sexta-feira, 5 de agosto de 2016

atraso

Quem pensa que trabalhar no mundo da aviação é só rosas é porque vive no tempo em que a passarola ainda não tinha sido inventada...
Os sapatos de salto obrigatórios que arruinam qualquer pé são o menor dos problemas...
Esta semana era para ter Segunda e Terça de folga e trabalhar até se Seguda da próxima semana. Afinal... no dia 1 telefonaram-me e eu não ouvi. Paciência, pensei eu. Na Terça ouvi o telefone. Ai que azar...tudo desesperado. Bem que queriam que eu entrasse mais cedo. Mas era impossível... não tinha comboio. Foi das 13h até às 21h30. Sem pausa. E quando digo sem pausa é mesmo sem pausa para roer um caramelo!!!
O facto de Amesterdão ter 9000 malas encravadas deu cabo também do sistema noutros aeroportos e Zurique não foi excepção. A coisa estava tão encrencada que dois chefes grandes desceram às catacumbas para ajudar. E lá andavam os engravatadinhos com luvas de trabalho a suar as estopinhas como toda a gente...
Ontem comecei às 5h45 da manhã e acabei na hora prevista. Durante o turno ficou-se a saber do problema do Dubai e que o vôo da noite estava cancelado. Apesar disso tudo, pensei que ia ser tudo relativamente traquilo. Quanta ingenuidade!!!!

Hoje começam por me pedir que fique mais um pouco depois da hora e vá fazer o desembarque do avião que ia chegar do Dubai. Como estava atrasado... eu teria que adiar ainda mais a hora de saída.
Correu tudo mal... o pessoal das cadeiras de rodas atrasou-se. Depois uma cadeira estava estrgada. Parece que não, mas isso influencia tudo... os passageiros não saem, a crew não sai. A crew não sai, fico eu à espera ad  eternum até poder fechar o gate... Havia um boneco perdido no avião, passei nos perdidos e achados para entregar. O meu chefe duplica-me para ficar. Só faltam 300 malas no avião!!!!! É preciso fazer relatório disso tudo...
Mas nestes entremeios já me tinham pedido para começar a trabalhar mais cedo. Primeiro às 12h. Depois às 7h30. Qualquer coisa por causa do vôo da manhã para o Dubai.

E pronto... aqui estou eu exausta, mas sem conseguir dormir, a imaginar como será o meu dia de loucos amanhã... quer dizer... daqui a 6 horas e pouco...

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

mais um...

Aniversário que aqui a Confederatio Helvetiae comemomira no dia de hoje. :)

A propósito do chocalho da imagem... sabiam que os sinos usados em certas competições dos Jogos Olímpicos são feitos aqui na 'ilha'?!?

terça-feira, 19 de julho de 2016

Eu tenho dois trabalhos...

Como seria de esperar o trabalho no check-in é uma anedota pegada, no que aos passageiros diz respeito...

Gente simpática, gente antipática. Gente carregada como burros para dois dias de viagem. Gente que complica o simples. Gente que gasta uma fortuna por causa de meia dúzia de quilos a mais (um velhote pagou mais de 800 francos por cerca de 10kg!!! [os zeros estão correctos]). gente que me compra chocolates como agradecimento por eu devolver um papel importante... um pouco de tudo mesmo.

Mas não contentes por me terem no check-in, a empresa resolveu colocar-me nos perdidos e achados. Outra coisa bem divertida (e claro, bem cheia de coisas para aprender) e assim parece que tenho dois trabalhos, mas só tenho um uniforme e um empregador... E tal como o check-in... gente de todo o tipo.
Hoje comecei o dia com um asiático, residente em Hong Kong, mas com passaporte australiano a chatear-me o juízo. A minha vontade era mesmo apertar-lhe o pescoço. mas... era demasiado grande para esconder o corpo... :p
Mas o dia foi rematado de uma forma muito agradável. Um convite, repetido várias vezes, para eu e o moço da cadeira de rodas (o senhor já era velhote) irmos passar férias ao Irão. Podíamos ficar em Teerão e depois ir para a villa dele não sei onde. Se eu lhe telefonasse daqui a uns tempos a dizer que ia, sei que o velhote me trataria como rainha. E só o facto de saber isso já me compensou a falta de horas de sono e o anormal do ausi...

sexta-feira, 8 de julho de 2016

há vitórias e vitórias....

