quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Simpatias e antipatias

Através da loja pode-se aceder aos backoffices (às vezes adoro armar-me em poliglota) de outra loja e de uma farmácia. Assim, como somos os primeiros a abrir, quase todos os funcionários da loja e da farmácia passam por lá. Mas nem todos devem gostar de passar lá, porque muitos nem bom dia dizem. No entanto há um farmacêutico que dá gosto ver. Além de ser giro (é um puto ao pé de mim!) é de uma simpatia genuina que nem sei explicar. Ele procura contacto visual e com um belo sorriso na cara cumprimenta sempre, toda a gente sem excepção. Gosto do rapaz!

Mas há mais pessoas que me animam o dia. Clientes regulares que dizem que tiveram saudades minhas ou que mandam recado para a menina com sotaque francês.
E ainda há os que dão as gorjetas de uma forma tão bonita como porque hoje é Domingo, o dinheiro está certo. 
Ou os clientes que fazem compras pontualmente ou estão de passagem pela cidade e como forma de agradecimento dizem que sou lovely (ele queria dizer kind). Pequenas coisas que fazem o dia diferente, mais fácil e que mais gente deveria experimentar.

Com isso esquecemos os mal-educados, os arrogantes, os maldispostos e os otários. Que, na minha humilde (!) opinião, esta última espécie é a pior. É que já não há paciência para turistas que não sabem comprar selos!!! São os amis com os seus umbigos gigantes que insistem em dizer international porque não percebem que a Suíça é um país do continente europeu e não uma província do país Europa. E para cúmulo, os ausis parecem estar a apanhar a mania. Não entendem o que é oversea e pensam que quando lhes perguntamos para que país dizem Suíça e depois perguntam se é válido para a Austrália. Siiim... se até o Liechtenstein que tem a mesma moeda que nós tem um sistema postal próprio... que pensa esta gente?! Que nós vendemos os selos de outros países?!? 
Oh... pá.. se não são os mimos dos clientes uma pessoa enloquece por 1.90CHF!!!!!!!

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Aqui, a arte sai sempre à rua.

E já agora, mais uns cliques ali para os lados de Hardbrücke. Não tinham nada a ver com a exposição, por isso não misturei...


Aquilo vermelho é algum bar ou uma discoteca ou algo assim. Aquelas vacas são um bocado sinistras... E depois ver os sacos do lixo... e lá estavam dois a fazerem filmes obscuros... (uma vez mais, eu estava no pacote) :D :D :D
Só cá para mim... na segunda foto não há ali qualquer coisa mal?!?! :D

Esta zona de Zurique é assim alternativa. Depois acontecem coisas como esta... barcos em seco, carros de carrocéis em cima de telhados... :D
E mais ums de Zurique...
As bolas da discórdia!!! Na rua mais comercial da cidade estava um edifício desde o início do século passado com cinco bolas. Eram o ex-libris da loja Bally. Mudam-se os tempos, mudam as lojas... saiu a Bally, entrou a Zara. E começou a confusão... o edifício, com bolas incluídas, tinha sido catalogado pelos governantes da cidade como património histórico. Tinha sido um trabalho de arquitectos importantes na cidade. Desse modo... as bolas não podiam sair. Mas tinham saído... mas não podiam... mas... até que se lembraram de algo diferente. Colocaram as bolas, adaptadas ao século XXI. São bolas, com luzes e todos os dias tem uma palavra nova (de um leque de não sei quantas palavras em alemão que têm cinco letras). No Domingo tinham alguma coisa escrita. Parece que estou a gozar, mas etwas quer mesmo dizer alguma coisa...

Foi uma esplanada no alto de um prédio que descobrimos por acaso. Adorei o copo da água. Que, já agora, em Zurique é servida a maioria das vezes vinda directamente do cano, mesmo que se peça uma água sem gás, por favor...
Passei taaaaaaantas vezes por cima desta ponte, mas sempre do outro lado. Só este fim-de-semana é que descobri  este canto. Tinha peixes quase do tamanho de um tubarão. Imagino como aquilo será num dia de Verão quente... à pinha!!!
Eu vivo fora do meu tempo... devia ter nascido há dois anos para no próximo aniversário receber um assim...
Ainda não percebi qual a paranóia com estes patos nos últimos tempos... e muito menos a razão para este numa varanda... :p
Uma cara de caras, disse-me que minha mãe me disse há tempos. Queria saber se eu sabia o que estava na Paradeplatz. Eu não sabia, continuo a não saber (porque não tem tabuleta), mas pelos menos sei a que se referia.
Léon numa passagem que criaram para as obras de Santa Engrácia cá do sítio (ainda gostava de saber se aquilo vai estar pronto para a Street Parade).

