sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

O grande desfiladeiro II

Durante muito tempo ouvi falar do Rheinschlucht como sendo o Grand Canyon suíço. No entanto nos últimos tempos também tenho ouvido falar de Creux du Van como sendo o Grand Canyon suíço.
Nunca fui ao verdadeiro, por isso não posso dizer com certezas, mas acredito que estes dois lugares MA-RA-VI-LHO-SOS da Suíça podem ser identificados como Grand Canyon Helvético.

Creux du Van é um circo rochoso com 1,4km de largura e 150m de altura que fica nos Alpes Jurássicos, no cantão de Neuchâtel. Após muitas subidas íngremes e curvas apertadas (o meu carro este ano esforçou-se bem!!!) chegamos a um planalto enorme. A caminhada é muito fácil, mas a vista... é difícil de descrever... melhor ver... :)











Elefantes em exibição

 De forma muito grosseira, podemos dizer que o Circo Knie está para a Suíça como o Cardinalli está para Portugal.
É um circo criado e gerido pela família Knie há 100 anos. Eles têm um circo "normal" que anda pelo país, têm um espetáculo na altura do Natal chamado Salto Natale, com atenda montada junto ao aeroporto de Zurique, acho que não tem animais e que é na onda do Cirque du Soleil, e têm um zoo. Sim, têm animais. Não, não vou entrar em discussão sobre o tema. Até porque eu nunca fui a um espetáculo deles nem nunca vi o zoo. Eu ouvi dizer que eles têm zoo onde ficam os animais bebés (se há bebés é porque também não são assim tão mal tratados), os animais reformados pela velhice ou os animais reformados pela rebeldia (há uns anos uma elefante fugiu e andou a passear pela cidade de Zurique até chegar ao lago para tomar banho, consideraram que era um risco ter um animal destes numa tenda de circo, então reformaram-na).

Mas não é por terem animais em cativeiro que eles não se preocupam com os outros animais. Assim, Fanco e Claudia Knie, com o apoio de vários artistas, criaram a Parada dos Elefantes. Com esta parada pretendiam chamar a atenção da população para os elefantes asiáticos que estão em risco. 
Os 60 elefantes estiveram expostos em Rapperswill (a terra do circo Knie e fica no cantão Sankt Gallen), depois passou pelo aeroporto e acabou na estação principal de Zurique. 
Eu fui a Rapperswill por ser a céu aberto e, obviamente, vi alguns dos elefantes no aeroporto. Só não fui à estação de comboios. Confesso... este ano fui o mais que pude de enchentes. E a estação de Zurique... está sempre cheia... Mas acredito que a grande maioria dos elefantes eram os mesmo de Rapperswill.
















quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Walensee da outra banda

Passo com frequência nas imediações do Walensee (lago Walen). Mas minha perspectiva era sempre a mesma, do lado Sul em passagem pela autoestrada, com paragens numa estação de serviço com vista para o lago. A margem norte do lago tem a particularidade de ter zonas só acessíveis por barco. Sinceramente, por mais interessante que possa parecer, eu não vivia ali. Estar dependente de um barco para sair de casa... não me parece.

Mas este ano foi o ano de procurar outras perspectivas. Então fomos à margem norte do lago. Melhor... tentámos. Com esta coisa dos coronas, havia sítios cheios de pessoas, logo, acessos cotados. Então, seguimos caminho e subimos da margem ao um alto onde nos era permitido ir com o carro. E depis daí andámos a pé. E pela primeira vez pude ver a autoestrada lá no fundo, lá na outra margem. :)



Acho piada a esta foto por causa das riscas no cume da montanha. Não sei se são feitos à moda antiga e são estruturas de madeira ou se já são dos tempos modernos e são em metal. Seja de que forma for, são suportes para evitar avalanches.




Como o nos impediram de ir ver a cascata (fica para outro ano), acabámos por refazer o plano a meio do dia e passámos em Glarus (ou Glarona em português). É a capital do cantão com o mesmo nome. É pequena e... não acho que seja das cidades mais interessantes. No entanto, como em qualquer canto neste país, tem uma história engraçada para contar.