Ontem, pela primeira vez num mês, fiquei triste com o resultado do jogo. Torci pela Suíça enquanto ela esteve dentro. Depois mudei para a Alemanha quando aquela saiu.
Tenho uma tendência em simpatizar com os menos fortes ou com os menos favoritos. Daí a Suíça. Depois os alemães porque Portugal não merece este Europeu. Empatar com A Islândia?!? Resolver praticamente tudo a penalties?!? Eu estava à espera de muito mais.
Se Portugal ganhar vai ser como Oscar do Leonardo di Caprio. Merecia-o noutras alturas, neste ano... eeeeeh....

Acho muito feio ouvir dizer, não faz mal se jogarmos mal. O que interessa é ganhar. Tem piada jogar bem para ganhar. Não há grande glória num título mal ganho.
Ah! mas se fosse outra equipa a jogar mal e a ganhar... a coisa mudava de figiura e as vozes iriam levantar-se e iriam dizer que o urso é que devia ter ganho o Oscar.

domingo, 3 de julho de 2016

sem palavras...

Eu sabia que o novo chefe da loja não percebia muito do assunto. Mas não imaginava que percebia tão pouco...
Este fim-de-semana há festa rija em Zurique. A Züri Fäscht atrai milhares de pessoas. Durante três dias pode-se beber, comer, dançar, andar na roda gigante, no carrocel... pels ruas de Zurique, com especial incidência nas margens do lago.
Muitos aproveitam para meter mais uns cobres ao bolso e mantêm as portas abertas mais tempo.
O atrasado mental que assumiu o comando da loja onde trabalhei já tinha dito que queria as portas abertas nestas alturas. E toda a gente disse que era um erro. Mas ele insitiu e lá tinha as portas abertas depois da meia noite. Na lojita do lado (um oitavo, ou menos, do tamanho da loja) era uma fila enoooooooorme. Quatro empregados e a patroa e sempra a andar.
Na outra... o chefe e um cliente à espera que chova. Paletes e paletes de bebidas que ele não vai vender até amanhã. É triste. Muito triste. Um homem com um filho pequeno em casa, tem necessidade de estar a olhar para "antonte" numa loja vazia? Ele não ganharia mais com as luzes apagadas, a porta fechada e uma boa noite de descanso?!?

É assustador ver as pessoas a serem ganaciosas, não escutarem o que os outros lhe ensinam e destruirem as coisas que outros construiram. Eu não me devia importar, mas... eu adorava aquilo e dói ver a negligência dos outros...



sexta-feira, 1 de julho de 2016

as coisas da aparência e a aparência das coisas

O M. tinha um fascínio qualquer pelas minhas unhas. Eu gosto de cores escuras, mas o roxo e o azul são as minhas favoritas. E eram essas mesmas que o deixavam extasiado. Oh! As tuas unhas estão azuis. Oh hoje são roxas. A sério que pintaste de duas cores?!? Juro que nunca vi nada assim. Lembro-me que num dia dessas admirações os olhos dele brilhavam com os restos de um verniz roxo. No dia anterior tinha rebentado com a manicure, mas cheguei tão tarde e tão cansada a casa que me recusei a pegar na acetona... então lá tinha aquele matulão de barba rija a admirar com aqueles olhos lindos aquele atentado à estética básica. Como eu referisse o facto de o verniz não estar em condições, ele arranjou logo uma solução pinta por cima. Dava se fosse uma unha ou outra, mas 10... devia ficar lindo e expliquei-lhe isso. À noite arranjei as unhas e no dia seguinte ele ficou contente com a nova cor... :p

Na empresa onde trabalho agora há vários códigos. De conduta e de uniforme são dois deles. Duas coisas ridículas tendo em conta a qualidade reeeeeeeeeles do uniforme e as contradições entre tópicos da conduta!!! Mas isso fica para outra altura. Hoje centro-me nas unhas e nos vernizes. 
Logo na entrevista de trabalho percebi que o M. nunca se iria fascinar com a minha manicure. Transparente, francesa, vermelha, sempre unicolor, sem aplicações ou então nenhum verniz. Lá se vão as minhas 50 nuances de azul e roxo!!!!
Não é que fique radiante, mas também não vou deprimir por isso, assim, lá aceitei a condição. 

