sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Sand

Mais um ano, mais uma exposição de esculturas de areia. E, sinceramente, acho que, em comparação com anos anteriores, estavam muito melhores (o ano passado só vi em fotos, mas mesmo assim).

mutual understanding, equipa russa.

tenderness, equipa ucraniana

Estas são inominadas, do mesmo modo que os seu criadores são desconhecidos. :D

 the butterfly effect, equipa holandesa.


virtual love, outra equipa ucraniana


this miracle will open your eyes, outra equipa russa. E esta tem um efeito que se nota melhor nas fotos do que ao vivo. Principalmente na segunda. 

you make me melt and give me butterflies inside, uns românticos vindos da Holanda


carefree, também da Rússia

 
happiness loves silence, estes russos lembraram-se do Shakespeare. Tirei a foto dos detalhes, o mamilo está bem, mas as veias… como se fazem veias em areia?!?

dancing in the rain, veio da Letónia


amor es vida
a escultura é estranha, de um lado e pior do outro, e não esteve a concurso.. Mas depois de se perceber quem a fez, compreende-se a simplicidade. Foram 6 elementos de um centro de apoio a pessoas com deficiências que fizeram o coração.

dream, mais uma equipa russa!!!
Esta lembra-me o presidente da Coreia e o o Mao Tse Tung e um buda e um mais não sei o quê. Sinceramente… a estátua menos interessante, mas a que ganhou o primeiro prémio. Há coisas que não se entendem. :/



segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Madeira helvética

A trienal de Bad Ragaz já chegou. E eu já lá fui ver. Coisas interessantes, coisas que… pronto (eu hei-de colocar por cá). E pelo meio descubro as estátuas da Woodvetia.

A Woodvetia foi uma campanha criada para defender a madeira suíça. Defendê-la em todos os sentidos. Não cortar de forma desregrada, mas também não deixar crescer sem controlo. Pois se uma não é boa a outra também não é melhor. É preciso fazer desbaste de vez em quando. Defender a madeira suíça é também dar prioridade ao consumo da madeira de cá. Dá trabalho aos locais, mantém a floresta organizada e diversificada. Uma floresta mais agradável a todos e com menos riscos de destruição, seja qual for o tipo de destruição.

Para chamar a atenção das pessoas eles resolveram esculpir nomes importantes da cultura suíça em diferentes tipos de madeira, de diferentes cantões. Uma das estátuas andou a passear sentada num comboio e eu cheguei a viajar com ela. E mais tarde estiveram expostas numa praça em Berna. Quando as apanhei em  Bad Ragaz… fiquei bastante contente. Além de poder ver as estátuas todas, posso partilhá-las por aqui e mostrar mais um pouco da variedade cultural suíça. Variedade cultural aplica-se em diferentes sentidos, diferentes áreas do espectáculo ou das ciências, diferentes culturas de árvores e as duas origens (na legenda), e as línguas usadas na base das estátuas (percebe-se nas legendas, eu coloco o nome da árvore na língua que está na base da estátua).


Alfred Escher, 1819 - 1882, Stieleiche (carvalho-roble), Zurique (este foi o que andou a passear de comboio, uma outra estátua, mas era o mesmo senhor)
Marie Tussaud, 1761 - 1850, Winterlinde (tília), Berna (sim, a dos bonecos de cera; não, não é suíça de nascimento, mas está ligada à Suíça)
Guillaume Henri Dufoir, 1707 - 1875, Sapin de Douglas (um tipo de pinheiro), Genebra



Hildegard Kissling (uma telefonista de Thurgau), 1950, Bergulme (um tipo de ulmeiro), Berna
Rudolf Olgiati, 1910 - 1995, Lärche (outro tipo de pinheiro), Grisões
Simone Niggli, 1978, Esche (Freixo),  Berna