Olhar para cima

Há dias apreceram postais novos na loja. Peguei num para perceber o que eram e acabei por ficar a saber que havia um evento na cidade de Zurique que me era totalmente desconhecido (ultimamente as minhas folgas são passadas em extremos:  dentro de casa ou noutros cantões).
Cheguei a casa e fui para a net cuscar. Quando olhei para as datas, apercebi-me que só tinha anteontem para ir para o passeio... então lá combinei encontrar-me com o pessoal depois do trabalho para ver as coisas.

AUFSEHEN (olhar para cima) apresenta-se em vários sítios pela cidade, mas quase tudo da mesma forma: grandes telas ou projecções penduradas em diversos locais. Duas das instalações estão dentro da estação e eu vejo-as todos os dias. Uma é a estação de Zurique transformada em bonecos "pixalizados". A outra pode ser vista também na internet (e ao que parece em livro)  e é deveras interessate. Switzers é um trabalho sobre os estrangeiros que vivem na Suíça. As telas têm caras, nomes e nacionalidades ou citações como de uma mulher de um país africano (não me lembro qual e é citado de cabeça): "na Suíça o frango vem embalado, não é preciso matá-lo no mercado". Fascinante o trabalho do senhor Roduner (podem espreitar em switzers.ch).

Mas, como disse, há mais coisas em mais sítios e, segundo o telefone de um colega, caminhei 10 quilómetros para os ver quase todos (uns estavam fechados, outros não me interessavam). Aqui ficam as fotos dos melhores/mais interessantes (vá... para mim).
As asas de borboleta exótica pertencem a um grande conjunto de intsalações em Wipkingen (a cair para o subúrbio de Zurique. Urban Jungle - Auf und davon (que eu traduziria por acima e além
O orangotango já tem o nome Urban Jungle - Eine saubere Sache (uma coisa limpa).
Mas a peça mais interessante da compliação Urban Jungle é mesmo esta. Urban Jungle - Blumengraffiti (graffiti de flores). Na placa com o nome do autor da arte ainda estava uma nota, como se as flores falassem: ainda estamos a crescer. Siiiim! Eu não estou a gozar com ninguém. Este matagal faz parte do evento. Havia mais, mas achei que bastava uma foto para se ter uma ideia... :D
A caixa tinha a Uhu in the box. Nem comento!!! A coruja mexe-se, tem momentos em que parece qie está a interagir connosco. Mas é mesmo só parecer... porque lá estavam dois cromos a brincar a ver se havia um sensor ou algo do género (uma das cromas era eu...) A coruja pertence a um conjunto de duas corujas. A outra é uma projecção que se pode ver só de noite. Então ´conjunto é: Urban Jungle - Nachteule und Uhu (coruja nocturna e Uhu)


Já no centro de Zurique:
O tricot em volta das coisas já me irrita, mas as cores... são tão bonitas... Knitted Parking (sim, porque aquilo é uma entrada de um parque de estacionamento)

Muita gente pensa que essa coisa dos vegetarianos é recente, mas... a primeira casa vegetariana abriu na Suíça ainda no século XIX. (também só descobri com este evento na cidade). A Grasfassade é a fachada de relva e envolve o edifício onde está a Haus Hiltl, um restaurante, um talho vegetariano (?!?, mas é o que está na fachada) que está na mesma família há quatro gerações.

O Walter Tell (o nome do filho do Guilherme Tell) até está bem situado... chama-se Tradition e há lá coisa mais tradicional que um banco, na Bahnhofstrasse?!?! :D
Eu não percebo muito bem o que é que umas orelhas num observatório podem ser fascinantes, mas pronto... se eles dizem que é Faszinierend, eu acredito. :)


Dust Catcher e Fruit Machine. Um tapete (?) gigante numa parede e uma slot machine gigante, cada um associado a um supermercado diferente. E aquilo não fez linha... 


domingo, 16 de agosto de 2015

C'est une merde!

Dois dos meus bisavós viveram no Brasil. Coincidência, a filha deles foi casar com um homem que também foi viver para o Brasil. Sei que primos em décimo grau são a pontapés em terras de Vera Cruz. Mais de metade da minha família vive no Luxemburgo. Para aí dois avos vive nos EUA. Um avo na França. A minha famíia mais directa (pais e um tio) passaram mais anos na Suíça do que em Portugal. Tenho uma prima que veio de Macau e um montão de primos que são ditos retornados de Moçambique.
Conheço espanhóis, turcos, italianos, entre tantas outras nacionalidades, que vivem há tantos anos na Suíça que nem sei como não têm passaporte suíço.