Mas... não contentes com a explicação na entrevista e com a descrição exaustiva do livro sobre o uniforme, resolveram fazer-me perder um dia num curso sobre grooming (outra anedota, para outro dia) e sobre as regras do uniforme. Aperece-nos um impertigada para falar da cor das meias, da utilização de sutiãs, como atar o cabelo, cores de batons, utilização de jóias e claro... de vernizes. Repetiu o que estava no livro e o que já me tinham dito antes. Frisou que aquele curso era para os novos aprenderem as regras.

Depois desse dia... que vejo eu?!?! Uma das supervisoras com cstanho-chocolate nas unhas. Uma funcionária com unhas de gel laranja fluuorescentee, como se não bastasse, com dois brilhantes nas unhas dos dedos anelares. Mas de tudo... o que relmente me chocou foi o estado da manicure de uma funcionária.
Eu toda atrapalhada por ter as unhas escavacadas depois de andar a trabalhar um dia inteiro na estufa. E ela... com uns unhacos num estado mais lastimoso, toda descansada...

Para que raio serve o código afinal?!? Só para chatear os novatos?!?! Sou das que defende que uma pessoa não é mais competente pela forma como se veste ou maquilha. Mas... ou bem que tem naquilhagem/manicure decente ou bem que não tem nada....

Ao menos a gaja que fizesse o que o M. me sugeriu. Mesmo ficando um verniz irregular, tenho a certeza que não iria ser tão nojento.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

um roubo que é uma comédia

Como seria de esperar, na minha vida só acontecem cenas maradas...

O estúpido do futuro chefe estava de saída (já ia tarde) e veio comentar que apanhou um a tentar roubar. Contei umas aventuras com roubos e tentativas de roubos. E nem meia hora depois já temos mais um a roubar.

Veja-se a estupidez dele: enfiou a revista na parte de trás dos calções e andava meio aninhado a ver outras revistas. Claro que a t-shirt se levantava e a revista ficava à mostra. Quando ele saiu da loja, eu fui atrás. Mas o gajo corria bem... como ando com uma dor insuportável nas costas confesso que também não tentei fazer um sprint. No entanto, o que realmente me fez parar foi um ataque de riso que me deu.
O gajo tinha um cão (coitado do bicho!!!!) que não o conseguia acompanhar, por isso o pobre do animal ia praticamente a ser arrastado pelo animal de duas patas. Depois os calções iam a cair-lhe pelas pernas abaixo (não percebo como, pois ele até tinha cinto). Então, agora tem piada, agarra nos fundilhos com as duas mãos e continua a correr de uma forma altamente desengonçada.
Visto de trás... parecia uma cena tirada de um episódio do Mr. Bean. Ri-me tanto e tão alto que não me dei ao trabalho de continuar a correr. A empresa não vai falir. Além disso... amanhã é o meu último dia. Por isso... who cares?!?!

interrogatórios e mudanças

Na entrevista de trabalho:
- Onde se imagina daqui a dez anos?
É a pergunta mais parva que pode ser colocada a alguém. Sei lá!!! Neste dia há 8 anos eu não imaginava que daí a um mês iria decidir vir para a Suíça.
Em Fevereiro deste ano não imaginava que amanhã seria o meu último dia de trabalho na loja.
Eu imagino-me assim em dez anos: podre de rica, a viajar. Acredito nisso?!? Claro que não. Mas imaginar ainda não paga imposto e ainda não é indicinante do futuro laboral.
-E o que é que sabe da empresa?
- Sendo muito honesta, não tive tempo para estudar tudo. Mas sei que fazem check-in, fazem acompanhamento do pessoal até aos aviões, fazem limpeza dos aviões.
-Ah devia saber mais. Afinal como é que se candidata a um sítio sem saber  nada sobre a firma?!? Se não sabe a que se candidata?!?! E nós não fazemos acompanhamento dos passageiros.
Hã?!?!? Eu candidatei-ma funcionária de check-in e não a directora da empresa. E, sim, eles fazem acompanhamento dos passageiros. Só que eu falava da empresa em geral, pois tinha visto esse serviço no Dubai. E eles só falaram daqui...

