terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Com as mãos

O trabalho manual ainda é muito valorizado nesta terra. Desde muito pequenos que mexem em tudo com as mãos. E muitos deles mantém-se ligados ao trabalho manual ao longo da sua vida. No museu há vários exemplos de trabalho manual a ser executado em ao vivo por artesãos vestidos a rigor. Tear, tricot, esculturas em madeira... tanta coisa...

Este é banal. Mas... eu achei tanta piada ao moinho. Muito pequeno e tocado por um fio de água...
Sabem os sinos dos jogos olímpicos, usados em certas modalidades desportivas? Produto helvético... claro! Aqui são exemplos de chocalhos para vacas. Cada sino tem o seu toque próprio que os distingue dos outros.

 Gostei muito da mesa de canto. Além de ser um belo trabalho de marcenaria, é muito interessante ter só duas pernas. Já a cama tem um trabalho relativamente simples no que diz respeito à marcenaria. Já no que diz respeito a pintura... Uma cama destas custa uma fortuna!!!!

Tem mesmo de tudo naquele museu... aqui é onde de x em x tempo se pode ver fazer carvão. Vê-se as marcas de uma pira e a outra a ser construída lá atrás.

       
 Resolvi colocar a drogaria na secção dos artesãos. Primeiro o jardim do botânico. Depois os diferentes moinhos para moer os diversos grãos e ervas que vão ser colocados...

 ... em diversos tipos de recipientes e depois vendidos junto a um balcão maravilhoso com este. Só falta o velhinho curvado, com uma careca brilhante, a olhar por cima dos óculos... :)
Este também é um artista. Já tinha ouvido várias vezes o som grave e agradável deste instrumento tão suíço. Mas ainda não o tinha apreciado ao ar livre. Consegui isso, em plenos Alpes. E, digo-vos... é brutal!

E finalmente chego à última publicação sobre Ballenberg. Não é que não haja mais fotos, não é que não haja mais coisas sobre as quais eu poderia falar. Mas... já se tem uma boa ideia deste museu bastante interessante.

Da terra

Num país tão pequeno como este, conseguimos ver muitos terrenos cultivados. Das batatas e cebolas, passando pelas couves e pelos cereais, chegando às flores e aos frutos vermelhos. Quando fui ver Ballenberg havia pequenos quintais com mimos e outras áreas mais amplas com os produtos já apanhados...
 As parreiras toda agente conhece. Mas a técnica da esquerda eu só conheço da Suíça. Mesmo não sendo um país que viva do vinho, por aqui valoriza-se bastante o néctar produzido em cada região...

 Se as pessoas soubessem a trabalheira que dá produzir tabaco... Mas mesmo assim, na secção do Ticino havia uma pequena plantação de tabaco para mostrar mais uma das produções agrícolas na Suíça.
 
Desde as semente até à apanha... um "campo" de linho. E depois o linho pendurado a secar por baixo do telhado.
Não se conseguia respirar dentro da casa e eu não percebia o porquê de tanto fumo e de tanta escuridão naquela cozinha. Até que calhei a olhar para cima e... xarããã... chouriços! As carnes fumadas nesta terra são muito boas. Não são tão salgadas como um presunto, mas... nham nham... :)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Que mania esta gente tem

Eu adoro esta gente!!! Roem-se para saber o que é que eu tanto escrevo no check-in. Durante as horas sem moscas (ou seja, horas sem trabalho/passageiros) eu tiro notas de trabalho (as actualizações deixam-me louca) ou então escrevo/tiro notas para o blog ou para coisas mais privadas. Para essas notas uso os versos dos tais talões que não servem para nada.
Quando a chefe, depois de muito olhar, se vira para mim ah eu tenho papel a sério, se tu quiseres.

Seja lá o que for papel a sério, se eu precisasse disso, eu mesma traria de casa! No entanto, parece-me mais económico e ecológico se eu rabiscar os versos dos talões e no fim colocar tudo para a reciclagem.

Mas como a intenção não era dar-me papel... eu calei-a com a ecologia e não lhe alimentei a curiosidade. Que fique à fome.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Faz parte, mas não me habituo

- Boneca!
- Ai, menina! Boneca, boneca... só se for de trapos.
- Mas sabe que as minhas favoritas são as de trapos? Tenho muitas. Até um bruxa.
- A menina a brincar comigo...
- Não, estou a falar a sério.
- Uma bruxa?!?