Lux Cuver, 1894 - 1955, Nussbaum (nogueira), Zurique
Carla del Ponte, 1947, Edelkastanie (castanheira-portuguesa), Ticino
August Piccard, 1884 - 1962, Aulne Glutineux (amieiro), Basel Cidade


Simon Ammann, 1981, Fichte (mais outro pinheiro), São Gallo
Johanna Spyri, 1827 - 1901, Waldföhre (pinheiro da Escócia), Maienfeld (aqui não é cantão, mas sim a zona onde a Heidi "cresceu", onde existe a Heidiland, onde a ficção se torna real).
Stress, 1977, Hängebirke (vidoeiro-branco), Vaud



Polo Hofer, 1945 - 2017, Weisstanne (abeto), Berna 
Gilberte de Courgenay, 1898 - 1957, Hêtre (faia), Jura
Giovanni Segantini, 1858 - 1899, Arve (pinheiro, mais um), Grisões


 Iris von Roten, 1917 - 1990, Robine (robinia, seja lá o que for), Basel Cidade
 Kathrin Altwegg, 1951, Hagebuche (carpinus betulus, talvez um tipo de bétula), Soloturno
 Henry Dunant, 1828 - 1910, Érable Sycomore (bordo), Vaud

Dimitri, 1935 - 2016, Ciliegio (cerejeira-brava), Ticino
Gottlieb Duttweiler, 1888 - 1962, Eibe (teixo), Zurique

sábado, 21 de julho de 2018

Areia na quinta

Estou cá com uma tosse estranha… Estou tão mal que nem fui trabalhar. (suar e andar nas correntes de ar…)
Aproveitei para, quando conseguia levantar a cabeça, tratar de papéis e de pastas no computador. Como seria de esperar, há fotos que tirei com intenção de colocar aqui e...

Foi numa das quintas do coração que apanhei quatro estátuas de areia. Cem toneladas foram usadas para criar quatro símbolos da Suíça. Uma pesada obra de arte…
O Matterhorn, que toda a gente conhece do chocolate, mas que não tem nada a ver com chocolate. :)

Franco Knie, domador de elefantes e director do circo mais importante da Suíça (Circo Knie). Sem estar a defender o circo na parte de apresentações com animais, é interessante de assinalar que o jardim zoológico deste circo fica bem perto da quinta. Chamam-lhe Kinder Zoo (zoo para/de crianças), é o sítio onde nascem crias novas e onde se reformam os animais velhos demais para os espectáculos. 

A edelweiss.

E um agricultor com uma vaca. Não tem as cores, mas pela forma, parece-me a representação dos agricultores da zona de Appenzell. E, mais uma vez, se mostra a importância dada aos agricultores nesta zona!!

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Amor peludo

Andava um.pequeno diabo a correr e a gritar feito louco em plena área de check-in. Eu devia estar com uma cara muito expressiva a olhar para a cena, pois o passageiro que chegou ao pé de mim começou a falar do assunto. Concordámos que a culpa era dos pais que não lhe davam educação.
Os meus filhos estão aqui comigo e comportam-se, diz-me o velhote. Eu não dei importância, pensei que ou eu tinha percebido mal ou ele estava chalupa. Mas ele prossegue: eles estão legais até o passaporte trago comigo. E começa a mexer no porta moedas. De lá saem dois mini passaportes britânicos. Aí a coisa tornou-se séria. Eram dois Teddy Bear Passport do United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland.
Eu fiquei logo meia derretida. Agora, quando os meu olhos viram os "filhos dele" a ser tirados do saco... fiquei oooooh... 😍😍😍

Mas o que me tocou lá no fundo foi a explicação daqueles filhos felpudos. A mulher tinha muitos ursos de peluche. E fez o homem prometer que ia passear com eles depois de ela morrer. A senhora morreu há três anos com cancro. Os ursos continuam a conhecer o mundo. E não é preciso mais conversa...


sábado, 9 de junho de 2018

Sentir

Trabalhar num aeroporto pode colocar-nos em situações que nos despertam as emoções mais opostas, situações que não passam pela cabeça dos comuns mortais (sim, quem trabalha num aeroporto não é comum, para começar, só quem não bate bem da bola tem horários estranhos como nós...).
Ontem foi um desses dias...