Depois e hora e meia de interrogatório, um dia de prova e um teste de imagem (sim, maquilhagm e, sim!!!, passei com distinção) lá fui aprovada para o aeroporto.
Chegou o contrato hoje, só tenho que assinar e já está... dia 1 começa outra etapa da minha vida!!!

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Eindeutig ou a história de uma pseudo-intelectual...

Hoje uma cliente na loja:
- Tem a revista Lire?
Eu dirigi-me à secção francesa com ela atrás:
- É que eu procurei e não vi.

Como diria a minha mãe, abre os olhos mula, que a carroça vai cega!  Se ela tem uma revista sobre literatura na mão como é que não viu a outra que está ao lado?!?!
Mas pronto, não disse nada, deixei-a lá com a revista e fui atender outras pessoas.

Estava um senhor a comprar uma revista especial. Eles chamam de "Romane", mas é estilo Bianca para homem. Há de cowboys, ficção científica, policial e sobre Guerra Mundial (nunca percebi qual).
Ele pagou, despediu-se e foi embora. Lá veio a outra com a revista sobre literatura.

- Ah. O que é que ele comprou? Aquilo nem revista é!!
- Chama-se Romane, digo eu, mas sou loho interrompida por ela.
- Aquilo não é Romane [o nosso romance].
Aí nterrompi-a eu:
- É assim que chamam por aqui.
- Ah não interessa. Aquilo não presta. É eindeutig [evidente]

O que é evidente é que ela não teve aulas de cultura portuguesa com o professor V. V.. Se ela tivesse estado umas horas com ele iria perceber que nem todos podem ser seres intelectualmente superiores. Que alguns simplesmente não o querem ser. E mesmo o que querem ser, por vezes, precisam começar a ler A Bola, para criarem hábitos de leitura.

Confesso que me faz confusão saber que há gente que nunca leu um livro em toda a sua vida. Mas quem sou e para julgar?!? Quem é ela para criticar o homem?! Provavelmente tem um trabalho esgotante a nível físico e lê aqueles Romane para espantar o sono no comboio para casa. Sabe-se lá até que ano estudou ele?!? Sabe-se lá se tem dinheiro para comprar livros... Tanta coisa que pode levar uma pessoa a optar por umas leituras e não por outras.
Não gostei da arrogância da mulher. Lembrou-me a minha pessoa com 15 anos, que se achava rainha da cocada por ler mais livros que os colegas... e essa pessoa era muito feia!!!!

É Eindeutig que ela precisa de ler mais, muito mais, sobre as pessoas e o mundo que a rodeia...



segunda-feira, 9 de maio de 2016

Conspiracies

Quando os clientes pagam com cartão eu ponho-me a olhar para o Sete-Estrelo. Não quero que pensem que lhes quero roubar o dinheiro. :p Mas apesar de não estar a olhar, estou atenta aos sinais sonoros da máquina e sei quando o cliente acabou de marcar o código.

Há tempos ouvi uma cliente a acabar de carregar nas teclas e levantei a cabeça para lhe perguntar se ela queria o talão. Qual não é o meu espanto quando a vejo a carregar nas teclas de forma aleatória. No primeiro segundo fiquei a pensar que se tinha enganado e que o som que eu pensava ser de terminar era de corrigir. Como os códigos na Suíça costumam ser de seis dígitos... seria normal ver a mulher carregar em tantas teclas. Só que... ela carregou e carregou e carregou... e aí eu percebi... ela não estava a corrigir nada... ela estava a apagar o rasto dela na máquina e ainda olhou por cima do ombro...