- Como está a minha boneca?
- Boneca... só se for de trapos. Ou uma bruxa...
- Quando eu vir uma bruxa de trapos eu compro-lha.


E comprei. Foi uma animação. Uma senhora que podia ser minha avó, a cair para bisavó, toda contente porque lhe ofereci uma bruxa feita de trapos. E andou a mostrá-la e quando se cansou de andar com ela para trás e para a frente falava imenso da "bruxinha":

Hoje desistiu. Soube que foi em paz. Mas... foi mais um membro da minha enorme família do coração... mesmo sabendo que ela tinha vivido bem, que foi sempre bem tratada e que não sofreu... as lágrimas correm-me cara abaixo quando penso na minha boneca de trapos, a menina Toni.
Descansa em paz.

Fame

Mas nem tudo é tão tenso como armas...

Há umas semanas apareceram-me umas figuras para fazer o check-in que.... não sabia bem... mas tinham qualquer coisa. Escrevi os nomes para mais tarde ver na net. Só hoje é que o fiz. afinal... o cowboys que me trataram por "ma'm" são dados às cantorias... como hoje é dia dos amores... deixo esta...
Pode ser que um dia o Robbie Williams faça o check-in comigo...


Let your love flow, The Bellamy Brothers

Put your head in the air

Pior experiência no check-in? Quer dizer... em todo o tempo que trabalhei no aeroporto (desde tempo das limpezas): fazer o check-in de uma arma.
NOT COOL!!
Na hora de perguntar por objectos perigosos, muos fazem piadas sobre bombas e armas. Quando digo que as armas são permitidas, ficam todos baralhados.
sim, as armas, com a devida autorização e sob determinadas condições, podem viajar como mala de porão.
Eu nunca tinha feito o check-in de uma arma, quando me aparece um matulão a dizer bem alto que tem uma arma. Nós sabíamos, o sistema já nos tinha informado. Mas o meu cérebro bloqueou como se a arma estivesse apontada ao centro d aminha testa.
Como disse, nunca tinha feito aquilo, então tive que recorrer às cábulas. Mas mesmo com cábulas... era o passageiro a dizer que não era assim, era a chefe a mandar-me ler as cábulas, que de claras não tinham nada, o passageiro a barafustar, a chefe a mandar... e eu no meio. :/
Se eu já tenho um certo receio de fazer com uma mala normal em que só há cuecas e chocolates, com arma e balas... até me doía a barriga do stress.
Honestamente, preferia limpar os balcões de check-in todos a ter que colocar a etiqueta verde (só para armas) numa mala!!!...

domingo, 12 de fevereiro de 2017

the love is in the air...

Anda aí uma publicidade de um medicamento contra a gripe que é muito bom. Mas está difícil de achar... Noutra tentativa, falhada!!, para o encontrar encontrei este vídeo.
Muito bom. Muito romântico... oh pá... fiquei mesmo... oooooooh... só a mim não me sai um, ou uma mesmo :D, igual a esta...

Boas festas, aleluia!

Ainda faltam mais temas, mas como hoje é Domingo, vou falar da religião presente no museu de Ballenberg.

Um cantão de cristãos, uns católicos e outros protestantes. Uns eram católicos  converteram-se em protestantes. E vice-versa. Casaram-se entre "partidos", ficando as crianças com a religião do pai. Entretanto chegaram os evangélicos e os muçulmanos e os hindus e os judeus todas as outras religiões. Este pedaço de terra tem de tudo...

Claro que o que vemos presente no presente é só a influência do Cristianismo. Num cantão católico é sempre mais forte a representação da religião. Imagens de santos, estátuas de santos, crucifixos, alminhas nas ruas... há de tudo. Eu vivo num cantão protestante. Quando vou a um católico... olhos sempre com estranheza para as alminhas nas ruas... :/
Já agora... sabem como se distingue uma igreja católica de uma protestante, sem entrar?!? Pelo campanário: católica tem cruz, protestante tem um cata vento, com um galo ou um sol...

