segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dos mitos e da História

 A minha volta por Altdorf e Andermatt foram originadas por uma pedra e uma ponte do diabo. É sério!!!

Reza a lenda que o povo de Uri tentava construir uma ponte por cima do rio Reuss. Como não estavam a conseguir, viram-se obrigados a fazer um pacto dom o Diabo. Siiiim, os helvécios venderam-se ao demo!!!!
O trato era muito simples: se o Belzebu os ajudasse, ele tinha direito à primeira alma que atravessasse a ponte. Dito e feito. O Coisa-ruim deixou que a ponte se construísse. E os moços deram-lhe uma alma como pagamento.
Só que a coisa tinha um pequeno senão... a alma que lhe deram não era exactamente o que o Chifrudo estava à espera... os habitantes de Uri, depois de servidos, fizeram uma cabra passar pela ponte... quase como receber um pagamento em géneros quando se estava à espera de dinheiro... ooops!!! :D

Então, o Tinhoso, enraivecido, pegou numa pedra gigante e atirou-a em direcção à ponte. Mas, por sorte, o basebol ainda não tinha sido inventado e o Sarnento falhou. :D

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Agora a verdade... Tentava-se ligar o Norte ao Sul, pela zona do passo do Gotardo (Gotthardpass) e para isso se criou uma ponte no Schöllenenschlucht (será qualquer coisa como a Garganta de Schöllenen). A primeira surgiu por volta de 1230  e era de madeira, que foi substituída por uma de pedra por volta de 1660. Mais tarde construi-se outra de pedra (1880) e a primeira ficou ao abandono. Como nem sempre tudo corre bem, a ponte caiu (1888), levando a uma reconstrução.
Depois construíram a linha de ferro que levou a outra ponte... Depois construíram uma estrada que levou a um túnel e consecutivamente a outra ponte...
E cheguei a um ponto que já não tenho a certeza de quantas pontes, de que tipo e em que datas foram construídas! Assim, passemos aos dias de hoje...

Neste momento, existem três pontes do Diabo (Teufelsbrücke). A mais pequena, mais baixa e mais antiga é, hoje em dia, só atravessada a pé. Outra, passando por cima da pequena, serve de ligação por estrada entre Andermatt e o resto do mundo (depois das curvas!). Um pouco mais elevada e desviada está a ponte da linha de ferro que serve Andermatt (e outras zonas) com comboio de cremalheira.
Tanto a linha de comboio como a estrada obrigaram a abertura de túneis .

Engraçado é que também existe a pedra (Teufelstein) que o diabo "atirou" à ponte. Mas o que realmente é engraçado é o que fizeram ao pedragulho...
Na altura da construção da autoestrada do Gotardo, resolveram pegar no calhau e mudá-lo de sítio. Ou seja, em 1977, pegaram em 300.000 francos suíços e investiram-nos na deslocação das 220 toneladas do calhau uns 127 metros para o lado. Juro que esta parte, com ou sem diabo, é verdadeira.

Então aqui ficam as fotos...
Mesmo à saída da autoestrada, a cerca de 30 minutos de Andermatt (as tais curvas lá no outro post) vemos, encimada com as bandeiras suíça e do cantão Uri, a Teufelstein. Não entendo bem... as pontes caíram, este calhau está ali há mais de 30 anos e não se mexe daquela posição?!?!?

 
O rio Reuss é considerado um bicho tramado. Como não nado, não me interesso por saber se há zonas navegáveis ou de ir a banhos. No entanto, com a amostra das fotos... Parecia pouca água, mas fazia um barulho!!! E se olharmos para o desgaste das pedras, dá para imaginar até onde chega a corrente na altura do degelo!!!
 

 
Na foto abaixo vemos o Soworow-Denkmal (memorial Soworow). Erigido em honra dos soldados russos mortos em combate quando atravessavam os Alpes sob as ordens do comandante Soworow. O monumento foi feito no final do século XIX. Não sei, apesar de a ponte ser do diabo, este monumento é que tem um peso negativo enorme. Talvez por as coisas estarem escritas só em russo, talvez por ser uma escultura descomunal, talvez por outro motivo desconhecido, mas... aquilo... tem impacto sobre nós!
 
