizia que se podia fazer algo novo, em relação a qqualquer tema, a resposta era que eu tinha a mania de sonhar. As mesmas pessoas que declamavam o sonho comanda a vida eram as primeiras a criticarem os meus sonhos...
Depois que vim para Suíça a coisa ficou pior... agora já não sonho. Agora tenho a mania que sou suíça.
Oh por favor... desde que eu tenho memória que eu sempre fui uma activista. A Suíça não mudou isso. A única coisa que a Suíça mes fez foi confirmar que eu tenho razão. Que muita coisa que eu penso não é sonho e pode tornar-se realidade muito rapidamente.

Andam a fazer obras na estação de comboio aqui ao pé de casa. Fizeram buracos, colocaram bases para postes, alcatroaram, fizeram buracos noutros sítios, colocaram guias para cegos... a obra é grande, para uma estação tão pequena, mas vai ficar tudo nos trinques...

Hoje estava para apanhar o comboio quando não vejo esta cena estranha.

Que raio se tinha passado com o xandeeiro?! Depois percebi. O candeeiro, que também serve de suporte para os altifalantes, tem uma "capa" que permite que os cabos estejam protegidos, mas também, em caso de necessidade, seja possível aceder-lhe rapidamente.
Isto faz com que se possa tem um poste com diferentes utilidades, sem ser preciso um monte de postes espalhados. Faz com que qualquer avaria seja resolvida rapidamente. E, mais importante, sem ser preciso esventrar postes ou esburacar chão a cada mês...

Assim, eu não imaginei um poste com dobradiças, mas também não estou maluca quando digo que é possível fazer uma coisa tão simples como, exactamente, um poste com dobradiças...


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

pRástico e mais pRástico...

Ele parecia o boneco namorado da boneca anatomicamente impossível de existir. Lábios de plástico, bochechas de plástico, testa de plástico. Muito simpático. Sem manias (o que, confesso, me surpreendeu pela positiva).
Pedi-lhe um documeto de identificação. Começou a tirar folhas tamanho A4 todas laminadas. E deu-me uma. O que era aquilo? Não, não era um documento. Era nada mais nada menos do que a reserva de avião impressa directamente de uma página de vôos baratos. Plastificada!!!!!

Siiiiim... o homem gastou dinheiro para imprimir cada folha necessária para a viagem. Siiiiim... o homem fez um atentado ecológico daquele tamanho...

E eu tive que ver, sem saber se me desatava a rir ou lhe batia por tamanha barbaridade... será que o silicone lhe queimou os neurónios e pensou que ia de barco?!?

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

nem nisto escapo...

Quando estou a trabalhar, o meu almoço ou jantar (depende do turno) é composto por uma boa sandes e um cappuccino. Não é o melhor do mundo, mas nunca tenho vontade de comer um prato de comida quente. Na hora fico saciada e acabo por reforçar a refeição poucas horas depois quando chego a casa, portanto, não estou muito mal.
No entanto, deve ser uma enorme preocupação para esta gente saber se me alimento bem ou não. Não é que, sempre que regresso da pausa, tenho um polícia das refeições a perguntar-me o que comi e onde?!?!
Mas porquê?! A fome é minha, o estômago é meu, a carteira é minha... que lhes acrescenta ou tira saber esses pormenores da minha vida?!?!?

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

oh paciência...

Eu a pensar que a telenovela (aqui e aqui) já tinha acabado...
Estava muito concentrada a passar uns apontamentos a limpo e aparece a L. a sacar nabos da púcara. Ah e como é que está a tua situação com a S.?!?! Eu disse-lhe que já estava acabada. Ah eu não teria reagido como tu. Como ela se comportou não se aceita. Eu não queria continuar a conversa. Além de querer acabar os apontamentos, o meu assunto com a cabra está acabado. A outra não leva de mim um bom dia, se for preciso falo de trabalho com o bicho e é tudo.

Mas L. insistia. O chefe estava do outro lado e ouvia a conversa. Não se manifestou. (ai dele!!!) Eu disse-lhe que não entendia como é que ela sabia do assunto se ela não estava a trabalhar nesse dia. A mania de andarem a falar dos assuntos dos outros e de tentarem sacar as coisas quando eu já lhe demonstrei CLARAMENTE que eu não quero cá dessas confianças.
Se eu não puxei o assunto no dia a seguir ao que se passou, por que raio quero eu falar disso duas semanas depois?!?!?

A sério que eu não consigo encontrar uma equipa de adultos?!?!

sábado, 19 de agosto de 2017

É possível...

Estamos naquela altura do ano em que tenho que levar o meu animal de estimação a fazer o veterinário.
Há dias mandaram-me a carta para ir à radiologia fazer a ressonância. Vinha o inquérito da praxe, sim, tenho metal no corpo, não, não estou grávida nem a amamentar. E vinha um mapa de acesso à radiologia.
Como houve umas alterações na gestão, pensei que fosse nova regra e nem 2 segundos dispensei àquilo. Resultado: a frente do hospital está em obras, tem que se dar uma volta enorme e eu cheguei mesmo em cima da hora...

Quando saí, tive tempo para reparar nas estruturas provisórias que servem de acesso ao hospital até que as obras estejam concluídas.
Como a entrada do jardim do hospital fica desnivelada em relação à entrada do edifício, construíram umas escadas e um elevador para chegar lá. A farmácia também teve que ser deslocada e ganhou as suas instalações provisórias. E eles nem das árvores se esqueceram e embrulharam-nas para não se danificarem durante as obras.