No caso tem a ver com o santo Fridolino de Säckingen. O Santo Fridolino nasceu na Irlanda, fundou um mosteiro em Säckingen (Alemanha) e está representado na bandeira do cantão Glarus
Na bandeira do cantão o santo está representado sozinho. No entanto, numa igreja em sua honra eu encontrei-o com um esqueleto. Achei macabro. Mas depois de ler a lenda, tem a sua graça. 
O esqueleto é de Ursus, um agricultor que Fridolino converteu. Urso deixou as suas propriedades em testamento a Fridolino que aproveitou e criou igrejas um pouco por todo o lado. Claro que a família de Ursus não aceitou. O irmão dele, Landolf, contestou o testamento e levou Fridolino a tribunal.
Para provar que estava a dizer a verdade, Fridolino fez um milagre e trouxe Ursus dos mortos para o ir defender a tribunal e confirmar que as terras tinham sido doadas a Fridolino e à sua obra. E pronto, é assim que temos o órgão da igreja encimado desta forma. :)



Verenaschlucht

Ou garganta/desfiladeiro da Verena.

Fica a poucos minutos do centro da cidade de Solothurn (a terra dos 11!). Mas vale a pena caminhar por um pseudo-desfiladeiro cheio de curiosidades até chegarmos ao eremitério de Santa Verena. 


Aquela zona é uma zona de reflexão e oração. Há vária estatuária e sinalética de cariz religioso católico (nesta terra é importante mencionar isto, pois a cada esquina muda a religião. :) )
No começo de um dos percursos encontramos esta pequena capela. E daqui para a frente é só olhar para os lados para ver as milhentas curiosidades que um percurso tão pequeno tem...

 

Chegando à zona do eremitério encontramos três edifícios. Com a sorte que eu tive, a capela de Santa Verena estava fechada para restauro. Para a próxima...
E em buracos na rocha encontramos várias cenas da vida de Cristo.



Esta capela minúscula está protegida com alarme. Quando me aproximei do janelo da porta, percebi logo por que razão...

 

Como eu disse, o caminho é cheio de coisas curiosas. 

Temos a estátua de Santa Verena. Uma das santas mais veneradas na Suíça, desde o século V. Os símbolos dela são um jarro de água e um pente. Símbolos que representam o seu interesse por pobres e leprosos.


A pedra calcária, como sabemos é muito porosa e facilmente encontramos buracos. Nesta zona é ver a quantidade de buracos com velas.  Deve ser interessante passar ali de noite, cheio de luzinha em todo o lado. No entanto, um dos buracos deixou-me intrigada... Um anjo, os restos de uma vela e uma pedra pintada como se fosse uma runa. A partir desse momento comecei a perguntar-me se as velas seriam de cunho religioso católico ou cunho pagão... :D 


E como se não bastasse tudo o que foi dito, encontramos também um enorme memorial a céu aberto...
Placas presas à rocha ou inscrições feitas directamente na rocha. Há homenagem a várias individualidades da cidade. Presidentes da junta são uns quantos. Mas achei piada especial a estes dois exemplares.
A pedra coberta de musgo é uma homenagem ao geólogo Amanz Gressly. Não é da cidade, mas é de Bärschwil, que pertence ao cantão de Solothurn. 

E na placa está declarado que aquele bloco errático está protegido como património nacional. E graças a esta placa fiquei a saber que um bloco errático é um calhau gigante que foi movido por glaciares e que não é do mesmo tipo de pedras que as que estão nas redondezas.  



Uma outra razão para voltar a Solothurn foi este relógio. Há uns anos, quando lá fui, ainda não sabia que o número 11 era muito importante para a cidade. E sei que tenho que voltar com calma para ver esses onzes todos... No entanto... este relógio, pendurado num edifício de estrutura bem banal... bem... é diferente q.b.... Ele funciona e o boneco mexe-se às 11h, 12h, 17h e 18h. No entanto... eu gostava era de perceber como se contam as horas ali... pois a hora a que eu tirei a foto eram mesmo as 14 horas. A sério... como passará das 11h para as 13h? E como é que se sabe que são 11h30 3 não 12h30? 
Esta obra feita em 1999 por Paul Gugelmann e Bruno Aschwanden é... intrigante. No mínimo! :)