Como eles andEm aí... o melhor é começarmos a carregar em todas a teclas. Isso ou eu vou dar em doida com gente queimadinha de todo...

sexta-feira, 6 de maio de 2016

mente contra corpo

Por aqui ninguém parece estar interessado no facto de ser o aniversário do Freud, assinaladao em diversos domínios, incluindo o português.
É bem mais inportante o Campeonato do Mundo de Hockey no Gelo que começa hoje na Rússia.

domingo, 1 de maio de 2016

Vai masé trabalhar!

Ontem era uma cambada na estação. Mochilas às costas, muito barulho, muito álcool. Não percebia porquê. Só à noite ao sair do trabalho, e dar de caras com um grupo de polícias anormalmente grande, é que me lembrei que hoje é dia 1 de Maio. Nesta terra significa o caos em certas zonas, vidros estilhaçados, cabeças partidas, gente detida. Principalmente por causa de meia dúzia de arruaceiros que se misturam com os manifestantes do Dia do Trabalhador.
Eu tenho que ir trabalhar hoje... de tarde (como eu odeio!!!). A ver como vai correr a aventura!
Até lá, fica o doodle suíço, alemão e austríaco (pelo menos).

sábado, 30 de abril de 2016

opiniões

Como sempre acordei cedo demais. Resolvi dar uma volta pelo mundo cibernético e descobri umas coisas interessantes como umas ilustrações de Anton Gudin que recomendo vivamemte. Mas também encontrei isto:


Eu era uma terrorista em miúda. Não era uma miúda de índole má, mas só fazia asneiras e não tinha filtro a falar. Graças a isso, levei umas boas palmadas. Umas foram merecidas. Outras ainda me doem pela injustiça da situação.
Mas pronto... já passou e eu não estou traumatizada. No entanto, analisando beeeeem o meu passado e todas as tareias, nenhuma delas me ensinou a respeitar ninguém. Aprendi a não fazer asneiras, mas não.. não aprendi a respeitar ninguém com uma palmada. O respeito ganha-se dando-se. Nada mais.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Afinal diz que não...

Ela aparece de manhã bem cedo. Compra as revistas para os pacientes. Controla o loto. O deles e o dela. E joga outra vez. Está sempre cansada. Está sempre zangada. Está sempre irritada. Tudo serve para abrir caminho para resmungar.
No início eu tinha paciência. Tinha pena. Ouvia-a e ainda lhe dava trela. Com o tempo deixei de ter paciência.

Quer dizer... achava eu. Hoje apareceu outra vez. Eu andava a arrumar revistas e ela foi atendida pela minha colega. Disse-lhe adeus de longe. Passado um bocado, aparece na loja a andar de lado para lado à minha procura. Trazia uma rosa na mão. É para ti. Por seres tão simpática comigo e por me ouvires os desabafos. E pronto... fiquei com um monte de revistas na mão especada a olhar para ela e sem saber o que fazer. 
Eu havia de jurar que já não a podia aturar. Mas parece que continuo a ser um amor para ela. Se me perguntarem, eu digo que não sou mal-educada nem agressiva com ela. Mas daí a achar que mereço uma recompensa, que ela me deve alguma coisa... vai uma looooonga distância.

E pronto... mais um momento oooooom que prova que aqueles %#º3#$%&/* não sabem a empregada que vão perder...

 

sábado, 9 de abril de 2016

Vorbild

Eu não dou graxa ao chefe. Detesto que o façam e detesto ainda mais que os chefes esperem um tratamento com deferência digna de divindade. Mas... chefe é chefe. Não o/a trato como se tivesse andado na escola com ele/a. Normalmente aceito as ordens sem problemas (por vezes, dou a minha opinião ou pergunto porquê, mas é mesmo só por vezes e mesmo não concordando eu faço o que me mandam).
No entano, mesmo sendo o chefe chefe... eu espero umas quantas coisas dele. Que me trate com tanto respeito como eu o/a trato. Que nem sequer tente fazer-me passar por estúpida. E que não me trate por "tu" sem antes me perguntar se pode. Eu não trato chefes por tu. Não têm que me tratar também.