Tendo em conta a dimensão da obra... eu pergunto-me por que é que não será possível fazer igual em outras obras em outros países...



terça-feira, 8 de agosto de 2017

Long live os sem tomates

E lá fui eu falar eu com o chefe por causa da outra croma do Domingo.

Ao tentar resolver a minha vida ainda tive que ouvir umas coisas como se fosse culpada do que se passou.
Porque eu não conhecia a pessoa ao telefone. E?!??! O facto de ser uma desconhecida dá-me o direito de lhe desligar  o telefone na cara da pessoa?!
Ah porque eu levo as coisas de forma pessoal. Se é o meu trabalho de que forma hei-de levar a não ser a pessoal?!?

Durante as férias do chefe ela fez merda da grossa no check-in e foi proibida de trabalhar para uma companhia aérea. O chefe ainda não tinha falado com ela e já estava eu com mais um problema?!? Resultado: tudo em águas de bacalhau porque o chefe tem peninha da menina.
Para mim, aquilo era resolvido com um aviso escrito. Mas o chefe quer ser um porreiro e o resultado foi o mesmo que nada.

Cada vez mais tenho aversão a gente sem coluna.

domingo, 6 de agosto de 2017

Parece mentira, mas não...

O que eu vou contar parece tirado de uma comédia de mau gosto. Mas eu juro por tudo o que queiram que é verdade.

De manhã, pouco depois de um certo avião partir telefonaram para os perdidos e achados. Como não havia muito que fazer, achei que não faria mal atender.
Uma senhora, alemão correcto, voz doce a cair para o insegura, educada e meiga. Queria saber onde podia ir buscar as malas do namorado que tinha perdido o vôo que o levaria a outra cidade de onde partiria para África.
Eu não sei se eram os nervos, se era a ligação telefónica ou se a senhora era simplesmente lerda. Só sei que tive que repetir várias vezes a mesma informação. Eu já estava a ficar entediada, mas estava também a preparar-me para repetir. Uma vez mais...
Quando não vejo, num repente, a mão da minha colega de trabalho a voar por cima do telefone e a desligar-me o telefone.

Sim. Juro que isto me aconteceu hoje.
Se eu tivesse a falta de controlo que eu tinha na adolescência, eu não estaria aqui a contar isto. Estaria detida nalgum sítio porque aquela grande cabra estaria no hospital a recuperar de um coma. Porque, pela primeira vez na vida, uma pessoa despertou em mim a vontade de bater, bater, bater, bater até ficar com as minhas mãos em ferida. Pela primeira vez na vida alguém despertou em mim uma coisa realmente assustadora. E feia. Nunca me tinha sentido assim!

Ao mesmo tempo, deixou-me tiste. Muito triste. Que mundo de merda é este? Vale mesmo a pena estar nele?!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Feriado

Porque hoje é Primeiro de Agosto.


terça-feira, 18 de julho de 2017

Escrituras

A televisão é o que toda a gente sabe. Passados mal pronuciados, clíticos mal colocados, sujeitos que não concordam com verbos que por sua vez não concordam com complementos. E agora a moda nova de tratar os entrevistados mais novos (por vezes menos novos) com uma familiaridade que eu não tenho com o meu vizinho que conheço há nove anos.

Depois aparecem as redes sociais. Com algum receio que o computador avariasse com tanta asneira, copiei alguns exemplos:

Bom dia!Visitem a minha página e deiam uma olhada nas minhas creacoes. Se estão interessados mandem me mensagem privada. Obrigados e boa continuação de um bom dia

Karaoke de facil utilisaçâo em disco duro.

Me envie um e-mail e você terá uma resposta ...
para sua pedido de empréstimo dentro de 2 horas:


Na Rua do Loureiro, há uns anos foram erradamente aplicadas, apesar da contestação dos habitantes, bandas sonoras aparafusadas.


Dirijo-me a todos aqueles que ajuda a resolver os problemas de contas, as pessoas que foram rejeitadas pelo banco, de acusação e de outras áreas, se necessário, entre em contato comigo sobre este e-mail: 


OLÁ um ótimo fim de semana .Vivem a Vida sejam Felizes na condição de fazerem os outros Felizes BEIJINHOS doces lindas.

Já sei, já sei... eu devia ler. Mas... só naquela... eu leio. O que se passa é uma frustração permanente. É frustrante ler ao abrigo do aborto ortográfico que, por vezes, me obriga a voltar uma página para trás para compreender que é "pára" e não "para".
E como se não bastasse essa coisa decidida de forma categórica por uns velhos chalupas e vendidos, agora tenho que apanhar com a moda do não tem que ver. 

Tu tens que fazer os trabalhos de casa. Tu tens de fazer os trabalhos de casa.
São formas discutíveis. Eu costumo usar a primeira. Além de uma professora na faculdade ter dito que neste contexto não há diferença, ainda não encontrei nada nem ninguém a provar que estou errada.
Assim, podemos dizer que a frase Ele não tem nada que ver filmes violentos. não está errada.
No entanto, Ele não tem nada que ver com o assalto. já é outra conversa e a escolha da proposição é mais grave do que um assalto, pois é um assassinato à nossa língua.

Não sei, está cada vez mais difícil. A televisão foi com os porcos há anos, as redes sociais... acho que nunca chegaram a ter credebilidade suficiente. Agora os livros... estão a dar-me cabo do juízo. É que dar 20 euros por um livro mal escrito... é quase como deitar dinheiro fora. :/