No meio de tanta mistura, ponto de partida e chegada, ajnda ando à procura de uma família semelhante à do filme A Gaiola Dourada.

Vi o filme hoje pela segunda vez, de propósito. Tentava encontrar algo novo ou uma nova visão sobre o filme, mas... não... continuo a achá-lo uma ofensa ao emigrante português. Não tem a ver com os clichês... é a maneira como os clichês são apresentados.

São apresentados como se fossem verdade, e que toda a gente sabe que é verdade mas quer negar afirmando que é verdade que é um clichê. Faz sentido?!?

Não sei se é porque eu acho que fado é deprimente e há anos que enjoei pastéis de bacalhau. Não sei se é por achar estranho o Pauleta aparecer a atirar bolas em propriedade privada no Douro vinhateiro...
Só sei que aquilo é estranho e assusta-me pensar que os portugueses se identifiquem com personagens que trabalharam uma vida sem se queixar e na hora de mudar, em vez de serem francos, jogam com a falsidade e destroem o seu trabalho...
Na minha terra há uma palavra boa para issl, mas eu fico-me por um sinónimo mais suave, as personagens são cobardes...

sábado, 15 de agosto de 2015

Trocos

A mim ninguém vê a suplicar. Paleeeese!!!! Pede-se o que se quer, se não se consegue, dá-se a volta... pede-se a outra pessoa, pede-se outra coisa, agora... pedinchar, rebaixar, suplicar... no way!!!
No entanto, cada um é como quer. Se há quem goste de andar com a cabeça no chão... força! Não quero saber.
Mas... (sim, uma adversativa com reticências) por amor da santa, não peçam gorjetas!
A-DO-RO receber gorjetas (e também gosto de dar). Mas acho triste. Triste não. Muito triste quando alguém se faz à gorjeta.

Ou seja, eu não pedincho e de certeza que não pedincho gorjetas.

Só que parece que nem toda a gente pensa isso de mim. Hoje estava a dar o troco, vinte cêntimos de franco. Estava aflita da garganta e pigarreei. Pedi desculpas, mas tive que voltar a pigarrear. Oh!!!  A cliente alucinou, começou a barafustar comigo. Que eu não tinha nada que estar a fazer aquilo, que não mudava nada, que era dinheiro...
Com o pigarreio demorei a ouvir, como a coisa era tão absurda demorei ainda mais a assimilar. No fim de assimilar... achei tão ridículo que nem respondi.

E lá foi ela, sempre a remoer até à saída. Eu? Eu fui beber água.. :D

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Joguem no euromelões

Não sei quem me enviou, mas há tempos recebi um link para ver um vídeo. Eu ainda me pergunto como e por que raio acabei eu a visualizar o vídeo. Sei que era sobre a empresa que está na berra.
Aquela empresa onde se paga para se receber dinheiro. Convidavam o pessoal a entrar para fazerem como eles, porque depois podíamos ir para as piscinas dos amigos e coisas bué da fixolas...

O vídeo era tão mau, com uma imagem péssima, com uns protagonistas com péssima dicção, sem jeito para a dramaturgia...
Só uma pessoa cega e surda e sem cérebro é que poderia alinhar na coisa... mau, muito mau, péssimo, para lá de péssimo...

Assim, sorry... mas não tenho pena dos otários que alinham em pagar para ver publicidade...

Valia mais gastarem o dinheiro em raspadinhas... tenho a certeza que não o perdiam todo...

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Dos signos da vida

Não sei precisar o dia ou mesmo o mês, mas faz este Verão vinte anos que viajei para a Suíça pela primeira vez. Uma euforia. A família toda no autocarro cheio de emigrantes, filhos e avós de emigrantes. Que aventura para dois garotos que só tinham ido à fronteira comprar caramelos.

O regresso já não teve tanta piada. Não era a primeira vez que nos despedíamos dos meus pais. Mas era a primeira que éramos nós a deixá-lospara trás e não o contrário. Depois da primeira vieram muitas mais.
Apanhar o autocarro em Viseu por volta da hora de almoço de Sábado e chegar no Domingo pela meia tarde. Ou entrar no autocarro em Zurique de manhã cedo para só chegar a casa no dia seguinte de tarde.
Se nas primeiras viagens só custou a despedida, com o tempo as despedidas eram o que menos custava.
Os corpos crescidos e impacientes de dois adolescentes que têm que percorrer 2000km em pouco mais de 24 horas apertados dentro de um autocarro... insuporável.
Mas mesmo assim ainda não era isso. O que pesava mais do que a bagagem, desde sempre, era a falta de raízes. E se há algo que custa mesmo a suportar é o facto de não estarmos presos a lado nenhum. por muito que se goste de viajar, toda a gente sabe que o melhor é mesmo chegar a casa. Mas... where is home?
Nao me venham com Pessoa. Experimentem viver só com a máxima da casa ser a língua a ver se conseguem....