 
Agora a ponte... a pequena é mais antiga, a de cima a que se usa para passar de carro. Da ponte pequena dava-se a volta à montanha, sempre por fora (segunda foto). No entanto, neste momento é-nos permitido atravessar a ponte e passar por um túnel militar, já a parte de contornar a montanha a céu aberto... isso está interdito!!!


Esta casa já serviu de café. Não sei se estava fechado para férias, se só abre no Inverno ou se encerrou de vez. Mas vale a pena ver o fresco (ainda que muito esbatido) da representação do folclore associado a esta zona.
Na foto a seguira ponte nova vista de cima da ponte velha. Pormenor do diabo com a cabra pintados na entrada do túnel.

 Esta foto não parece ter nada de interessante, mas... debaixo da ponte vemos uma escada de metal (a subir da direita para esquerda). Essa escada é utilizada pelas pessoas que passaram pela ponte antiga, entraram na barriga da montanha por um túnel militar e depois querem chegar ao estacionamento feito ao nível da estrada.
Outro ponto interessante é uma porta (?) de grades que se pode ver na montanha, por cima do primeiro pilar, depois do túnel. Não sei exactamente para quê, mas aquilo também é militar.


Depois das escarpas e da agressividade do Reuss, as pontes de carros e pedonal vistas de outra perspectiva. 
 
Na seguinte consegue-se ver as três pontes ao mesmo tempo.
 
Agora... novamente o militar a entrar em acção... A porta de um bunker. E junto ao rio mais uma portinhola com grades. Eu sei que a Suíça está mais esburacada debaixo de terra do que no queijo, no entanto... sempre que vejo coisas assim ainda me surpreendo. Agora saber que ali na zona a actividade militar começou ainda no século XIX. Mais... caso necessário (ataque, guerra), podia explodir-se as pontes, pois é possível dar volta ao rio através desses subterrâneos todos...
 

 
Como disse antes, andar por estas zonas, faz-nos sentir... minis...

Sei que é um post do diabo, mas... para sintetizar tanto mito e tanta história numa coisa só... tramado!!!! Agora que o passeio de há duas semanas está concluído vou dormir. Amanhã ou depois quero colocar as fotos do passeio de hoje, que também teve o seu interesse...

domingo, 26 de julho de 2015

Andermatt

Andermatt é uma aldeia no alto da montanha. A pouco menos de 1500 metros de altitude é um destino de esqui no Inverno. No Verão, quando só há neve em sítios para lá de inacessíveis, torna-se num hotspot (palavra engraçada) para os malucos das caminhadas. Tem uma igreja, uma capela num alto, um clube de tiro, uns quantos hotéis e restaurantes e pouco mais. Não fui pela caminhada, nem hei-de ir pelo esqui (que eu não sou maluca nem rica para ir para uma estância de esqui). No entanto, também não dei como perdido o tempo passado lá.
 
Não, os suíços não são a favor das ursadas. (Touro-tourada, urso-ursada!!!). A fonte tem o símbolo de Andermatt, que é um urso e uma cruz por cima. Como é difícil fazer a cruz pairar sobre o urso... espetaram-lha no pêlo. :p
 
Imagens tiradas da frente da tal capela. (Somos mesmo pequenos!!):
 
 
Detalhes do interior da capela. Devo confessar que aquela mão ali a segurar no crucifixo me pareceu meio sinistra...

 
Tenho desenvolvido uma ocupação que pode ser vista como algo um tanto ou quanto sinistro. Mas... aqui os cemitérios parecem jardins, muitos são O adro da igreja. Por isso, dou comigo a deambular pelo jardim de paz (tradução literal de Friedhof, cemitério em alemão) e a tirar fotos às campas. Esta cativou-me bastante. Dá a sensação de eternidade e longevidade, mesmo no meio de montanhas, mesmo depois de morto. Como é óbvio protegi a identidade do morto e da sua família... (Na outra foto o interior da igreja a que o cemitério pertence).


 
Um urso campeão do desporto nacional suíço (Schwingen). Como sei? A roupa identifica-o como desportista de sumo helvético e a coroa é o símbolo da vitória, tal e qual os romanos! :D


sábado, 25 de julho de 2015

mais uma croma para a minha caderneta...

Eu ainda não vos falei da Y.. Andava há que tempos para o fazer, mas ainda não tinha surgido oportunidade. Isso ou apesar de ser uma croma não era assim tão importante que merecesse que eu abandonasse outras coisas para escrever sobre ela.
No entanto, aquele ser, hoje, deixou-me para lá de f****a. Por isso, vou dar-lhe um pequeno destaque e já vêem se não dá direito a espancá-la...