Mas pronto... se eu estava triste por deixar a loja, a tristeza foi-se. O novo-futuro-chefe é um péssimo chefe. Em cinco dias de trabalho já chegou atrasado 4 vezes. Depois põe-se a falar ao telemóvel no meio do trabalho. Eu sei que ele é chefe, mas... os clientes também reparam nestas coisas e não costumam gostar de ficar à espera para ser atendido...

E depois de chegar ao pé de mim a tratar-me por tu... eu tremi toda por dentro...

Sei lá... acho que o chefe é chefe. Mas também acho que o chefe tem que ser o primeiro a dar o exemplo - toda a gente sabe que a luz vem de cima. E toda a gente sabe... se a chefia não se porta à altura... um dia o barraco vai abaixo...

* exemplo

sábado, 2 de abril de 2016

Da morbidez dos vivos

No feed  de notícias do livro das caras apareceu-me uma foto de um homem que estava a receber uma condecoração. Fiquei curiosa e tentei perceber o porquê da foto na página do Município de Constância. Ao que parece, é o coveiro da terra a receber um reconhecimento pelo seu trabalho.

Mas ao ficar a perceber a razão da foto percebi que o mundo está mais atrasado do que eu pensava. Houve logo um otário a ironizar o facto. Ignorante, muito ignorante.
Admiramos polícias e bombeiros porque arriscam a nossa vida. Admiramos médicos e enfermeiros porque quase que operam milagres de salvação.

Deveríamos também admirar os coveiros. Se eu já acho o trabalho de cangalheiro tramado... o de coveiro deve deixar uma pessoa bem  perturbada.
Descer um caixão à terra deve mexer muito. Uma caixa onde se sabe estar o que foi uma vida, muitas vezes nossa conhecida.
Sentir o peso da morte nos braços,o calor das cordas a rasppar nas luvas. Depois pegar numa pá ou, ainda mais frio, numa mini-retroescavadora e acabar de vez com a hipótese de aquele corpo voltar a ser visto.
Ou preparar uma campa onde já esteve alguém enterrado. Uma tíbia, o úmero ou o crânio da senhora dona X que até era a mãe do colega de carteira na escola primária e nos dava uma côdea de pão sempre que íamos lá a casa.

Se fôssemos um país onde se preservam os corpos e se fazem fotos a jogar poker com eles... eu compreendia que não se desse grande valor ao trabalho deles. Nós, vivos, trataríamos dos nossos mortos.
Mas se não somo assim, por que raio havemos de gozar com uma profissão que está a desaparecer?!?! Desrespeitar quem tanta força tem para respeitar o nosso avô, a mãe do nosso vizinh, o nosso filho menino que morreu antes de ser baptizado...

Uns são enterrados mortos, outros morrem e enterram-se sozinhos e em vida... :/

terça-feira, 29 de março de 2016

nem sei se ria ou se chore...

Só agora estou a caminho de casa. Saí às duas e depois foi a festa de despedida da nossa chefe. A pseudo-futura chefe resolveu tomar as rédeas das prendas. Andou a engonhar e depois no último momento andámos nós a assinar o postal às escondidas da mulher. Eu resolvi escrever uma frase em francês. Eu sei que ela entende e o risco de escrever asneira em francês é bem menor (e mais compreensível) do que escrever em alemão.
No fim de assinar, estive a apreciar o que a pseudo-futura escreveu e... logo na primeira linha... um erro de alemão. Eu estive ali um bocado a analisar as declinações e... sim, havia um erro.
Eh pá.. é simplesmente triste!!! Tanta confusão, tanto fogo de artifício e depois.. logo na primeira linha tem um erro?!? Um erro na língua dela...
Se até eu sei distinguir o uso da preposição seit (desde) de seid a segunda pessoa do plural do verbo sein...
Sorte a da minha velhota que já não tem que aturar isto!!!

domingo, 27 de março de 2016

Das culpas e das dores

Há quem defenda que o doze é um bom número porque doze eram os apóstolos. Há quem acredite que não se devem sentar treze pessoas a uma mesa, pois o primeiro a levantar-se é o primeiro a morrer.
Esta época pascal mostrou que o doze não é assim tão bom número e que o mal do número treze não é ser o primeiro a levantar-se, mas sjm ser, quase de certeza,  o único a usar cinto de segurança.

