domingo, 25 de outubro de 2015

Ennuyant

Há dias caí na asneira de perder o meu tempo num sítio feio. Mas... quem é que ia adivinhar que um sítio que é Património da Humanidade podia ser tão feio e aborrecido?!?!
La Chaux-de-Fonds e Le Locle são duas terriolas no cantão Neuchâtel, ali a cair para  a fronteira suíça.
Como é uma zona um tanto ou quanto inóspita para a agricultura, dedicaram-se à relojoaria e construíram as duas cidades em função disso. Principalmente em  La Chaux-de-Fonds nota-se uma geometria criada nas ruas para facilitar o desenvolvimento da indústria. Quando eu vi fotos pensei que era isso que ia ser interessante... quando cheguei lá...

Mas comecemos pelo começo.  
A viagem até lá baixo é bastante interessante. Mesmo encoberto e com chuva, pode-se ver que o maciço Jurássico é brutal (sim, o que deu nome aos dinossauros!). sem qualquer ironia. É mesmo bonito!

Depois há o ponto positivo de se passar na zona do queijo Tête de Moine. Eu sou suspeita, pois adoro queijo, mas Tête de Moine é muuuuito bom. E como bónus é um queijo bonito de se ter à mesa, pela sua forma inusitada de ser apresentado/consumido.
Na foto aqui por baixo vemos isso mesmo: um queijo e respectivo suporte gigantes... 

La Chaux-de-Fonds...
.


Destacam-se meia dúzia de casas com flores e/ou varandas. De resto... ruas de um sentido, com muitas zonas de 30km/hora (acho que é a terra com mais escolas por metro quadrado), ladeadas por blocos direitos com umas cores esbatidas e pouco mais.





Era um relógio na base do prédio de onde se pode ver a cidade toda. (No topo tem um restaurante... que também não recomendo).

Honestamente, a coisa mais engraçada que vi nesta terra foram mesmo os candeeiros de rua. Não percebi a utilidade, mas achei piada àquelas coisas que lembram cabos de alta tensão.


No jardim museu da relojoaria há várias esculturas. Uma delas é um pseudo marco geodésico com cara de relógio solar que assinala a altitude da coisa... a base são os 1000 metros.
Ao lado temos um carrilhão. Se formos procurar vídeos dele vamos encontrar com o epíteto de maior carrilhão do mundo. Pois... não! Mas garantidamente deve ser dos mais aborrecidos...


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Do ciclo da vida

Conheci-a há mais de 20 anos. Baixinha. Com uns óculos muito grossos. Era a pitosga, como algumas pestes adolescentes lhe chamavam. Era velha. Sempre a conheci velha e enrugada. Era a Irmã do Lanche, como a maioria lhe chamava, porque era ela que nos preparava o lanche, todos os dias, sem excepção. Ou melhor, com a excepção quando lhe parti uma jarra numa mão e a cortei toda. Adolescentes com a cabeça no ar é no que dá... andei semanas a esconder-me dela. E a coitada queria era dizer-me que estava tudo bem, que não tinha que me preocupar.
Durante seis anos foi ela a minha companhia na hora de lanchar. Falava comigo sobre a escola, sobre a vida e quando me tornei maior falava comigo sobre a minha grande paixão assolapada e na sua inocência dizia: se o D. te visse a trabalhar ia perceber que és um bom partido. Meiguinha, com uma paciência superior à de Job. Foi uma espécia de avó consagrada à vida religiosa.
Como disse, era velha, sempre a conheci velha. Tinha mais de noventa anos e estava muito lúcida. Mas se a cabeça aguentou, fiquei a saber que o corpo não. E apesar de acreditar que o sofrimento dela acabou... estou triste pela minha Irmã Teresa Maria.

sábado, 17 de outubro de 2015

Entrelagos

Interlaken (Entre lagos) fica literalmente entre lagos (Thunersee e Brienzersee) e por isso tem esse nome tão original... Devo dizer que não é a terra mais bonita do mundo, mas se uma pessoa procurar bem... há sempre qualquer ponto de interesse.

Uma das coisas engraçadas é a maior e mais antiga macieira que existe na Suíça. Fica entre uma igreja reformista e uma católica que, a meu ver também não são as mais bonitas do mundo. De salientar é que ficam na rota dos Caminhos de Santiago, como outras duas em Thun. Acho que a área envolvente é a que mais pode interessar em toda a cidade...

Como é uma zona turística, há muitos hotéis, lojas de souvenirs e chineses, muitos chineses de tablet em punho a fotografarem tudo e todos...