Nesta secção não está só a religião cristã. Tem também a representação pagã, anterior às religiões ditas normais. E achei muito interessante haver um quarto dedicado ao velório. Não sei como funciona nos cantões católicos, mas aqui, pelo que tenho ouvido, não se faz em casa, não se toca no corpo, é uma sala mortuária, com um vidro a separar o morto dos outros. E normalmente o funeral (com ou sem cremação) marca-se e é sempre para uma data de dias depois da morte. O oposto ao que se impunha em outros tempos (e impõe noutras latitudes), que praticamente era de um dia para o outro, por questões óbvias de higiene.

 A capela do século XVIII veio de Turtig/Raron, do cantão do Valais.
Em minha casa havia umas imagens semelhantes ao Sagrado Coração de Jesus e ao Sagrado Coração de Maria. E eu tinha uma colecção de pagelas ou "santinhos"... quando ia às festas e aguentava as secas das procissões lá tinha direito a uma moeda para trocar por um papel de péssima qualidade com o santo do dia... :D

Em várias casas vi os crucifixos pendurados nos cantos. Alguém viu algo do género noutro sítio?!
O fresco da Nossa Senhora do Rosário está na casa do Ticino. Claro... embora haja uma tradição de casas pintadas por toda a Suíça, o traço aplicado nesta figura é completamente do Sul...

O velório feito na cama e não em cima da mesa da cozinha!

E aqui temos um Silversterchlaus (em alemão Suíço), figura que sai à rua no dia 13 de Janeiro no cantão de Appenzell Ausserrhoden para comemorar o ano novo. Sim, para aquelas bandas comemora-se a coisa duas vezes e eu ainda não tive oportunidade de ir ver...



Asas, duas patas, pêlos, quatro patas, penas...

O museu Ballenberg é a céu aberto, retrata a Suíça mais profunda e isso vê-se até nos animais... A qualquer país pertencem também os animais. O alce está para o Canadá como o canguru está para a Austrália. Ao águia para os EUA como o urso para a Suíça. Mas depois há os animais que toda a gente confunde... as vacas típicas da Suíça e as cabras que a Heidi tratava.... o avô vivia muito no alto, só tinha cabras!!!!
Uns andavam à solta, outros estavam nos redis, mas havia vários exemplares de vários tipos de animais maravilhosos...


 Os perus são estranhos, mas... assim gordinhos... não há indulto de Acção de Graças que lhes valha. Como se pode ver... as vacas dos Apes continuam a não ser roxas...

 Eu ia tendo uma coisinha má quando vi estes quatro. Aqui é que foi correr dali para fora... Sou muito alta para as casas suíças. Aqui levantava vôo e ia enfiar-se no meu cabelo?!?! oh... só de pensar...
 A cabra vê-se mal, mas era a melhor perspectiva que eu tinha. Sim... ela andava em cima da casa!!!
As mulas... estavam na secção do Ticino. Nunca tinha visto uma ao vivo. Sabia que tinham um corpo mais pequeno que o cavalo e a cabeça maior que o burro, mas... fiquei muito surpresa com a estranheza do bicho. Além disso, acho que têm uns olhos muito tristes, ao contrário dos burros que têm olhos fofos e dos cavalos que têm olhos vivos...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Dentro de portas

Se as casas diferem por fora, obviamente que também diferem por dentro. Mas não é só na mobília. Ora veja-se...

A cozinha da cabana da montanha versus a cozinha da casa do Ticino.

Os primórdios do aquecimento central... mas este fogões são tão valorizados que conheço uma senhora que mandou uma casa com 200 anos ao ar, mas fez questão de preservar o fogão para a casa nova!! :)  


Eu esqueci-me de quantos anos tem este quadro. Mas garanto que não é da década passada. Achei uma coisa de outro mundo... Olha o trabalho que esta gente teve para fazer esta montagem de três imagens!!!!
Aqui são dois quartos da casa do Ticino. Tipicamento do Sul...
Já este berço é mais do Norte. Embora a criança não caísse... mete-me um bocado de confusão tanto atilho... :-O
Esta... toda a gente já viu uma... :D
Chegamos à sala de estar... Um armário lindo. E um fogão de sala... soberbo. Este Já é diferente do outro porque aqui a ideia era mesmo só aquecer a sala. No de lá de cima a forma permite que se aqueçam coisas, que se mantenha a comida a uma boa temperatura, que se sequem os sapatos...