Discussões com indianos por causa da bagagem, discussões com chineses por causa da bagagem... até aqui nada de novo.
Aeroporto momentaneamente fechado por causa da trovoada (quem está junto dos aviões simplesmente pára de trabalhar porque o risco de acidente (mortal) é muito elevado), espaço aéreo europeu congestionado, coisas que fazem com que os aviões atrasem horas e as pessoas comecem a "panicar" e a fazer perguntas que não interessam e a atrasar-nos o trabalho... continua a não ser nada de novo.
No entanto, houve coisas novas e fui ao céu e ao inferno em poucas horas.

Um episódio... ooooom.... dois namorados muito novos, ele apresenta os documentos e ela não pára de perguntar: aonde vamos? aonde vamos? Eu tive que estragar a surpresa... porque eu sou obrigada a perguntar se Paris é o destino final. Mal ele me confirmou, ela atirou-se ao pescoço dele... oooooooh... :)

Mas como a minha vida não pode viver sem adversativas... veio a reviravolta.

Estava sozinha no check-in. Um senhor quase idade para ser meu pai, com um sorriso triste e uma educação fantástica, pergunta-me se é possível mudar o bilhete dele. Enganou-se a comprá-lo. E explicou-me porque se enganou, o pai doente com cancro, ele tinha vindo uns dias antes à Suíça por causa dele... Aquilo tocou-me.
Vi se tínhamos lugares nos vôos que faltavam sair e disse-lhe que tinha que esperar pela minha colega. Expliquei que eu não posso manipular bilhetes, mas que daí a coisa de uma hora a minha colega regressava e que mesmo que ele tivesse que esperar, se fosse possível mudar ele tinha muito tempo para apanhar o avião. Agradeceu-me e foi-se embora.
Nem meia hora depois, voltou. Estava na fila da prioridade e eu disse-lhe que esperasse na linha do atendimento ao cliente. Tudo isto enquanto fazia um check-in  a uma senhora inglesa, completamente despreocupada.

Ele aproxima-se e diz-me: Eu não vou esperar. Venho dizer-lhe que esqueça tudo. O meu pai acabou de morrer.
O que se diz numa situação em que temos a etiqueta de uma mala de uma inglesa numa mão e o talão de embarque da mesma inglesa na outra??
Só sei que queimei os parafusos todos, despachei a inglesa que percebeu que eu não estava bem e que só deixou o check-in quando eu lhe disse que ia chamar alguém para me substituir.

Já me passaram pessoas pelas mãos que estavam a viajar para ir casar numa ilha paradisíaca e se esqueceram do vestido de noiva (mas conseguimos salvar a situação), gente que ia fazer o Caminho de Santiago a partir de Bilbao e estava preocupada com o peso da mochila para a viagem. Já fiz o check-in de quatro gerações: bisavó, avó, mãe e um rapazito de uns sete anos (perfeito seria se fosse menina!). Já tive momentos em que disse a uma família inteira que não pode viajar por falta de um documento. Ou momentos em que digo a um pai, pelo telefone, que o filho dele não pode viajar para a Macedónia e que a avó vai ter que ficar na Suíça com ele, porque faltam CINCO dias no passaporte para estar tudo legal. Faço check-in a famosos com alguma regularidade (há dias discuti com um gajo que anda aí na berra, todos os dias oiço a música dele na rádio e não... ele não levou a dele avante). E check-in para pessoas a caminho de um hospital para ver familiares doentes ou de um cemitério para enterrar um ente querido, também não é novidade.

Mas... aquele sorriso triste, aquela educação toda... não mereciam receber uma notícia daquelas num terminal de aeroporto. E como eu não sou de pedra (nem quero ser)...