Ou seja, há 20 anos que começaram os sentimentos mais difíceis de explicar (não se iludam, o amor é simples de explicar em comparação a este de não-pertença).

E veio-me tudo à memória. O engulho que me dava antes de entrar no autocarro. Um enjoo, uma agonia. Um nervoso miudinho a desejar o fim da viagem que ainda não tinha começado.Tudo.
Ficaram de me ir buscar depois do trabalho, mas como a pessoa não se desenrasca em Zurique, o ponto de encontro foi junto ao estacionamento dos autocarros de longo curso. Estava a chegar este da foto. Apesar da matrícula suíça, pertence a um empresário português. Não é o único que transporta sonhos, esperanças, crianças e avós, muitas saudades e ainda mais lágrimas.
E eu, sempre com o meu olhar amargo sobre as coisa,  ainda consegui ver alguma ironia no escorpião. Segundo dizem, é um signo mau. Toda a gente sabe que é um animal como a vida: tramado. E como não chegasse, é o meu signo.


Para cúmulo, choveu torrencialmente e os nosso planos foram alterados...

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Bad Ragaz

No passeio por Coira encontrei um folheto que mencionava uma exposição de estátuas em Bad Ragaz. Há uns meses eu tinha ficado a saber da existência da exposição, mas esqueci-me. Como Chur não é grande, resolvemos ir até Bad Ragaz depois de almoço e ver as estátuas. Andámos por lá 3 horas e ainda ficaram muitas por ver.

Bad Ragaz é uma terriola minúscula já no cantão St. Gallen. Tem uma estância termal (não com água sulfurosa, quente e a borbulhar por todo o lado). Deve ser mais pela cor barrenta do rio que passa lá. Tamina chama-se ele. E não são as taninos do vinho que fazem bem?!?!? Portanto... é quase a mesma coisa... ahahahaha

Agora a sério, Ragaz tornou-se famosa quando se transformou em Bad Ragaz. Ou seja, a terra chamava-se Ragaz, depois descobriu-se lá na garganta do Tamina uma fonte termal (não percebi onde) e criou-se a estância termal (Bad, que pode ser também piscina ou praia, conforme o contexto).
É famosa pela estância, com hotel todo betinho. Mas também pelo facto de Johanna Spyri ter escrito a história da Heidi naquela estância termal (a senhora era adoentada, por isso é que criou a personagem Clara). Com o avançar da modernidade criou-se um campo de golfe. E outra forma de atrair turistas foi a criação da exposição trienal de estátuas, no festival Bad Ragartz.

É uma terra mesmo pequena, mas ainda deu para uns cliques (e não fui até à zona da estação, que me parece ter um edifício simpático) que deixo aqui. As estátuas serão para outro (outros?) post.

 A estância termal estava neste edifício. Renovaram-no e agora é um posto de turismo com uma fonte cheia de bicas com água a correr (não sabe a nada de extraordinário...).
 

O turista de meias foi fotografado por mim e comigo. Aí era o turista de sandálias e meias (que eu acho muito confortável) e a turista de pé descalço n(muito calor, ténis... claro que as meias azul-turquesa ficaram... imundas!).




Eu achei muito interessante a vitrine deste cabeleireiro. Aqui estão expostos os pins do 1.º de Agosto. Todos os anos a Pro Patria vende um pin para assinalar o aniversário da Suíça e angariar fundos em favor da pátria e da festa da pátria.
 Eu não vi placa por perto, portanto, acho que a decoração da fonte não faz parte da exposição.



 A garganta do Tamina. Uma pessoa que estava comigo queria subir a garganta. Mas... 200metros de altitude em 4km... uma subida demasiado abrupta para uma pessoa que não faz desporto... por isso... no way!!!

Não percebi aquele dique. Sei que a escarpa estava escorada. Não sei se o desvio da água é para evitar a erosão...
A estátua não fazia parte da exposição, mas da decoração em frente à biblioteca de Bad Ragaz. A fonte tem lá um aviso veeeeeeelho a avisar das punições caso resolvam danificar o património público.


Uma sequoia com mais de 100 anos. Se esta é enooorme, como serão as gigantes nos States?!?! 



O cemitério da terra surpreendeu-me como nunca me tinha acontecido por aqui. Nossa Senhora de Fátima e os pastorinhos representados deste tamanho num espaço de culto "dominado" por suíços?! No mínimo raro.


Outro Zé Manel que não pertencia à exposição. Mas ali... de braços abertos, não seria simpática se o ignorasse. :)