A Y. é originária dos Balcãs (mas não sei que país), mas estudou e viveu (se não nasceu) sempre na Suíça. Mas... de suícça ela não parede ter muito.
Desde muito cedo (e ela só trabalha ali há um mês) que a coisa começou a chegar tarde. Ela já chegou a atrasar-se três horas!!!!!!!!!! Depois passa a vida na casa-de-banho. Cruzes, ela deve ter uma doença qualquer. Às vezes que ela lá vai e ao tempo que ela lá demora. Isso ou vai para o chat com o namorado (obviamente que acredito que ela é saudável!).
A seguir, para aprender as coisas... zero interesse. Para fazer bem as coisas que aprendeu... zero interesse. Ela chegou a pedir para lavar o chão (éramos duas a fazê-lo), mas... zero interesse. Depois que a outra colega lhe entregou  esfregona, ela demorou 5,9 segundos (confirmei no sistema de video-vigilância) a lavar o chão da loja todo. Acabei por fazer tudo sozinha... demorei mais de uma hora e o chão não ficou 100% do meu agrado.
Mas eu fui ignorando. Até hoje! Ela fez um disparate que... ou eles a mandam embora ou eu despeço-me.

Temos toalhitas refrescantes para venda uma merdice que custa uns míseros 2 francos. Pois não é que sua excelência abre um pacote, tira uma toalhita limpa as patas, fecha o pacote e devolve ao cesto das reservas?!?
Eu consegui identificar o pacote e coloquei-o de parte para mostrar ao chefe. É uma coisa sem valor. Mas... o princípio é que conta!!! Hoje uma toalhita. O que é amanhã?!? Depois, o cliente compra 50 toalhitas e só recebe 48 ou 49?!? Depois... se o cliente se apercebe?!? Reclamação e problemas... não é justo para o cliente, não é justo para os outros funcionários, não é justo para a empresa.

Mas isto foi às 16h22m (tive que ver nas filmagens, para poder apresentar prova ao chefe). Não é que às 19h55m ela volta a fazer a mesma coisa?!? Agora com outro pacote, pois o primeiro está guardado... piooooooor... mais tarde apanhei mais outra toalhita por cima dos papéis no caixote do lixo (não fui à procura, estava mesmk à frente do meu nariz). Ou seja... pelo menos três vezes que a croma fez aquilo.
Mas que se passa comigo, que só atraio cromos?!? Que se passa com o mundo que parece só ter gente nível?!?!! Para onde vamos nós?!?!?

Sim, é só uma toalhita. Não, não tem grande valor monetário, muito menos sentimental, mas... como disse antes... o princípio é que conta!!!

Pelos caminhos enrolados da Suíça

Depois de Altdorf, seguimos para Andermatt. Até certo ponto é sempre a andar, com autoestrada pela frente, sem impedimentos. Depois, conforme nos aproximamos do passo de Gotardo (Gotthardpass), o trânsito começa a adensar. Seja porque ficam "presos" nos semáforos que regulam o fluxo de carros no túnel do Gotardo, seja porque usem o passo da montanha e tenham que reduzir a velocidade por causa das muitas ferraduras montanha acima.
Para quem vai para Andermatt a vida é um pouco facilitada. Como a saída para lá fica antes do túnel, eles têm uma faixa própria. Ainda bem ou teria levado horas a fazer um percurso de meia hora.

Depois disso, é ir montanha acima. A estrada é larga (a sério!!!!) e tem sítios onde podemos parar para tirar fotos, apreciar a vista e pensarmos... fuck! Nós não somos nada! 
Das quatro fotos, intriga-me aquela construção em cimento na última. As outras construções são galerias que ajudam a proteger a estrada e a linha de comboio dos nevões e das avalanches.



sexta-feira, 24 de julho de 2015

A pessoa mais otária

Apareceu um tipo a falar inglês a pedir para enviar dinheiro (no quiosque pode-se fazer envio de dinheiro). Como ele não estava registado e minha colega não fala muito inglês, ela pediu-me para eu o atender. Apercebi-me pelo passaporte que era português mudei o disco para ser, obviamente, mais fácil explicar tudo.
O processo de registo demora pouco tempo, em coisa de meia hora a pessoa já pode enviar dinheiro. Expliquei-lhe o processo e porque aqui del rei que era falso o que eu estava a dizer. Deu-me vontade de o mandar passear, mas depois deu-me gozo ver que eu tinha razão e conseguir chapar-lho na cara. Se nós temos formação para estas mariquices, eu não vou conhecer o processo?!? Mais... eu não consigo explicar em francês, mas... e apesar das calinadas que me saem de vez em quando, acho que ainda falo decentemente português...