Tem ainda um parque composto por diversos pavilhões dedicados aos mistérios da humanidade: os Maias, Nazca, Stonehege, entre outros. Passei lá ao lado, mas confesso... não me atraiu rigorosamente nada!

Mas... o que valeu  pena em Interlaken, não foi propriamente em Interlaken. Não estava de todo nossos planos, mas... ainda bem que adicionámos aos nossos planos...

Enquanto procurávamos estacionamento, encontrámos também a placa para um ascensor. Eu olhei para ele e... ai que dor de barriga, mas era impossível estar ali e não arriscar... São cerca de 8 minutos a subir a uma velocidade bastante razoável, de costas para a encosta, fazendo uma curva para a esquerda (quando se está no sopé a olhar para a encosta). As vertigens podem ser tramadas, mas... eu ia: não olhes para o lado... e olhava... e não olhes... e olhava... depois ia: concentra-te nos carris, não no fundo da encosta... e olhava par ao fundo... nos carris!!!... e concentração no fundo... e o meu colega ria-se à minha custa.


Para cima fomos todos bem sentados, sem problemas. Para baixo a coisa vinha à pinha e lá vinha eu em pé. Agarrada a não sei o quê e a fazer uma força descomunal e completamente desnecessária... o ascensor não tremia nada e eu consegui fazer com que a minha mão ficasse gelada com a força!!!!!!!!!

Mas pronto... apesar deste atrofio... chegar lá a cima e... BRUTAL!!!

Em Harder Kulm, temos uma vista... sem adjectivos decentes para a situação... sobre os lagos e sobre as montanhas. A 1322 metros de altitude temos o que se pode chamar de "Plataforma dos dois lagos". Eu agarrei-me bem ao corrimão, mas... as vertigens não venceram. Não podiam... Em cima da plataforma, da esquerda para a direita vemos o Brienzersee (qualquer coisa como lago de Brienz)...

... as montanhas sempre nevadas (picos mais altos da esquerda para a direita): Eiger (3970m), Mönch (4107m) e  Jungfrau (4158m), fazem parte do Património da Unesco, numa complicada ligação com outros picos dos Alpes...
... o vale entre os lagos e os pequenos rios que se formam entre os lagos...
... e por fim, novamente o lago de Thun.

No regresso a casa, viemos por outra zona bem diferente e optámos pela nacional. Além das autoestradas aqui não serm a coisa mais cool do mundo (80km, 100km, de vez em quando 120km...), pela nacional, vêm-se coisas bem interessantes. Como este pequeno lago. Lungern de seu nome, no cantão Obwalden.


Decididamente, foi um dia... sem muitas palavras...

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Quase mais bonito que não fazer nada...

Tenho andado com a cabeça em água e por isso andei que tempos para conseguir um passeio de jeito para a minha folga há dias. Mas lá acabei por me inspirar num postal...
Há já alguns anos li numa loja um postal com uma piada que é só compreendida por suíços da parte alemã. É o trocadilho com um verbo e o nome de uma cidade no cantão Berna. Só quem sabe falar alemão e  conhece a cidade (ou pelo menos sabe da existência da mesma) é que percebe a coisa. Thun  is schön, nichts tun ist schöner. Ou seja, Thun é bom, não fazer (tun) nada é melhor.
Então eu fui lá ver para saber se valia a pena ou não. Claro que decidi passar por outro sítio. É que nesta terra, com raras excepções não podemos planear um passeio para um único sítio. Duas horas a conduzir para despachar a coisa em outras duas e mais duas horas para o regresso...  no way!!!

Assim, fomos direitos a Thun, uma cidade mini, cheia de pontes de madeira, cobertas de flores. Com diversos diques que abrandam a passagem da água vinda do Thunersee (lago de Thun) e que segue novamente como rio Aar
Como eu suspeitava, vê-se num instante, mas vale mesmo a pena. E num dia de Sol como eu apanhei... :)














Thunersee com os Alpes Berneses no fundo.

Estas duas foram feitas junto ao lago, mas já a caminho do novo destino...

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Yps

Nós vendêmo-la lá na loja. E foi assim que eu fiquei a conhecer um ícone com 40 anos. Uma revista para miúdos sempre com uma surpresa acoplada. Devo confessar que não gosto disso... é mais difícil de arrumar...Como a Yps faz hoje 40 anos o .de, o .ch e atéo .at assinalaram a coisa com diferentes doodles, que representam alguns dos brindes mais emblemáticos ao longo dos anos.