E por fim a sala de jantar. A mesa da esquerda é de uma família mais abastada. O trabalho de marcenaria, a forma, aquela ardósia no meio, as cadeiras... Uma coisa que eu gosto na mobília tradicional suíça é que todas as cadeiras, independentemente da forma, são extremamente leves. Sei lá de wue material as fazem, mas... mesmo leves.
Outro detalhe. Todos os arranjos florais (com excepção de um, que publicarei noutro momento)encontrados nas casas são com flores naturais colhidas nos jardins do museu. Os trabalhadores/voluntários do museu também como tarefa apanhar flores e mantê-las frescas nas diversas casas. O que dá um ar muito mais acolhedor a cada recanto.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A céu aberto

E os atrasados continuam...
Cheguei a Ballenberg (que visitei a meio de Agosto... :D ). Há já uns anos que eu sabia da existência deste museu a céu aberto, mas só o ano passado se proporcionou ir lá.
Aquilo é uma espécie de Portugal dos Pequenitos, mas em tamanho real. Neste museu a céu aberto podemos ver casas de muitos sítios da Suíça. E quando eu digo casas da Suíça, são casas da Suíça. São casas que foram transferidas pedra por pedra para aquele museu. O conteúdo das casas também é original, trazido de diferentes sítios, oferecidos, comprados... sei lá...
Só sei que em pleno interior do cantão de Berna há um canto muito interessante que nos pode ensinar muito sobre a Suíça. Tirei muitas mais fotos, mas tenho que ser selectiva... decidi agrupar as selccionadas por temas. Ajuda a mostrar o contraste enoooorme que existe em 41285km2...


Norte, Sul, Este Oeste... em cada direcção uma área diferente. As estruturas das casas são dependentes de imensas coisas. A topografia. O clima. A matéria prima. Ora veja-se...

 Uma construção humilde, um chalet, de 1520, da zona de Axalp/Brienz, cantão Berna. As pedras ajudam a segurar o telhado.
A outra é uma casa de agricultores, de 1698, de Bonderlen/Adelboden, cantão Berna.

 Ou esta casa vermelha. Parece feita de escamas. Era um albergue em Hünenberg, no cantão Zug, 1891.
A casa de agricultores ao lado veio de Tentlingen, no cantão Friburgo e é dada como do século XVII.

Eu acho piada à chaminé desta casa de Sachseln no cantão Obwalden, sem datas muito concretas, algo entre 1600 e 1850.
 Depois chegamos ao Sul e vemos que as casas do Ticino são outro mundo. A primeira é de Cugnasco, século XVIII/XIX. Na segunda foto vemos o pátio interno de uma casa enorme de Novazzano, entre séculos XIII e XIX. Quem quiser, pode ir lá comer risotto, pois também tem uma osteria.

 Eu achei piada a esta vedação de jardim. Por aqui até que nem é coisa assim tão comum de ver (nesta terra ainda se dorme de porta aberta, quanto mais vedações...). Bem como esta vedação que ladeia o carreiro colina acima. Não fixei de onde são, mas vale a pena mostrar.


 E depois regressamos às casas que nós reconhecemos como verdadeiros chalets suíços (embora eu já tenha ouvido dizer que o verdadeiro chalet suíço veio da Alemanha, da zona da floresta negra).
A casa da esquerda é o ex-libris do museu. Tem uma loja onde podemos comprar alguns artigos produzidos no museu. É uma casa lindíssima, de Ostermundigen, cantão Berna e é de 1797.
A casa do lado é uma villa de um industrial, de Burgdorf, 1785. Lá dentro há uma exposição de trajes típicos suíços. E a riqueza dos móveis...

 O pé direito deste edifício é... enooooorme. Tem uma parte de habitação e uma parte de palheiro/arrecadação. Veio de Oberentfelden, mas duvido que o colmo que a cobre ainda seja de 1609.
A casa construída em gaiola (sim, a técnica das casas da Baixa Pombalina) já pertence aqui ao meu cantão, é uma casa de Richterswil, de 1780. Acho que é uma zona vinícola. Pelo menos a casa é denominada como tal...