quinta-feira, 28 de abril de 2016

Afinal diz que não...

Ela aparece de manhã bem cedo. Compra as revistas para os pacientes. Controla o loto. O deles e o dela. E joga outra vez. Está sempre cansada. Está sempre zangada. Está sempre irritada. Tudo serve para abrir caminho para resmungar.
No início eu tinha paciência. Tinha pena. Ouvia-a e ainda lhe dava trela. Com o tempo deixei de ter paciência.

Quer dizer... achava eu. Hoje apareceu outra vez. Eu andava a arrumar revistas e ela foi atendida pela minha colega. Disse-lhe adeus de longe. Passado um bocado, aparece na loja a andar de lado para lado à minha procura. Trazia uma rosa na mão. É para ti. Por seres tão simpática comigo e por me ouvires os desabafos. E pronto... fiquei com um monte de revistas na mão especada a olhar para ela e sem saber o que fazer. 
Eu havia de jurar que já não a podia aturar. Mas parece que continuo a ser um amor para ela. Se me perguntarem, eu digo que não sou mal-educada nem agressiva com ela. Mas daí a achar que mereço uma recompensa, que ela me deve alguma coisa... vai uma looooonga distância.

E pronto... mais um momento oooooom que prova que aqueles %#º3#$%&/* não sabem a empregada que vão perder...

 

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