Nos entretantos, enquanto ele esperava pela conclusão do processo, não desamparou, literalmente!, a loja (para a conclusão a pessoa não precisa esperar, pode ir beber café ou assim) e ficou ali a fazer conversa da treta.

Primeiro erro, como já cá tinha estado, acha que sabe como as leis funcionam, mas... o tempo passa, as leis mudam e se não formos para o mesmo cantão... mesmo que não tenha passado muito tempo, podemos apanhar regras muuuuuuuuito diferentes. Portanto... escusa de se armar em sabichão. Além disso, para se falar mal das leis suíças tem que se saber as leis. E indo ainda mais além, no extremo, mesmo sabendo todos os códigos penais, civis e afins... se não estão contentes... bazem daqui!!!!! Não sou suíça mas não gosto quando falam mal de cá (principalmente sem saber as coisas!).

Só que a coisa consegue ser pior. Naquela conversa de circunstância de-onde-és-de-onde-vens ele mostrou o quão anormal é.
Ah, és de Viseu?!? Sou de perto e também começa com /V/. E ponho-me a adivinhar. Vouzela?!? Como a resposta foi negativa, perguntei se para Norte, se para Sul. Uns 70 ou 90km para Norte, respondeu ele. Vila Real?!?, atirei eu, embora me parecessem muitos quilómetros. Ah, não sabes a geografia de Portugal. Nunca ouviste falar de Viana do Castelo?!?!

Mas que merda é esta?!?! Desde quando Viana do Castelo fica a 70 ou 90 km de Viseu?!?!

E pronto... mais uma oportunidade que eu tive para estar quieta e ganhei o prémio de otária... do cantão... que eu sou moça modesta... sem manias megalómanas..


No

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Aldeia velha

Já foi há duas semanas, mas o computador aquece demasiado e desliga-se e eu estou a ficar sem pachorra para ele... :/ Por isso só hoje é que me obriguei a aturar este chaço e colocar aqui umas fotos.
Fui com um colega meu a sítios emblemáticos na Suíça. Dois deles à base de mitos. Mas, com ou sem mitos... lindos!
 
 
Saímos com destino a Altdorf, capital do cantão Uri. Pelo caminho vimos montanhas, lagos. A Suíças é mesmo um postal ilustrado gigante!!!! Uma das paragens para as fotos foi junto ao Vierwaldstättersee (lago dos Quatro Cantões, também conhecido como Lago de Lucerna, tendo uma parte conhecida como Urnersee [Lago de Uri] e mais umas quantas coisas... esta Suíça tem tanto de bonito como de complicado!). Nesta foto vemos o cotovelo que separa o Urnersee do resto do lago (se forem a este link é algures entre Brunnen e Morschach). Além de ser uma vista espetacular, podemos ver o monumento a Schiller lá do outro lado (um menisco, acho eu, ali perto da parte rochosa, com menos árvores). 
 
 
 
Altdorf é uma cidade. É das poucas cidades que tem o nome de Dorf (aldeia). Ao contrário de Vila Nova da Feira que mudou para Feira ou o raio, aqui as aldeias sobem ao estatuto de cidade, mas não deixam de ser Dorf... Portanto, a capital do cantão Uri é Aldeia Velha. 
 