Só que antes de se culpar a numerologia, devemos culpar os humanos.
Antes de mais, os que estavam naquela maldita carrinha. Tirando as crianças, que fazem o que lhes mandam, todos os outros adultos podiam ter decidido não entrar na carrinha ao verem que era um carrinha adaptada, que era um único condutor, que era um condutor não credenciado (a experiência pode ser discutível).
Se for verdade que os bilhetes custam 350 francos, fizeram um mau negócio. Conheço uma empresa de autocaros de um português, credenciada, com muuuuuuitos anos de experiêcia (comecei a andar com eles muito antes de poder conduzir), que nunca implica com a quantidade de bagagem (têm condições para isso) e pedem 300 francos por uma viagem de ida e volta. E, marcando com tempo, os bilhetes de avião a partir de Basileia podem ser uma pechincha que compensa o bilhete de comboio até lá e o táxi do Porto até ao destino final.

Depois há que culpar os donos dessas carrinhas. Carregam e carregam e carregam e oferecem garantias e mais garantias e mais facilidades e mais comodidades. Mas... comcemos pelo mais básico: não há nada de confortável em fazer 2000km enfiado numa furgoneta sem janela, entalado entre montes de pessoas, sem possibilidade de esticar as pernas, nem de poder encostar a cabeça como deve ser.

Por fim, as autoridades. Quem deixa homologar uma alteração destas a uma carrinha?!?  Onde anda a polícia a fazer patrulha para não verem estas coisas?!?

E desta história ainda se pode tirar um ensinamento. Nunca viajar para fazer surpresa. A minha mãe fez-me isso jma vez e eu ia morrendo de emoção. Mas se fosse contactada pela polívia para me darem um notícia destas, quem precisaria de psiquiatria, seria eu.

Nunca devemos esquecer: coitados dos que ficam, porque os que foram já não sofrem...


sexta-feira, 25 de março de 2016

Penitência de Quaresma?!?!

Já aqui tinha falado da chefe da chefe, bem de como fui forçada a desistir do trabalho que amo de paixão. Mas a novela parece ainda não ter acabado e eu espero não ter uma crise nervosa que me faça ter uma crise de esclerose...

Eu achava que o meu despedimento forçado não podia ser tão linear. Andei, andei e fui parar a um escritório de aconselhamento jurídico onde me disseram: em nenhuma circunstância se despeça. Se eles não querem aceitar o que você contrapropõe, eles que a despeçam
Mandei um e-mail a informar a chefe da chefe. Retribuiu-me a pedir que lhe ligasse. A sério?!?!? Eu, que odeio telefones, ia ligar-lhe? Eu, que não tenho o número dela, ia ligar-lhe? Eu, que já tinha feito o que me competia, ia ligar-lhe?!?! Claro... o que eu mais sonho é andar a gastar dinheiro em telefones para resolver as borradas dos outros...

Passado um bocado ligou ela. Que bonito... quanto esta gente vê o dito cujo apertado... descobrem o nosso contacto em segundos...

Ah porque você vai ter problemas no centro de emprego. ah porque você não quis ouvir. ah porque você não assinou o protocolo. ah porque eu não sou sua filha para você me falar assim.

A sério que eu ouvi estar merdas todas. Já depois de ter ouvido a boca em que me devia casar para compensar a falta de horas no novo horário (TRUE STORY!!!!!).

Oh pá... se ela me propôs ganhar menos que uma miséria, por que raio devia eu continuar a falar das condições de um contrato que eu nunca iria assinar?!?!? Se ninguém me informa que há um protocolo, como é que eu sei que tenho que assinar um protocolo?!?! E se ela não me conhece, se ela não sabe como eu fale, não me venha com merdas sobre não ser minha filha. Porque... por muito que lhe doa, ela é que tem idade para ser minha mãe (mas muuuuuuuuuuuito menos beleza para tal).
E não, eu nunca iria ter problemas no centro de emprego porque a nova proposta dela foi inferior à miséria de contrato que eu tenho.
Ah porque eu não sabia que você tinha um contrato assim. Eu nunca faço contratos de 25 horas. Ah pois é, bebé!!... mas também não foi ela que fez contrato comigo. Se ela não faz o trabalho dela de forma competente, isso já é problema dela e não lhe dá direito a barafustar comigo e a ameaçar que me desliga o telefone. Eu cheguei àquela loja antes dela. Se ela é incompetente e não sabe o que tem que subordinar... eu estou-me pouco a importar. Eu sei a quê e a quem presto subordinação e não pretendo quebrar nenhuma alínea do contrato até sair dali...