É pequena, mas bonita, ali enfiada no meio das montanhas.
No entanto, o que faz valer a cidade é o mito que há à volta da cidade. Quer dizer, não é à volta, é mesmo no centro. No centro da cidade, há um monumento ao grande herói Guilherme Tell (Telldenkmal). Parece que foi nesta cidade que ele usou a sua besta para atirar a seta à maçã que estava na cabeça do filho (a acreditar na história, teria lógica ter sido no cantão Thurgau. Aí é que há maças!!!).
Num dos lados, Tell com o filho, no outro, um fresco que representa o momento da "salvação da pátria". Curiosidade, aos pés da estátua está a data do "Juramento de Rütli" que supostamente fez cm que a confederação helvética existisse. No enatnto, isto é tudo muito vago, há quem defenda que essa cerimónia nunca existiu e oficialmente a Confederatio Helvetiae existe desde 1291... Eu juro que os tento entender, mas... naaaaada! :D

 
Facto é que o convento de monges capuchos a norte dos Alpes mais antigo é o que sencontra no alto de um monte em Altdorf. O convento em si é muito simples, sem nada de especial, mas... debaixo de uma tileira que está no largo à frente do convento... uma pessoa tem uma boa vista. :)
Na outra foto, uma casa com símbolos católicos. Que hei-de fazer!?!?! Habituei-me a não ver símbolos católicos na rua, agora sempre que vejo... acho estranho.

Estava um braseiro daqueles, mas mesmo assim... ainda apanhei este boneco de neve bem inteirinho à frente de um museu ou casa de artes. :D :D :D

 
Gerânios nas janelas e varandas, frescos nas paredes, tabuletas personalizadas... muda-se de terra e vê-se do mesmo. No entanto é sempre um mesmo diferente e interessante. 


Um museu militar no meio das montanhas? Sim existe. Com umas portadas a lembrar a abelha Maia. :D








Já não há discussões como antigamente...

A nova moda é comentar, e, ao não gostar da resposta, apagar o comentário que se fez. Quem responde fica a parecer tontinha/o porque o comentário fica ali colado num mural, mas parece caído do céu sem ligação a nada.
Só de Domingo para cá já me aconteceu duas vezes.

Uma senhora criticava um jornalista sobre a sua forma de falar. Ele, em directo, falava sobre a possível doença mental de uma pessoa. Disse algo como ela sofrerá de uma doença mental. Visto assim, parece estranho, mas no contexto, o futuro não era descabido. Talvez sofra, poderá sofrer, há várias formas que se podem aceitar. O futuro como hipótese é mais raro, mas eu usei o presente histórico para demonstrar que é relativamente normal usar os tempos verbais de forma aparentemente descabida, mas que, na realidade, até estão bem. Ah, porque não concordo e está errado. Disse à senhora que compreendia que ela não gostasse e por isso não concordasse. Agora... quando lhe pedi que mostrasse prova escrita de que a frase, naquele contexto, estava errada... apagou os comentários.

No outro episódio a coisa foi mais hilariante ainda... comentava-se se se deve ou não colocar fotos de crianças online. (Aviso: sou 500000% contra!) Ah, porque eu não tenho filhos e não sei, porque os perfis podem ser privados. Eu estava a caminho do trabalho, de madrugada, ensonada, por isso não me esforcei, mas em menos de um minuto descobri que a mulher faz anos de casada hoje e viveu à beira mar em criança. E disse-lho. Provei que se uma pessoa quer mesmo descobrir coisas... não precisa de muito esforço, menos ainda se as pessoas escarrapacham a vida toda, com ilustrações do quotidiano, no livro das caras, os sites de instantâneos... a resposta dela? Comentário apagado. O meu ficou ali no ar, sem contexto e para não parecer que eu estava com os copos, resolvi apagar tudo.

Ah... gostam de mandar bitaites, mas não gostam de ser contrariados?!? Pensam que por terem uma foto desfocada e um nome parvo na net as pessoas não chegam lá?!?!

Eu, sem querer, tenho descoberto as coisas mais estranhas sobre pessoas que conheço e até sobre quem não conheço. Através da internet tenho apanhado gente a mentir-me com os dentes todos. (Depois admiram-se que eu não dê notícias!) E isto sem me esforçar. Se me esforçasse... não era o site apologista das traições que eu ia piratear...

Quanto a amuarem e apagarem os comentários... cresçam, não fiquem à espera que não haja ninguém a discordar da vossa opinião!

sábado, 11 de julho de 2015

Primeiro tens que aprender a ler!

Clientes a pedirem que recomende livros é o que mais há. A parte mais parva é que eu não conheço a maior parte dos livros que vendemos, embora eu conheça muitos dos autores. Hoje uma moça novita, a dar uma de intelectual, aproximou-se de mim a perguntar se tínhamos livros sobre psicologia ou filosofia.

- Nessas áreas não temos, só revistas. Mas tente na nossa outra loja lá em baixo.
- Já lá estive. Não me pode recomendar um livro onde se aprenda alguma coisa?!?
(...?!?!?!...)
- Pode-se sempre aprender qualquer coisa com qualquer livro. (Nem que seja asneira!!!)
- Pois também é verdade. Mas alguma coisa...
Depois de pensar um pouco, lá lhe recomendei:
- Olhe temos a secção de história e biografias. Ou de ajuda ou de esotérico.

Olhou para mim como se eu fosse um ET e foi-se embora. Ela queria o quê?!? Aprende-se buéééééé nos livros de biografias ou história. Os de ajuda não são obrigatoriamente de auto-ajuda, alguns são só de dicas para o dia-a-dia. Os de esotéricos não são todos sobre signos, muitos deles têm o seu quê de biográfico. Se ela queria algo para aprender...
Mas eu acho que para ela até os Pixi davam (uns livros minúsculos para crianças)... queria armar-se, bateu na porta errada. :p

quinta-feira, 9 de julho de 2015

o mau e o óptimo

Grande parte dos jornais em inglês chegam um dia depois da edição. Apesar disso, conseguimos vendê-los todos, chegando a faltar até para as encomendas. O jornal que mais dor de cabeça dá é o Sunday Times. Chega sempre à Segunda, mas nunca chega para toda a gente. A política interna é dar aos clientes 200% fiéis. Se sobrarem vão para o resto da lista.
Que acontece esta semana?!?! Uma tal de senhora R. (nome que sempre atribuí ao Médio Oriente e que depois me foi confirmado pela mesma) resolveu chatear-me o juízo... só faltou dar-lhe na cara!!!
Porque eu já reclamei com o seu superior e ele garantiu-me que eu receberia o jornal. Porque está aqui, pode ler, eu não sei muito de alemão, por isso pode ler aqui. Porque você está a discriminar-me porque você não sabe escrever R...
Oh pá!!! Para quem mora há 12 anos na Suíça e não fala alemão a minha primeira resposta deveria ter sido go to school and learn some german. Depois, com o andar da conversa e ela, à falta de argumentos, ter puxado do argumento discriminação... a minha vobtade era mesmo de  dizer go f**k yourself.

A sério, eu não posso garantir as encomendas, mas o chefe da minha chefe também não. Só que ele, para a calar e não perder  a cliente garantiu-lhe o impossível. Aquela grande cabra só compra aquele jornal, deixando 10 francos por semana na loja. Como posso eu favorecê-la em função de clientes que vão ali quase diariamente e numa compra banal deixam uns 40 francos?!?!
Se estamos a falar em compra e venda, em lucro e afins... o cenário tem que ser posto em função de quem mais dá. Matemática de primeira classe!!! Mas aquela grandessíssima cabra tinha que me chatear o juízo e usar o argumento mais inválido do planeta. É que se ela não fosse ignorante, ela teria percebido pelo meu sotaque a falar alemão (primeiro eu falo em alemão, depois é que mudo para outras línguas) que mesma sou uma estrangeira. So... Argument ist ungultig. (argumento é inválido)

Mas pronto... nem tudo está perdido. Mais tarde apareceu o senhor C. Ele tem por hábito comprar jornais impressos na hora. Vai variando, conforme o tema que procura, mas são sempre da América Latina. Queria um jornal específico, do Chile, por causa do resultado da copa da América Latina. Como o pedido dele era um pouco complicado, fiquei a fazer sala. Em conversa ficou a saber que sou portuguesa. Logo passou a falar português adocicado, com sotaque espanhol, é que ele esteve dois meses em Coimbra a aprender a língua de Camões. Daí para a literatura portuguesa ou de Portugal foi um saltinho. Pessoa, Torga, Queirós, Ferreira e até  Sostiene Pereira (por isso digo literatura de Portugal). De repente, lá se lembrou que tinha um comboio para a apanhar e saiu a correr com o jornal na mão. Ah!!!Aqueles cinco minutos com aquele Senhor lá conseguiram compensar o 20 minutos que eu tive que aturar a outra ignorante.
É que embora eu não acredite que não tenho sotaque como o senhor C. sostiene, acredito que sou muito mais instruída que a bitch da senhora R.!

sábado, 4 de julho de 2015

E a história não pára de se repetir

Noite de Santo António, Lisboa, quase de certeza no ano de 2003. Conseguimos o milagre de arranjar um táxi para ir para casa (por isso é que o Santo não me faz mais milagres e eu estou solteira! :p)

Taxista (sem responder à saudação) - Para onde?
Uma de nós - Cruzamento da Estados Unidos com Roma, por favor. (Como há muito taxista que não sabe, ou diz que não sabe onde é a nossa rua, sempre usámos esta referência.)