Ninguém merece!!

quinta-feira, 17 de março de 2016

E mais uma reviravolta

A senhora C. é uma alemã muito fofinha que aparece de vez em quando na loja para enviar dinheiro para a Jamaica. Manda coisa pouca de cada vez, quase sempre para o mesmo homem, por vezes para mais um nome ou dois. Na Terça apareceu na loja e eu dirigi-me ao balcão a pensar que não tinha feito o refresh  e, logo, não sabia se eu podia fazer o envio de dinheiro. Ela aproximou-se do balcão com o seu sorriso sereno, abriu a mochila e tirou de lá um pequeno pacote.
- Trouxe isto para si. É sempre tão simpática comigo. 
Agradeci imenso, mas na hora nem vi o que era. Mais tarde abri o saco e vi que ela tinha trazido aquilo para mim, sim, mas das Caraíbas. Fónix!!!! Quem é pessoa que vai de férias e se lembra da vendedora que vê de vez em quando?!? Só uma pessoa muito especial se lembraria disso. Eu senti-me muito feliz, muito orgulhosa de mim, mas ao mesmo tempo bem pequenina.

Ontem também foi dia de me sentir pequenina.  Mas um pequenino bem diferente.
Andavam há já uns tempos a falar em mudança de gestão da loja. Andava tudo em pânico!!! Eu, farta de os ouvir, dizia que o pior que poderia acontecer era sermos todos despedidos e irmos parar ao fundo de desemprego. Ontem foi dia de falar com o futuro chefe. O mesmo ordenado [de miséria]. Vinte horas semanais. Até aqui tudo bem. Quando perguntei se poderia ter dois dias fixos de folga para arranjar um segundo trabalho [coisa que tinha tido quando comecei a trabalhar lá]. Ah não. Tem que estar disponível o tempo todo.
Ou seja: reduziam-me o horário, mas eu tinha que estar em casa à espera que alguém ficasse doente para eu poder ganhar mais umas horas extra.
Então paramos a conversa já aqui. Disse eu, minutos depois de eu ter dito que adoro, amo de paixão aquele trabalho. Esta gente pensa o quê? 1600 francos seria o que eu iria ganhar. Pago 1100 de renda de casa... depois ia para a porta da igreja pedir para comer... Esta gente bebe ou fuma coisas estranhas ou quê?!?!
Se eles me tivessem deixado trabalhar dois dias noutro sítio eu poderia aguentar com menos. Mas 20 horas... é menos de 50% de uma semana laboral (aqui normalmente as semanas de trabalho são de 42 horas, ou mais!). E depois... que fazia eu no resto dos dias? Segundo trabalho estava fora de questão. Arranjar hobbies é bonito, mas para isso é preciso dinheiro e voltamos ao início da questão. Fartei-me de chorar. Mas no fim de lavar a alma comecei a preparar-me... já dei uma espreitadela a alguns trabalhos e agora é começar a procurar de forma mesmo activa e mandar aquela gente à fava...
Tenho a certeza que eles vão perder (pelos menos três já se despediram pelos mesmos motivos). É que ali é preciso saber línguas, ter estaleca e, por vezes, algum descarmento. Mas ao mesmo tempo saber lidar com gente complicada, ter paciência e um belo sorriso para quem está a precisar. E... com tantos cortes e exigências... duvido que quem vier de novo consiga acompanhar o ritmo louco da loja e apaparicar os desejos dos clientes regulares que deixam lá montes de dinheiro...

Eu acho que o novo chefe não sabe onde se está a enfiar e quando vir... vai ser tarde demais para voltar atrás. Quando isso acontecer, vou-me rir... e eles vão ver que afinal eu até sou grande!