Taxista - Para onde?
Uma de nós - Estados Unidos com Roma.

Taxista - Para onde?
A M. completamente passada - Já lhe dissemos que era Estados Unidos com Roma!
Taxista, deixando perceber a voz pastosa de uma bebedeira - Mas é que as ruas estão fechadas e eu não sei se vocês têm um percurso em mente.

E fez-se luz!!! Ele estava engasgado na preposição. Ele queria perguntar /por/, mas não saía de /para/. Graças à "brincadeira", andei meses a avisar toda a gente para não entrar naquele táxi (entretanto já esqueci o número).

Mas como com a sorte que eu tenho, a história da minha vida repete-se... hoje, antes das 7h da matina...
Cliente - Tem selos?
Eu - Sim, temos.
Cliente - Para a Europa.
Eu - Quantos? 
Cliente - Europa.
Eu- Sim, mas quantos? 
C. - Europa. 
Eu - Sim, mas o senhor pode querer mandar para vários países ou parentes e eu não sei quantos. 
C. - Eu já disse Europa. 
Eu - Mas dizer para onde não significa dizer quantos...
 C. - Quero um. 

E lança um suspiro profundo, de enfado, a achar-se cheio de razão. Não tinha razão nenhuma. Já álcool... nem uma gota faltava.

Eu  não mereço!

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Schlecksäckli in der Aktion?!?

Por vezes, tenho a sensação que a empresa onde trabalho é gerida por anémonas. Eles têm cada ideia...típicas de quem não tem cérebro!!

Um delas é o artigo da semana.
Todas as semanas, de Segunda a Domingo, temos que recomendar um produto. Supostamente temos que perguntar a tooooooodos os clientes se querem comprar aquilo e devemos vender cinco artigos por dia, assinalando a venda numa lista que depois é controlada pela chefe. Eu acho a coisa mais parva do mundo.
Primeiro, como cliente, se eu quero comprar, eu compro, não preciso que me impinjam nada. Segundo, como vendedora, haja garganta para gastar, são tantas as coisas que se têm que dizer a cada pessoa.

Assim, pergunto aqui e ali, sem fazer calos nas cordas vocais. Se os clientes compram, muito bem. Se os clientes não compram, muito bem também.

Acontece que de vez em quando levamos com respostas tortas. Hoje foi um desses dias. Se eu quisesse comprar, eu mesmo teria levado. Hoje custou-me. É que a cliente trespassou-me com o olhar. Mas eu, com uma força enorme, respondi calmamente, do mesmo modo que respondo a quem se ri quando pergunto se quer comprar. Peço desculpa, mas nós somos obrigados a perguntar. Primeiro ela pensou que eu a estava a gozar. Mas quando viu que não... hilariante... quê?!? Isso é inadmissível!! Quem é o responsável?!? Tem a morada?!?! Se isso é o website, deve lá ter um contacto... ah! A chatearem as pessoas.. e com crianças?!? Como fazem?!?! Ah eu vou falar com eles. Tenha um bom dia.

E pronto... saltou do 8 para o 80 em segundos, deu-me vontade de rir. Mas, aqui que nenhum suíço lê, tenho esperança que as reclamações resultem em alguma coisa. É que não há pachorra... parecemos um "qué frô?" de colete... pastilha por um franco? Creme solar em promoção? Este do creme foi uma anedota... foi artigo da semana numa semana de chuvas torrenciais!!!!!!!!

O título é o modo (mais ou menos) que eu uso para perguntar pelo artigo desta semana. Schlecksäckli é o que eles (aqui na Suíça!) chamam a uns sacos de gomas. Lê-se qualquer coisa como [cheléquessécli] e enrola-nos a língua como a porra. Eu quase nunca pergunto, mas tenho tido sorte e tenho vendido alguns (mesmo sem atingir o 5, sou a melhor a vender!!! muahaha!!!!)